Concepção de ser humano:
CONSEQÜÊNCIAS POSSÍVEIS DA TERAPIA
5. O cliente sentirá progressivamente autoconsideração positiva e
reagirá em relação às suas experiências, menos em termos de condições de importância, baseado em valores introjetados por outros, e mais em termos de processo organísmico de
valorização, baseado nas suas tendências realizadoras (consciência
humanista versus consciência autoritária – E. Fromm: “Análise do homem”).
Referências bibliográficas:
Rogers, C. R.,1951, Terapia Centrada no Cliente. São Paulo: Livraria Martins Fontes, 1975.
Rogers, C. R. e Kinget, G. M., 1959, Psicoterapia e Relações Humanas. Belo Horizonte: Interlivros, 1977, Vol. 1 e 2.
Abreu e Roso (e colaboradores),. Psicoterapias Cognitiva e
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10. ACONSELHAMENTO PSICOLÓGICO
Essa prática se qualifica como uma orientação voltada: 1) para a pessoa enquanto um ser total, individual e social; 2) para uma relação autêntica de ajuda psicológica entre o psicoterapeuta e o cliente e 3) para o estímulo ao auto-conhecimento como instrumento de crescimento e emancipação.
Scheeffer (1986) conceitua o aconselhamento como ação educativa, preventiva, de apoio, voltada para a solução de problemas. Esse processo trabalha com material consciente e dá ênfase à normalidade. Seu objetivo é facilitar à pessoa obter um sentido de realização adequado; e promover o desenvolvimento através de escolhas acertadas.
No processo de aconselhamento trabalha-se com a problemática que a pessoa expõe, acolhendo sua experiência em determinada situação. Rosenberg (1987) comenta que “Esta característica de enfocar a experiência
da pessoa por seu próprio referencial está ligada a uma outra que se refere à possibilidade de responder à pessoa que coloca sua demanda, já no momento presente, no aqui-agora da situação do encontro”.
Dessa forma, o aconselhamento psicológico tem a finalidade de
“facilitar ao cliente uma visão mais clara de si mesmo e de sua perspectiva ante a problemática que vive”. (Rosenberg, 1987)
Para que o atendimento psicológico ocorra de forma satisfatória será preciso que a relação entre cliente e psicoterapeuta esteja fundamentada na ação de ajuda mútua, em ambiente afetivamente acolhedor.
IV – Referências Bibliográficas:
Scheeffer, R. Teorias de Aconselhamento, São Paulo: Atlas, 1986.
Rosenberg, R. L. Aconselhamento Psicológico Centrado na Pessoa, São Paulo: EPU, 1987.
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11. FREDERICK PERLS E A GESTALT-TERAPIA
INTRODUÇÃO
Gestalt (palavra de origem alemã):
- Processo de dar forma ou configuração; - Integração de partes em oposição à
simples soma das mesmas; - Estrutura, conformação.
“Uma Gestalt é uma forma, uma configuração, o modo particular de organização das partes individuais que entram em sua composição. A premissa básica da psicologia da Gestalt é que a natureza humana é organizada em partes ou todos, que é vivenciada pelo indivíduo nestes termos, e que só pode ser entendida como uma função das partes ou todos dos quais é feita”. (F. Perls, 1977 p.19)
É o produto de um processo que não pode ser explicado como uma mera combinação cega de causas desconexas.
As partes de uma Gestalt nunca podem explicar uma real compreensão do todo; este é diferente da soma das partes.
A Gestalt refere-se a uma entidade perceptual concreta e individual. A Gestalt-Terapia, de Frederick Perls (Fritz), propõe a forma flexível de gestaltem sucessivas, adaptadas à relação sempre flutuante do organismo com o meio, num permanente ajustamento criador. A gestalt-terapia pode ser, então, definida como a arte da formação de boas formas.
Fundamenta-se filosoficamente, como a “Terapia-Centrada-no Cliente”, de Carl R. Rogers, no Existencialismo e na Fenomenologia.
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12. DADOS PESSOAIS DE FRITZ PERLS
Perls (1893 – 1970) é considerado o pai da Gestalt-Terapia. Foi um médico alemão interessado em neurologia e depois em psiquiatria. Aproximou- se da Psicanálise, tendo se tornado psicanalista. De temperamento irrequieto e muito criativo, foi desenvolvendo a sua visão psicanalítica, porém, cada vez mais incompatível com a Sociedade de Psicanálise. Chegou a ter um encontro com Freud, a partir do qual rompeu definitivamente com a Psicanálise.
