4.3 ANÁLISE DA PROFESSORA 2
4.3.2.1.5 O(a) professor(a) utiliza diferentes exemplos?
Na situação apresentada no quadro a seguir, a professora está apresentando vários tipos de gráficos (barras horizontal e vertical, setor e linha).
Diálogo Análise barrinha (Abre o dedo com a mão do tamanho da barra). Lembra da barrinha que a tia mostrou no material dourado? Esse gráfico vem em formato. Aqui, eu tenho as frutas (aponta para o eixo horizontal). E, aqui, eu tenho as quantidades (aponta para o eixo Vertical) que irão me indicar cada consumozinho, cada fruta preferida no primeiro ano, tá bom?
Mno: Tia, esse daqui também é um gráfico de barras, tia?
P: É (faz legal com a mão). É um gráfico de barras também. Só que a barra aqui não está na vertical. Está na horizontal. Gente, ó, na horizontal, a barrinha deitadinha tá? Mas não deixa de ser um gráfico de barras também, tá?
...
P: Eita, tia. Tem um gráfico aqui bem diferente.
Olha, gente! Ele é redondo, tem várias partezinhas pintadas aqui, num é gente? E aí?
Como é o nome desse gráfico, óh: “gráfico de setores”. Ele é muito conhecido com esse nome aqui, oh, pizza. Por que ele tem esse nome, Flávia? Tu sabes por que ele se chama gráfico de pizza?
....
Flávia: Porque ele é redondo.
P: Porque ele é redondo(Faz o sinal de legal).
Tem o formato, né Flávia, de pizza. Muito bem!
E agora tia? Também trouxe esse gráfico aqui, oh, que é o gráfico de linhas. Esse aqui...Eu acho que alguém já viu na televisão. Alguém já viu mostrando aqui esse gráfico na televisão?
Alguém já viu mostrando na televisão? Já viu Mel?
Aluno: Gráfico do COVID.
P: Isso kkkkkkkkk... Isso aí, Juarez. (...). Legal!
Olha, gente! infelizmente, a gente tá vendo muito na televisão esse gráfico aí. Que ele mostra, né? O crescimento ou a taxa da contaminação, a gente já viu bastante. Com certeza, muitos de vocês viram na televisão, tá?
Esse graficozinho aí, que é o gráfico de linhas, ele mostra o crescimento, tá? Mas não se preocupem com isso. Vocês não vão aprender esses tipos de gráficos, ainda. Vocês vão ficar mais no gráfico de barras. Tia só trouxe para ampliar a questão do conhecimento de vocês,
A Professora 2 compara com a barra do material dourado, apesar de não haver semelhança, porque o gráfico é uma barra e não cubinhos sobrepostos.
Faz a distinção entre horizontal e vertical, estabelecendo uma analogia com a barra deitada.
Chama a atenção para o formato do gráfico (redondo) e associa ao formato da pizza.
Associa a um tema e não mais ao seu formato.
Associa a experiência dos alunos.
Apresenta para quê é utilizado o gráfico de linhas.
tá bom? Tá certo? Agora, a gente vai abrir o nosso livro.
Durante a aula da Professora 2, analisamos que ela utiliza diferentes exemplos de gráficos para explicar a sua função, algumas vezes evidenciando seu formato e outras o tipo de dados que apresenta. Além disso, busca associar o conteúdo exposto ao conhecimento de vida dos alunos. Dessa maneira, observamos uma diversidade de marcas (exemplos, analogias, conexões) em sua explicação oral.
Dessa forma, ela apresenta aos alunos que existem diferentes maneiras de apresentar os dados em gráficos. Apesar de apresentar diferentes exemplos, observamos que sua explicação oral não possibilita as múltiplas possibilidades, como apontam Proulx, Berdnaz e Kieran (2006), tendo em vista que a professora se restringe à exposição dos gráficos e suas características. Conforme os autores, uma explicação oral que apresenta múltiplas possibilidades está mais aberta aos questionamentos dos estudantes e mais “preparada” para a problematização desses questionamentos.
4.3.2.1.6 O(a) professor(a) repete o comando da mesma forma ou alterando?
Ao observarmos a aula da Professora 2, analisamos que ela repete várias vezes o mesmo comando. Consideramos que essa repetição é para chamar a atenção dos alunos para o que ela está querendo ensinar. Dessa maneira, as repetições são para ajudar os alunos a acompanharem a atividade.
Proulx, Berdnaz e Kieran (2006) apontam que essa característica na explicação oral professora indica a falta de abertura a diferentes possibilidades, sendo um reflexo da ausência de domínio conceitual que restringe-se a desenvolver o que é esperado para a situação. Isso também é reflexo da concepção de ensino da professora, que evita respostas erradas e o confronto de diferentes respostas ou a ausência de questionamentos que levem à problematizações ou desafios a serem vivenciados.
4.3.2.1.7 O(a) professor(a) apoia ou desafia os alunos durante as aulas?
Identificamos algumas situações em que a professora acredita desafiar seus estudantes uma vez que realiza perguntas de diferentes maneiras a funcionalidade do gráfico.
Por outro lado, ela sempre incentiva a participação dos alunos parabenizando por isso: “Isso, meu amor!”, “Muito bem gente!!!”, “Excelente”, “tá vendo que você sabe, é só ter calma”, faz o sinal de legal. Diante disso, compreendemos, que a professora busca apoiar seus alunos com relação ao que está sendo exposto, sempre considera o que é dito por eles, contudo, sempre os direcionando para o que deseja naquele momento. Proulx, Berdnaz e Kieran (2006) afirmam que a falta de aprofundamento dos conhecimentos matemáticos acarreta à uma apropriação não aprofundada e não crítica das resoluções matemáticas. Essas repercutem na compreensão das dificuldades apresentadas pelas crianças durante a aula e tendendo, assim, ao direcionamento das respostas sem a devida problematização e reflexão das dificuldades.
Faustino (2016, 2018) apresenta algumas características para que haja um diálogo em sala de aula, de modo a se encaminhar para um processo de ensino e aprendizagem. Ela afirma que o diálogo precisa ser gerado dentro de um tema desafiador, com questionamentos entre os interlocutores, para obter uma finalidade. Essa maneira dos interlocutores interagirem, conforme a autora, promove a construção de argumentos por meio de um processo investigativo, permitindo à professores e alunos compartilharem seus pensamentos matemáticos, neste caso, estatísticos, de modo a terem seus pensamentos legitimados pelo conteúdo trabalhado.
Entretanto, diante do que expomos, observamos que a docente não proporciona situações desafiadoras aos estudantes, tendo em vista que o tipo de questionamento realizado remete à um conteúdo já vivenciado, isto é, as crianças já deveriam saber do que está sendo colocado pela docente. Desse modo, não há provocação de ideias o que acarreta a não construção de discussões, a não apresentação de argumentos, o não compartilhamento de ideias, sem haver uma legitimação do conteúdo exposto.
4.3.2.1.8 O(a) professor(a) utiliza diferentes elementos semióticos