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Conforme já referi, a minha colaboração com a JFM no que diz respeito à investigação que aqui se relata, tem início em Dezembro de 2007, com a apresentação de um documento que constituía um esboço do projeto que propunha desenvolver. Não obstante, e conforme também já referi, desde 2006 que vinha rentabilizando a minha colaboração com a JFM (nomeadamente, com vista ao desenvolvimento do estágio curricular da Licenciatura em Ciências da Educação) para o estabelecimento de um acervo documental, baseado em entrevistas a indivíduos com responsabilidades de direção ou coordenação em diversas organizações locais, bem como a representantes da própria JFM, entrevistas estas que tiveram lugar entre Abril de 2006 e Junho de 2007. Embora as entrevistas aos dois representantes da JFM (o seu presidente e um vogal com a responsabilidade pela área de Formação, Emprego e Empresas) tenham sido conduzidas no âmbito da minha colaboração enquanto estagiária da LCE no “Projeto +Emprego” da JFM, estas revelaram-se pivotais para aquilo que, à época, designei (no meu relatório de estágio) como “um alargamento do âmbito de intervenção do estágio”, na medida em que lançavam pistas no sentido da importância da emergência de um “projeto educativo local”, no qual diversas organizações de relevo ao nível da Freguesia pudessem cooperar. Assim sendo, procedemos a um levantamento (através do site da JFM e do motor de busca www.google.pt) das instituições de cariz educativo e das associações de cidadãos/ãs (sem restrição quanto ao tipo de atividade levada a cabo) com atividade em Massarelos. Decidimos encetar o contacto, primeiramente, com as associações, o que fizemos via telefone, dirigindo-nos às pessoas responsáveis pela direção das mesmas e auscultando a disponibilidades destas para a realização de entrevistas. Assim, realizaram-

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Em Novembro de 2008, aproximadamente um ano depois de dar início à minha atividade enquanto investigadora no âmbito do Doutoramento, e aos contactos no contexto da Freguesia de Massarelos, fui vítima de um furto, no qual me foram subtraídos um computador portátil, duas USB flash drives e dois cadernos de notas (entre outros haveres pessoais) contendo uma parte significativa dos dados entretanto recolhidos, nomeadamente informação relativa a datas e dados de contactos. Enquanto me foi possível reaver uma parte importante dos dados já informatizados, todos os que se encontravam escritos à mão foram irremediavelmente perdidos. Assim sendo, ser-me-á eventualmente impossível precisar as datas de um ou outro evento, nomeadamente no que diz respeito aos primeiros contactos com as Escolas e com as associações, embora considere que tal não prejudica a qualidade e a precisão gerais do relato e das reflexões apresentadas.

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se entrevistas a uma professora da Escola EB1 do Bom Sucesso (Licenciada em Ciências da Educação, tendo no passado desempenhado funções de direção na Escola e sido responsável por diversas atividades de aproximação à comunidade local), à presidente da direção da Associação de Moradores da Zona do Campo Alegre, à coordenadora educativa da Associação de Moradores de Massarelos e ao presidente da Associação Dramática e Musical de Massarelos. Estas são, então, as organizações com as quais contactámos de forma mais prolongada, uma vez que, para além das entrevistas, colaboraram posteriormente connosco através do preenchimento de questionários e da participação em grupos de discussão focalizada.

Importa, talvez, apresentar brevemente estas entidades, no sentido de compreender, também, qual a influência educativa que exercem já, de facto, junto da população que usufrui dos seus recursos.

A Escola EB1 do Bom Sucesso está localizada nas imediações da JFM e pertence ao Agrupamento Vertical Gomes Teixeira (com sede na Escola EB 2,3 com o mesmo nome, localizada também na Freguesia de Massarelos), sendo frequentada, no ano letivo 2004/2005, por 263 crianças, sendo que, conforme referiu a professora entrevistada, «uma metade, praticamente da população escolar vem de fora (I), de Gondomar, de Valongo, de Gaia, etcI Porque as pessoas trabalham aqui, trazem os filhos para aqui» (ver Anexo I). A Associação de Moradores da Zona do Campo Alegre foi fundada a 16 de Outubro de 1976 e desenvolve a sua ação em áreas que dizem respeito à representação e defesa dos interesses dos/as moradores/as: a habitação, a cultura, o desporto, o recreio (lazer) e a defesa do associativismo. A Associação de Moradores de Massarelos, fundada a 20 de Abril de 1976, está localizada na zona ribeirinha da Freguesia, e tem como objetivo uma intervenção privilegiada no âmbito da habitação e do apoio à infância. Neste momento, é uma das Associações com atividade mais estruturada e com maior abrangência em termos de público, dispondo de um conjunto habitacional com 66 fogos (entregues aos/às moradores/as mais necessitados/as em 1982) e integrando, para usufruto dos/as moradores/as de Massarelos, as valências de Creche (crianças entre os 4 meses e os 2 anos de idade), Jardim de Infância

