A nulidade processual trabalhista se enquadra no mesmo conceito da nulidade no processo civil, que, conforme define Saad (2004, p. 315), “a validade ou invalidade de um ato processual significa estar ele conforme, ou não, à norma jurídica que lhe é específica”.
É consenso doutrinário que, da perfeição do ato jurídico nasce a sua eficácia, e o inverso também é verdadeiro, ou seja, da imperfeição exsurge a ineficácia. O processo trabalhista não aceita os vícios que poderiam invalidá-lo na sua formação e desenvolvimento.
O tema invalidade tem a opinião de Saad (2004, p. 315), afirmada na seguinte direção:
A invalidade de um ato processual tem dois graus: a) leve, quando sanável o vício do ato e, por isso, pode ser corrigido ou convalescido; b) grave, quando retira do ato toda a eficácia jurídica e, conseqüentemente, é absoluta a nulidade de pleno jure.
Esse critério também nos autoriza a dizer que os vícios dos atos processuais se agrupam em três grandes categorias: a) inexistência do ato; b) nulidade absoluta e relativa; c) irregularidade.
É interessante observar que a teoria das nulidades do Direito Civil não serve para o Direito Processual. No campo do Direito Civil, o ato nulo não produz efeitos, mas no processual são consideráveis os efeitos. Um exemplo é uma petição inepta, que mesmo assim, o Juiz ainda a despacha, para indeferi-la.
Ainda sob o tema, é consenso na doutrina, que, no processo é possível existir nulidade e anulabilidade.
Como ato jurídico, o ato processual também exige para a sua validade, agente capaz, objeto lícito e forma prescrita e não defesa em lei. A capacidade do agente se traduz no pressuposto legitimatio ad processum, observando-se que o processo civil não dispensa a presença de advogado, o que não acontece no processo do trabalho, onde a própria parte pode exercer o direito de postular em juízo.
O objeto lícito tem a ver com a não formulação de pedido injustamente lesivo à outra parte ou formulado com má fé. E quanto à forma, o pedido deverá ser formulado conforme a prescrição da norma processual e material.
O julgamento antecipado da lide também se aplica ao processo do trabalho, evidentemente com algumas adaptações. Por exemplo, só pode ser utilizado, após a defesa e a proposta de conciliação. Cabe ao juiz examinar as provas e convencer-se da antecipação do julgamento ou encerrar a instrução para proferir decisão.
Ressalte-se que a disciplina das nulidades no processo do trabalho obedece ao comando do art. 794 da CLT, que propõe o reconhecimento da nulidade dos atos processuais, apenas no caso de produzirem prejuízos às partes, e também não será reconhecida, quando o ato puder ser repetido ou argüido por quem deu causa, segundo a previsão do art. 796 e suas alíneas “a” e “b”.
Em verdade, são comandos normativos que apresentam visível conexão com o princípio de proteção à parte prejudicada com a produção da nulidade, e que não deve tirar proveito da conduta processualmente ilícita.
CONCLUSÃO
No momento em que se amplia a competência da Justiça laboral, este trabalho, colocado no contexto das relações jurídico-laborais e informado por respeitáveis fontes de pesquisa, revela-se como inevitável oportunidade de defesa do ingresso da codificação processual trabalhista autônoma no nosso direito positivo. Eliminar-se-ia a aplicação subsidiária do processo civil às normas processuais celetistas, e se buscava a criação dos juizados especiais que seriam substitutos das Comissões de Conciliação Prévias e do Procedimento Sumaríssimo.
Nos juizados, evidentemente seriam observados o contraditório e a ampla defesa, mas seriam reduzidas, ao máximo, as possibilidades de recursos protelatórios, para não acontecer como no procedimento sumaríssimo, em que o processo tem tramitação mais ou menos rápida na primeira instância, mas demora na segunda instância, e mais do que isso, na fase de execução.
A codificação defendida enfrentaria o novo desafio da avultada competência material da Justiça do Trabalho, advinda da reforma do Poder Judiciário, e assim, aquelas normas codificadas se efetivariam em perfeita harmonia com os novos tempos de prestígio consolidado da Justiça do Trabalho.
Sabem todos os que militam no Foro trabalhista que a busca da Justiça do Trabalho significa exercer a cidadania, e a demora na solução da lide desqualifica esse exercício, na medida em que torna desprotegido o empregado, parte mais fraca, diante da demanda infinitamente longa na espera de solução judicial.
Um processo do trabalho moderno, simplificado, enxuto de normas extravagantes e burocráticas resolveria o problema da celeridade, em definitivo, atacando a morosidade da execução? Evidentemente, que não, diante do acúmulo fantástico de processos na Justiça. Mas seria um grande passo, mediante a instituição de procedimentos desamarrados do sistema normativo processual civil, com alguns institutos subsidiários complexos, relativamente à informalidade do processo do trabalho. Além disso, estaríamos colocando o direito processual do trabalho no seu verdadeiro lugar, com a autonomia que a forte corrente autonomista defende, por ser integrante do direito social, com características peculiares que o distinguem do Processo Civil.
Por isto que advogamos a codificação na direção do enxugamento das normas processuais dispersas e mais a criação dos juizados especiais trabalhistas.
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