2 REVISÃO DE LITERATURA
2.2 A INFANTARIA MECANIZADA (Inf Mec)
2.2.6 O manual do Batalhão de Infantaria Mecanizado (EB70-MC-10.306) . 72
2.2.6.3 O adestramento da Infantaria Mecanizada no EB
A partir da transformação da 15ª Bda Inf Mec em 2013, os batalhões de infantaria (30º BI Mec, 33º BI Mec e 34º BI Mec) iniciaram o processo de experimentação doutrinária nos diversos níveis.
Primeiramente os EEID nortearam as ações que deveriam ser desencadeadas, mas houve dificuldade na aplicabilidade, uma vez que o conhecimento acerca das características, das possibilidades e das limitações da VBTP MSR 6X6 Guarani era bastante escasso.
Por não existir um Programa Padrão (PP) de instrução, observou-se que os batalhões supracitados mantiveram seus quadros sendo instruídos por meio de Programas já existentes, além de tentarem adaptar o Programa Padrão de Qualificaçāo (PPQ) das OM blindadas à nova natureza Mecanizada.
Em consequência, apesar da capacitação de militares no CI Bld, a pendência de uma Nota de Coordenaçāo Doutrinária (NCD), de um PPQ e de um Programa
Padrão de Adestramento (PPA), combinados com a ausência de um Quadro Organizacional (QO) das referidas OM, não permitiram a potencialização do emprego dos meios mecanizados no período de 2013 a 2018, sobretudo devido às dificuldades de integração de tudo que cercava a transformação
Cabe elucidar que existiu verdadeira deficiência operacional no período de 2013 a 2018 gerada por parcial desconhecimento das documentações elaboradas que citavam as lições aprendidas (Lç Aprd), melhores práticas (Mlh Prat) e conhecimento de interesse doutrinário relevante (CID-R).
Neste contexto de aprendizados, observou-se que uma solução seria necessária para manter uma espécie de “arquivo vivo” nestas novas OM do EB, o qual retrataria todas as Lç Aprd, as Mlh Prat e o CID-R para que não houvesse perda de conhecimento. Concomitantemente, sabe-se que devido à característica da rotatividade da profissão militar no Brasil, dificilmente algum especialista permanece muito tempo em determinada função na OM.
Assim, chegou-se à conclusão que por meio dos softwares já elencados pelo EB, a simulação virtual poderia manter as informações acessíveis nas OM, pois além de comprovadamente ser a ferramenta que melhora o rendimento tático, poderia ser o instrumento de manutenção deste conhecimento, de modo a cumprir as Instruções Reguladoras da Sistemática de Acompanhamento Doutrinário e Lições Aprendidas (SADLA) – EB70-IR-10.007, as quais prevêem o seguinte:
[...] Art. 4º A SADLA possui os seguintes objetivos:
V- preservar vidas, economizar tempo e recursos de toda ordem, evitando desperdícios e a reincidência de erros e enganos; e
VI – promover a solução de problemas militares identificados no preparo e emprego da Força, por meio da adoção de Lç Aprd e Mlh Prat (BRASIL, 2017e, p. 8/16)
Contudo, atualmente a SIB nestas OM não tem sido instrumento que possibilita o armazenamento destes dados de conhecimento doutrinários relevantes elaborados por meio da SADLA em tudo aquilo que é atinente à Inf Mec.
Por fim, em 2019 iniciou-se efetivamente o adestramento com base no PPQ- Experimental – Infantaria Mecanizada. Entretanto, cabe frisar que daqui para frente é imprescindível o estabelecimento de regras para a efetivação da SIB como local de armazenamento dos dados e dos conhecimentos na OM.
Por conseguinte, cabe o acompanhamento deste processo, pois a Seçāo seria a alimentadora do SADLA por meio do oficial de doutrina e lições aprendidas (ODLA), sendo este geralmente o Oficial de Operações da OM.
