4. Contributos Diretos dos stakeholders
4.1. O Aluno
Os alunos têm que ser vistos como um dos stakeholders do processo de aprendizagens empreendedoras, como o recetor destas mesmas aprendizagens. Como tal, o aluno deverá ser o interveniente com maiores responsabilidades neste processo. Na seleção dos alunos entrevistados, a nossa atenção recaiu nos que se encontravam a frequentar o ensino superior, em virtude da sua maior proximidade com os processos de transformação. Assim, no trabalho empírico aqui proposto, conseguimos obter o contributo de dois alunos através da metodologia proposta. Ao expormos o contributo direto destes stakeholders, é necessária uma breve apresentação dos seus perfis: o Aluno Nº1 tem 23 anos, é do sexo feminino e pertence à área de administração empresarial, na Universidade de Vigo; o Aluno Nº2 tem 22 anos, é do sexo masculino e pertence à área de relações internacionais, na Universidade do Minho.
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4.1.1. Educação Empreendedora
Ao longo do nosso trabalho de projeto fomos procurando perceber de que forma se configuram as transições dos jovens do ensino para o mundo do trabalho. No seguimento desta questão, percecionamos que existem métodos que capazes de facilitar esta transição, muitos dos quais poderiam estar inseridos ou serem adotados no meio educacional. Assim, consideramos que as instituições de ensino, sobretudo as Universidades, devem ser os responsáveis pelo encaminhamento destes processos. Torna-se, por isso, pertinente perceber se existirá efetivamente um esforço por parte das instituições para o incremento de capacidades que potenciem a transição do ensino para o mercado de trabalho.
“Infelizmente, não. Tive que ser eu a procurar formações práticas para poder complementar de forma prática a minha formação teórica. No entanto considero que existam muitas formas de o fazer. Particularmente, gostaria que se pudessem intercalar estágios em empresas ao longo de toda a carreira universitária.” (Aluno Nº1)
“A formação académica, de momento, baseia-se muito na vertente teórica, passando despercebidos alguns valores e a necessidade de outro tipo de qualificações. Considero que deveria haver um currículo mais aprofundado e orientado para as experiências práticas. Por exemplo, haver cursos onde se aprendesse a desenvolver planos empreendedores” (Aluno Nº2)
Assumimos ainda, ao longo da nossa análise teórica, que a educação desempenha um papel fulcral no âmbito social da vida de um jovem empreendedor. Sabemos que não existe um ensino um ensino igual para todos os jovens, mas consideramos que é possível assegurar alguns valores primários como a responsabilidade social, a heterogeneidade e a diversidade cultural ao longo do percurso escolar. A partir deste ponto, resta-nos a dúvida em relação à forma como se procura, ao longo do período de ensino, transmitir estes valores.
“Julgo que são valores que já vão sendo incutidos nas sociedades modernas. Ao longo do meu percurso escolar, conheci muitas pessoas de diversos países e a comunicação é essencial. É uma ideia já muito incutida, sobretudo com os programas existentes no Ensino Superior. A
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igualdade e a diversidade não se podem considerar aqui antónimos, mas sim complemento uma da outra.” (Aluno Nº2)
“É sobretudo necessário apostar pela criatividade e, só a partir daí, é que se consegue favorecer o diálogo, a inclusão e a participação. Neste aspeto, a educação é importante, é a base de tudo. A pirâmide deve completar-se com as experiências. Com visitas a empresas, a start-ups, a coworkings, receber visitas de empreendedores nas aulas.” (Aluno Nº1)
4.1.2. Empreendedorismo no contexto da aprendizagem formal
Das conclusões que retiramos ao longo das abordagens anteriormente feitas, consideramos que o papel dos intervenientes do meio educacional é fulcral para o processo de aprendizagens empreendedoras. No caso das Universidade, consideramos que estas podem oferecer garantias na aquisição de competências empreendedoras, no apoio ao desenvolvimento e concretização de ideias, na procura de respostas às necessidades, no processo de transformação de conteúdos lecionados em prática. Apesar desta assunção, nem sempre é possível identificar de que forma este interveniente atua de forma a tornar-se essencial para o processo de aprendizagens empreendedoras.
