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Graziela Grazziotin Costa Ana Lúcia Imhoff Regina Maria Rabello Borges

Este capítulo foi organizado com base em outras publicações, so-bretudo as teses de Abrantes (2008) e Gouveia (1992) e a dissertação de Maurício (1992). A primeira focaliza o Instituto Brasileiro de Edu-cação, Ciência e Cultura (IBECC) em São Paulo; a segunda, cursos para professores de ciências em São Paulo; e a terceira, estudo de caso so-bre o Centro Interdisciplinar de Ciências, também em São Paulo. Nas três pesquisas há diversas informações sobre o CECISP intercaladas com outros temas abordados. Então, o estudo realizado permitiu orga-nizar essas informações em ordem cronológica e estabelecer algumas relações válidas no contexto deste livro, na expectativa de que novas pesquisas possam lançar mais luz sobre a história do CECISP.

Todos os centros de ciências, especialmente o CECISP, tiveram estreita vinculação com o trabalho de um órgão que os precedeu, o Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura (IBECC). Conforme está bem detalhado em outro capítulo deste livro, “o IBECC foi criado no Rio de Janeiro, em 1946, com a finalidade de melhorar a qualidade de ensino das ciências experimentais e de se constituir como Comis-são Nacional da United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (Unesco) no Brasil” (ABRANTES, 2008, p. 17).

O objetivo da tese de Abrantes (2008) foi analisar a constituição do IBECC/FUNBEC, em especial a seção de São Paulo – “uma instituição que associou a educação em ciências e divulgação científica a um em-preendimento empresarial, voltado para a produção de material didá-tico e de equipamentos médicos”. Essa tese foi elaborada com base em diversas fontes de informação sobre a FUNBEC e o IBECC. O autor en-trevistou em São Paulo pessoas que participaram dessas instituições e disponibilizaram documentos de seus acervos pessoais e consultou os periódicos Boletim do IBECC publicados entre 1947 e 1970. Também acessou atas de reuniões do IBECC/RJ no Arquivo do Itamaraty, no Rio

de Janeiro, e obteve dados indiretos sobre a FUNBEC, na Biblioteca da FINEP, em documentos referentes a financiamentos que a FUNBEC re-cebeu do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Em-presa Nacional (PADTEN). Analisou na biblioteca da ONU, em Gene-bra, o Report of the Director Geral on the Activities of the Organization e o Handbook of National Commissions, quanto ao período de 1949 a 1966. Com as informações sobre IBECC e FUNBEC, insere dados sobre o CECISP, que a ambos vinculou-se estreitamente.

Na época havia mobilização dos cientistas em torno da carrei-ra científica e de uma ação mais direta do Estado como agente or-ganizador e financiador da atividade científica (ABRANTES, 2008).

Nesse contexto, o Departamento de Ciências Naturais da Unesco, em 1950, buscava desenvolver políticas científicas nos países em desen-volvimento. Sobretudo os norte-americanos passaram a investir na educação em ciências, impulsionados pela vontade de sobressair-se na corrida espacial. Fizeram isso por meio de projetos curriculares financiados pela National Science Foundation (NSF) e exerceram influência sobre diversos países, incluindo o Brasil. Essa influência refletiu-se sobre o IBECC/SP, embora esse já atuasse na mesma dire-ção. Havia no Brasil, no período pós Segunda Guerra Mundial, mais aproximação entre a ciência e a tecnologia. Nesse contexto, houve um movimento para a institucionalização das ciências promovido por cientistas, liderado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), criada em 1949. Em 1951, foi criado o Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), iniciando uma política pública de fo-mento à pesquisa científica e tecnológica. Mas as intervenções inter-nacionais no ensino brasileiro eram justificadas pelo discurso de

“educação para o desenvolvimento”.

Segundo Abrantes (2008, p. 174), nas décadas de 1950 e 1960, diversas iniciativas do IBECC/SP objetivaram modernizar o ensino de ciências no nível secundário, como: “produção de material didático, fabricação de kits de ciências, participação em congressos e concur-sos científicos, feiras de ciências estaduais e locais; laboratório vo-lante para demonstrações práticas nas escolas e programas de tele-visão”. Naquela época, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases para a Educação (LDB), o MEC determinava um currículo padroni-zado para as escolas brasileiras, mas a nova LDB (Lei n. 4.024/1961) 158 O CENTRO DE CIÊNCIAS DE SÃO PAULO – COSTA, G. G.; IMHOFF, A. L.; BORGES, R. M. R.

ampliou a liberdade das escolas na elaboração do currículo e passou a valorizar mais as disciplinas científicas: física, química e biologia.

Com a criação dos centros de ciências, em 1965, isso foi intensificado.

O MEC, como não executava programas, criou a Campanha de Aperfeiçoamento e Difusão do Ensino Secundário (Cades), por meio da qual disponibilizava recursos financeiros e técnicos para a educa-ção. Assim, a Cades promoveu cursos de férias para professores, com um mês de duração, em 1955. Essa descentralização foi retomada em 1965, pelo diretor do Ensino Secundário do MEC da época, Gildásio Amado, ao criar os centros de ciências.

Em novembro de 1966, a Fundação Ford repassou ao IBECC cer-ca de 86 mil dólares com a finalidade de promover o treinamento de líderes que atuariam nos centros. No mesmo período, a FUNBEC foi criada por iniciativa do próprio IBECC/SP, com recursos da Unes-co. As duas instituições tinham funções complementares: o IBECC/

SP “prosseguiu em suas atividades de pesquisa para a criação de ma-terial didático e o treinamento de professores, enquanto a FUNBEC ocupava-se da industrialização de tais materiais” (ABRANTES, 2008, p. 201). “O IBECC/SP e a FUNBEC eram duas entidades independen-tes, mas com projetos em comum” (p. 206).

A estrutura administrativa da FUNBEC em sua fundação era constituída por um conselho curador, um conselho científico e uma diretoria. O conselho curador era formado por trinta membros esco-lhidos entre pessoas destacadas no país nos meios científicos e cul-turais e elegia a diretoria, com cinco membros, que administrava a FUNBEC. Já o conselho científico estabelecia as diretrizes gerais das atividades executivas da fundação. Embora a diretoria tivesse um presidente, quem atuava como presidente, na prática, era o coorde-nador-geral do conselho científico.

A Figura 1, a seguir, apresenta um detalhamento dessa estru-tura administrativa de 1984, quando a FUNBEC foi reorganizada de-vido a balanços negativos. Foi então criada uma superintendência responsável por atividades executivas e administrativas, ao lado de uma Coordenadoria Científica Educacional, responsável pela progra-mação e execução de atividades. A Coordenadoria-geral foi extinta, ocorrendo alterações em vários departamentos. Após essa reestrutu-ração, a FINEP renovou financiamentos à empresa.

Figura 1. Organograma da FUNBEC.

Fonte: FUNBEC (1986, p. 4) apud Abrantes (2008, p. 208).

No organograma da FUNBEC (Figura 1), chama a atenção o “Projeto CECISP”, incluído como parte da Coordenadoria Científico Educacional.

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