Como sugestão deste processo, recomenda-se a observação do mapeamento do processo de alimentação do SADLA pelo BI Mec, constante na Figura 18 abaixo, que pode ser testado em trabalhos posteriores.
FIGURA 18 – Processo de alimentação do SADLA pelo BI Mec Fonte: O autor
Portanto, visualiza-se que a sistemática proposta em conjunto com o método de adestramento em Simulaçāo Virtual do tipo serious game permitem criar bases para corrigir os equívocos passados, frutos da inexperiência.
2.2.7 A Viatura Blindada de Transporte de Pessoal Média Sobre Rodas 6x6 Guarani
As experiências vivenciadas recentemente por alguns exércitos no campo de batalha geraram a compreensão de que o combate moderno possui rápida evolução. Em consequência, ao perceber a dinâmica da conjuntura mundi al o Exército Brasileiro estabeleceu novas Condicionantes Doutrinárias e Operacionais (CONDOP), as quais versam sobre blindados.
Desta forma, com a necessidade de complementar, substituir, incrementar e otimizar a capacidade da frota de Blindados Médio sobre Rodas no EB por meio da
utilização de novas tecnologias, iniciou-se o Projeto Guarani, hoje Programa Guarani, o qual estabeleceu novas possibilidades para a F Ter.
Com esta motivação de projeto houve então o estabelecimento de orientação estratégica que abordou alguns aspectos para condução do poder dissuasório, dentre os quais destacam-se o ressurgimento de uma integradora indústria de viaturas blindadas, a formação de ampla cadeia de empresas fornecedoras, tecnologias duais que sejam aplicáveis em diversas áreas e inovações tecnológicas (novos materiais, sistemas automatizados, eletroeletrônica embarcada, etc.). Com isso, pode se afirmar que ressurgiu a base industrial de defesa no país.
Com estas diretrizes estabelecidas, as seguintes premissas foram elencadas no então Projeto Guarani:
a) menor custo para aquisição, operação e logística; b) foco na possibilidade de exportação;
c) posse de pacote de dados técnicos; d) propriedade intelectual gerada pelo EB;
e) múltiplas aplicações nas Op de amplo espectro;
f) índice de nacionalização de 60%, ou seja, peças do mercado nacional. Assim, após todos os procedimentos estratégicos e conceituais, bem como os processos legais que envolveram o Programa Guarani, em 21 de dezembro de 2007 houve a assinatura do contrato com a Empresa IVECO, a qual iniciou a fabricação da VBTP MSR 6X6 Guarani, elemento propulsor da Inf Mec.
2.2.7.1 Características operativas da VBTP MSR 6X6 Guarani
Com o escopo de materializar as potencialidades da VBTP MSR 6X6 Guarani, explica-se que a alta tecnologia embarcada é estabelecida por um conjunto de itens que promovem uma verdadeira sinergia e agregam Poder Relativo de Combate (PRC).
Neste sentido, explica-se que a VBTP Guarani possui múltiplas possibilidades e, mais uma vez, evidencia-se a necessidade de convergir as características operativas da parte técnica à parte tática, ambas a seguir especificadas:
a) O Sistema de Comando e Controle da VBTP MSR 6X6 Guarani: Rádio
Harris Falcon III, Computador Tático Militar (CTM), Gerenciador do Campo de Batalha (GCB) e o Sistema SOTAS Intercom:
O Sistema de comando e controle da VBTP MR 6X6 Guarani permite ao operador e ao seu comandante sofisticada tecnologia, segurança e eficiência, nas diversas operações a serem empregadas, virtudes essas indispensáveis no campo de batalha moderno (SIQUEIRA; DOS SANTOS, 2018).
Inicia-se esta abordagem com a explanação parcial de cada componente do Sistema de Comando e Controle (C2) da VBTP MSR 6x6 Guarani.