“A Universidade deve servir como um meio conector entre a vida estudantil e o mercado de trabalho. Este deveria ser o maior objetivo das Universidades, a meu ver.” (Aluno Nº2)
“Julgo que a universidade deve esforçar-se por ter um maior protagonismo na aquisição de competências empreendedoras. Deveria organizar-se mais cursos de empreendedorismo, financiar mais atividades práticas e até fomentar mais o contacto entre alunos de diferentes cursos. É importante ter a noção de que as ideias são produto da comunicação.” (Aluno Nº1)
A partir da identificação do papel que a Universidade deverá desempenhar ao longo do processo de aprendizagens empreendedoras, surge-nos também a questão de como devem também os professores agir de forma a proporcionar aos seus alunos um ensino que transpareça a facilitação dos processos em questão. Sabemos que compete aos professores, neste âmbito
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empreendedor, o desenvolvimento das caraterísticas empreendedoras ou a denotação e aproveitamento de oportunidades. Porém, deve existir uma metodologia que permita aos docentes agirem como facilitadores dos processos de aprendizagem.
“A Universidade deveria procurar auxiliar a conjugação da formação académica com a empresarial ou laboral, daí que as escolas de negócios e as pós-graduações estejam a ter tanto impacto nos dias de hoje. Os professores devem fazer um esforço para motivar os seus alunos, favorecendo os debates nas aulas e a liberdade de expressão, agindo como um moderador.” (Aluno Nº1)
“Consideraria interessante que um professor desse conhecimento das suas próprias tentativas, êxitos e falhas, de modo que alunos tenham conhecimento de experiencias práticas e do que devem ou não fazer.” (Aluno Nº2)
Para além do papel das instituições e dos professores no processo de aprendizagens empreendedoras, devemos ainda considerar os alunos como partes intervenientes destes processos. Apesar de não podermos atribuir maior importância a algum dos intervenientes, podemos considerar que os alunos detêm uma maior valência neste âmbito.
“Não podemos esperar que nos chegue uma oportunidade. Os alunos devem ter a responsabilidade de se formarem, de participarem em voluntariados, de procurarem estágios e de atualizarem-se permanentemente. Também é muito importante no empreendedorismo criar uma rede de contactos e os alunos podem, desde logo, ser responsáveis pela construção desta mesma rede de contactos.” (Aluno Nº1)
4.1.3. Empreendedorismo no contexto de aprendizagem informal
Após a clarificação da influência exercida pelas aprendizagens formal e não formal ao longo dos processos de aprendizagens empreendedoras, resta-nos abordar o empreendedorismo no contexto de aprendizagem formal. Neste ponto, percebemos que os contextos de socialização
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de um jovem (pessoas com quem nos relacionamos, os livros que lemos, a televisão que vemos, etc.) desempenham um papel fulcral na obtenção de competências empreendedoras
“Todos os estímulos que recebemos durante o processo de aprendizagens são muito importantes para o processo de aprendizagens empreendedoras. Desde um livro interessante, a uma letra de uma música que nos faça pensar ou programas de televisão que nos inspirem e motivem, tudo isto são estímulos. As perguntas despertam a curiosidade, e a curiosidade é o primeiro passo para a vontade de resolver os problemas. O empreendedorismo acaba por ser mesmo isto, a resolução de problemas.” (Aluno Nº1)
Neste âmbito das aprendizagens informais, para além dos contextos de socialização, também existem questões sociais de grande importância que poderão ser fulcrais no desenrolar do processo de aprendizagens empreendedoras. Entre estas questões sociais temos a qualidade de vida, o género, a etnia ou a religião.
“Não desempenham um papel de demasiada importância para um empreendedor. Um empreendedor é, por natureza, uma pessoa ambiciosa e que se preocupa sempre em melhorar. Caso haja alguma interferência de problemas como a etnia ou a religião, o empreendedor vai agir sempre assim, procurando respostas e propondo soluções para diferentes problemas, agindo consoante a sua natureza.” (Aluno Nº1)