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4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.4. Nutrientes foliares

4.4. Nutrientes foliares

Os três sistemas avaliados foram semelhantes quanto a diagnose nutricional foliar. Quando comparados aos valores adequados propostos por Malavolta et al.

(1993); Raij et al. (1996) e Martinez et al. (1999); verificou-se teores de o potássio abaixo dos teores adequados de referência. Tal índice foi relacionado ao desequilíbrio da concentração de K com relação CTC total do solo e devido à elevada exigência desse nutriente pelo cafeeiro (Tabelas 22, 23, 24 e 25).

Os teores de N, P, Mg e S de todos os sistemas arborizados mantiveram-se dentro da faixa adequada descrita por Malavolta et al. (1993); Raij et al. (1996) e Martinez et al. (1999). O teor de Ca manteve-se dentro da faixa adequada proposta por Raij et al. (1996) e Martinez et al. (1999). No critério de Malavolta et al. (1993), quantidades um pouco inferiores de Ca foram verificados na fase da floração, frutificação e maturação dos três sistemas.

Através da diagnose visual das folhas durante o experimento foi verificado um elevado vigor vegetativo, com exceção do mês de março, que devido à ação do veranico foi observado estágio inicial de amarelecimento de folhas de café entre renques de grevíleas (ER) do sistema 03 (renques de grevíleas espaçadas com 56 metros).

Nos cafeeiros dos tratamentos ER, dos três sistemas avaliados, na fase de maturação verificou-se teores de N inferiores aos valores propostos como adequados pelos autores (Tabela 25). Menor aporte de serrapilheira também foi verificado nos tratamentos ER. A MOS, é em essência, a maior fonte de nitrogênio (BRADY, 1989).

Após a adição de N no solo sob a forma de uréia na quantidade de 150 gramas por planta; em abril de 2003, verificou-se a recuperação do teor de N nas folhas, na fase da

colheita nos três sistemas arborizados. Portanto, tal diferenciação no teor de N nas folhas foi relacionada com capacidade de absorção dos nutrientes que varia de acordo com o ambiente e o estágio de desenvolvimento (PERES, 2003).

Tabela 22– Teores adequados e macronutrientes da folha de cafeeiros arborizados com renques de grevíleas, distanciados de 28 m (Sistema 01), em diversos estádios de desenvolvimento. Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra na coluna não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste t.

Tabela 23 – Teores adequados e macronutrientes da folha de cafeeiros arborizados com renques de grevíleas, distanciados de 36 m (Sistema 02), em diversos estádios de desenvolvimento. Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra na coluna não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste t.

Tabela 24– Teores adequados e macronutrientes da folha de cafeeiros arborizados com renques de grevíleas, distanciados de 56 m (Sistema 03), em diversos estádios de desenvolvimento. Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra na coluna não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste t.

Tabela 25 – Teores adequados e macronutrientes da folha de cafeeiros dos sistemas arborizados (R01+R02+ER).

N P K Ca Mg S

(g.kg-1) Floração

Sist. 01 30,04 a 1,80 b 15,77 ab 11,03 b 4,02 b 1,58 a Sist. 02 29,62 a 2,15 a 14,59 b 12,51 a 4,50 a 1,67 a Sist. 03 29,70 a 2,00 ab 15,98 a 11,79 ab 4,07 b 1,71 a Frutificação

Sist. 01 29,16 a 1,67 a 17,08 a 10,73 a 4,94 ab 1,63 a Sist. 02 28,33 a 1,62 ab 14,62 b 11,02 a 5,37 a 1,47 a Sist. 03 29,63 a 1,51 b 14,72 b 11,47 a 4,82 b 1,60 a Maturação

Sist. 01 27,45 a 1,77 a 15,16 a 10,37 a 4,30 a 1,41 a Sist. 02 27,67 a 1,73 a 15,28 a 11,69 ab 4,97 a 1,61 a Sist. 03 28,78 a 1,65 a 15,98 a 11,97 a 4,34 a 1,72 a Colheita

Sist. 01 30,46 a 1,54 a 12,87 a 13,51 a 4,93 a 1,86 a Sist. 02 29,80 a 1,69 a 13,68 a 13,99 a 4,83 a 1,77 ab Sist. 03 30,13 a 1,67 a 12,66 a 15,20 a 5,15 a 1,53 b Teores adequados

Malavolta et al (1993) 29 – 32 1,6 – 1,9 22 – 25 13 – 15 4,0 – 4,5 1,5 – 2,0 Raij et al (1996) 26 – 32 1,2 – 2,0 18 – 25 10 – 15 3,0 – 5,0 1,5 – 2,0 Martinez et al (1999) 29 – 32 1,2 – 1,6 18 – 22 10 – 13 3,1 – 4,5 1,5 – 2,0 Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra na coluna não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste t.