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(crianças entre os 3 e os 6 anos de idade), A.T.L. (crianças a partir dos 6 anos de idade, a frequentar o 1.º CEB) e Centro de Convívio (sócios/as da Associação a partir dos 60 anos de idade). Finalmente, a Associação Dramática e Musical de Massarelos é a mais antiga associação da Freguesia, tendo sido fundada a 1 de Janeiro de 1950 (com a designação inicial de “Escola Dramática e Musical de Massarelos”), desenvolvendo atividade ao nível do teatro amador, do cinema, das exposições de arte e do ensino da música, bem como da atividade desportiva.

A própria JFM dispõe de alguns equipamentos sociais (nomeadamente uma creche, um A.T.L., um Jardim de Infância da rede pública, um centro de convívio e dois postos de enfermagem), embora à data destes primeiros esforços não se tenha feito uma aproximação direta a estes recursos, por se considerar que estariam já considerados na visão que a Junta de Freguesia (na pessoa do seu Presidente) tem do relacionamento interinstitucional e das potencialidades educativas da Freguesia. Aquando do início da colaboração com a JFM no âmbito do projeto de que aqui se dá conta, envolvemos estas três primeiras estruturas, as de cariz educativo, na fase de recolha de dados por questionário.

Quanto aos dados recolhidos após o início do Projeto “Massarelos, Freguesia Educadora” (que exploraremos em maior detalhe na última parte desta tese), podemos agrupá-los em seis fases:

1. Visitas às Escolas e recolha de dados, junto destas, através de questionário;

2. Recolha de dados através de questionário junto das associações de cidadãos/ãs;

3. Recolha de dados através de questionário junto das empresas;

4. Desenvolvimento do grupo de discussão focalizada (GDF) com as associações;

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6. Desenvolvimento dos GDF com as crianças e os/as jovens estudantes do Agrupamento Vertical de Escolas Gomes Teixeira.

Em Janeiro de 2008, e na sequência da resposta favorável do executivo da JFM à proposta de colaboração apresentada no mês anterior, dei início à abordagem às instituições educativas/formativas públicas e privadas, solicitando à própria JFM a listagem destas. Tendo o executivo da JFM nomeado o vogal responsável (à data) pela área da Educação para acompanhamento do projeto, que, pela sua posição, mas também pelo seu historial de relacionamento com a Junta de Freguesia e com a própria comunidade, dispunha de vias de contacto privilegiadas ao nível das direções destas organizações, decidi, em conjunto com o executivo da JFM, delegar nele a abertura destas vias de comunicação, enviando uma proposta de agendamento dos contactos presenciais (ou seja, da minha visita) às diversas instituições de ensino básico e secundário, do setor público e privado, localizadas em Massarelos. Foi, então, a 25 de Fevereiro de 2008 que efetuei a primeira visita (para o efeito, a uma instituição do setor privado), sendo que, ao longo dos meses seguintes, levámos a cabo 11 deslocações a organizações deste tipo, com o objetivo de conhecer as instalações e recolher alguns dados (através de questionário) relativos ao seu funcionamento, das quais uma pertencia a uma associação de moradores/as, uma a uma ordem religiosa, uma a um centro social paroquial, uma a uma Instituição Particular de Solidariedade Social, uma a uma sociedade empresarial, duas eram infraestruturas da própria JFM, três eram escolas da rede pública de ensino e uma era uma instituição de ensino artístico/musical a funcionar (ao nível dos 2.º e 3.º ciclos) em regime articulado e em regime supletivo.