O sistema C2 permitiu ganho exponencial de consciência situacional, sobretudo utilizando-se a interface do Sistema “C2em Combate”, o qual combina comunicação externa sem fio; dados e imagens; estrutura para tráfego e voz; e integração com as estruturas do sistema de armas e eletrônica da VBTP Guarani. Todas estas características o tornam o verdadeiro diferenciador no PRC da Infantaria Mecanizada (ver Figura 19).
FIGURA 19 – Esquema do Sistema C2 da VBTP MSR 6X6 Guarani
Fonte: Nota de aula da EsCom 2015/Intercomunicador SOTAS apud Siqueira e Dos Santos (2018)
Nesse viés, é importante conscientizar acerca da quantidade de detalhes do Subsistema de Rádio a serem estudados e estimulados em adestramento em Simulação Virtual Tática.
O manual de Operações do Rádio Harris Falcon III (2012, p.14) descreve o equipamento RF-7800V-HH como passível de ofertar cobertura contínua na faixa de frequência de 30 até 108 MHz com potência de transmissão de até 10 Watts. Além disso, permite a interoperabilidade com os rádios multibanda RF-5800V VHF, RF-5800H HF/VHF, RF-5800M e RF-7800M.
Ou seja, tais capacidades são fundamentais de serem do conhecimento de toda guarnição da VBTP Guarani, o que remete às facilidades obtidas quanto ao adestramento no SVT do tipo serious game.
De acordo com o Manual de Operações (2012, p.15), o RF-7800V-HH possui também os seguintes recursos:
- Alcance Estendido de Comunicações – Utilizando a tecnologia MELP (Mixed-Excitation Linear Predictive) para codificação e decodificação de voz juntamente com uma taxa de transferência de 2400 bps, permitindo a recepção dos sinais fracos não recebidos nas comunicações analógicas. PTT para duas redes -Permite manter a comunicação com duas redes diferentes, tais como redes de combate e pelotão.
- Voz e Dados Simultâneos – Comunicações de voz durante uma comunicação de dados presente no mesmo canal.
- Conexão direta a uma rede IP (Internet Protocol) – O RF-7800V-HH pode ser conectado sem configuração a uma rede com servidor DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol), permitindo acesso através de qualquer recurso de rede, como um computador.
- Interface de conexão direta com USB (Universal Serial Bus) – Qualquer dispositivo USB, como uma câmera, pode ser conectado da mesma maneira que se conecta a uma porta USB de um computador, dispensando configurações.
- Alta Taxa de Transferência de Dados – O RF-7800V-HH atinge uma alta taxa de transferência de dados IP de 64kbps em canais com largura de banda de 25kHz, ou atinge uma taxa de transferência de dados IP de 192 kbps em canais com largura de banda de 75kHz.
- Chave rotativa tática com 13 redes selecionáveis. O rádio pode ser programado com até 25 redes.
Opção de Unidade de Teclado e Display Remoto (KDU) estende o alcance dos rádios (requer equipamento opcional). As versões do KDU projetada para conexão direta com o rádio (12113-1000-01/02/03) possui um conector USB Fêmea Tipo-A no topo do KDU Remoto, permitindo a utilização de câmera ou de outro dispositivo USB
- Retransmissões avançadas baseadas em IP permitem vários saltos de retransmissão e vários rádios de retransmissão conectados via Ethernet/LAN.LAN)
- Repetidor de voz em rede (TNW) de TDMA (Time Division Multiple Access) que permite uma faixa estendida através de um único rádio repetidor para receber e transmitir voz nos modos seguro (protegido) e não seguro (desprotegido)
Interface Web de Usuário permite que um PC controle o Tac chat (Tactical Chat), a navegação GPS (Global Positionin System), a navegação em sistemas de arquivo e a configuração de rádio.
- Criptografia Citadel 128 e 256 inclusa permite uma chave criptográfica tipo militar e uma chave criptográfica AES (Advanced Encryption Standard) de 256 bits para transmissões de voz e dados. O CAM (Customer Algorithm Modification) é uma opção disponível.