Em 1952 fundou o Instituto Nova-Iorquino de Gestalt-Terapia e no início da década de 1960 mudou-se para o Instituto Esalem, na Califórnia, onde conheceu C. Rogers e B. Skinner, entre outros.
Além de ter sido influenciado diretamente pela psicanálise de Freud e Reich e pela Psicologia da Gestalt, de Kohler, Wertheiwer, Koffka e Lewin, também incorporou algumas idéias de Moreno (Psicodrama) e dos filósofos existencialistas e da fenomenologia.
As divergências entre Perls e Freud estavam relacionadas principalmente com os métodos de tratamento, mais do que com teorias sobre a importância das motivações inconscientes, a dinâmica da personalidade, os padrões de relacionamentos humanos, entre outros.
Para Perls a psicoterapia é um encontro existencial que visa a auto- realização da pessoa e a Gestalt-Terapia considera todo o campo biopsicosocial (organismo e ambiente) como muito importante.
Esta abordagem holística em que cada um dos elementos de expressão do organismo está em íntima relação com o todo, levou Perls a dar ênfase ao material evidente mais do que ao profundamente reprimido. Acentuava a importância do exame da situação da pessoa no presente, ao invés da investigação de causas passadas.
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Perls acreditava que a consciência do como a pessoa se comporta a cada momento é mais relevante para a autocompreensão e a capacidade para mudança do que uma compreensão do porquê de um determinado comportamento.
Desde o início, a divergência de Perls com relação à abordagem psicanalítica referiu-se à teoria dos instintos e da libido. Neste aspecto nenhum instinto (por exemplo, Eros e Tanatos) é “básico”; todas as
necessidades humanas são expressões naturais do organismo.
Por outro lado, Perls concordava quanto à existência do fenômeno da
transferência, encarava-o como um aspecto importante da projeção; um
mecanismo neurótico ao qual atribuía grande importância. No entanto, ele não considerava o trabalho através da transferência de importância fundamental para o processo psicoterápico.
Perls discordava da colocação psicanalítica segundo a qual uma tarefa terapêutica importante era a de liberação das repressões (catarse), após a qual o trabalho e a assimilação do material ocorre naturalmente. Perls achava que todo indivíduo, pelo simples fato de existir, tem muito material de fácil acesso ao trabalho terapêutico.
Uma influência psicanalítica importante sobre Perls foi a de Wilhelm Reich, em relação à noção de “couraça muscular”. Reich sugeriu que o caráter se desenvolve cedo na vida do indivíduo e serve como um tipo de couraça contra estímulos externos ou internos considerados ameaçadores pelo indivíduo. Para Perls, essa couraça caracterológica funciona como resistência ao insight ou mudança psicológica.
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13. OS FUNDAMENTOS DA PSICOLOGIA DA GESTALT
A Psicologia da Gestalt é uma das tendências teóricas mais coerentes da história da Psicologia. Seus articuladores Max Wertheimer, Wolfgang Kohler, Kurt Lewin e Kurt Koffka, baseados em estudos psicofísicos que relacionaram a forma e sua percepção, construíram a base de uma teoria eminentemente psicológica.
Os gestaltistas estavam preocupados em compreender quais os processos psicológicos envolvidos na ilusão de ótica, quando o estímulo físico é percebido pelo sujeito como uma forma diferente da que ele tem na realidade.
A percepção é o ponto de partida e também um dos temas centrais dessa teoria. Os experimentos com a percepção levaram os teóricos da Gestalt ao questionamento de um princípio implícito na teoria behaviorista, o de que há uma relação de causa e efeito entre o estímulo e a resposta. Para os gestaltistas, entre o estímulo que o meio fornece e a resposta do indivíduo, encontra-se o processo de percepção.
Quando vemos uma parte de um objeto, ocorre uma tendência à restauração do equilíbrio da forma, garantindo o entendimento do que estamos percebendo. Esse fenômeno da percepção é norteado pela busca de
fechamento, simetria e regularidade dos pontos que compõem uma figura
(objeto). Estes pontos uma vez decodificados devem levar à percepção da
“boa-forma”.
A tendência do processo de percepção em buscar a “boa-forma” permitirá a relação “figura-fundo”.
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A figura abaixo é um exemplo da forma através da qual dado estímulo pode ser interpretado como representando coisas diferentes, dependendo do que é percebido como figura e como fundo.
A escola gestáltica estendeu o fenômeno representado por esta imagem para descrever a maneira pela qual um organismo seleciona o que é seu interesse num dado momento.
