A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de acordo com Ludke e André (1986) referenciando Bogdan e Biklen (1982), a qual “(...) tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento. (...)” (p.11). A metodologia segue princípios da pesquisa-ação. Esses princípios orientam-se pelo estudo das situações reais e pela intervenção na situação de pesquisa, com estreita relação entre pesquisador e pesquisado. Na pesquisa-ação as questões a serem compreendidas são trabalhadas junto ao sujeito pesquisado, que será envolvido em
estratégias de ação que visem a mudanças naquela realidade. Ou seja, ressaltando Elliott (1998), a “(...) pesquisa-ação [é entendida] como um processo de autodescoberta e de justificação do produto desse processo (o autoconhecimento). (...)”. (p.150).
A escolha de tal princípio metodológico deve-se ao próprio caráter da pesquisa em questão, que requer uma aproximação efetiva entre a pesquisadora e a professora pesquisada – a apropriação partilhada do conhecimento. Nesse sentido, corroborando Pereira (1998), a pesquisa-ação pode ser, “(...) meio de produzir conhecimento sobre os problemas vividos pelo profissional, com vista a atingir uma melhora da situação, de si mesmo e da coletividade” (p.154).
Assim, apoiada em teóricos da pesquisa-ação (Pereira e Zeichner, 2002; Thiollent, 1997), a investigação ocorreu em três momentos: exploração (conhecimento) da realidade investigada, planejamento e desenvolvimento do trabalho conjunto com a professora (plano de ação, visando mudanças nessa realidade), e averiguação posterior dos efeitos do trabalho conjunto na apropriação dos conhecimentos pela professora e no seu trabalho de sala de aula.
Os dados foram coletados por meio de: gravações em áudio dos encontros de estudo, entrevistas pré e pós-ação, diário de pesquisa para as observações em sala de aula e planejamentos dos encontros de estudo (um a dois por semana) com duração média de duas horas. Tais instrumentos possibilitaram a coleta de dados imprescindível para o desenvolvimento da pesquisa.
O cronograma da pesquisa6de campo previu encontros nos meses de junho a novembro de 2005, no total de quinze, como já mencionado. As observações em sala de aula foram realizadas, a princípio, em oito encontros. Os encontros de estudo ocorreram no horário vespertino, período oposto à atuação em sala de aula da professora pesquisada. A Entrevista Pós-Ação foi realizada no mês de novembro do mesmo ano, ao final dos encontros de estudo e das observações em sala de aula.
Os encontros de estudos foram divididos em dois momentos: (a) Compreensão das questões gerais de orientação da proposta, nas quais estudos7 de Vygotsky e Bakhtin estão esboçados; (b) Concepções de Metodologia, Ensino- Aprendizagem e Conteúdos de Ensino – a partir dos conceitos em reflexão. Esses momentos foram decididos em diálogos entre pesquisadora e professora pesquisada, os
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O Cronograma de Encontros de Estudos e Observações em sala de aula no anexo 4. 7
Os tópicos estudados estão elencados no anexo 5 denominadoPlano de Estudos do Trabalho Conjunto
quais foram possíveis a partir da Entrevista Pré-Ação, suas análises e retomadas junto à professora.
Na fase denominada exploratória, ocorreu o primeiro contato com a instituição onde a pesquisa foi realizada, em uma escola pública da rede estadual de ensino, em Florianópolis. Foram feitos os encaminhamentos no sentido de viabilizar a pesquisa e, em seguida, efetivaram-se os primeiros contatos com o sujeito da pesquisa, uma professora da 2ª série do Ensino Fundamental. Dessa professora, foram realizadas observações em sala de aula, a fim de se conhecer melhor a realidade do trabalho pedagógico desenvolvido, tendo em vista que a orientação a ser sugerida deveria ser a da PC/SC. Nessa fase também foi realizada entrevista com o objetivo de saber quais conhecimentos8 seriam necessários ao trabalho pedagógico, a partir da leitura da PC/SC pela professora. Denominei essa interlocução de Entrevista Pré-Ação. A escolha desta professora deu-se em decorrência da série em que atuava (segunda), por já ter sido professora daquela mesma turma, na primeira série, e também pela sua disponibilidade em aceitar participar da pesquisa.
O momento denominado trabalho conjunto, segunda etapa da pesquisa, apoiou- se nos dados obtidos na fase denominada exploratória e desenvolveu-se por meio de encontros de estudos e reflexões sobre a prática pedagógica, bem como as metodologias de referência das quais dizia se servir a professora pesquisada, no caso a PC/SC (1998),
e observações em sala de aula, no intuito de analisar e contribuir na prática pedagógica da professora pesquisada. Os encontros de estudo seguiram planejamentos9 e leituras a priori estabelecidas no contato entre pesquisadora e professora pesquisada.
Os momentos de encontros de estudo foram gravados em áudio, tendo sido transcritos pela pesquisadora o que propiciou a análise a ser apresentada. As observações em sala de aula foram registradas em Diário de Pesquisa, essas ocorridas durante os encontros de estudo e no desenvolvimento de planejamento conjunto, elaborado em parceria pesquisadora e professora pesquisada.
