2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E CONCEITOS
4.3 A ESTRUTURA DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA FAB
4.3.2 O Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial
Como ressalta Longo: “O cientista normalmente não está preparado para transformar suas descobertas em um bem comercializável, pois isso exige recursos, serviços e profissionais especializados, que geralmente são superiores à capacidade do laboratório científico” (LONGO, 2000, p. 7).
Daí justifica-se a necessidade da organização do conhecimento para que o mesmo seja inserido em um projeto com conseqüências práticas e talvez comercializáveis. Essa é justamente a proposta do CTA e seus Institutos.
De acordo com os artigos 1º, 2º e 3º do Regulamento do Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (ROCA 20-4), o CTA é uma organização do Comando da Aeronáutica prevista pelo Decreto n° 5.657, de 30 de dezembro de 2005. Tem por finalidade a consecução dos objetivos da Política Aeronáutica Nacional para os setores da Ciência, da Tecnologia e da Indústria, bem como a contribuição para a formulação e condução da Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais. O CTA é diretamente subordinado ao Comandante da Aeronáutica e está sediado, em São José dos Campos, São Paulo (COMAER, 2006a, p.7).
De uma forma mais específica, o artigo 4º do Regulamento define as seguintes atribuições do CTA:
a) Buscar a consecução dos objetivos da Política Aeronáutica Nacional,
relativos aos setores da Ciência, da Tecnologia e da Indústria;
b) Buscar a consecução dos objetivos da Política Nacional de
Desenvolvimento das Atividades Espaciais de interesse do COMAER, no que diz respeito à qualificação profissional, à pesquisa e ao desenvolvimento;
c) Realizar a ligação com os órgãos centrais dos sistemas da
Administração Federal, nos assuntos relacionados diretamente com suas atribuições específicas;
d) Cumprir as normas elaboradas pelos órgãos centrais dos sistemas do
e) Propor, estabelecer e divulgar normas, planos, programas e projetos relativos às atividades científicas, tecnológicas e de fomento industrial, relacionadas com assuntos dos setores aeronáutico e espacial de interesse do Comando da Aeronáutica; e
f) Supervisionar, coordenar e controlar as atividades das Comissões e
das Assessorias existentes no âmbito do CTA.
O Comando-Geral de Tecnologia tem à sua disposição a seguinte estrutura (figura 8):
Figura 8 Estrutura do CTA
Fonte: Centro de Comunicação Social da Aeronáutica disponível em www.fab.mil.br – atualizado em 2006
Dentro dessa estrutura trabalham diretamente com a área de C&T: a) Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA);
b) Instituto de Aeronáutica e Espaço (IEA);
c) Instituto de Estudos Avançados (IEAv); e COMANDO GERAL DE TECNOLOGIA AEROESPACIAL CENTRO DE LANÇAMENTO BARREIRA DO INFERNO CENTRO DE LANÇAMENTO DE ALCÂNTARA COMISSÃO COORDENADORA DO PROGRAMA AERONAVE DE COMBATE PREFEITURA DE AERONÁUTICA DE ALCÂNTARA ITA IAE IEAV IFI GIA-SJ PASJ GEEV
d) Instituto de Coordenação e Fomento Industrial (IFI)
O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) está localizado em Alcântara (MA) e o da Barreira do Inferno (CLBI), em Natal (RN).
Essas duas organizações têm por missão executar e prestar apoio às atividades de lançamento e rastreio de engenhos aeroespaciais e de coleta e processamento de dados de suas cargas úteis, bem como executar os testes e experimentos de interesse da Aeronáutica (COMAER, 2006a, p.7).
A Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), localizada em Brasília (DF), realiza as coordenações necessárias para o desenvolvimento e aquisição de aeronaves e seus sistemas (Ibid., p. 9).
O Grupamento de Infra-estrutura e Apoio de São José dos Campos (GIA-SJ) tem por finalidade executar as atividades de saúde, de infra-estrutura, de apoio administrativo e de segurança e defesa ao CTA (COMAER, 2006b).
O Grupo Especial de Ensaios em Vôo (GEEV), em São José dos Campos (SP), planeja, coordena, executa e analisa as atividades de ensaios em vôo de aeronaves, sistemas, equipamentos e armamentos (COMAER, 2007j).
Os outros órgãos do organograma são estruturas de apoio de infra-estrutura, segurança, saúde, etc.
Para cumprir a sua missão o Comando do CTA possui uma estrutura (figura 9) voltada para o planejamento e supervisão das suas organizações subordinadas. Essa estrutura tem o seguinte organograma:
Figura 9
Estrutura de Comando do CTA Fonte: ROCA 20-4
O Comando do CTA e toda a estrutura demonstrada na figura acima assimilam as orientações oriundas do EMAER, por meio de Políticas, Estratégias e Diretrizes específicas. Em seguida, tais orientações poderão dar origens a projetos de pesquisa e desenvolvimento que serão executados pelas suas organizações subordinadas.
O CTA organiza todos os seus projetos de pesquisa por meio das Normas do Comando-Geral de Tecnologia (NCTA). As pesquisas devem ser documentadas para “preservar a memória técnico-científica da Instituição, dar suporte aos trabalhos em andamento, e divulgar os conhecimentos e os resultados” (COMAER, 1997, p.1).
No Comando do CTA trabalham um tenente-brigadeiro32, comandante da
organização e subordinado diretamente ao Comandante da Aeronáutica; um major- brigadeiro; três brigadeiros e dezenas de oficiais e civis.
32Dentro da escala hierárquica da FAB tenente-brigadeiro é oficial-general de último posto seguido por major-brigadeiro e brigadeiro do ar. Nota do autor.
COMANDO DIRETORIA DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA AEROESPACIAL SUBDIRETORIA DE EMPREENDIMENTOS SUBDIRETORIA DE FUNÇÕES SUBDIRETORIA DE DESENVOLVIMENTO DE PROGRAMAS
A Diretoria de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (figura 9) é exercida por um major-brigadeiro. Esse oficial é o substituto eventual do comandante do CTA e, além de outras atribuições, deverá coordenar e supervisionar as atividades das Subdiretorias de Empreendimentos, de Funções e de Desenvolvimento e Programas (COMAER, 2006a, p. 8).
As Subdiretorias são dirigidas por oficiais-generais no posto de brigadeiro.
A Subdiretoria de Empreendimentos (figura 9) traça o perfil dos recursos humanos necessários para suporte aos diversos projetos do CTA; direciona e prioriza as pesquisas e o desenvolvimento dos projetos; planeja e supervisiona as atividades de ensino e pesquisa científica; planeja e coordena o suporte logístico e a atividade aérea no CTA; e estimula e supervisiona as ações que possam contribuir para a obtenção e consolidação de conhecimentos científicos e tecnológicos de interesse da FAB (Ibid.).
A Subdiretoria de Funções (figura 9) trata de toda a logística de apoio às atividades do CTA e órgãos subordinados. Realiza o planejamento e o controle do orçamento; o controle patrimonial; atividades de organização e métodos, legislação e tecnologia da informação; celebra os contratos; e gerencia os recursos humanos (COMAER, 2006a, p.8).
A Subdiretoria de Desenvolvimento e Programas (figura 9) gerencia os programas de aquisição, modernização e desenvolvimento de sistemas e materiais aeronáuticos afetos ao CTA; supervisiona as atividades de desenvolvimento e de coordenação industrial; e coordena e supervisiona as atividades de mobilização industrial, de homologação e de compensação comercial, industrial e tecnológica (Ibid.).
No momento de executar as ações são empregados os diversos institutos do CTA e demais organizações de apoio.
Como previa o Plano Smith (COMAER, 2007d) “o Brasil necessita gerar conhecimento aeronáutico de alto nível”. Esse é o passo inicial de todo o processo de desenvolvimento de produtos de alta tecnologia. Essa tarefa está a cargo do ITA.