Para um homem sedento, um copo de água colocado entre seus pratos favoritos emerge como figura contra o fundo constituído pela comida; sua percepção adapta-se, capacitando-o, assim, a satisfazer suas necessidades. Uma vez satisfeita a sede, sua percepção do que é fundo provavelmente se modificará de acordo com uma mudança nos interesses e necessidades dominantes.
Porém, nem sempre as situações vividas apresentam-se de forma clara e evidente que permitam sua percepção imediata, isto é, impedem a relação
parte/todo ou a definição da figura/fundo. Ocorre que, muitas vezes, de
repente, sem que se tenha feito qualquer esforço, a relação figura/fundo elucida-se. A esse fenômeno a Gestalt dá o nome de insight. O termo designa uma compreensão imediata, como uma espécie de “entendimento interno”.
Foi a partir desses aspectos teóricos que Fritz Perls ampliou a Psicologia da Gestalt a fim de incluir a psicoterapia e uma teoria de mudança psicológica: a Gestalt-Terapia.
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14. NOÇÕES CENTRAIS DA GESTALT-TERAPIA
Como já vimos, Perls descreveu a Gestalt-terapia como uma terapia existencial, baseada na filosofia existencialista e fenomenológica.
Contestava ele, a idéia de que se poderia abranger o estudo do ser humano através de uma abordagem científico-mecanicista inteiramente racional (behaviorismo).
A partir dessa premissa, Perls associou-se à maioria dos existencialistas insistindo que o mundo vivencial de um indivíduo só pode ser compreendido por meio da descrição direta que o próprio indivíduo faz de sua situação única.
Em conseqüência, sustentou que o encontro do terapeuta com um paciente constitui um encontro existencial entre duas pessoas, e não uma variante do clássico relacionamento médico-paciente.
Para ele, as pessoas criam e constituem seus próprios mundos; a realidade existe para um dado indivíduo como sua própria descoberta do mundo.
“A psicoterapia, então, deixa de ser uma escavação do passado, em termos de repressões, conflitos edipianos e cenas primárias, para se tornar uma experiência de viver no presente. Nesta situação de vida, o paciente aprende por si como integrar seus pensamentos, sentimentos e ações, não só quando está no consultório, mas no curso da vida cotidiana.”(F.Perls, 1977, p.30)
UnG – Universidade Guarulhos 53 CONCEITOS BÁSICOS:
a. O “CONTATO”
O comportamento humano é uma função da relação homem/meio. Quando essa função é mutuamente satisfatória o indivíduo é chamado “normal”; se é conflitiva, pode ser descrito como “desajustado”.
O funcionamento do indivíduo no seu ambiente reflete o que acontece na fronteira de CONTATO entre ele e o meio. É nessa fronteira que acontecem os processos psicológicos: emoções, defesas, pensamentos, ações, enfim, os comportamentos saudáveis ou não.
Perls acrescenta que as pessoas tendem a se apropriar de objetos ou pessoas de seu meio que têm uma CATEXIS positiva, por exemplo, o jovem que quer namorar com a garota de sua escolha ou o homem faminto que quer comer. Dessa forma, o indivíduo CONTATA com seu meio, vai em direção a ele. De forma contrária, tem um comportamento oposto em relação aos objetos ou pessoas que têm uma catexis negativa.
“O contato e a fuga são opostos dialéticos. São descrições dos caminhos pelos quais encontramos os fatos psicológicos. São nossos meios de lidar na fronteira de contato com objetos do campo. No campo organismo/meio, as catexis positiva e negativa (contato/fuga) se comportam de maneira muito semelhante às forças de atração e repulsão do magnetismo. De fato, o campo total organismo/meio é uma unidade dialeticamente diferenciada. É diferenciada biologicamente em organismo e meio, psicologicamente em si mesmo e o outro, moralmente em egoísmo e altruísmo, cientificamente em subjetivo e objetivo, etc.” (Perls, 1977, p. 36)
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Portanto, CONTATAR o meio é uma maneira de formar uma
GESTALT. A busca do “fechamento” das gestalten, através do contato com o
meio ou fuga dele, da aceitação ou rejeição da situação, é a função primordial da personalidade.
