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O Colégio Cristo Redentor: algumas questões para reflexão

3 O Colégio Cristo Redentor

3.2. O Colégio Cristo Redentor: algumas questões para reflexão

No item anterior apresentamos o Colégio Cristo Redentor no período de análise em nosso estudo (1962 a 1968); neste, procuraremos examinar alguns aspectos desse período, tendo como referência sobretudo idéias do pensador/educador Durmeval Trigueiro Mendes, visando a um aprofundamento de sua historicidade. Nossa opção por esse pensador ocorre primeiro pela seriedade e competência com que desempenhou seu papel de professor e pesquisador em diferentes funções, seja em cargos públicos ou privados como revela sua biografia; segundo por suas idéias oferecerem importantes contribuições àqueles que desejam pensar a educação brasileira na busca de soluções para os desafios a serem enfrentados, assim como na identificação de conquistas obtidas.

Seus trabalhos representam um esforço permanente de procura e de elaboração da identidade de nossa cultura, de modo que sua obra se tornou um apelo a educadores e educandos para que se engajem nesse processo permanente de constituição de um pensamento educacional brasileiro, político e pedagógico, na ótica do poder pelo saber.

Durmeval Trigueiro tem como preocupação constante a construção de uma nova sociedade cuja meta prioritária seria articular a subjetividade e a objetividade, incorporadas no trabalho e na práxis. Sua proposta é a de uma educação democrática-socialista, fundamentada em um saber radical: "saber dos valores, encarnados nas estruturas sociais e culturais, acionadas pelos sujeitos históricos" (1985, p. 118). Desde que a educação gera uma forma de consciência, ela torna explícitos os valores e projetos do indivíduo enquanto sujeito singular desse processo e da própria sociedade, como corpo especular desse mesmo sujeito, ou seja, um sistema de significações em que sujeito e sociedade se sustentam, se polarizam em busca de novos valores; o indivíduo então se torna um elemento ativo e criador, tornando imprescindível que desenvolva uma consciência crítica para caminhar sempre adiante.

A influência desse pensador no sistema educacional brasileiro, durante as décadas de 60 a 80 do século passado, estimula uma constante reflexão acerca de outras influências, como a Declaração Gravissimum Educationis, que também subsidia o presente estudo, pois a mesma trata da educação cristã, à luz do Concílio Vaticano II. Através dessa

vida do homem e sua influência cada vez maior no progresso social de nosso tempo. Por esse documento, a educação dos jovens e até mesmo a formação continuada dos adultos, tornam-se, nas circunstâncias atuais, não somente viáveis, mas urgentes.

Enuncia essa Declaração alguns princípios fundamentais sobre a educação cristã nas escolas, destacando o direito universal à educação, afirmando que

Todos os homens, de qualquer raça, condição e idade, por força da dignidade de pessoa, têm direito inalienável à educação [...]; a verdadeira educação, porém, pretende a formação da pessoa humana em ordem ao seu fim último e, ao mesmo tempo, ao bem das sociedades de que o homem é membro [...]. (DCEV II,1962-1965, p. 323-234)

Esses princípios norteadores promovem ou devem estimular o desenvolvimento harmônico dos educandos de suas potencialidades físicas, morais e intelectuais, subsidiadas pelas ciências psicológicas, pedagógicas e didáticas, com fim único de desenvolver gradualmente a consciência de responsabilidade pela vida.

Outro princípio fundante dessas diretrizes de educação é que todos os cristãos, uma vez assim particularmente considerados, têm direito à educação cristã, que consiste também em fazer com que os mesmos se conscientizem do dom da fé que receberam. Um terceiro princípio de extrema importância que suscita reflexões trata-se dos pais, enquanto educadores em que estes devem ser reconhecidos como os primeiros e principais educadores, criando na família as relações estruturais de amor e fé.

A escola, em virtude de sua missão, deve cultivar as faculdades intelectuais e desenvolver a capacidade de julgar corretamente, preparando para a vida profissional e criando nos alunos condições de convívio amigável.

