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O CAIS E O CASARIO

No documento O RIO E A CIDADE (páginas 49-52)

Antigo porto fluvial do município, o Cais está locali- zado na R. Rosa Bororó, constitui-se em um atracadouro feito de concreto, estendendo a partir dele uma calçada para passeio público, com árvores e bancos de concreto. Está dividido em dois níveis, conectados por uma escadaria e duas rampas. A parte mais baixa do cais é alagável e frequentemente é ocupada por pescadores, como pode ser visto na imagem 84. Junto a ele foi tem-se uma cruz estilizada que simboliza a religiosidade cristã. Como já mencionado no capítulo II, a área do Cais é um dos poucos espaços, se não for o único, da cidade de Rondonópolis, que possui contato direto com o rio Vermelho, com total visibi- lidade em relação ao mesmo.

O Casario, localizado na R. XV de Novembro, fazendo divisa lateral com a Ponte Franscisco Goulart (imagem 86), é um complexo arquitetônico e sociocultural que, como já descrito no capítulo II, dispõe de um conjunto histórico carregado de sig- nificados. Após passar por revitalizações, o espaço é tido como ponto turístico e de expressão da cultura local. Atualmente a edi- ficação utiliza as casas pra comércio de artesanato, lanchonetes, sorveteria, cervejaria e bares. Além disso, a sede da Secretaria Municipal de Cultura, responsável pela gestão do espaço, é si- tuada no próprio edifício. É importante dizer que infelizmente não foi possível o acesso ao dossiê de tombamento do bem e usas diretrizes.

A partir de levantamentos e do diálogo com alguns co-

Imagens 82 e 83: Vista do Cais a partir da Ponte Franscisco Goulart. Fonte: Autora, 2017.

Imagem 84: Pescadores no

Cais. Fonte: Autora, 2017. Imagem 85: Mobiliários pre-sentes no Cais de Rondo- nópolis. Ao fundo a Ponte Franscisco Goulart. Fonte: autora, 2017.

merciantes do local, constatou-se que o o edifício se encontra preservado e, portanto, não necessita de reformas. As paredes externas são pintadas na cor branca, e as esquadras são de ma- deira. Desde de 2004, após sua primeira revitalização, o Casario vem sendo frequentemente utilizado em grandes eventos, prin- cipalmente os que são promovidos pela Prefeitura: festas juni- nas, shows musicais, virada de ano, eventos do carnaval, dia das crianças, acontecimentos políticos, etc. Bares funcionam no perí- odo noturno, por exemplo, com noites de jazz e mpb. Exposições artísticas de variados estilos, apresentações de dança regional, te- atro e shows com cantores locais também acontecem ali. O local também é utilizado para práticas de yoga e ginástica, happy hou- rs, pic-nics, lanches da tarde, além de ser referência em vendas de

artesanato com produtos da região.

Como as casas são pequenas, a apropriação do espaço nesses eventos se dá na ampla área central de circulação aber- ta, o qual é desprovida de vegetação. Os canteiros existentes se concentram mais nas extremidades do lote, e possuem apenas coqueiros e vegetação rasteira, que não proporcionam sombra aos usuários. Os comerciantes entrevistados afirmaram que o que mais falta no espaço é arborização e sombra. Diante disso, na maioria dos grandes eventos desenvolvidos pela Prefeitura, tem- se a estruturação de tendas nesse espaço, como pode ser visto na imagem 89.

O calçamento da área externa era todo feito em pe- dra, mas, em junho de 2016, a Prefeitura, devido à realização de

eventos relacionados a festa junina, que envolvia danças, cimen- tou uma grande área. Esse fato gerou muita polêmica na época, pelo fato do bem ser tombado e da Prefeitura não ter consultado nenhum órgão responsável pela preservação, e, até os dias atuais, o espaço se encontra nesse estado. Vale ressaltar que, quando o Casario foi tombado, em 2013, a área já possuía esse calçamento em pedras, e, portanto, ele também está incluso no tombamento. Desde o ocorrido, a Secretaria de Cultura do Estado de Mato Grosso e o Conselho de Arquitetura de Mato Grosso estão com ações judiciais contra a Prefeitura de Rondonópolis.

O casario, desde 2008, é uma área cercada (imagem 91), rodeada por vagas de estacionamentos, com três acessos: dois destinados a pedestres, sendo um na Rua XV de Novembro e ou- tro na Av. Rosa Bororó; e um para serviço, reservado para entrada de caminhões e veículos. De acordo com alguns comerciantes, o horário de abertura do Casario é flexível. Não existe alguém responsável por abrir ou fechar os portões, sendo isso função dos próprios comerciantes, que possuem as chaves dos portões. Ao

Imagens 86 e 89: A relação da ponte e da edificação, e a utilização de tendas na área central do Casario, respecti- vamente. Fonte: Autora, 2017.

Imagens 87 e 88: O Casario atualmente, destaque para os coqueiros e para a grande área cimentada. Fonte: Autora, 2017.

serem perguntados a respeito do fechamento do espaço, a partir do gradeamento ocorrido em 2008, eles afirmam que atualmente isso ainda se faz necessário, visto que o local não consta com um sistema de vigilância, nem diurno, nem noturno. Por isso, segun- do eles, devido a essa falha na gestão do espaço, seria inviável a reabertura do Casario a partir da eliminação do gradeamento. Eles alegam ainda que a Prefeitura já firmou parcerias com a polícia para a segurança do local, mas as ações nunca são bem sucedidas, havendo desinteresse e descaso por ambas as partes.

Imagem 91: Acesso ao Casario pela Rua Rosa Bororó. Des- de 2008, o Casario é um espaço gradeado, limitando seu acesso. Fonte: Autora, 2017.

Imagem 90: Corredor de acesso entre os dois blocos. Destaque para a pavimentação em pedras, e as esquadrias em madeira.

Imagem 93: Implantação do Cais e do Casario Marechal Rondon, atualmen- te. Fonte: Autora, 2017. Escala 1:750

Imagem 94: Planta da organização espacial das edificações originais do Casario Marechal Rondon, atualmente. Fonte: Prefeitura Municipal de Rondonópolis, 2017. Organização: Autora, 2017. Escala 1:500

Em relação a manutenção do espaço, os comerciantes afirmam que os banheiros públicos estão degradados e precisam de revisões, e que a limpeza do local é feita apenas uma vez na se- mana por uma empresa municipal. Perante o exposto, fica claro o descaso do poder público municipal em relação ao bem tombado e a ineficácia da gestão do espaço diante da relevância histórica e cultural que o edifício desempenha na cidade.

As imagens 93 e 94 ilustram organização espacial do Casario Marechal atualmente. A imagem 94 demonsta que o acesso a cada casa individual se dá por dois lados. Os banheiros públicos, localizados ao lado do talude, em uma edificação avulsa do conjunto, como pode ser visto na imagem 93 da página an- terior, segue a mesma linguagem construtiva e arquitetônica dos dois blocos originais do Casario.

No documento O RIO E A CIDADE (páginas 49-52)