- Opcões de Quicklook incluem as formas de onda ECCM (Eletronic Counter-Counter Measures – Contra- Contra Medidas Eletrônicas) - Quicklooh1A, Quicklook 2, Quicklook 3 e Quicklook Wide; que protegem as transmissões de voz e dados contra interceptação e jamming.
- Interface de dados não balanceados acomoda interfaces USB/Ethernet ou RS-232. Para o envio de mensagens, a tela do Tac Chat oferece um centro integrado de mensagens (HARRIS CORPORATION, 2012, p. 15).
Infere-se que com a vasta gama de capacidades, somente um adestramento dinâmico permitiria otimizar o tempo de modo a realmente provocar a sensação de ganho de rendimento e traduzí-lo em conhecimento operacional.
Nesse contexto, observa-se que o CI Bld já aplica a tecnologia por meio de
softwares que simulam o comando e o controle proporcionados pelas
comunicações, mas o fato é que poucos militares tiveram acesso a este treinamento.
De Castro, Neto e Dos Santos (2018) corroboram a afirmação da existência dos softwares conforme o artigo “A simulação da rede rádio no Simulador Virtual Tático”:
No CIBld, são desenvolvidos exercícios no Simulador Virtual Tático (SVT) para a atualização das Táticas, Técnicas e Procedimentos (TTP) junto às tropas blindadas e mecanizadas. Para auxiliar nesse processo, o emprego das comunicações é exigido na forma de uma rede rádio simulada. Para simular a rede rádio de uma FT, deve-se dispor de meios que permitam a configuração das intercoms e implementação de redes independentes. A
Intercom é necessária para a comunicação dos membros de uma guarnição, simulando, assim, a rede interna de uma viatura, e as redes independentes são necessárias para as ligações entre os diversos níveis da FT. Dentre os
softwares existentes, há algumas opções que integram as ferramentas necessárias para isso, como é o caso do TeamSpeak3 e do Mumble. No Centro de Instrução de Blindados, o software escolhido para ser empregado é o TeamSpeak3, que além das ferramentas supracitadas, possui um kit para desenvolvimento de plugins. Com este programa, pode-se criar diversos servidores em um mesmo computador, possibilitando, assim, a operação de diferentes redes rádios concomitantemente, ou seja, pode-se operar e dar suporte a diversas simulações simultaneamente. Além disso, o conjunto de ferramentas nativas desse software permite que se configure uma sala para o SVT de forma simples. Dessa forma, para simular a intercom das viaturas, criam-se canais onde os participantes podem falar livremente uns com os outros. Já para a criação das redes da FT, utiliza-se a função WhisperList
do programa, que associada a uma tecla, permite que o participante simule o PTT de um rádio. A WhisperList sobrepõe o canal em que o usuário se encontra, permitindo a comunicação somente com os membros cadastrados nela, isto é, só quem está na WhisperList. capaz de escutar o que o usuário fala enquanto pressiona o “PTT”. O programa TeamSpeak3 também permite a gravação da conversação rádio de um determinado membro ou de um canal específico, gerando um arquivo de áudio. Esse arquivo é usado como elemento da Análise Pós-Ação (APA) para analisar as interações es entre as funções de combate, melhorando a fraseologia e atuando na redução de informações desnecessárias ao combate. Os softwares que oferecem kit para o desenvolvimento de plugins, como o Mumble e o TeamSpeak3, levam vantagem sobre os outros, uma vez que tais kits permitem a customização e
a extensão de suas funcionalidades. No CI Bld, por exemplo, desenvolveu-se um plugin que automatiza a distribuição e a configuração dos clientes, tarefa que, quando realizada manualmente, pode demorar uma jornada de trabalho, dependendo do número de computadores envolvidos na simulação. Portanto, a escolha de um software adequado mostra-se fundamental para a simulação de uma rede rádio em um SVT, poupando tempo e agregando valores quando feita de maneira acertada (DE CASTRO; NETO; DOS SANTOS 2018, não paginado, grifo do autor).
