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2 SEGURANÇA AMBIENTAL NOS ESTUDOS ESTRATÉGICOS

2.3 NOVOS CONCEITOS NA ÁREA DE SEGURANÇA AMBIENTAL E SEUS

Na década dos 2000, surgiu um grande corpo de pesquisadores que examinaram possíveis elos entre a degradação ambiental, o conflito, a violência e as guerras, bem como uma discussão paralela nos círculos políticos sobre as fontes ecológicas de insegurança (CONCA, 2001 p.1). Nesse contexto, surgem alguns dos conceitos básicos sobre segurança ambiental nunca debatidos até então, uma vez que atualmente parecem afastadas as ameaças das guerras nucleares e das suas consequências ambientais.

No entanto, as ameaças ambientais estão relacionadas com as armas convencionais, tanto em tempos de guerra como de paz. Além disso, é possível falar, também, de "armas ambientais", como é o caso, por exemplo, da destruição de barragens como um ato de guerra, ou do incêndio de campos de petróleo como aconteceu na Guerra do Golfo em 1991. Além disso:

The root causes of environmental crimes vary greatly, and subsequently the design, identification and implementation of appropriate responses must be carefully planned. Root causes are primarily the low risks and high profits in a permissive environment as a result of poor governance and widespread corruption, minimal budgets to police, prosecution and courts, inadequate

institutional support, political interference and low employee morale, minimal benefits to local communities and rising demand in particular in Asia. The situation is especially critical on support to prosecution and courts/the judiciary in many developing countries. Indeed, a regional breakdown between North America and Southern Africa of relative expenditure on the police, prosecution services and courts revealed that in North America 43% of these funds went to prosecution and courts, while only 16% in the countries of southern Africa. Poverty also facilitates recruitments of low-level perpetrators at the frontlines. This means that the issue requires a full range of responses, also beyond enforcement (NELLEMANN, 2016, p.8).

Recentemente, a partir da denominada Primavera Árabe (2011), os conceitos de "crimes ambientais", "terrorismo ambiental" e "refugiados ambientais" figuram no vocabulário internacional e estão articulados à Segurança Ambiental como denomina Letícia Rodrigues (2016, p.30):

a) crime ambiental – é caracterizado como a violação das leis ambientais que

são postas em prática para proteger o meio ambiente e os seres que nele habitam. Tais crimes são referidos como crime contra o meio ambiente, ou seja, a compra e venda de espécies ameaçadas de extinção inserem-se neste contexto, pois violam a CITES (the Convention on International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora) de 1973. Outro exemplo é o contrabando de substâncias que destróem a camada de ozônio (ODS): chlorofluorocarbons (CFCs) e hydrochlorofluorocarbons (HCFCs), cometendo infração ao protocolo de Montreal de 1987. Todos esses crimes são passíveis de punição e sanção internacional (USLEGAL, 2015);

b) refugiados ambientais – são definidas como refugiados pessoas que foram

forçadas a abandonar o seu habitat tradicional, temporária ou permanentemente, devido a uma perturbação ambiental acentuada (natural e / ou desencadeada por pessoas) que põe em risco a sua existência e /ou afeta seriamente a qualidade da sua vida;

c) migrante ambiental – é definido como aquele indivíduo que abandona uma

determinada região na sequência de uma decisão racional ou involuntária que leva este a deslocar-se em decorrência de mudanças súbitas e:

progressive climate-related change in the environment that adversely affects their lives or living conditions, are obliged to leave their habitual homes either temporarily or permanently, and who move either within their country or abroad (IOM, 2015, p.49 ).

No entanto, os sujeitos tornam-se refugiados ambientais a partir do momento em que se deslocam para outras regiões em busca de abrigo e segurança para continuar a viver dignamente suas vidas. Entretanto, o terrorismo ambiental de Estado é levado em consideração, pois, segundo Ken Konca (ENVIRONMENTAL PEACEMAKING, 2002), este é o maior exportador de refugiados e migrações ilegais. Quanto à natureza do terrorismo ambiental, enfatiza-se que:

d) terrorismo ambiental – é estabelecido como uma ou mais ações ilegais que

prejudicam, destróem os recursos ambientais e privam as populações do seu uso. Entretanto, as discussões acerca desse conceito estão sendo melhor definidas no meio acadêmico, mas não deve ser confundido o terrorismo ambiental com o ecoterrorismo. Este último consiste na destruição violenta de propriedade perpetrada pelas franjas radicais de grupos ambientalistas em nome de salvar o ambiente de novas invasões e destruições humanas.

Conforme os conceitos expressos acima pela autora, pode-se compreender que a Segurança Ambiental está engajada na compreensão das migrações ao redor do mundo e, para tanto, criou-se uma conceituação prória junto às Nações Unidas de modo a engajar os “high politics” a criarem medidas para frear esses fenômenos. Além disso, baseado em profundidade com a teoria ‘deep Security Ecology”, o objetivo declarado dos “ecoterrorista” é retardar ou interromper a exploração dos recursos e chamar a atenção da opinião pública para as questões ambientais, como a extração insustentável da perda de habitat dos animais selvagens através do desenvolvimento (a ONG GreenPeace é o melhor exemplo que se assemelha ao ecoterrorismo)9.

Contudo, o conceito de terrorismo ambiental pode ser mais eficaz que um ataque com armas convencionais contra alvos civis ou um ataque de “armas de destruição em massa” (WMD), envolvendo armas químicas, biológicas, radiológicas ou nucleares, nos cenários do “pior cenário”. Isso ocorre porque seu perfil de risco é diferente (CHALECKI, 2001, p.6, tradução nossa).

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O Greenpeace era considerado como uma espécie de organização ecoterrorista, por mais raro que isto pareça, nem todos os países do mundo concordavam com sua forma alternativa de lutar pela defesa do meio ambiente. Por muitos anos, estes estiveram na “ lista negra” da CIA;

A seguir demonstram-se, de forma esquematizada (figura 2), as novas tipologias que surgem a partir da noção de Segurança Ambiental desenvolvida por Rodrigues (2016):

Figura 1: Segurança ambiental e seus novos conceitos

Fonte: Elaborado pela autora baseado nos conceitos de Cunha (1998)