Na comparação dos resultados da análise foliar para verificação do equilíbrio nutricional dos micronutrientes, somente o B permaneceu dentro da faixa adequada dos autores (Tabelas 26, 27 e 28). Na fase da floração, frutificação e colheita o nutriente Cu manteve-se abaixo dos valores adequados e na fase da maturação elevou-se, atingindo valores adequados. O Fe foi considerado deficiente por Malavolta et al (1993) e adequado por Raij et al (1996) e Alvarez et al (1999). Com o Zn a diferença nos teores aconteceu na fase da colheita em todos os critérios e somente na fase da maturação estava adequado. O Mn pelas quantidades apresentadas foi considerado deficiente nos sistemas arborizados durante todo o ciclo da cultura. Variações de macro e micronutrientes em cafezais foram encontrados por Malavolta et al. (1993).

Com relação à comparação dos valores médios dos micronutrientes, foi verificado um comportamento semelhante aos três sistemas arborizados analisados separadamente (Tabela 29). Malavolta et al. (1993), encontraram resultados em que ocorre variação durante o ano agrícola nos teores foliares de macro e micronutrientes em cafezais.

Por meio da média dos teores dos nutrientes dos sistemas em cada fase da cultura estabeleceram-se as relações entre os teores foliares considerados adequados por Malavolta (1993): N/P=16–18; N/S=16-18; N/K=1,3-1,4; K/Ca=1,7-2,1; K/Mg=6,1-6,6;

B/Zn=5,0-7,3; Cu/Zn=1,0; Mn/Fe=0,73-0,85.

Observou-se que os pares N/P e N/S estavam adequados. Devido ao baixo teor de K fez com que as relações K/Ca e K/Mg foram inferiores e o par N/K altos.

O par B/Zn estava ajustado na fase de floração e frutificação. Como o Cu e Mn apresentavam-se abaixo dos níveis adequados nas folhas, as relações Cu/Zn e Mn/Fe também foram abaixo da faixa adequada.

Devido a existência de várias referências de valores de nutrientes adequados para a cultura do café, recomenda-se trabalhos de diagnose foliar regional, objetivando um melhor ajustamento dos teores foliares na interpretação e avaliação do estado nutricional do cafeeiro com os aspectos vegetativos e produtivos.

Tabela 26 – Teores adequados e micronutrientes avaliados em cafeeiros mantidos sob os renques de grevílea (R01 e R02) e na linha central (ER), no Sistema 01, em diversas fases de desenvolvimento.

B Cu Fe Mn Zn Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra na coluna não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste t.

Tabela 27 – Valores adequados e micronutrientes avaliados em cafeeiros mantidos sob os renques de grevílea (R01 e R02) e na linha central (ER), no Sistema 02, em diversas fases de desenvolvimento. Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra na coluna não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste t.

Tabela 28 – Teores adequados e micronutrientes avaliados em cafeeiros mantidos sob os renques de grevílea (R01 e R02) e na linha central (ER), no Sistema 03, em diversas fases de desenvolvimento. Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra na coluna não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste t.

Tabela 29 – Teores adequados e micronutrientes da folha de cafeeiros dos sistemas Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra na coluna não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste t.

4.5. Área foliar, massa seca e valor SPAD do cafeeiro

Na fase de floração (Tabela 30), embora não tenham sido observadas diferenças significativas para área foliar, massa seca e teor de clorofila nas folhas do cafeeiro, foi constatada maiores valores nos tratamentos R01 e R02 em relação à ER com o aumento do nível de sombreamento. Voltan et al. (1992) observaram que os cafeeiros cultivados em condições sombreadas apresentaram folhas mais finas e maior área foliar. O

sombreamento também aumentou a área e massa foliar, o comprimento dos internódios e o diâmetro da copa das plantas no crescimento do cafeeiro (CARELLI, 2002).

Tabela 30 – Valores médios de área foliar, massa seca (MS), radiação fotossinteticamente ativa da rua (RFAR), da copa (RFAC) e valor SPAD, em cafeeiros mantidos sob os renques de grevíleas (R01 e R02) e na linha central entre renques nos três sistemas arborizados, durante a floração.

Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra na coluna não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste t.

Na frutificação, maturação e colheita (Tabelas 31, 32 e 33), ocorreram diferenças significativas para todos os parâmetros avaliados, com exceção dos valores de clorofila no Sistema 01. Foram verificados menores valores para teores de clorofila e maiores taxas de radiação nos tratamentos entre renques de grevíleas (ER) nas fases da cultura.

No estádio da frutificação a radiação luminosa foi superior entre renques de grevíleas (ER) quando comparados com R01 e R02 (renques de grevíleas do lado esquerdo e direito). Da mesma forma que na floração, a alta taxa de radiação foi

relacionada com menor área foliar, massa seca e teor de clorofila indicando que as médias para área foliar foram maiores nos tratamentos dos renques de grevíleas (R01 e R02). Trabalho realizado por Fahl et al. (1984), mostraram que os teores de clorofila aumentaram com o sombreamento dos cafeeiros.

Constatou-se nos sistemas arborizados estudados que os maiores valores de área foliar e massa seca foram encontrados na fase da maturação, no início do mês de abril e os menores valores na época da floração, em novembro. Resultados semelhantes foram observados por Campanha (2001).

Na fase da colheita e floração ocorreu maior radiação luminosa sob a copa dos cafeeiros nos três sistemas (Tabela 35). Essa elevação ocorreu devido ao desfolhamento verificado nas grevíleas nestas épocas que coincidiu com baixas temperaturas e neblinas.

Tabela 31 – Valores médios de área foliar, massa seca (MS), radiação fotossinteticamente ativa da rua (RFAR), da copa (RFAC) e valor SPAD, em cafeeiros mantidos sob os renques de grevíleas (R01 e R02) e na linha central entre renques nos três sistemas arborizados, durante a frutificação.

R03 654,62 a 4,38 a 23,70 b 2,43 b 62,35 a

Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra na coluna não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste t.

Tabela 32 – Valores médios de área foliar, massa seca (MS), radiação fotossinteticamente ativa da rua (RFAR), da copa (RFAC) e valor SPAD, em cafeeiros mantidos sob os renques de grevíleas (R01 e R02) e na linha central entre renques nos três sistemas arborizados, durante a maturação.

Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra na coluna não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste t.

Tabela 33 – Valores médios de área foliar, massa seca (MS), radiação fotossinteticamente ativa da rua (RFAR), da copa (RFAC) e valor SPAD, de cafeeiros mantidos sob os renques de grevíleas (R01 e R02) e na linha central entre renques nos três sistemas arborizados, durante a colheita.

Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra na coluna não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste t.

Na comparação dos valores médios dos mesmos parâmetros dos cafeeiros entre renques de grevíleas (ER), houve tendência a um comportamento uniforme e singular, sendo verificados valores altos de radiação sobre a rua de cafeeiros. Portanto, nas fases

avaliadas a alta radiação foi relacionada à menores valores para área e massa seca das folhas do cafeeiro (Tabela 34).

Comparando os valores de área foliar, massa seca, radiância e SPAD dos três sistemas arborizados, não foram verificadas diferenças, indicando semelhança dos sistemas. Na fase da colheita os sistemas apresentaram maiores valores para radiação na copa das plantas, indicando que nesta fase ocorreu processo de desfolhamento das grevíleas. (Tabela 35).

Tabela 34 – Comparação dos valores médios de área foliar, massa seca (MS), radiação fotossinteticamente ativa da rua (RFAR), da copa (RFAC) e valor SPAD dos cafeeiros entre renques de grevíleas (ER) dos três sistemas arborizados, durante o ciclo da cultura.

Área foliar

Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra na coluna não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste t.

Tabela 35 – Comparação dos valores médios de área foliar, peso seco (PS), radiação fotossinteticamente ativa da rua (RFAR) e da copa (RFAC) e SPAD dos cafeeiros dos três sistemas arborizados durante o ciclo da cultura.

Médias seguidas de pelo menos uma mesma letra na coluna não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade pelo teste t.

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