CAPÍTULO II: A REVISÃO E A ANÁLISE DA LITERATURA
2.1. A Gestão do Conhecimento
2.1.4. O Ciclo do Conhecimento
O ciclo do conhecimento pode ser apartado em quatro fases, segundo Perroti e Vasconcelos (2005), a partir do modelo da consultora Arthur D. Little:
Criar (é a forma como o conhecimento entra na empresa). Davenport e Prusak (1998) indicam cinco formas de gerar o conhecimento: aquisição, recursos dedicados, fusão, adaptação e redes de conhecimento;
Adquirir e Analisar (o conhecimento gerado é internalizado e a análise determina se é útil à empresa);
Organizar (faz-se a codificação e coordenação do conhecimento). Segundo os autores, o objectivo é tornar o conhecimento acessível a quem precisa dele. Para determinar a forma como deve ser codificado é preciso definir-se se é tácito ou explícito;
Apresentar e Aplicar (é a transmissão do conhecimento, de forma explícita ou tácita, a quem não o possuí e necessita para o seu trabalho (ver figura 4)).
Figura 4. O Processo (e ciclo) da Gestão do Conhecimento. Fonte: Adaptado de Reimer (1998) e Perroti e Vasconcelos (2005).
Uma parte importante do conhecimento é a “memória organizacional” o conhecimento organizacional é potenciado pela captura, organização, divulgação e reutilização do conhecimento criado pelos profissionais da empresa (Conklin, 2001). Subjacente ao facto de que memória está intimamente relacionada com o tempo, memória organizacional como um conjunto de informações que remontam à história da empresa para serem lembradas e utilizadas em futuras operações, fornecendo informações que abreviam o custo das transacções, esmeram a tomada de decisões e podem tornar-se num diferencial competitivo (Walsh e Ungson, 1991).
A Gestão do Conhecimento é formada por várias actividades e procedimentos, entre eles as actividades propostas por Coakes et. al (2004): criar ou adquirir o conhecimento; capturá-lo; codificar, armazenar e tornar esse acessível; disseminá-lo e medir o valor que este acrescentou à empresa. Também Abecker (1998) descreve seis procederes básicos da GC: aquisição, identificação, preservação, disseminação, desenvolvimento e utilização do conhecimento.
De forma mais abreviada, Darroch (2003) e Tiwana (2002) expõem a sua visão do processo de GC em três estádios: aquisição (criação de insights, capacidades e relacionamentos), disseminação (partilha do conhecimento adquirido) e utilização do conhecimento (capacidade empresarial de aplicar o conhecimento gerado em novas situações).
Outra forma de ver a Gestão do Conhecimento é a arrolada com ciclo PDCA (também conhecido como rota de Deming) – plan (planear), do (fazer), check (verificar) e act (agir)
apresentada por Ahmed et al. cit. in Goldoni e Oliveira (2007). A primeira etapa que representa o planeamento do ciclo PDCA é a captura ou criação do conhecimento. A empresa usa fontes externas e internas estruturadas ou internas não estruturadas durante a captura do conhecimento. A segunda etapa, associada ao fazer, é a partilha do conhecimento, inclusive através de ferramentas electrónicas de comunicação. Na terceira etapa, a empresa utiliza todas as etapas anteriores para a mensuração do sucesso das actividades. A última etapa, relacionada com o agir, é a melhoria do principiante, sobre quem a empresa usa os resultados obtidos pela mensuração, para aperfeiçoar continuamente o processo.
A implementação da Gestão do Conhecimento na empresa, segundo Silva (2004), cria uma vantagem competitiva sustentável, arreigada que está no Capital Humano e não nos recursos físicos, indubitavelmente imitáveis pela concorrência, (Quinn et al. cit. in Silva 2004) e menos flexíveis para reagir às incertezas do ambiente (Thomke e Reinersten cit. in Silva 2004).
Para maximizar o empenho da implementação deste processo, é preciso conhecer as diferentes ópticas do conhecimento. Para tal, LaSpisa (2007) expõe a visão de Alavi e Leidner através da tabela 2, com um modelo de GC e as suas implicações organizacionais.
PERSPECTIVAS DEFINIÇÕES IMPLICAÇÕES PARA GC
Conhecimento Dados Informação
Dado = facto/informação = dado interpretado
Conhecimento = informação com contexto
Preocupa-se em expor profissionais às informações que podem ser úteis.
Estado Mental Conhecimento é saber e compreender Elevar a aprendizagem e o entendimento do profissional
Objecto Para ser manipulado e guardado Edificação e geração das acções do conhecimento
Processo Aplicação da perícia Centro no fluxo de conhecimento e no processo de criação, partilha e distribuição do conhecimento. Acesso à
Informação
Situação de acesso à informação Acesso e recuperação organizada do conteúdo.
Capacidade Potencial para influenciar uma acção Construção de competências
fundamentais e compreensão do know-
how estratégico.
Não é a porção de informações ou de conhecimento de que se dispõe que pode ser chamada de Gestão de Conhecimento, mas o que se efectua com este conhecimento, assente na criação de valor, para o crescimento e a continuidade no mercado (Scharf, 2007). O “Google” assinala todos os cliques feitos pelos seus visitantes, aglomerando bilhões de bytes de dados por dia. Desta quantidade de dados, muito pouco serve para a criação de uma análise profunda do segmento ou para a criação de serviços que melhorem o relacionamento com os clientes.
No fundo, no que respeita ao processo de Gestão do Conhecimento, por ser intrincado e dinâmico, torna necessária a utilização de uma metodologia estratégica de GC que estabeleça um conjunto de estádios a serem cumpridos, facilitando, direccionando, acompanhando e optimizando todo o procedimento de modo a que os seus componentes fundamentais sejam implantados com sucesso (Rossato e Cavalcanti, 2001). A GC compreende, entre outras variantes, a reposta a algumas questões, nomeadamente:
Quais são os conhecimentos que são vantagens competitivas? Qual é o conhecimento que vale a pena ser gerido?
Como gerir os diversos tipos de conhecimento? Explícito (patentes) ou tácito (gestão de recursos humanos, manutenção de talentos)?
Como partilhar, transferir e disseminar? O que é que precisamos de saber?
Como aprender aquilo que ainda não sabemos mas precisamos? Como aprender com os erros e a não os repetir?
Como utilizar o que se sabe para ser mais competitivo? Como agir rapidamente na resolução dos problemas? Como disseminar as melhores práticas?
As questões relacionam-se com a percepção das diversas fases do conhecimento e das suas condicionantes e seus impulsionadores: ferramentas de informática e cultura organizacional.
Para efeito deste trabalho, entende-se a GC pelo processo de identificação dos conhecimentos que são necessários para alavancar as competências essenciais (estratégia), identificação dos conhecimentos e competências de que a empresa já dispõe (taxinomia de competências e conhecimentos); aprendizagem do que a empresa ainda não sabe e de que precisa (aprendizagem organizacional); e monitorização do ambiente (inteligência competitiva).