No que tange ao Hardware Computador Tático Militar (CTM) (ver Figura 20), pode se afirmar que é o terminal do C2 e, que, com sua robustez, possibilita, por meio do software GCB, a materialização da consciência situacional.
Por sua vez, o software Gerenciador do Campo de Batalha representa o verdadeiro significado do combate moderno, pois sem o amplo conhecimento das dimensões do campo de batalha, não será possível obter sucesso nas operações de amplo espectro.
Explica-se que, com suas ferramentas interativas, funcionalidades principais e barra de ferramentas de mapas, o software é um facilitador para a corr navegação do blindado e para o controle da fração nos exercícios e operações (ver Figura 21).
FIGURA 20 – Computador Tático Militar (CTM) Fonte: Siqueira e Dos Santos (2018)
Contudo, aponta-se como oportunidade de melhoria a necessidade de aumentar o tamanho da tela, bem como a possibilidade de que haja, no futuro, a inserção de outro GCB embarcado no compartimento da tropa, obviamente para conscientizá-la quanto à atual posição no terreno.
Constata-se ainda que existe uma verdadeira sobrecarga nas tarefas e nas atividades ao Cmt VBTP, as quais exigem cada vez mais treinamentos, sobretudo nos quesitos táticos que não se limitam ao veículo.
FIGURA 21 – Software GCB
Fonte: Manual do GCB do Centro de Desenvolvimento de Sistemas apud Siqueirae Dos Santos (2018)
Avalia-se, assim, que é prudente disseminar a importância no adestramento amplo da guarnição a todos os fatores que colaborem para o bom funcionamento do Sistema C2. Neste sentido, Siqueira e Dos Santos (2018) afirmam que
Hoje, a intercomunicação não se restringe somente ao carro de combate, mas também a interconexão entre os mais diversos equipamentos rádio existentes no mercado, funcionando também como integrador, bem como proporcionando interfaces de rede, como switch e roteador, o que permite que quaisquer dispositivos que funcionem com protocolos TCP-IP possam ser adicionados ao sistema. É possível, ainda, incorporar telefonia VOIP e telefonia oriunda dos mais diversos modelos de PABX, bem como um sistema avançado de redutor de ruído, isolando o operador dos barulhos existentes no interior da viatura e reduzindo a interferência externa sofrida pelo microfone do operador, separando a voz humana das demais interferências (SIQUEIRA; DOS SANTOS, 2018, não paginado).
Assim, infere-se que todas as possibilidades do sistema precisam ser aproveitadas de modo a interconectar não somente a tropa, mas também as diversas interfaces multidimensionais do ambiente operacional.
O Sistema C2 alavancou a operacionalidade da tropa embarcada. Em contrapartida, se não houver o reflexo condicionado de treinamento do Cmt VBTP Guarani, avalia-se que a gama de informações fornecidas pelo sistema não será
aproveitada em sua plenitude. Reitera-se que a SVT possibilita este condicionamento ao Cmt VBTP, pois busca a interatividade a todo tempo durante os treinamentos.
Avalia-se ainda que o Sistema C2 tem sido um verdadeiro indutor de consciência situacional. Mas é necessário ampliar o treinamento. Hoje, somente o Comandante (Cmt) da VBTP Guarani tem a exata noção do que o cerca no ambiente operacional, porém, fica sobrecarregado para transmitir todas as informações à guarnição embarcada.
A SVT serious game altera este panorama se houver método coerente com as necessidades já demonstradas.
b) Os Sistemas de Armas: PLATT, REMAX e Unmanned Tower (UT)-30 A VBTP MSR 6X6 Guarani possibilita a adaptação modular aos sistemas de armas PLATT, REMAX e UT-30. Contudo, não serão abordadas as características e as funcionalidades de cada torre neste tópico. Este item tem por objetivo extrair deduções de correlações entre o atual treinamento e o adestramento em serious game.