Sobre o indivíduo neurótico, Perls acrescenta:
“Agora vemos algo mais sobre o neurótico. O rítmo do seu contato-afastamento está fora de forma. Não pode decidir por si mesmo quando participar e quando fugir porque todas as
vivências inacabadas de sua vida, todas as interrupções do
processo contínuo, perturbaram seu sentido de orientação e ele não é mais capaz de distinguir entre os objetos ou pessoas do meio que têm uma catexis positiva e os que têm uma catexis negativa; não sabe como ou do que fugir. Perdeu a liberdade de escolha, não pode selecionar meios apropriados para seus objetivos finais porque não tem a capacidade de ver as opções que lhe estão abertas.” (Perls, 1977, p.38)
b. O organismo como um todo
Na teoria de Perls, a noção de organismo como um todo é central – tanto no plano intrapessoal como interpessoal. Para ele os seres humanos são organismos unificados com integração entre aspectos físicos e mentais. Corpo e mente, forças internas e externas, não têm nenhum sentido em si, uma vez que os efeitos causais de um são inseparáveis do outro.
Perls sugere que, diante da “hierarquia de necessidades” que motivam o comportamento das pessoas, aquelas dominantes emergem como primeiro plano ou figura contra o fundo da personalidade total; ou seja, o comportamento é dirigido para a satisfação de uma necessidade dominante.
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Os neuróticos são freqüentemente incapazes ou de perceber quais de suas necessidades são dominantes ou de definir sua relação com o meio, de forma a satisfazer tais necessidades. Desta forma, há uma distorção na existência do indivíduo enquanto organismo unificado.
c. O Aqui e o Agora
A visão holística da Gestalt-Terapia deu ênfase particular à importância da autopercepção presente e imediata que um indivíduo tem de sua realidade.
Os neuróticos são incapazes de viver no presente pois carregam cronicamente consigo situações inacabadas (gestalten incompletas) do passado. Sua atenção é pelo menos em parte, absorvida por essas situações e eles não têm nem consciência nem energia para lidar plenamente com o presente, daí, sentirem-se incapazes de serem felizes.
A Gestalt-Terapia não investiga o passado com a finalidade de procurar traumas ou situações inacabadas, mas leva o cliente a tornar-se consciente
de sua experiência presente, pressupondo que os fragmentos de situações
inacabadas e problemas não resolvidos do passado emergirão inevitavelmente como parte desta experiência presente.
A ansiedade é a tensão entre o “agora” e o “depois”. A inabilidade das pessoas para tolerar essa tensão, leva-as a preencher a lacuna com planejamentos, ensaios e tentativas de tornar o futuro seguro. Isto não apenas desvia a energia e a atenção do presente, mas também impede o tipo de abertura, para o futuro, decorrente do crescimento e da espontaneidade.
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Além da natureza estritamente terapêutica deste enfoque ligado à conscientização do presente, uma tendência saudável que pode ocorrer é a de viver com a atenção voltada para o presente, ao invés do passado (depressão) ou futuro (ansiedade). “Cavocar” o passado é desenterrar mágoas, arrependimentos, rancores e culpas; viver o futuro significa projetar-se no absolutamente imponderável; é “sofrer por antecedência”. Essa atitude existencial de viver no “aqui-e-agora” é muito produtiva e leva ao crescimento psicológico.
d. Conscientização (awareness)
Na Gestalt-Terapia, a ênfase está em ampliar constantemente a consciência da maneira como a pessoa se comporta, e não em esforçar-se para analisar a razão pela qual a pessoa se comporta de tal forma (por que). Desta forma, uma relação causal não pode existir entre elementos que formam um todo: porquanto todo elemento causa e é causado por outros.
O processo de crescimento é, assim um processo de expansão das áreas de autoconsciência; o fator mais importante que inibe o crescimento psicológico é a fuga da conscientização.
“Eu acredito que esta é a grande coisa a ser compreendida: a tomada de consciência em si-e de si mesmo-pode ter efeito de cura”. (Perls, 1969 p.34)
Perls confiava plenamente na “sabedoria do organismo”. Considerava o indivíduo maduro e saudável como auto-apoiado (supporting) e auto-regulado. Via a autoconscientização como dirigida para o reconhecimento da natureza auto-reguladora do organismo humano.
Segundo a Gestalt-Terapia o princípio da “hierarquia de necessidades” (A. Maslow) está sempre operando na pessoa. Ou seja, a necessidade mais urgente, a situação inacabada mais importante, sempre emerge se a pessoa estiver simplesmente consciente da experiência de si mesma a todo momento.
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Estar consciente é prestar atenção às figuras emergentes de sua própria percepção. Evitar a tomada de consciência é estereotipar o livre fluir natural da dinâmica figura e fundo.