O trabalho conjunto, como relatado anteriormente, foi desenvolvido a partir do plano de ação (ANEXO 5), que consistiu em delinear conhecimentos pertinentes à discussão e à reflexão desenvolvidas com a professora. Ressalto que esses conhecimentos foram inferidos a partir da primeira etapa da pesquisa, a partir dos dados da entrevista realizada, e também foram sendo delineados no decorrer das discussões
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Retomada da síntese daEntrevista Pré-Ação com a professora pesquisada no anexo 1. 9
acerca da PC/SC, no caso específico, na parte de Língua Portuguesa. Foram trabalhados, com a professora sujeito da pesquisa, os conhecimentos elencados nos encontros semanais, de duração de duas horas cada um, perfazendo-se um total de 15 encontros, seguindo o cronograma da pesquisa (seção 2).
Foi realizado, também, no momento de trabalho conjunto, a elaboração de planejamento de aula para desenvolvimento em sala de aula pela professora pesquisada. A construção do planejamento se deu no diálogo pesquisadora e professora pesquisada. No término dos encontros de estudo e reflexão, foi realizada, então, Entrevista Pós- Ação com o objetivo de analisar os efeitos do trabalho conjunto - quais conhecimentos foram incorporados e em que medida eles tiveram impacto no trabalho pedagógico em sala de aula.
Vale ressaltar que os conhecimentos discutidos no decorrer do trabalho conjunto visaram à melhor compreensão da PC/SC (1998), elemento instigador da discussão realizada com a professora. Os dados da fase exploratória, os conhecimentos que emergiram para estudos e reflexões, foram partilhados entre pesquisadora e professora pesquisada, pois “Toda pesquisa-ação possui um caráter participativo, pelo fato de promover ampla interação entre pesquisadores e membros representativos da situação investigada. (...)” (Thiollent, 1997, p.21).
No primeiro momento do trabalho conjunto (da discussão), estudamos textos que contribuíram para compreensão da fundamentação teórica da PC/SC (1998). Foram lidos Vygotsky (1991), Oliveira (1993), Rego (1995), Bakhtin (1981), Jobim e Souza (1994). Assim, no decorrer do processo, esse estudo serviu de aporte para a compreensão da realidade da prática pedagógica de sala de aula, alicerçada pelas leituras realizadas, objetivando definir metodologias para o desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem. A PC/SC (1998) foi o documento de aporte teórico básico, e, além dos textos mencionados, foram estudados ainda Fontana (2000) e Silva (1993).
Após os encontros de estudos, trabalho conjunto e concomitantes observações em sala de aula, realizou-se a Entrevista Pós-Ação10, como já mencionado, com o objetivo de averiguar os efeitos das discussões realizadas no trabalho docente. Concluída a pesquisa empírica, deu-se o momento de sistematização e análise dos dados e conseguinte escrita da dissertação.
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2.1. Sujeito e “Lócus” da Pesquisa:
A pesquisa de campo foi desenvolvida em uma escola pública da rede estadual de ensino, em Florianópolis/SC, e teve como sujeito uma professora desta instituição. A professora em questão atuava na segunda série do Ensino Fundamental, no período matutino e já havia sido professora dos mesmos alunos, na primeira série. É formada em Pedagogia, com especialização em Psicopedagogia. Sua trajetória profissional iniciou quando cursava a quarta fase do Curso de Pedagogia. Sua primeira experiência foi com Educação de Jovens e Adultos, trabalho que a motivou, de acordo como relatado, a continuar a faculdade, já que, naquele momento, pensava em desistir do curso.
No decorrer da faculdade, a professora pesquisada foi aprovada no concurso da FESC (Fundação Educacional de Santa Catarina), para atuar no campo da educação infantil. Novamente surgiu um conflito em sua formação. Isso porque, após atuar quatro anos nessa área, a professora solicitou a exoneração do cargo, pois não se identificava com esse campo. Após um curto período de afastamento profissional, a professora retornou à sala de aula, na área que julgava ter afinidade: a Educação de Jovens e Adultos e Séries Iniciais. Nesse momento, a professora afirmava o gosto por seu trabalho e atuação em sala de aula.
A fim de se especializar, e no intuito de enriquecer sua prática pedagógica em sala de aula, a professora ingressou no curso de Psicopedagogia Clínica, concluído no ano de 2004. Durante os anos de atuação em sala de aula, quatro desses na alfabetização, a professora participou de vários cursos de aperfeiçoamento (PROFA pela Udesc, Pró-gestão pelo Estado, Educação ambiental e inclusão pelo Estado, Matemática pela Udesc, formação permanente - Fórum do Maciço que envolve várias áreas etc.11), todos voltados para a alfabetização, tanto noEnsino Fundamental, quanto naEducação de Jovens e Adultos. Dentre esses cursos, a professora ressaltou um deles, realizado pelo município de Florianópolis, que se constituía de discussões, entre os professores, sobre suas práticas, por meio de um trabalho em conjunto, ou seja, um
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trabalho na e para a prática do professor em sala de aula. Atualmente a professora trabalha na rede estadual.