O Sagrado Concílio, enquanto se confessa muito grato aos sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos, [...], exorta-os a que perseverem generosamente no trabalho começado e a que, ao imbuir os alunos do espírito de Cristo, se esforcem por se tornar de tal modo eminentes na arte pedagógica e no estudo das ciências, que não só promovam a renovação interna na Igreja mas também conservem e aumentem a sua presença benéfica no mundo hodierno, sobretudo no ambiente intelectual. (DCEV II, 1962-1965, p. 337-338)

Nessa trilha, o estudo de Trigueiro Mendes, denominado "Fenomenologia do processo educativo", de forma clara destaca: “qualquer sociedade moderna precisa planejar sua educação, reconhecendo nela a mais fecunda instrumentalidade para o projeto de seu desenvolvimento” (1974, p. 95).

Para esse pensador, a educação provém do saber dos valores que, em última análise, estrutura o ser e a cultura do homem dentro de seu projeto existencial, considerando as condições socioculturais que o sujeito interioriza. Comparando as idéias de Trigueiro Mendes com os princípios do Concílio, percebe-se uma proximidade de propostas, a começar pelo planejamento, pelos valores que estruturam tanto a práxis quanto aquele que a experimenta e que recebem as orientações educacionais.

Retomando o percurso histórico do tema desta pesquisa, remetemo-nos ao relatório do período 1962 a 1964 encontrado no acervo do Colégio, em que apresentava o calendário da escola; resultados de provas e exames orais; admissão, faltas e aposentadoria de professores, levando-nos a indagar: seriam esses os elementos que a direção da instituição julgava necessários para avaliar o Colégio?

Não podemos deixar de contextualizar o período citado, uma vez que o regime militar instaurou mudanças significativas em todos os âmbitos da sociedade. Obviamente, acontecia algo na educação brasileira, até porque, esta era um dos focos centrais do regime instaurado no país, já que os indivíduos foram proibidos de se expressarem livremente, sendo notória a coerção ao aprendizado de um saber que ampliasse posicionamentos e viabilizasse questionamentos, o que não interessava, absolutamente, à política da época.

O plano político militar ficou marcado pelo autoritarismo, pela supressão dos direitos constitucionais, pela perseguição política, prisão e tortura dos opositores, e pela imposição da censura prévia aos meios de comunicação. Na economia há uma rápida diversificação e modernização da indústria e serviços, sustentada por mecanismos de concentração de renda, endividamento externo e abertura ao capital estrangeiro. Com a deposição de Jango, o presidente da Câmara, Ranieri Mazzelli, assume formalmente a presidência e permanece no cargo até 15 de abril de 64. Na prática, porém, o poder é exercido pelos ministros militares de seu governo, entre eles, o general Arthur da Costa e

Silva. Nesse período é instituído o Ato Institucional nº 1. Os Atos Institucionais são mecanismos adotados pelos militares para legalizar ações políticas não previstas e mesmo contrárias à Constituição do país. De 1964 a 1978 são decretados 16 atos institucionais e complementares à Constituição de 1946. O AI-1, de 9 de abril de 64 transfere poder aos militares e suspende por dez anos os direitos políticos de centenas de pessoas. As cassações de mandatos alteram a composição do Congresso Nacional e intimidam os parlamentares.5

Depois do golpe militar de 1964,6 muitos educadores passaram a ser perseguidos em função de posicionamentos ideológicos. Muitos foram calados para sempre, alguns outros se exilaram, outros se recolheram à vida privada e outros, demitidos, trocaram de função.

O Regime Militar espelhou na educação o caráter anti-democrático de sua proposta ideológica de governo: professores foram presos e demitidos; universidades invadidas; estudantes presos, feridos nos confrontos com a polícia, e alguns foram mortos; os estudantes foram calados e a União Nacional dos Estudantes (UNE) proibida de funcionar; o Ministro da Justiça declarou que "estudantes tem que estudar" e "não podem fazer baderna". Esta era a prática do Regime (http://www.pedagogiaemfoco.pro.br, visita em 18/02/2006).

Nosso contato com os documentos do acervo do Colégio dos anos de 1962 a 1968, despertou-nos inquietação. Primeiro, pela falta de fontes documentais que oferecessem uma compreensão maior do Colégio nos primeiros anos da década de 1960; segundo, porque, das pessoas convidadas para entrevista, umas já haviam saído do Colégio e não se dispunham a dar seu testemunho, outras porque ainda estão exercendo função na instituição. O que justificaria o silêncio desse segundo grupo seria o fato do Colégio estar no momento atual, 2005 e 2006, passando por uma reforma administrativa por parte da Congregação do Verbo Divino, à qual pertenço há cerca de nove anos.