Primeiramente, cabe afirmar que o sistema PLATT diferencia-se do REMAX e do UT-30 por ser manual, o que gera um aspecto negativo quanto à segurança por oferecer maiores riscos ao atirador ao expô-lo na parte externa.
Em contrapartida, apesar de as versões REMAX e UT-30 apresentarem maiores índices de acurácia nos tiros, elas não possuem cofres de munição com grande capacidade, o que impossibilitaria longos apoios de fogo em combate, aspecto negativo quanto à segurança, uma vez que exige que o atirador recomplete o cofre na parte externa da VBTP, expondo-se ao perigo.
Em uma segunda abordagem, torna-se necessário citar as circunstâncias logísticas que restringem os treinamentos de atiradores, falta de munição e combustível, o que causa verdadeira falta de aptidão no adestramento amplo de Movimento e Manobra (M2).
Consequentemente, extrai-se que o ambiente virtual controlado é o mais propício à resolução deste grande problema logístico.
Avalia-se ainda que as relações de combate, com todos os dados atuais das capacidades de tiro, podem ser comparadas com aqueles estabelecidos como ameaças, perigos e riscos reais, também inseridos no software.
Reitera-se que a obtenção de soluções táticas e doutrinárias deve ocorrer mediante testes prévios, incluindo os dados já obtidos nos índices de manutenção dos Sistemas de Armas Remotamente Controlados (SARC) REMAX e UT-30 e, obviamente, os aspectos limitadores do poder de fogo das torres (ver Figura 22).
FIGURA 22 – SARC UT- 30BR Fonte: REVOLVY
Com a possibilidade de inserção da VBTP Guarani com o sistema PLATT, REMAX e UT-30 no software VBS 3, sugere-se que na primeira oportunidade as OM possam obter respostas nos diversos tipos de operações quanto aos índices que abordem os seguintes aspectos: acurácia dos tiros, logística do apoio de fogo e taxa de mortalidade no ambiente de operações controlado.
Este feito proporcionará as corretas indicações da operação da VBTP MSR 6X6 Guarani nas diversas formas de manobra nas operações básicas, Ofs e Def, o que tornará o treinamento por meio da SVT mais real.
Portanto, avalia-se que um dos grandes desafios do adestramento é o treinamento operacional dos diversos sistemas de armas da VBTP MSR 6X6 Guarani.
Percebe-se, ainda, que a logística é o gargalo no aspecto adestramento, pois exige grande quantidade de munições - material Classe V - para a formação e a atualização profissional de um atirador, além de material classe III, haja vista a necessidade de se manter a viatura ligada para o funcionamento da parte eletrônica.
Neste sentido, cabe afirmar que o treinamento em simulação serious game
permitirá a reversão de grande parte dos materiais Classe III e V para os treinamentos reais, pois a acurácia seria condicionada nos dispositivos virtuais e o desperdício de combustíveis e óleos seria evitado.
Por fim, cabe relembrar que é fundamental que os militares possuam a capacidade de raciocinar durante as simulações com aspectos de M2, C2 e logística, de modo integrado e, posteriormente, possam empregar o que foi treinado no terreno.
2.2.7.2 Possibilidades e limitações da VBTP MSR 6X6 Guarani
Sucintamente, afirma-se que a Viatura Blindada de Transporte de Pessoal Média Sobre Rodas 6x6 Guarani tem como principais possibilidades e limitações:
a) elevada mobilidade – estratégica e tática:
Quanto à mobilidade estratégica, o desdobramento da Infantaria Mecanizada é obtido de maneira relativamente rápida, utilizando-se todos os tipos de transportes intermodais, entre eles: