3. O GUIA ELEITORAL
3.2. O candidato
3.2.3. O candidato das propostas que o Recife precisa
A ideia central desta categoria é retratar Geraldo Júlio como o candidato que vai resolver os problemas da cidade, ele os pesquisou, analisou e pensou propostas que vão solucioná-los. Neste momento o candidato se põe como alguém que está atento às demandas da cidade, por isso suas propostas não são invenção de uma equipe de gabinete, mas sim fruto de um processo de diálogo com a população, que ouviu suas reclamações e está interessado em resolvê-las. Assim, Geraldo não vai fazer o que ele quer fazer, mas sim o que tem de ser feito, o que necessita ser feito. Colocando-se como alguém a serviço do eleitorado para cumprir estas demandas, suas propostas são retratadas como um produto final de uma construção conjunta, deste diálogo com a população. Existe desde uma abordagem mais racional, em que se foca nos problemas estruturais da cidade e visa trazer soluções eficientes e eficazes, ou uma focada no aspecto mais humano, ou seja, as pessoas beneficiadas pelas ações da prefeitura e como isto pode proporcionar-lhes qualidade de vida. Logo, as propostas que o Recife precisa tem uma abordagem ampla, e mostram que o candidato não só tem preocupações com elementos técnicos e frios, mas sabe que o alvo final de suas ações é a população, por isso expressa seu desejo de fazer uma cidade melhor para que os recifenses vivam mais felizes.
3.2.3.1. Propostas que vão melhorar a cidade
A preocupação maior aqui é com a estrutura e funcionamento da cidade e os obstáculos que impedem seu bom desempenho. São propostas que prezam mais pela racionalidade, apresentam dados estatísticos, preocupam-se com o custo/benefício, não sendo perceptível muito facilmente questões mais subjetivas, como a melhoria da qualidade de vida dos recifenses. As pessoas que seriam contempladas por estas propostas podem aparecer também, porém suas falas são mais frias, versando sobre a questão da eficiência da proposição em resolver o problema apontado. Esse discurso geralmente se percebe quando se discorre sobre as propostas de forma resumida, com o auxílio de animações, com destaque para aspectos quantitativos. Outro momento também é quando é citado o atraso da cidade em relação ao desenvolvimento econômico do estado, sendo colocado Geraldo como alguém que irá resolver este descompasso, fazendo o Recife aproveitar melhor as oportunidades geradas.
“A hora é de formação profissional. O recifense precisa fazer parte, de verdade, do que Pernambuco está vivendo. Por isso, nós vamos modernizar as 17 escolas profissionalizantes que a prefeitura já tem como é o caso desta aqui. Adequando os cursos oferecidos às demandas da nova economia pernambucana.”
(Geraldo Júlio, Programa 15, 4min 17seg – 4min 37seg)
3.2.3.2. Propostas que vão melhorar a vida das pessoas
Nesta subcategoria Geraldo Júlio é mostrado como alguém empenhado em trazer melhorias de vida à população, suas propostas mais do que trazerem avanços dos serviços públicos e de infraestrutura da cidade, estão preocupadas em como tais ações vão beneficiar o povo. Não há preocupação em exibir ganhos numéricos, mas sim uma expressão maior da subjetividade, questões como dignidade humana, o amor pelo Recife ou realização de sonhos são mais presentes. Assim, as propostas do candidato aparecem como uma via de transformação social, porém ao mesmo tempo isso é atrelado a uma gestão que preze pela técnica e pela competência, o chamado “novo jeito de governar”: fazer mais, melhor e em menos tempo. Desta forma, esta preocupação com a eficiência da gestão é colocada como um meio de melhorar a vida das pessoas, que é, segundo o guia, a verdadeira finalidade do trabalho do prefeito.
Nos programas esta subcategoria aparece amparada num discurso mais emotivo, que trazem questões como a valorização da família ou justiça social, numa perspectiva de reconhecer direitos a uma parcela mais pobre da população. Outra forma é nas falas que expressam um “amor ao Recife” e o sonho de vê-lo mais bonito e bem cuidado e é este sentimento que motiva o candidato a trabalhar em prol da cidade e de seus cidadãos – em alguns casos o fato dele também ser recifense é utilizado para realçar esta estratégia. Assim, é perceptível que há certo altruísmo nestas falas, em que podemos perceber Geraldo como alguém que se põe a trabalhar pelo bem comum.
“Esse aí é José, meu filho e meu motivo para votar em Geraldo. Porque de manhã cedinho é a única hora que eu tenho para ficar com ele. E cada minuto a mais que eu passo dentro do ônibus, no trânsito, é um minuto a menos, em casa, com José. Geraldo, eu e meu filho contamos com você para melhorar isso aí hein?”
“Seu Nivaldo, é isso mesmo. Nós amamos o Recife, e vamos trabalhar muito para que esse amor só faça crescer. Junto com o orgulho de viver numa cidade bonita, guerreira e bem cuidada. Estamos juntos nesse processo de um novo Recife.”.
(Geraldo Júlio, Programa 08, 10min 54seg – 11min 09seg)
3.2.3.3. O candidato que dialoga para construir propostas
Nesta subcategoria temos a justificava para a expressão “as propostas que o Recife precisa”, uma vez que foi justamente por ouvir as demandas da população e visitar os diversos bairros da cidade, que foi possível ao candidato construir um conjunto de propostas que atendam as reais necessidades dos recifenses. Mostra-se Geraldo Júlio como uma pessoa aberta e democrática, alguém que se preocupa com a opinião dos outros e está sempre disposto a ouvir. Essa estratégia coloca-o também mais próximo ao eleitorado, ajudando a desfazer a distância existente por ser desconhecido da maioria das pessoas. Outro aspecto relevante é que o diálogo também é definido como um dos componentes do chamado “novo jeito de governar”, posto como peça chave para um governo eficiente.
No guia esta característica aparece fortemente na interação com os eleitores, nos diversos quadros em que Geraldo Júlio conversa com eles, ou mesmo em visitas a bairros, na campanha de rua, ou em reuniões com entidades da sociedade civil organizada ou nas falas dos próprios eleitores em depoimentos que dão às câmeras. Porém, é importante ressaltar que, ao longo dos programas analisados, são raríssimos os momentos propriamente ditos em que aparecem os eleitores sugerindo ações diretamente ao candidato. Na maior parte das interações Geraldo está explicando às pessoas quais são suas propostas, ou seja, se há uma efetiva audição da população para construção das propostas, isto não aparece de forma muito contundente no guia. Na realidade, o discurso do diálogo é mais presente nas falações do candidato, do apresentador do programa, Evaristo Filho, e de Eduardo Campos.
“Nós fomos a cada um dos bairros dessa cidade, e conversamos com as pessoas e escutamos cada um e cada uma. E fomos identificando o desafio da vida do recifense. E ali nos desenhávamos um projeto, uma proposta, um caminho, uma solução para cada um daqueles problemas que a gente ouvia ali. Pra fazer um programa de governo pro Recife que não saiu da minha cabeça. Porque eu não acredito em que faz nado sozinho.(...)”
“A Ilha de Deus ele já transformou. Como secretário por aqui passou. Porque, ele é o prefeito da gente, com a nossa sugestão vai o Recife transformar. Ele é o prefeito da gente, com a nossa sugestão vai o Recife transformar”.
(Dona Beró, Programa 20, 5min 33seg – 5min 54seg )