Na entrevista com o professor Antônio Pereira Gaio, em 31 de março de 2005, ele faz

5 Consultar site www.vestibular1.com.br/revisao/r180.htm, visitado em 22/03/2006.

uma observação:

No colégio [nos anos de 1960] não havia a figura do coordenador, havia, sim, o padre prefeito de estudos, cargo que era exercido pelo padre José Maria Wisniewski. Não existia relação contínua entre direção e aluno. O padre diretor aparecia nas festividades ou para tomar medidas administrativas ou disciplinares. Presumo até que muitos alunos nem conheciam direito o diretor do colégio.

Entendemos que a dinâmica vivida entre educador e educando no seu dia-a-dia, na escola e fora dela, faz da educação um elemento integrador e estimulador. Nessa perspectiva, Durmeval Trigueiro defende a interação permanente entre educador e educando, pois vê o educador caracterizado por uma função do agir que mobiliza fins, valores e objetivos e pela função do fazer, que modifica o homem concreto (Trigueiro Mendes, 1987, p. 1).

Assim sendo, o papel do educador não cabe somente ao professor mas também a todo pessoal que trabalha na escola, independente do setor em que atua, devendo ter sempre uma atitude de diálogo na instituição escolar. Nessa ótica, Trigueiro Mendes assinala:

A relação entre professor e aluno é, pois, um tipo de interação na qual o saber constituído, mas provisório do professor, é primeiro experienciado pelo aluno para ser depois teorizado. É o momento da interrogação, da descoberta e da invenção, no qual saber constituído e saber constituinte se articulam dialeticamente entre professor e aluno. (idem, ibidem).

No entender desse autor, na construção progressiva de cultura como um todo é que se situa a interação permanente entre educador e educando. Vê o educador, no sentido amplo, como educador profissionalizado, tendo duas tarefas amplas: agir no plano ético, acionando fins, valores e objetivos e a tarefa do fazer, proporcionando as mudanças no homem. Ou seja, a transformação do saber e da sociedade seriam decorrência natural da educação.

Será interessante articular o saber, nessa perspectiva, à tarefa do educador, numa relação dialética com o aluno, que irá recriá-lo permanentemente e esta vinculação, definindo-a como retro-alimentação, estimulará uma troca entre professor e aluno, cada qual com sua especificidade, mas incontestavelmente uma relação articulada. Nessa percepção, o papel do educador vincula-se, pois, às categorias universais da filosofia e da ciência e à singularidade expressa pela arte. A consciência do particular, do diferenciável, do indivíduo são essenciais à tarefa do educador, favorecendo a apropriação social do saber e a transformação do indivíduo e da sociedade.

Ainda, na visão de Durmeval Trigueiro “a educação deverá caracterizar-se, logicamente, pela variedade e flexibilidade dos modelos, quanto ao conteúdo, à duração e à permanência do processo educativo” (1969, p.16-17), e obviamente a dialética professor- aluno permeará as transformações experenciadas pela educação em seu percurso de transformação continuada.

Para que possamos compreender o processo educativo do Colégio Cristo Redentor apresentamos a proposta curricular desenvolvida no período de 1962 a 1968, que era construída em quatro blocos:

a) As disciplinas indicadas pelo Conselho Federal, como aparecem no Quadro I, da página 34.

b) as disciplinas complementares a nível federal, que se referem à matéria de Organização Social e Política Brasileira (OSPB) e Moral e Cívica, que, de acordo com o depoimento do professor Juarez Carvalho Venâncio, em 25 de abril de 2005, "era curso organizado pelos militares, tendo como público alvo professores que desejariam dar aulas nessas áreas". Isso pode levar a perceber que havia certa tensão na sociedade em relação ao governo que desejava manter o controle dela e via a escola como um instrumento importante na formação da consciência moral e cívica da juventude.

c) as disciplinas, Inglês e Canto, indicadas pelo Colégio, d) as práticas educativas: educação física e educação religiosa.