Apesar de termos identificado, com sucesso, todas as instituições e estabelecido contactos diretos com todas elas, não foi possível visitar e/ou recolher dados em todas. No caso de uma das escolas do 1.º CEB (pertencente ao Agrupamento localizado na Freguesia) e no caso da Escola Secundária, as visitas concretizaram-se e a entrega dos questionários para preenchimento também teve lugar. Não obstante a nossa insistência, e o

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reenvio do documento por diversas vias e em diversas ocasiões, não se verificou ser possível a recolha destes dados. No caso de uma das instituições do setor privado, as possibilidades de contacto esmoreceram logo à partida, uma vez que o nosso primeiro e-mail foi recebido com a resposta de que, por se tratar de uma instituição integrada num consórcio internacional, não se regia “pelas leis educativas portuguesas”, pelo que não estavam interessados/as em colaborar com o projeto.

Importa aqui fazer alguma reflexão sobre os obstáculos que, externamente, se colocam à prossecução dos objetivos de uma investigação, e que têm a ver com a recetividade das várias organizações para aceder ao contacto e à cedência de dados. Esta é, talvez, a maior dificuldade de uma investigação que integra o contacto com o terreno, ou seja, que prevê o recurso a informadores/as ou interlocutores/as, quer sejam indivíduos ou organizações. De facto, e na maioria das situações, os projetos emergem de interesses e vontades muito particulares (do/a investigador/a ou de determinado grupo de investigação); mesmo em investigação-ação, como aliás já referimos, é amiúde a equipa de “peritos/as” que estimula a reflexão dos indivíduos não- investigadores/as, pelo que é difícil assinalar com precisão o que surgiu primeiro: o problema sentido pelos indivíduos ou grupos, ou o problema identificado pelos/as investigadores/as.

As dificuldades podem surgir a diversos níveis:

1. O/a investigador/a pode não ser capaz de estimular o interesse dos/as interlocutores/as, pelo que as hipóteses de cooperação desvanecem-se à partida;

2. Os/as interlocutores/as podem não ter disponibilidade para colaborar de acordo com os intentos do/a investigador/a, o que, em princípio, também gorará os objetivos da investigação;

3. O interesse e/ou a disponibilidade dos/as interlocutores/as pode alterar-se no decorrer do processo investigativo, pelo que, ainda que seja possível recolher alguns dados iniciais, tal não acontece a médio/longo prazo, ou a sua colaboração na investigação faz-se de

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forma intermitente, o que contribui para alguma inconsistência dos dados (o que poderá ser especialmente relevante em estudos longitudinais e que mobilizem dados eminentemente quantitativos);

Na verdade, e por mais interessantes e nobres que os nossos objetivos nos pareçam, ou por maior que seja a nossa disponibilidade para nos “encaixarmos” dos interstícios das agendas das várias organizações, a verdade é que, por vezes, simplesmente não é possível. Seja porque, amiúde, não temos nada para oferecer em troca da colaboração para além da promessa do sentimento que advém de “fazer desinteressadamente” ou porque não há espaço nestes contextos para “mais esta solicitação”, dizer ‘não’ é um direito que assiste a todos os indivíduos, e, enquanto investigadores/as, temos que aprender a lidar com a frustração que daí inevitavelmente advém. Por vezes, é possível recrutar outros/as colaboradores/as, ou avançar por outras vias, mas por vezes não há nada a fazer senão aceitar o não.

Retomando o nosso relato do processo de estabelecimento das vias de contacto ao nível das organizações de Massarelos, desta feita no que diz respeito às associações de cidadãos/ãs, foi a 28 de Fevereiro que convocámos a presença dos/as representantes destas organizações na JFM, com o objetivo de lhes dar a conhecer o projeto e de solicitar, igualmente, o preenchimento de um questionário (cuja estrutura e conteúdo explanaremos mais adiante), contendo questões relativas à orgânica e às lógicas de funcionamento das mesmas. Alguns destes questionários foram preenchidos presencialmente, e imediatamente devolvidos, enquanto que outros foram sendo remetidos para a JFM ao longo das semanas seguintes. Como havia já acontecido em relação às Escolas, também no que diz respeito às associações se verificaram demoras ou simplesmente a não devolução dos questionários preenchidos. De qualquer forma, demos a primeira e a segunda fase de recolha de dados por concluídas em meados de Junho de 2008, altura que correspondeu à preparação da prova de qualificação no âmbito do Programa Doutoral em Ciências da Educação e à minha participação num primeiro evento científico

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internacional com apresentação de uma comunicação, pelo que não houve lugar à recolha de quaisquer dados durante todo o segundo semestre de 2008.

Retomo em Janeiro de 2009 os esforços no sentido da recolha de dados junto das organizações locais, com a organização de uma base de dados de contacto das empresas com os quais a JFM havia vindo a colaborar no âmbito do “Projeto +Empresas”. Depois de organizadas de acordo com as áreas de atividade59, procedemos ao envio de um contacto via e-mail (uma vez que era esse o meio de contacto privilegiado também pela JFM), sendo que, das 185 empresas listadas e contactadas, 70 (ou seja 38%) não receberam efetivamente o nosso e-mail, uma vez que este veio devolvido (caixas de destino cheias, endereços incorretos ou endereços desativados). Antecipando a dificuldade que teríamos em convocar todos/as estes/as representantes para um encontro na JFM com o objetivo de apresentação do projeto e de solicitação do preenchimento do questionário, optámos pelo contacto via e-mail e pela disponibilização do questionário online. Desenvolvido e alojado com o apoio do Centro de Investigação e Intervenção Educativas da FPCEUP, a plataforma ficou funcional em meados de Março de 2009, tendo sido depois testada com o apoio do executivo da JFM. Assim, às empresas selecionadas foi enviado um e-mail, endereçado pelo Presidente da JFM, contendo uma breve apresentação do Projeto “Massarelos, Freguesia Educadora” e a solicitação da sua colaboração através do preenchimento do questionário online, sendo-lhes, para o efeito, enviado o link de acesso.

Em Abril de 2009, e face à rapidez com que as empresas começaram a responder ao questionário online60, decidimos disponibilizar o questionário às associações também em formato digital, embora não tenhamos obtido nenhuma resposta adicional. Comparativamente, enquanto que os questionários em papel às associações nos permitiram a recolha de dados

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As áreas de atividade identificadas foram as seguintes: atividade física; arquitetura; banca; comércio (diversos); componentes e manutenção automóvel; contabilidade; formação, cultura, artes e solidariedade; hotelaria; imobiliário; informática; beleza e estética; livraria, papelaria e edições; logística e distribuição; marketing e publicidade; mobiliário e decoração; organização de eventos; produção agrícola; recursos humanos e consultoria; representação legal; restauração; saúde; seguros; telecomunicações; têxtil e pronto-a-vestir; viagens e turismo; outros.

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Tendo procedido ao envio dessa informação, via e-mail, aos representantes das associações de cidadãos/ãs.

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junto de seis organizações (num universo de 16, ou seja 37,5%) ao longo de um período de cinco meses, os questionários online permitiram-nos recolher dados junto de nove empresas (num universo de 185, ou seja menos de 5%) ao longo de um período de duas semanas. Em termos de tempo de resposta, parece-nos não haver dúvidas de que os questionários online oferecem vantagem, mas julgamos que, caso não haja de facto vontade ou disponibilidade para conceder os dados solicitados, um e-mail não é um lembrete particularmente eficaz, uma vez que rapidamente é “empurrado” da primeira página da caixa de correio e dificilmente se retoma a tarefa.

2009 foi, para mim, um ano particularmente exigente no que diz respeito à frequência do Programa Doutoral, uma vez que, concomitantemente à recolha de dados, apresentei comunicações em três eventos de cariz internacional (incluindo o I Seminário do Programa Doutoral), dois eventos de cariz nacional (um deles, com duas comunicações) e em outros três eventos nacionais enquanto oradora convidada, num total de nove comunicações. Por outro lado, em Outubro de 2009 tiveram lugar eleições autárquicas, o que provocou alguma suspensão nas atividades normais da JFM. Ainda que uma parte significativa do executivo se tenha mantido, Novembro de 2009 foi um mês de algum retrocesso, no sentido em que houve necessidade colocar os novos elementos a par das iniciativas já levadas a cabo no âmbito do Projeto “Massarelos, Freguesia Educadora”. Assim, o segundo semestre de 2009 caracterizou-se por um interregno no processo de recolha de dados. Não obstante, ainda em Novembro de 2009, apresentei ao executivo da JFM uma nova proposta, no âmbito do Projeto: a criação e disponibilização ao público da Freguesia de um serviço de mediação, designado “Gabinete de Mediação de Massarelos” (cujas especificidades exploraremos na última parte da tese). Tendo esta proposta sido, à semelhança das anteriores, recebida de forma positiva pelo executivo da JFM, os últimos meses de 2009 foram dedicados à planificação dos aspetos relativos ao funcionamento deste serviço, que se previa arrancar no início de 2010.

Em Janeiro de 2010, e enquanto prosseguiam os esforços com vista à criação do Gabinete de Mediação (GMM), retomámos finalmente o contacto

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com as Escolas da Freguesia, com vista à recolha de dados junto das crianças e dos/as jovens que estudam em Massarelos (uma vez que os questionários já nos haviam permitido a recolha de dados ao nível dos órgãos de direção). Uma vez que se previa o funcionamento do GMM numa base semanal, para além de outras atividades de cariz regular que assumi durante o ano de 2010, optei por restringir espacialmente a recolha de dados junto de crianças e jovens à população estudante do Agrupamento Vertical de Escolas Gomes Teixeira, que me parecia proporcionar uma amostra suficientemente ampla e diversificada daquilo que poderíamos designar como “as crianças e os/as jovens que estudam em Massarelos”. Deste Agrupamento fazem parte o Jardim de Infância Barbosa du Bocage, a Escola Básica do 1.º ciclo do Bom Sucesso, a Escola Básica do 2.º e 3.º ciclos de Gomes Teixeira e o Conservatório de Música do Porto (que, à data de aplicação dos questionários se encontrava localizado em Massarelos, no Palacete Pinto Leite, à Rua da Maternidade, tendo sido posteriormente transferido para um edifício anexo à Escola Secundária Rodrigues de Freitas, na freguesia de Cedofeita). A Escola Secundária Infante D. Henrique, ainda que localizada em Massarelos, integrava à data um outro agrupamento, do qual era sede, e do qual fazem parte instituições educativas de outras freguesias limítrofes. A 19 de Janeiro de 2010, como referia, entreguei à direção do Agrupamento (de cujo Conselho Geral a Junta de Freguesia é parte) um pedido oficial, com vista à solicitação de autorização para a realização de um conjunto de atividades, designadas como “grupos de discussão focalizada” (que discutirei mais aprofundadamente no próximo capítulo), com as crianças e os/as jovens alunos do Agrupamento.

A 3 de Fevereiro de 2010 arranca o Gabinete de Mediação de Massarelos (GMM), a funcionar no espaço da JFM, um dia por semana. A criação deste serviço foi anunciada no Boletim da JFM, “Voz de Massarelos”, na sua edição de Fevereiro de 2010, com uma chamada de duas páginas (ver Anexo II). A JFM fez ainda distribuir por algumas organizações e serviços locais material de divulgação do GMM, como flyers e cartazes. Ainda durante o mês de Fevereiro, e com vista à ampla divulgação do serviço, efetuámos diversos contactos com

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organizações de relevo ao nível da Freguesia e da cidade do Porto61. A 10 de Maio de 2010, fui convidada a participar no programa Porto Alive! do Porto Canal, onde apresentei o Projeto “Massarelos, Freguesia Educadora” e o GMM. O GMM funcionou de forma regular (salvo algumas interrupções pontuais devido a compromissos pessoais ou profissionais) até Julho de 2011, altura em que demos por concluída a fase de permanência no terreno do processo investigativo que aqui discutimos.

Enquanto aguardávamos pela resposta ao nível do Agrupamento, decidimos que íamos incluir na recolha de dados a realização de grupos de discussão focalizada (GDF) envolvendo representantes das associações de cidadãos/ãs e do tecido empresarial local. Conforme esclareceremos de forma mais aprofundada no próximo capítulo, entendemos que os GDF, para além de instrumentos de recolha de dados, podem ser potenciais instrumentos de incentivo à participação cívica e política dos/as seus/suas participantes no contexto mais amplo, uma vez que a perceção de que se é competente para uma discussão complexa e salutar sobre determinada questão pode promover o interesse e a disponibilidade para a ação. No caso concreto deste projeto, o