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5. Transição e mobilidade ocupacional das graduadas em Pedagogia

5.1. Nunca trabalhei, mas quero ser professora

Formada na universidade A, Larissa tem 32 anos de idade, é branca, casada, tem um filho e nunca trabalhou. Seus pais estudaram até os anos finais do ensino fundamental. Larissa cursou o ensino fundamental e médio em escola pública. Ela mora com a família, constituída por três pessoas, sendo que uma, seu marido, contribui com a renda familiar, que varia entre 3 e 4,5 salários mínimos mensais.88

Na época da graduação, Larissa não recebeu bolsa ou crédito educativo, e relatou que gastava entre R$ 501,00 e R$ 1.000,00 com os estudos por mês. Estudava, além do período em aulas, uma média de menos de uma hora por dia. O principal motivo de ter escolhido a

88 As narrativas apresentadas neste capítulo foram construídas com base nos dados coletados por meio dos

universidade A para estudar se deve à proximidade de casa: ela demorava menos de 30 minutos para chegar à universidade a pé. Larissa relatou que os professores, a localização da instituição, a praça de alimentação e os colegas e amigos eram os elementos de que mais gostava na época de graduação. Por outro lado, não gostava da organização da instituição, das salas de aula e do atendimento ao aluno em geral (administrativo, secretaria, tesouraria, etc.).

Larissa escolheu o curso de Pedagogia porque acreditava que tinha vocação para isso, além da importância que atribuía à profissão e do peso da influência da família. Quando estava no último ano da graduação, Larissa pretendia trabalhar como professora em escola pública logo que se formasse; ela planejava inserir-se profissionalmente sobretudo no campo da educação infantil. Além disso, também tinha a pretensão de cursar uma pós-graduação (mestrado). Um ano após a colação de grau, Larissa não havia se inserido profissionalmente nem se matriculado em qualquer curso. Ela apontou a “falta de experiencia na área” como o principal motivo de sua não inserção profissional.

Fernanda, formada na faculdade C, tem 46 anos, é branca, casada e tem dois filhos. Ela mora com a família, constituída por quatro pessoas, das quais duas contribuem com a renda familiar, que varia entre 4,5 e 6 salários mínimos mensais. Fernanda cursou o ensino fundamental e médio em escola pública; seus pais estudaram até os anos iniciais do ensino fundamental.

Durante a licenciatura, Fernanda não recebeu nenhum tipo de bolsa, auxílio ou credito educativo. Ela gastava em média até R$ 500,00 por mês com os estudos e, além das horas em sala de aula, estudava menos de uma hora por dia. Escolheu estudar na faculdade C porque os horários das aulas eram compatíveis com suas necessidades: suas aulas tinham um horário diferenciado, pois concentravam-se no final das tardes e nas noites das sextas-feiras e nas manhãs e tardes dos sábados. Com o carro próprio, Fernanda demorava menos de 30 minutos para chegar à IES. Dentre os elementos de que mais gostava no curso de Pedagogia, Fernanda menciona os professores, as disciplinas e matérias em geral, os horários das aulas e o sistema de avaliação. As disciplinas e o suporte em EAD eram os elementos de que menos gostava.

Fernanda escolheu cursar Pedagogia porque acredita ser sua vocação. Além disso, considerava que esse curso superior possibilitava uma boa carreira. No último ano da graduação, Fernanda pretendia trabalhar como professora tanto em escola pública quanto privada. Ela também queria cursar uma especialização. Um ano após se formar, Fernanda não havia se matriculado em nenhum curso e também não havia se inserido profissionalmente. Identificou o

principal motivo de sua não inserção profissional como a defasagem entre suas habilidades e as demandas do mercado de trabalho. Fernanda planejava inserir-se profissionalmente na área de educação, especificamente na educação infantil.

Larissa e Fernanda fazem parte do grupo de 7 egressas89 (5 da IES A e 2 da IES C) que nunca haviam atuado profissionalmente, seja na área da educação ou em qualquer outra. Nesse grupo, temos 5 brancas (3 da IES A e 2 da IES C) e 2 pardas (IES C), e a maioria tem mais de 35 anos (4 egressas); 2 têm entre 31 e 35 anos. Predominantemente, são casadas ou vivem com um companheiro (4 da IES A e 2 da IES C), têm filhos (4 da IES A e 2 da IES C) e a renda familiar é de até 3 salários mínimos (4 egressas). A maioria cursou o ensino fundamental e o ensino médio em escola pública e uma minoria concluiu os estudos no EJA. Predominantemente, a escolaridade do pai das egressas desse grupo consiste na antiga 4ª série do ensino fundamental (5 egressas), e a da mãe, até a antiga 8ª série do ensino fundamental (5 egressas). Suas principais motivações para cursar Pedagogia recaem sobre a “vocação”, “importância da profissão” e o fato de considerarem que “é uma carreira boa”.

Todas as pessoas desse grupo nunca atuaram profissionalmente, além de expressarem o desejo de trabalhar na área da educação, a maioria atuando na educação infantil (7 da IES A e 2 da IES C) e 1 (IES A) no ensino fundamental I. Em relação aos motivos da não inserção profissional até o momento, temos como principal queixa a “ausência de oferta de trabalho”, seguida pela “percepção de defasagem entre habilidades e demandas do mercado” e “outros motivos” — “falta de experiência”, “não dão oportunidade” e “falta de indicação” são algumas das justificativas principais por não estarem atuando profissionalmente na área da educação, como podemos observar na tabela abaixo.

Tabela 24. Motivos apontados para a não inserção no mercado de trabalho depois de formada, segundo as egressas das três IES pesquisadas que nunca trabalharam. 2017-2018.90

Motivos IES A IES B IES C Total

Ausência de oferta de trabalho 3 - - 3

Percepção de defasagem entre habilidades e demandas do mercado

1 - 1 2

Proposta de trabalho de baixa remuneração 1 - - 1

Outros91 1 - 1 2

Fonte: Elaborado pelo autor com base nos dados coletados por questionários durante a pesquisa, 2017-2018.