5. ANÁLISES E DISCUSSÕES
6.1 O ATENDIMENTO AOS OBJETIVOS DA PESQUISA
O foco da pesquisa apresentada justamente era demonstrar como as questões de segurança pública podem ter uma melhora em termos de resposta para a sociedade se a gestão governamental valorizar o uso da instituição denominada como Polícia Científica. Entende-se que este objetivo foi atingido, pois ficou claro na pesquisa desenvolvida o papel da Polícia Científica como um instrumento de política pública no sistema de segurança pública do Paraná.
Com relação ao primeiro objetivo específico da pesquisa, ou seja, identificar a inserção da Polícia Científica no sistema de segurança pública do Estado do Paraná, a Polícia Científica do Paraná recebeu no decorrer dos anos de 2017 e 2018 investimentos consideráveis no que tange a questão de estrutura física.
Tais investimentos ocorreram de modo significativo nos municípios de Curitiba, Londrina e Maringá, onde durante anos anteriores perduraram problemas de funcionamento adequado nas instalações do Instituto Médico-Legal (inclusive com acúmulo de cadáveres sem o devido sistema de refrigeração para conservação).
Um exemplo real desta inserção definitiva da Polícia Científica no sistema de segurança do Paraná transcorreu no primeiro trimestre de 2018, quando foi entregue a nova sede do Instituto Médico-Legal de Curitiba, no bairro Tarumã, com instalações, equipamentos e condições absolutamente novos, para assim esta instituição auxiliar com a atividade forense no combate a criminalidade.
Ali passaram a ser executadas com maior precisão as tarefas forenses que muito auxiliam na elucidação de crimes, notadamente aqueles mais hediondos, como violência contra crianças e mulheres, homicídios, estupros, feminicídios, latrocínios e outros de igual barbárie.
Como relação ao segundo objetivo específico da pesquisa, ou seja, identificar a contribuição da Polícia Científica na perspectiva de políticas de segurança pública no estado do Paraná, igualmente ficou demonstrado que a Polícia Científica do Paraná, se devidamente aparelhada e administrada, se transforma um significativo instrumento de política pública em termos de segurança pública para o Paraná.
Exemplos deste papel de instrumento de política pública por parte da Polícia Científica seriam:
I) A interiorização das sedes do Instituto Médico – Legal e do Instituto de Criminalística, planejada para atenderem as Áreas Integradas de Segurança Pública definidas no planejamento estratégico denominado Paraná Seguro conduzido pela Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná;
II) A entrega no ano de 2018 das unidades novas do Instituto Médico-Legal nos municípios de Curitiba, Londrina e Maringá, comprovando a importância da instituição Polícia Científica dentro do planejamento estratégico se Segurança Pública do Paraná.
III) A proposta do Centro de Excelência em Computação Forense, onde a Polícia Científica busca transformar em médio prazo a correspondente Seção Técnica de Computação Forense do Instituto de Criminalística num centro de excelência em termos de perícias focando o levantamento e análise de vestígios cibernéticos.
IV) O convênio estabelecido entre o Instituto Médico-Legal e a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná para atendimento conjunto de mulheres, crianças e adolescentes vítimas de violência, oferecendo dignidade durante o processo de exames periciais num momento em que a pessoa envolvida se achava psicologicamente e emocional abalada.
V) A nova organização estrutural e administrativa da Polícia Científica do Paraná, onde foram estabelecidos, por exemplo: o Núcleo de Inteligência para manutenção e atualização de banco de dados com a finalidade de atender a planejamentos, tomada de decisões ou de acompanhamento de ações planejadas, exclusivamente dedicados à segurança pública; o Escritório de Projetos para o acompanhamento da execução dos convênios e termos de cooperação, firmados com a Polícia Científica por instituições de ensino e organizações governamentais, com a manutenção de banco de projetos de interesse da Polícia Científica e a Assessoria Técnica de Comunicação, com a qual se desenvolve o relacionamento com a comunidade e o cidadão, fazendo com que, através de um trabalho de divulgação e esclarecimento bem conduzido, a população se aproxime mais da Polícia Científica, reconhecendo seu papel na estrutura do sistema de segurança.
VI) A proposta de interiorização da Divisão de Laboratórios, com a finalidade de descentralizar da Capital o feito de vários exames necessários, agilizando a obtenção dos resultados para a condução das investigações policiais ou de natureza jurídica, levando aos grandes municípios do Paraná (como sedes pólos que atenderam um agrupamento de municípios menores) laboratórios forenses como: Toxicologia Forense, Bioquímica Forense e Ciências Químicas (e quem sabe, num futuro próximo laboratórios de Genética Molecular Forense), tornando a Polícia Científica mais próxima das necessidades específicas de cada região do Paraná.
VII) O Projeto Ciências Forenses na escola, uma parceria da Polícia Científica (Seção Técnica de Computação Forense do Instituto de Criminalística) com a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (SEEDPR), a qual visa subsidiar professores e alunos de escolas públicas com material relacionado à validade da ciência forense para materialização de provas e para auxiliar na prevenção e combate a criminalidade, estando este material disponibilizado em portal da SEEDPR.
O entendimento da Polícia Científica como um importante instrumento de política pública no sistema de Segurança Pública do Paraná é corroborado pelos resultados obtidos na entrevista semiestruturada conduzida durante o processo de pesquisa, onde 98,8 % responderam positivamente a esta questão, acreditando na relevância da Polícia Científica como organismo para prover uma segurança pública fortalecida.
Já para o terceiro objetivo específico da pesquisa, ou seja, identificar as dificuldades vivenciadas pela Polícia Científica e propor alternativas de solução, no transcorrer da pesquisa ficou nítida a necessidade de melhorias em alguns pontos focais da estruturação da Polícia Científica.
Estes pontos vão desde aumento do quadro funcional (necessário quadruplicar o número de servidores públicos atuam na Polícia Científica, passando dos atuais 306 em 2018 para 1.480 ou mais num futuro muito próximo, até aprimoramento dos métodos de gestão e padronização dos processos operacionais para desenvolver trabalhos com a garantia de qualidade necessária nas perícias realizadas.
Como contribuição, para auxiliar na visão de como robustecer a Polícia Científica como um instrumento de política pública são indicados os seguintes aspectos que devem ser revistos, melhorados e fortalecidos ao longo de todo o tempo de existência da instituição.
I) A autonomia administrativa, financeira e legal da Polícia Científica em relação aos outros organismos policiais, conceituada como uma faculdade atribuída a esta instituição de assim livremente traçar suas normas de conduta, limitada apenas pelas regras legalmente impostas, sendo que nesse cenário as atividades forenses teriam a mais absoluta imparcialidade e o mais elevado contexto científico.
II) A formação continuada dos Peritos Oficiais e demais servidores de apoio, pois o aprimoramento é uma exigência de manutenção da ciência forense atualizada, deixando estes profissionais aptos para o uso de novos recursos tecnológicos e assimilação de conceitos científicos avançados.
III) A melhoria salarial continua dos profissionais que atuam nas atividades forenses, pois a formação de um Perito Oficial requer anos de estudo e dedicação, bem como exclusividade a causa da segurança pública, sendo justo a significativa contrapartida financeira por tal comprometimento, inclusive como método de motivação.
IV) O aparelhamento tecnológico continuado da instituição, com equipamentos, laboratórios e materiais de ponta ou, pelo menos, muito próximos da última geração de recursos.
Estas propostas são reforçadas em termos de valor pelo aspecto que a gestão pública deve definir processos de planejamento realistas diante das profundas e intensas mudanças que ocorrem em termos de Segurança Pública no Brasil. Como comenta Lima (2016, p. 49), “tem-se que ter sempre em mente que não há governabilidade sobre acontecimentos futuros imprevistos, mas há técnicas de enfrentamento se os mesmos vierem a acontecer e aí reside às diferenças de práticas da gestão pública, pois é naquele momento que a capacidade de liderança do gestor se manifesta”.