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O caso UNICAMP

No documento REUNI : senta que lá vem história (páginas 176-180)

Mapa 8 Universidades Federais brasileiras com propostas acadêmicas Internacionais

2.2 O Bacharel Interdisciplinar: tempos e contextos

2.2.3 O caso UNICAMP

Outro projeto de estruturação da Universidade Moderna no Brasil que se assemelha à formação do atual Bacharelado Interdisciplinar – REUNI – encontrava-se no Projeto Curricular da Unicamp, defendido por Fausto Castilho em 1962. Na obra “O conceito de Universidade no Projeto Unicamp”, em entrevista a Alexandre Guimaraes Tadeu Soares (2008), Castilho relata como foram os projetos e as idas e vindas para a constituição de uma das mais respeitadas universidades brasileiras.

Para Castilho (1962, citado por SOARES, 2008), a nova instituição de ensino deveria surgir sem que houvesse a anterioridade de Faculdades, devendo ser baseada nos preceitos Humboldtianos, assim, a Unicamp estaria livre “de toda hipoteca advinda da presença de qualquer entidade preexistente que pudesse deturpar o novo conceito de universidade” (CASTILHO, citado por SOARES, 2008, p.145)

em 1962, por médicos que conseguiram, naquela década, elevá-la a patamares de instituição estadual. Então, Fausto Castilho faria parte da formação humanística da dada Escola de Medicina. Os idealistas da Universidade Moderna no Brasil entendem que uma Universidade deve ser gerada nos Institutos ou nas Faculdades de Ciências Humanas, como evidencia a constituição da Universidade de São Paulo, em 1934.

Fausto Castilho, em sua entrevista a Soares (2008), mostra que a implementação do Projeto da Unicamp teve início em um curso realizado por ele, Introdução ao Planejamento, oferecido pela Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL). Esse projeto de constituir uma universidade moderna foi denominado Departamento de Planejamento Econômico e Social (DEPES), sendo considerado a primeira parte do futuro Instituto Central de Filosofia e Ciências Humanas.

Fausto Castilho contou com a parceria do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e da CEPAL para que, a partir de 1968, iniciassem cursos, durante cinco anos, nesse Instituto Central de Filosofia e Ciências Humanas. No período em que esteve na França, Fausto Castilho fez convites a professores universitários para comporem o quadro docente da futura Universidade Moderna. Alguns professores, como Michel Debrun, mostraram-se entusiasmados com a possibilidade de lecionarem no Brasil.

Ainda na França, Fausto Castilho conseguiu, na Universidade de Besançon, junto aos engenheiros, as plantas completas dos edifícios do centro e dos demais institutos para que, quando chegasse ao Brasil, sobretudo em Campinas, as entregasse aos engenheiros responsáveis pela construção daquilo que se denominou, na época, Campus Radial. Para a efetivação da Unicamp, foi criada a Comissão de Planejamento da Universidade de Campinas (COPLAN), que contaria com

[...] Marcelo Damy de Souza Santos, organizador do Instituto Gleb Wataghin, Instituto Central de Física; Giuseppe Cilento, organizador do Instituto Central de Quimica, substituído em suas ausências por Jair Campello; Walter August Hadler, organizador do Instituto Central de Biologia; Rubens Murillo Marques, organizador do Instituto Central de Matematica; e depois, Ubiratan D’Ambrosio; e Fausto Castilho, organizador do Instituto Central de Filosofia e Ciências Humanas, ressaltando que o Presidente da COPLAN foi o Friedrich Gustav Brieger originário da Universidade de Berlim. (SOARES, 2008, p. 120)

A estrutura da nova universidade foi pensada tendo como centro os Estudos Gerais, subsequente os Institutos, Faculdades, Órgãos Complementares, como pode ser observado na figura abaixo:

Figura 3: Campus Radial

Fonte: Fausto Castilho- SOARES, 2008, p. 134.

Para Fausto Castilho, os Estudos Gerais deveriam ser de dois anos, sendo destinados a todos os jovens que ingressassem na universidade. Esses cursos, distribuídos nas grandes áreas do conhecimento pelo idealizador, eram muito além de simples cursos; eles dariam a condição de o jovem viver a Universidade.

O curso de graduação, na Unicamp, subdividir-se-á em dois (2) ciclos: o básico e o profissional. O ciclo básico da graduação em Ciências Humanas, denominado Studium Generale, iniciar-se-á em março de 197-.

O Estudo Geral terá papel seletivo em relação aos ciclos ulteriores e pretende alcançar os seguintes objetivos:

a) Corrigir, em função dos resultados do concurso vestibular, as

falhas verificadas no perfil cultural dos alunos, oferecendo-lhes a oportunidade de, através de Cursos de Revisão sobre matérias do ensino médio- mantidos paralelamente ao ensino curricular- recuperar rapidamente suas deficiências mais graves.

b) Proporcionar aos alunos uma solida formação nas disciplinas

função não apenas do seu desempenho intelectual como também das perspectivas de emprego na carreira que pretenda abraçar. (CASTILHO, 1969, p. 02,- CD-ROM, citado por SOARES, 2008)

Desse modo, a formação geral e interdisciplinar apareceu diluída na história da educação superior, com algumas diferenças da atual estrutura curricular das Universidades Novas, mas semelhante no quesito de formação geral em sua estrutura curricular. O jovem que ingressasse na universidade realizaria o Curso Interdisciplinar (dois anos), depois, se dedicaria à sua formação especifica (de três a quatro anos), sendo a pós-graduação subsequente a esses dois processos.

Em suma, a formação geral, ou seja, os Estudos Gerais da Unicamp, foi pensada, estruturada e implementada para romper com a concepção de Ensino Superior expressa na LDEB 5540/1968:

Designar a universidade “instituição de ensino superior” como está na LDB, representa um enorme retrocesso na conceituação de universidade, mesmo no Brasil, e soa como um desproposito em face dos esforços que se desenvolveram nos últimos decênios, especialmente no estado de São Paulo, para manter associados a pesquisa e o ensino. É como se oficialmente, o ensino voltasse a ser a única atribuição obrigatória da universidade – mesmo a pública- ficando a investigação relegada, como antes, à condição de atividade meramente facultativa. (CASTILHO, citado por SOARES, 2008, p. 130)

Essa estrutura apresentada pelo Projeto Unicamp não pretendia retroceder com a instauração da Educação Geral. O intuito do idealizador era permitir que o conhecimento superficial do ensino médio da época fosse superado.

O sentido é esse, mas há mais liberdade e menos aplicação de conhecimento que encontramos nos colleges e mais recursos e atividades que na fase final desses liceus [...] no EG os estudantes empregam o seu tempo em parte na praça central em parte em institutos. [...]. O aprendizado no EG pode ser designado, em consequência, de um “estagio” mais do que de um curso ou conjunto de cursos, embora estes também se incluam naturalmente em sua pedagogia. (CASTILHO, citado por SOARES, 2008, p. 138)

Ao fim dessa visita histórica da estrutura acadêmica, pode-se considerar que as semelhanças são evidentes: todas as IES apresentadas clamaram, em suas criações, pela Educação Geral e Ciclo Básico, oferecendo ao sujeito uma formação generalista, a fim de prepará-lo para uma formação específica ou para o mundo do trabalho.

2.3 REUNI: os bacharelados interdisciplinares: idas e vindas na história da

No documento REUNI : senta que lá vem história (páginas 176-180)

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