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O apoio familiar e o respeito pelo corpo da mulher são componentes que auxiliam na escolha pelo parto natural. A credibilidade e garantia de apoio, bem como o apoio de toda a família (mães, irmãos, avós, marido), amigos e o acompanhamento de uma doula foram fatores determinantes, pois proporcionaram tranquilidade quanto à escolha do parto e segurança nas decisões. O convívio social com grupos de pessoas com um objetivo comum, como o Grupo de Yoga, grupos de apoio ao parto natural, pilates, entre outros também contribuiu para uma escolha informada.

“Quando cheguei no consultório, já falei pra ele que queria muito o parto natural, já tinha buscado informações, já estava com a doula e ele concordou comigo, me apoiou em tudo (...). Nenhuma vez ele ficou falando cesárea ou pondo algum medo em mim, não fez toque (...). Meu marido me apoiou em tudo. Ele concordou, achou muito legal e conversou muito comigo, também sobre isso, que me apoiava, que ia estar do meu lado (...), minhas irmãs, para elas era novo, eu só não falava, porque são daquelas de cesárea (...).. A doula me ajudou tirando minhas dúvidas, me ajudou também no psicológico (...) Quando eu estava no parto: “será que tá chegando?Já tá apontando o nenê?” E ela (doula) ficava, "não, calma, que tá indo bem, já tá chegando a hora”. (E2)

Para E1, todos respeitaram suas escolhas, reconhecendo que seu corpo lhe pertencia e admitindo as intervenções somente em caso de necessidade.

“Na verdade, quando eu sentei para conversar mais com minha mãe e com meu marido, eles levaram numa boa. Meu marido me apoiou bastante, mas ele também estava ciente que se precisasse de uma intervenção (não queria que nenhuma de nós corresse risco), a gente admitia algumas em caso de risco (...) “Tem uma grande amiga da faculdade que estava morando nesta cidade na época, ela acompanhou

Para E5, o apoio de uma doula foi fundamental até mesmo nos momentos de insegurança e incertezas, reduzindo suas preocupações e transmitindo segurança. O profissional médico também lhe forneceu apoio e indicou o grupo de apoio ao parto normal e humanizado. Estava receosa de contar para seu pai sobre sua decisão, pois acreditava que ele também tentaria dissuadi-la da ideia do parto normal, no entanto, surpreendeu-se com a reação do pai. No caso de E5, a presença de seu pai nos últimos dias da gestação, dado que sua mãe era falecida há alguns anos, forneceu-lhe um aporte psicológico, o qual não imaginava. O apoio de seu pai, embora de modo sutil, contribuiu para sua espera pelo momento do parto, num momento em que seu companheiro (marido) começou a demostrar medo e desistir do parto natural.

“(...) em nenhum momento eu falei para o meu pai para que ele não interferisse na minha decisão (...) ele ficou sempre muito quieto, mas no finalzinho da gestação, ele ficou comigo aqui 15 dias para me ajudar, então ele acabou vendo o que estava acontecendo, que eu estava tentando parto normal e ele ficou tranquilo, não interferiu, não deu opinião (...) no dia que o meu marido ficou preocupado ("está passando do tempo e não dá sinal nem nada"), foi a única vez que ele (pai) abriu a boca, ele falou: "calma, espera, deixa dar o tempo. O médico não falou que é até dia tal? “Então vamos esperar” (...) no fim ele (PAI) me deu mais apoio do que eu imaginei (...).Falei para o meu marido: "se não tivessem os dois (doula e seu pai) , você tinha me feito desistir!". Ele estava ficando muito preocupado, extremamente, começou a ficar com muito medo, a ficar inseguro porque achou que estava passando da hora e que não ia acontecer, então ela (doula) começou a dar mais apoio pra gente também nesse sentido.” (E5)

Para a E7, o apoio familiar (marido e mãe) contribuiu para sua autonomia na escolha do parto, pessoas próximas a ela tentaram protegê-la psicologicamente contra infortúnios de outras pessoas, porém as opiniões de pessoas, de alguma forma a incomodava por transmitir a ideia de que o parto normal era arriscado e isso causava insegurança em seu marido. . Apesar de todos os entraves, obteve forças para continuar em sua trajetória.

“ (...) para o meu marido , era indiferente: se fosse para a cesárea (ele) iria estar do meu lado, se fosse normal, iria estar do meu lado. Ele deixou para eu escolher. Tinha gente que ligava 11 horas da noite em casa "você tá louca, o médico está falando que você tem que tirar o nenê!", "não vou tirar, ele vai nascer quando tiver que nascer".Eu fui estudar, pesquisar o assunto,, saber o que era o parto normal (...) todo mundo falava, "você não tem medo da dor? Eu nunca imaginei dor, em momento algum, não fazia parte do meu histórico, da minha trajetória de gestação, não tinha dor.” (E7)

Para a entrevistada (E8), o apoio do marido (leitura, companhia para assistir DVD) foi fundamental no prosseguimento de sua decisão pelo parto natural. Para a entrevistada, o apoio do grupo, bem como de seus familiares e o conhecimento do parto a partir da informação proporcionou segurança e confiança para uma idealização do parto natural com perfeição.

(...) Meu marido me apoiou. Ele ficou convencido primeiro do que eu, de que era a melhor via de parto, me ajudava nas leituras, assistia DVD junto comigo "você sabe o que você está fazendo? Então te apoio", mas com aquela desconfiança (...) tinham pessoas muito de idade na minha família, minha avó (89 anos), minha tia que me criou, tenho uma tia de 69 (anos). O meu tio mais novo tem 57 (anos). A única que me apoiava era minha mãe, mas ela mora fora, então não tinha muito como me apoiar. Deixou a cargo, eu decidi.” (E8)

A família é um suporte social e afetivo à mulher em suas escolhas e principalmente no parto (BRASIL, 2008). Ela oferece um suporte, quando todas as decisões individuais já foram esgotadas. A presença do familiar (esposo, mãe, amiga) e/ou de uma Doula, além da informação, oferece suporte físico, afetivo e emocional a mulher, visto que desta forma, ela se sente cuidada e acolhida e reduz a ocorrência de cesáreas e partos com fórceps, trazendo benefícios à mãe e ao bebê (BRASIL, 2010; GONÇALVES et al, 2011; TRUEBA et al, 2000; SANTOS e NUNES, 2009). Dessa forma, a doula no caso de E5 teve um importante papel, fornecendo suporte no momento em que pensou em desistir de seu parto natural. Para Falcão e Salomão, (2005), o apoio dos avós na maternidade pode ser favorável ou desfavorável na vida dos membros da família.