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4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1. Estatística descrita

4.1.2. Nutrientes Inorgânicos Dissolvidos e Clorofila-a

Os nutrientes inorgânicos dissolvidos – nitrato, nitrito, amônio, silício, fosfato e clorofila-a - apresentaram um padrão de distribuição semelhante quanto à frequência, assemelhando-se a uma distribuição normal, embora a distribuição do silício tenha sido a mais acentuada (Figura 5). A assimetria de todos os nutrientes (NO3-, NO2-, NH4+, PO43-, Si e Cla-a) foi positiva (Tabela 1).

23 No que diz respeito à curtose, todos os nutrientes apresentaram curva de distribuição platicúrtica, ou seja, apresentaram valores positivos de curtose.

A concentração média do nitrato (NO3-) ao longo de todo o período amostral foi de 2,1±2,3 µmol/l, sendo o valor máximo de 13,9 µmol/l e mínimo de 0,007 µmol/l (Tabela 1). As flutuações entre os máximos e mínimos de nitrato tem sido relacionada com a sazonalidade, uma vez que dependendo da estação do ano temos diferentes intensidades de temperatura, luz e disponibilidade de nutrientes, o que influencia diretamente na atividade biológica local (Galan et al., 2004). Com isso, normalmente os valores mais altos de concentração de nitrato estão associados com os períodos de inverno e de outono, onde a combinação dos fatores acima citados (baixa temperatura e baixa luminosidade) desfavorece a atividade biológica havendo um excedente de nitrato na coluna d’água, já os menores valores de concentração de nitrato geralmente associam-se aos períodos de verão e primavera, isso porque temos a combinação de altas temperaturas, com alta luminosidade e disponibilidade de nutrientes favorecendo o consumo do nitrato em ambientes onde a concentração de oxigênio não supre a demanda da intensa atividade biológica (Figura 6 item D). Por volta de 68% das amostras tiveram concentrações entre 0,007 e 2 µmol/l (Figura 5 item D). A amplitude foi de 13,89.

O nitrito (NO2-) apresentou concentração média de 0,2±0,2 µmol/l, máxima de 1,8µmol/l e mínima de 0,001µmol/l (Tabela 1) (Figura 6 item E). O nitrito é frequentemente utilizado na ausência ou em concentrações baixas de nitrato, isso porque na falta deste último alguns organismos assimilam o nitrito na forma de nutriente. Além disso, o nitrito é abundante em regiões de sub-superfície e superfície, devido à maior atividade biológica encontrada nestes locais, isso porque,

24 segundo Yang et al. (2011) o nitrito é um dos nutrientes limitantes de produção primária em águas oceânicas. Aproximadamente 78% das amostras mostraram valores de concentração até 0,04 µmol/l (Figura 5 item E). A amplitude do nitrito foi de 1,79. A resolução do CONAMA N°. 357 descreve que o limite tolerável de nitrito na água do mar é de 5 µM estando a Enseada dentro deste limite, uma vez que a concentração média de nitrito no local foi 0,2µmol/l, mesmo o máximo valor observado, de 1,8µM, esteve abaixo do limite determinado pela legislação.

O amônio (NH4+) exibiu concentração média de 5,3±5,4µmol/l, a maior concentração de amônio encontrado durante o período amostral foi de 48,4µmol/l, durante o período de outono, isso porque neste período a atividade biológica começa a declinar, uma vez que este é o produto final do processo de assimilação dos nitrogenados (NO3-,NO2- NH4+), depois de um período de intensa atividade relacionado com os períodos de primavera e verão, onde encontramos as concentração mínima de amônio foi de 0,092µmol/l, devido a intensa atividade biológica associada ao consumo de amônio (Tabela 1) (Figura 6 item F). No entanto, a rápida assimilação deste composto somado ao aporte continental e aos picos sazonais de produção fitoplanctônica, e consequentemente do zooplâncton (grazing), geraram uma variação ao longo do período de amostragem com oscilações acentuadas. A amplitude do amônio foi de 48,3 e cerca de 62% tiveram concentrações até 5 µmol/l (Figura 5 item F).

Os compostos nitrogenados (NO3-, NO2-) têm como fonte principal os continentes, sendo estes carreados até o mar através da drenagem continental, assim quanto mais próximo da costa, maior é a tendência de se encontrar grandes

25 concentrações destes nutrientes, já o amônio acredita-se que a fonte deste seja a excreção através dos moluscos.

O silício (Si denominado na tabela, porém sua representação química é dada por H2SiO4- ácido orto-sílico) apresentou concentração média de 15,5±8,9 µmol/l, chegando à máxima de 46,5 µmol/l e mínima de 0,157 µmol/l (Tabela 1). O silício na superfície da coluna d’água tende a ser encontrado em concentrações menores devido à assimilação deste pelos organismos ou ainda incorporação do mesmo por diatomáceas. Além disso, o silício tem como principal fonte o intemperismo, sendo transportado até o mar através da lixiviação e dos rios. A sua amplitude foi de 46,34. Aproximadamente 44% das amostras se concentraram entre 10 e 20 µmol/l (Figura 5 item G).

O fosfato (PO43-) exibiu concentração média de 0,5±0,6 µmol/l, o valor máximo de concentração durante as amostragens foi de 4,2 µmol/l e o mínimo de 0,001 µmol/l (Tabela 1). A remoção do fosfato da coluna d’água pode ser explicada pela assimilação biológica, adsorção ao material particulado, floculação e sedimentação, o que evidencia as baixas concentrações encontradas no local de estudo (Sanders et al., 1997; Davies e Eyre, 2005). A sua amplitude foi de 4,19. Cerca de 91% apresentaram concentrações até 1,0 µmol/l (Figura 5 item H). A resolução do CONAMA N°. 357 defini que o limite de fosfato na água do mar é de 1,0µM estando o valor médio de todo o período estudado na Enseada dentro deste contexto, porém valores maiores que este limite foi também registrado.

A clorofila-a (Cla-a) apresentou média de 2,3±1,7 µmol/l, com máxima de 15,6 µmol/l, durante julho de 2007 e mínima de 0,1 µmol/l, em dezembro de 1998 (Tabela 1) (Figura 6 item I), geralmente altas concentrações de clorofila-a estão relacionadas

26 com períodos de menor pluviosidade, já que nesses períodos a transparência da água é bem maior favorecendo a penetração de luz e consequentemente a fotossíntese (visto que a clorofila-a é exclusividade de organismos autotróficos fotossintéticos). Assim concentrações de clorofila têm sido altamente utilizadas como marcador de biomassa fitoplanctônica (Proença, 2002), além disso, a quantificação da clorofila também permite avaliar o potencial de produção orgânica dos ecossistemas aquáticos, podendo fornecer indicações sobre a quantidade de matéria orgânica disponível aos demais níveis tróficos (Greco et al., 2004). Segundo Edwards (2003), o entendimento da dinâmica relação entre o suprimento de nutrientes e a formação de biomassa fitoplanctônica é importante para predizer e evitar eutrofizações marinhas. Outro aspecto importante relativo à clorofila-a, de acordo com Besen (2005), é que esta reflete a disponibilidade instantânea de alimentos disponíveis na coluna d’água para os organismos filtradores (por exemplo, os bivalves). Aproximadamente 87% das amostras tiveram concentrações que variaram até 4 µmol/l (Figura 5 item I). A amplitude de distribuição da clorofila-a foi de 15,5.

Os elevados valores de desvio padrão apresentados acima provavelmente ocorreu devido a grande variabilidade da concentração destes parâmetros ao longo dos meses, além da variação interanual observada, podendo este ser influenciado pelas condições climáticas, hidrológicas e biológicas.

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