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2.2 Implicações na Gestão Empresarial

2.2.2 Novos Contributos para o Valor Acrescentado

Inseridos nas questões estratégicas estão os conceitos de criação de valor, que nos negócios se relacionam com a criação de valor para clientes, empregados, acionistas, fornecedores e demais partes interessadas no negócio (Magretta & Stone, 2012). Aparentemente simples, o conceito de valor pode ser apresentado de diversas maneiras que vão desde o menor custo até ao maior benefício, e que de outra forma pode ser entendido como eficiência e eficácia (Tapscott, 1998). Esse conceito tem evoluído e, na visão de Porter e Kramer deve conter uma noção de valor compartilhado: “A empresa deve liderar a campanha para voltar a unir a atividade empresarial e a sociedade” (Porter & Kramer, 2011).

Neste sentido, empresas existem para criar valor e não controlar custos o que não se reflete nos indicadores tradicionais. A contabilidade apresenta balanços que representam a liquidez das empresas, mas as empresas não são feitas para terem liquidez mas sim para criarem valor (Drucker, 1995).

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O relatório anual de sustentabilidade da empresa RobecoSAM, que dá suporte técnico ao DJSI, apresenta como clara a situação mundial, que está em acelerado processo de mudança, complexidade e aumento de fragilidade, que tem efeitos sobre o jeito de se fazer negócios. Os custos dos impactos ambientais estão dobrando a cada 14 anos. Não se pode prever com certeza o futuro, mas é prudente estar preparado para os possíveis cenários. Esse mesmo relatório da RobecoSAM relaciona 10 mega forças globais relacionadas à sustentabilidade como: mudanças climáticas, escassez de energia e combustíveis, materiais, crescimento da população, distribuição da riqueza, urbanização, declínio dos ecossistemas, escassez de água, abastecimento de alimentos e desflorestamento (Baldinger & Boer, 2013). Essas forças têm impactos nos negócios, na forma de aumento do preço e volatilidade, novos regulamentos, mudanças físicas do clima, mudanças nas preferências dos consumidores e redução de recursos para produção. Nesse processo, apresentam como emergentes riscos regulatórios, de reputação, físicos, de mercado, litígios e sociais. Mas, em contraponto, mostram oportunidades emergentes como reputação e marca, inovação e aprendizado, novos produtos, serviços e mercados e redução de custos de acesso a capitais. E como as empresas pensam em aproveitar oportunidades e contribuir na mitigação dos riscos? Com a operação eficiente de recursos e energia, com uma gestão eficiente das cadeias de abastecimento, desenvolvendo parcerias estratégicas setoriais, investindo em inovação para o desenvolvimento de bens e serviços sustentáveis e, por fim, com a apresentação de relatórios que conferem transparência e legitimidade ao processo (Andrew & Boer, 2011; Baldinger & Boer, 2013).

A dimensão ambiental nas organizações tem sido tratada a partir dos impactos. Entretanto, abordagens estratégicas voltadas para as causas revelam perfis de maturidade corporativa mais avançada, com melhores resultados (Baumgartner & Ebner, 2010). Além disso, análises de valor considerando apenas aspetos económicos são limitadas, considerando que não existe apenas essa forma de

capital e que as organizações necessitam de múltiplas formas e recursos (Figge & Hahn, 2005).

49 As organizações que vêm aderindo ao alinhamento com os paradigmas da sustentabilidade têm tido aumento de lucros e melhorado o posicionamento estratégico ao estabelecerem novas vantagens competitivas. Com o desenvolvimento de novas competências, ficaram mais competitivas nos mercados globais e o aumento da regulação tem servido de barreira à entrada de novas firmas (Linstead et al., 2009).

Alguns resultados fornecem evidência de que integrar a listagem do DJSI resulta em um aumento sustentado do preço das ações da empresa, sugerindo assim que os benefícios da inclusão no DJSI superam os custos relacionados com o alinhamento ao paradigma da sustentabilidade (Robinson, Kleffner, & Bertels, 2011).

Para além do lucro e do crescimento de curto prazo, os investidores estão a pensar mais a longo prazo, estão se tornando mais conscientes sobre a sobrevivência de empresas na atual e futura sociedade capitalista, valorizando assim a filosofia do desenvolvimento sustentável. E isso está apresentado em diversos estudos que apontam para o crescimento maior do valor de mercado de empresas aderentes ao desenvolvimento sustentável e à responsabilidade social corporativa (Lo & Sheu, 2007). Alguns conseguem estabelecer uma relação das vendas externas (exportações) com a divulgação de informações prévias acerca dos efeitos sobre a mudança climática, solicitadas pelos investidores institucionais, por meio do projeto Carbon Disclosure Project (Stanny & Ely, 2008).

Na análise do risco do negócio face ao esgotamento de recursos fósseis e à questão do aquecimento global, há que se considerar restrições futuras relacionadas à produção que afetarão o ambiente de negócios. As perspetivas de longo prazo apontam para substituição de combustíveis fósseis e no curto prazo há alto grau de incerteza o que afeta a lucratividade das empresas. Entretanto, neste mesmo cenário, há evidências que seguem em outra direção segundo a qual a adaptação ao ambiente de mudança pode caracterizar oportunidades com reflexos positivos para os negócios (Busch & Hoffmann, 2007).

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Os investidores ingleses, por exemplo, mesmo com toda a discussão acerca do triple buttom line entre governos e corporações, ainda não estão ligados à questão. Os aspetos da sustentabilidade afetarão de maneira crescente as avaliações de investimentos ainda com pouca repercussão nos mercados daquele país, que não reconhece explicitamente o impacto dos factores da sustentabilidade dentro de sua estrutura de preços (Sayce, Ellison, & Parnell, 2007).

Questões relacionadas com a RSC, de acordo com Aras e Crowther (2009) apesar de não agradar aos shareholders num enfoque mais financeiro e de curto prazo tendo em vista aumento de custos e postergação de investimentos, podem produzir além da redução das taxas de risco os seguintes ganhos:

a) melhoria da imagem do produto com reflexos positivos nas vendas; b) benefícios de saúde e segurança;

c) facilidade de atrair investidores;

d) melhoria da relação com as comunidades em que está inserida, facilitando o processo de planeamento;

e) melhoria na relação com os reguladores;

f) melhoria do moral entre os trabalhadores, levando a maior produtividade e menor rotatividade de pessoal;

g) melhoria da imagem geral e relacionamento com as partes interessadas. A incorporação de aspetos ambientais nos sistemas de avaliação de risco deve levar em conta principalmente (Aras & Crowther, 2009):

a) identificação das implicações ambientais em termos de custos e benefícios;

b) identificação dos custos e incorporação de dados qualitativos para benefícios menos tangíveis;

c) uso de indicadores financeiros adequados;

d) definição de um horizonte de tempo adequado que permita a realização dos efeitos ambientais.

Também Menz (2010) defende que empresas europeias socialmente responsáveis não tem menor custo financeiro em termos de empréstimos, embora reconheça que talvez a base da dados do Corporate Sustainability Assessment of Sustainable

51 Asset Management Research (SAM) não seja suficientemente representativa para a pesquisa.

Ziegler e Schröder (2010), em análise a empresas europeias que ingressaram no DJSI World e do DJSI Stoxx nos intervalos de tempo 1999-2004 e 2001-2004 respetivamente, encontraram evidências de que existem efeitos significativos em termos de rendimento sobre ativos e crescimento do Tobin’s Q 5, o que impacta positivamente na performance financeira corporativa. No caso de empresas alemãs, o tamanho e o tipo de indústria afetam a quantidade de divulgação, e a maior rentabilidade está associada à apresentação de dados ambientais (Gamerschlag, Möller, & Verbeeten, 2011). Mas esses resultados não são unânimes, e outros autores argumentam que no caso de empresas alemãs os mercados podem penalizar a inclusão das mesmas no DJSIWorld (Oberndorfer, Schmidt, Wagner, & Ziegler, 2013).

No caso brasileiro, existem resultados favoráveis que estabelecem uma relação positiva entre a aplicação de práticas ligadas à sustentabilidade e melhores desempenhos corporativos (de Jesus Lameira, Lee Ness, Gonçalves Quelhas, & Guimarães Pereira, 2013).

Estudos realizados em organizações canadenses listadas no DJSINA sobre como utilizam a inclusão no indicador revelaram que metade delas não utiliza a logomarca do indicador em seus relatórios de sustentabilidade ou em suas páginas da internet (sites) (Searcy & Elkhawas, 2012).

Alguns estudos, realizados em empresas norte-americanas, indicam que os investidores ou o mercado penalizam grandes empresas, que embora rentáveis, têm baixo nível de desempenho corporativo em termos de sustentabilidade (Lourenço, Branco, Curto, & Eugénio, 2012).

Outros, ao analisarem empresas globais de energia, encontram evidências de relação positivas entre o desenvolvimento sustentável e o desempenho financeiro,

5 Indicador que representa a razão entre o valor da firma e o valor de reposição dos ativos das

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especialmente quando apresentado em termos da capitalização do valor de mercado (Pätäri, Jantunen, Kyläheiko, & Sandström, 2012).

Essa realidade não é constante em todos os lugares ou em todos os tempos. Estudos realizados em mercados asiáticos do Pacífico, entre os anos de 2002 e 2010 relativamente a retorno sobre o investimento, risco e liquidez, sobre a inclusão ou exclusão de empresas daquela região no Dow Jones Sustainability World Index (DJSWI), constataram realidades bem diferentes. Neste sentido, tanto a entrada quanto a saída de firmas no rol de empresas listadas pelo indicador, apresentaram reflexos significativamente negativos. Assim, parece que os investidores asiáticos do Pacífico têm um comportamento diferente dos norte-americanos e europeus em relação à sustentabilidade corporativa (Cheung & Roca, 2013).

Na análise do valor de empresas em relação ao alinhamento aos paradigmas de sustentabilidade, são verificadas variações significativas quando considerado o tipo de indústria de que fazem parte. Schaeffer, Borba, Rathmann, Szklo e Castelo Branco (2012) desenvolveram estudos sobre a relação entre alinhamento aos paradigmas da sustentabilidade, com o ingresso no DJSI World, e o valor de mercado das indústrias do petróleo durante o período 2004-2011. Para tanto levaram em consideração a sensibilidade do valor das ações em relação ao valor do petróleo cru, risco sistemático e volatilidade. No final, não foram identificados impactos positivos sobre o valor das ações no alinhamento com os paradigmas da sustentabilidade refletidos pela inclusão no DJSI World.