Há três zonas de consciência: consciência de si mesmo,
consciência do mundo e consciência do que está entre essas duas – um
tipo de zona intermediária da fantasia, do mito, da ficção. O exame desta última zona (que impede a conscientização das outras duas) é a grande contribuição da Psicanálise. A Gestalt-Terapia leva a uma tentativa muito deliberada de
ampliar a conscientização e obter contato direto consigo e com o mundo.
e. Saúde psicológica
A Gestalt-Terapia define a saúde e a maturidade psicológicas como sendo a capacidade de emergir do apoio e da regulação ambientais para um
auto-apoio e uma auto-regulação. O processo terapêutico representa, assim
um esforço na direção desta emergência.
Uma das proposições básicas é que todo organismo possui a
capacidade de realizar um equilíbrio ótimo consigo e com seu meio. As
condições para realizar esse equilíbrio envolvem uma conscientização cada vez mais lúcida de suas necessidades.
A imaturidade e a neurose implicam uma percepção inadequada do que constitui esse ritmo ou uma incapacidade de regular seu equilíbrio.
Indivíduos saudáveis, ou seja, auto-apoiados e auto-regulados
caracterizam-se pelo livre fluir e pelo delineamento claro da formação figura-
fundo nas expressões de suas necessidades básicas. Tais indivíduos têm
consciência das fronteiras entre eles mesmos e os outros e estão particularmente conscientes da distinção entre suas fantasias sobre os outros (ou o ambiente) e o que experienciam através do contato direto.
UnG – Universidade Guarulhos 58 O crescimento psicológico pode se dar:
a. Quando envolve o “fechamento” de situações ou “gestalten” inacabadas.
b. Libertação da neurose: Resolução na passagem pelas cinco camadas que formam a “estrutura das neuroses”:
. Camada dos “clichês”: Todos os sinais superficiais de contato (bom
dia!, como vai?, oi!, etc).
. Dos “papeis ou jogos”: do “como se” (em que as pessoas fingem
que gostariam de ser: a menininha sempre obediente!, o professor sempre competente! a dona de casa sempre dedicada! etc
. Camada do impasse, ou da anti-existência: experiência do vazio,
da solidão, do “nada”.
. Camada implosiva: consiste em não se submeter as forças
opostas/contradições. Pode levar à contração e à implosão (ambivalências).
. Camada explosiva: é a emergência da pessoa autêntica, do experienciar e expressar suas emoções livremente.
“Agora, não se apavorem com a palavra explosão. A maior parte de vocês sabe dirigir um carro. Existem milhares de explosões por minuto dentro do cilindro. Isto é diferente da violenta explosão do catatônico: esta seria como a explosão num tanque de gasolina. Outra coisa, uma única explosão não quer dizer nada”.(Perls, 1969 p.85)
Há quatro tipos de “explosões”:
. Do “pensar”: como lidar racionalmente com uma perda efetiva. .Do “organismo”: em pessoas sexualmente bloqueadas, por
exemplo.
. Da “raiva”: através da expressão verbal ou de sentimentos. . Da “alegria de viver”: livre expressão do amor, do riso, da alegria.
UnG – Universidade Guarulhos 59 f. Mecanismos neuróticos básicos
A fuga da conscientização e a conseqüente rigidez da percepção e
do comportamento são os maiores obstáculos ao crescimento psicológicos.
Os neuróticos (aqueles que interrompem seu próprio crescimento) não podem ver claramente suas necessidades e tampouco podem distinguir de forma apropriada entre eles e o resto do mundo. Em conseqüências, são incapazes de encontrar e manter um equilíbrio adequado entre eles próprios e o resto do mundo; a neurose consiste em manobras defensivas destinadas ao equilíbrio e proteção contra este mundo invasor.
A Gestalt-Terapia sugere que existem quatro mecanismos neuróticos básicos que impedem o crescimento e que operam basicamente na segunda e terceira camadas da “estrutura das neuroses” e que visam reduzir a
ansiedade:
Introjeção. Ou “engolir tudo” é o mecanismo pelo qual os indivíduos
incorporam padrões, atitudes e modos de agir e pensar que não são deles próprios e que não assimilam ou digerem o suficiente para torná-los seus. Um dos efeitos prejudiciais da introjeção é que os indivíduos introjetivos acham muito difícil distinguir entre o que realmente sentem e o que os outros querem que eles sintam e isto pode levar tais indivíduos a se tornarem divididos.
Projeção. Num certo sentido, é o oposto da introjeção. A projeção é a
tendência de responsabilizar os outros por seus próprios conflitos interiores.