Da maneira como a proposta curricular era apresentada, observamos que a prática educativa deveria se referir a todo o conjunto e não somente a uma parte. Em nosso entender, a formação religiosa é um dos objetivos específicos de um colégio católico e deve ser coerente com a própria proposta da escola, pertencendo ela a uma congregação religiosa, no caso, a Congregação do Verbo Divino.

Ressaltamos que a proposta pedagógica numa escola católica para ter sentido assume, não como tarefa isolada, mas em sua essência, todas as ações humanas e conseqüentemente, também religiosas. O ensino religioso deve, pois, brotar do interior da proposta. Constitui disciplina enquanto busca de conhecimentos religiosos e de fundamentos para um compromisso ético na perspectiva de um agir solidário e transformador das realidades aí existentes. Mas, para que a proposta do ensino religioso se torne eficaz em toda a comunidade educativa, ela deveria estar integrada com as outras matérias e receber, também, a adesão dos outros profissionais das diversas áreas; não deveria ser vista como matéria isolada das outras matérias; deveria haver um compromisso ético, tanto dos professores quanto dos alunos, na perspectiva de um agir solidário e transformador frente à sociedade em que estão inseridos, considerando especialmente o momento vivido, na década de 60 do século passado, como um momento de grandes transformações nos setores sociopolítico, econômico e religioso.

Trigueiro Mendes observa também que “o pensamento transformador virá dos que se mostrem aptos a exercer, em relação à educação, uma consciência crítica e aperceptiva, envolvendo as conexões que ela mantém com tudo aquilo de que depende seu próprio sentido e valor” (1977, p. 107). E complementa:

A pedagogia é, antes de tudo liberdade de olhar. Deixar ver, deixar expressar-se, consentir no tateamento, na busca fora dos trilhos dogmáticos. [...] Precisamos revolver a didática, substituindo o método que institucionaliza a indução professor-aluno pelo método que promove o encontro dos dois no espaço da consciência". (1973. p. 230-233 )

Nessa perspectiva, o trabalho pedagógico tem muita importância no ambiente educativo. Este deve ser constituído pelos elementos coexistentes e cooperantes, que podem oferecer condições favoráveis ao processo educativo. Todo o processo educativo se desenrola em certas condições de espaço e de tempo, na presença de pessoas que

mutuamente se influenciam, segundo um programa racionalmente ordenado e livremente aceito. Portanto, pessoas, espaço, tempo, relações, ensino e atividades diversas são elementos a considerar numa visão orgânica do ambiente educativo.

Pode-se denominar esse processo como educação permanente, conceito que Trigueiro Mendes (1969, p. 15) traduz como sendo “[...] um sistema aberto, que utiliza toda a potencialidade da escola e da sociedade para produzir os valores, conhecimentos e técnicas que servem de base à práxis humana em toda a sua extensão”. Considera o processo bipolar: em um pólo, a escola e em outro, a própria sociedade, e essa relação dialética promove experiências diferenciadas produzindo uma educação mais coesa e consistente.

Em sua proposta educacional democrática, Durmeval propõe a volta da Filosofia ao ensino brasileiro e o fortalecimento das ciências humanas para possibilitar "uma reflexão radical da consciência integrada na práxis" (1985, p. 117), desmistificadora da sociedade atual e instauradora de uma nova cultura, baseada em uma "nova ética” - "ética de verdade, de justiça e de amor" (1985, p. 117). Considera necessário o incentivo a novas linhas de ação criadora fora do sistema oficial, representadas por instituições sociais e grupos culturais.

A respeito dessas novas alternativas culturais, Trigueiro Mendes as denomina "instâncias intermediárias entre a particularidade e a totalidade" (1985, p. 105), inserção do subjetivo no objetivo - o que constitui um dos temas recorrentes de seu pensamento. Afirma que são as ciências sociais que proporcionam o paradigma para a compreensão do sentido das ciências exatas e das ciências da natureza. Nas ciências formais, como, por exemplo, a Matemática e a Física, vê a intencionalidade radical enraizada nos objetivos sociais, que são revelados pelo sujeito na práxis, mediante os valores e finalidades que busca efetivar. Atribui, pois, às ciências formais e às ciências da natureza, o caráter de historicidade, cujo sentido só é evidenciado se incorporado às ciências sociais e humanas. Há cerca de quase quatro décadas, afirmava:

O futuro provavelmente voltará a ter uma só educação: unificada para todas as classes sociais, impulsionada por uma variedade de técnicas e processos – entre os quais o modelo escolar convencional será apenas uma das possibilidades –

transcendente de todo limite cronológico, como um processo de atualização permanente do ponto de vista cultural e profissional. (Trigueiro Mendes, 1969, p. 12-13)

Outro ponto que merece nossa atenção no percurso do Colégio Cristo Redentor no período estudado, é a participação dos alunos em obras de ação social da cidade de Juiz de Fora, através da Associação Campestre, segundo consta dos relatórios descritos. Percebemos com isso a influência do Concílio Vaticano II que incentiva a participação ativa dos jovens na vida da comunidade, como ressalta a Declaração Gravissimum

Educationis. Embora na entrevista o professor Simões declare que a formação para vida foi todo um empenho que não visava apenas a "vestibularização" do aluno, vemos, através do exame dos relatórios apresentados, que o colégio dava oportunidades para o aluno exercer outras funções fora da sala de aula, mas não o fazia de forma integrada, havendo certa dicotomia entre a formação acadêmica e a formação de valores humanos.

Nesse percurso de reflexão é fundante considerar que, sendo a escola inserida socialmente como agência de educação social, tornou-se cada vez mais um mecanismo tanto de aprendizagem para o mundo do trabalho como para o exercício da cidadania. Nessa perspectiva, o ensino religioso, como componente curricular, passa a ser compreendido como elemento da formação integral, visando desenvolver uma vivência e uma filosofia de vida fundamentada na ética, na justiça, nos direitos humanos e na defesa da dignidade do ser humano, portanto, na formação para a cidadania.

Essa proposta do Colégio Cristo Redentor, contextualizando-a hoje, à luz das idéias de Durmeval Trigueiro (1974), assume uma similaridade intencional, uma vez que para ele, a educação compreende quatro dimensões básicas: a cidadania, o lazer, o trabalho e a cultura. Cada uma delas, com sua nota distintiva: a dimensão política, a dimensão criativa, a dimensão social e a dimensão que é chave e síntese das demais - a da consciência significante, através da qual se organiza o universo humano. Todavia, os quatro aspectos basicamente se confundem, pois, segundo esse educador, “Qualquer uma das quatro dimensões fertiliza as dimensões restantes: a criatividade é indispensável à participação política, à solidariedade social e à permanência da cultura como criação incessante” (Trigueiro Mendes, 1974, p. 8).

para as outras dimensões, uma vez que a personalidade de cada homem interioriza o meio em que ela se projeta e daí extrai as significações que a configuram. Em seu pensamento, a educação completa é a que reúne os quatro aspectos, coerência lógica, que se traduz numa coerência sociológica.

Merece destaque também, em nossa reflexão a Escola de Pais, através da qual o Colégio contava com a parceria da família no processo de formação do aluno. No arquivo do Colégio, relativo ao ano letivo de 1965, há relatórios que registram essa parceria e seu funcionamento sob a orientação do professor José Ribeiro. As reuniões eram realizadas somente com os pais dos alunos da 1ª série do Curso Ginasial. A presença às reuniões foi regular e durante o ano efetuaram-se 32 encontros, tendo sido discutidos em todas elas assuntos relativos à melhor educação do jovem estudante.

Em relação à participação da família no processo de formação, a Declaração

Gravissimum Educationis declara que todos os fiéis devem colaborar espontaneamente, quer na busca dos métodos aptos de educação e de organização dos estudos, quer na formação de professores capazes de educar corretamente os jovens; comprometendo-se, sobretudo mediante associação dos pais, todo o trabalho da escola e em particular a educação moral que na escola deve ser ministrada.

Vista sob essa ótica, a educação deve ser entendida como permanente esforço do homem por se constituir e reconstituir-se, buscando a forma histórica na qual possa se reencontrar consigo mesmo, em plenitude de vida humana que é, substancialmente, comunhão social. Esse reencontro que, no horizonte do respectivo momento histórico, coloca o homem em seu lugar próprio, exigindo que sejam considerados dois aspectos

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