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4 O CASO DO PROGRAMA PARÁ PROFISSIONAL, EM ULIANÓPOLIS

4.4 Município de estudo: Ulianópolis PA

4.4.2 O Comitê Gestor Intersetorial de Ulianópolis (CGIU)

A partir das normas estabelecidas pelo Decreto estadual nº 1.430/15, o Governo Municipal de Ulianópolis entendeu a importância de caminhar alinhado às diretrizes estaduais, na área de Educação Profissional e Tecnológica. Neste contexto, Ulianópolis teve a oportunidade de sediar o Seminário de Orientação de Demandas de EPT, para a Região Rio

3,0 3,6 4,0 3,8 4,5 3,7 4,5 5,1 5,5 5,9 2007 2009 2011 2013 2015 Índ ic es de D es envo lvi m ent o Anos Gráfico 7

IDEB - Escola Pública - 5ª ano (Séries Iniciais) Pará Ulianópolis 3,1 3,4 3,5 3,4 3,8 2,9 3,6 4,0 3,9 4,6 2007 2009 2011 2013 2015 Índi ce s de D E se nvol vi m ent o Anos Gráfico 8

IDEB - Escola Pública - 9ª ano (Séries Finais)

Capim, no período de 9 a 10 de novembro de 2015, com a finalidade de planejar os cursos profissionalizantes a serem ofertados no município no ano de 2016.

Durante a realização do seminário, foi elaborado o Plano de Ações para levantame nto de demandas de cursos profissionalizantes e encaminhado à coordenação do Pará Profissio na l, que contou com a participação do setor público, de empresas locais, representantes da sociedade civil organizada, e da SECTET, conforme Quadro 25.

Quadro 25– Plano de Ações para levantamento de demandas de cursos do Pará Profissional em Ulianópolis (2015). Ação Objetivo

Levantamento do nível de escolaridade dos funcionários das empresas parceiras.

Incentivar o profissional a estudar.

Participação da roda de conversa com os alunos de 5° a 9° séries e EJA.

Socializar experiências para estimular o interesse dos alunos pelos cursos ofertados.

Levantamento de alunos, com idade entre 14 e 21 anos, a fim de participar do Projeto Jovem Aprendiz.

Oportunizar ao jovem formação profissional.

Disponibilização pelas empresas parceiras para visita de alunos, por meio de cronograma agendado

Colaborar com a escola e contribuir com o conteúdo teórico das aulas.

Identificação de demandas de qualificação profissional no município.

Preencher o quadro de demandas de cursos de qualificação profissional. Fonte: SECTET (2015).

A dinâmica participativa utilizada no Seminário de Demandas favoreceu o debate e a articulação de setores da sociedade de Ulianópolis, bem como a integração entre os envolvidos na gestão das ações locais de EPT. O processo formalizado para levantamento e organização das demandas de cursos profissionalizantes, no município, foi considerado fundamental para a construção da estrutura do CGIU/Ulianópolis, que veio a ser implementado mais à frente.

De acordo com Santos (1997), governança engloba uma visão de sociedade com padrões de articulação e cooperação entre atores sociais, políticos e arranjos institucionais, que podem ser redes formais ou informais.

Em 2016, o Município de Ulianópolis instituiu o Comitê Gestor Intersetorial de Ulianópolis (CGIU) para apoiar as ações de qualificação profissional no município, por meio do Decreto Municipal nº 30/16 (Anexo B). Dessa forma, o poder público municipal reconheceu institucionalmente a necessidade da participação das alianças intersetoriais constituídas entre o primeiro setor (governo), segundo setor (empresas) e terceiro setor (organizações e associações da sociedade civil), no processo de elaboração e execução de políticas públicas de EPT.

Segundo Ache (2000, p. 444), “com as contribuições advindas da participação regional, surge a definição de governança local, os atores locais desenvolvem ações conjuntas movidos pela expectativa de que consigam avaliar os problemas de sua região melhor do que atores nacionais ou estaduais”.

Dessa feita, destaca-se a importância da criação do CGIU/Ulianópolis, como espaço legal constituído para fortalecer a participação cidadã na formulação e gestão de políticas públicas de EPT, que nasceu do debate entre os setores público e privado envolvido s na área de educação no município, e se espalhou para uma rede de atores como representantes da sociedade civil organizada e instituições federais, estaduais e municipais.

Segundo Roth et al. (2012), redes tem por objetivo estruturar e organizar mecanismos regulatórios de tomada de decisão, para garantir os interesses dos membros dessa rede. Segundo os autores, a função da governança não deixa de estar associada à ideia de gestão, pois ela proporcionará uma visão Inter organizacional e a regulação entre os limites e a autonomia.

a) Modelo de governança para a gestão de EPT, no Município de Ulianópolis

Em 2016, o Decreto Municipal n° 30/16 instituiu o CGIU/Ulianópolis como:

[...]instância estratégica de gestão integrada e colaborativa, que tem por finalidad e apoiar e coordenar as ações desenvolvidas no Município de Ulianópolis, Estado do Pará, incluindo as secretarias municipais, setor produtivo e sociedade civil representada, com vistas a promover a organização da Educação Profissional e Tecnológica como instrumento de superação das desigualdades inter-regionais, de inclusão sócio produtiva, de oportunidade de trabalho e geração de renda (ULIANÓPOLIS, 2016, não paginado).

A estrutura estabelecida para o CGIU/Ulianópolis contempla a participação de representantes governamentais e não governamentais, cujas atividades estejam relacionadas à Educação Profissional e Tecnológica no município. Os representantes e suplentes de instituições públicas, privadas e da sociedade civil representada são convocados a programar as ações locais de fomento à EPT, de forma a promover a gestão integrada e colaborativa conforme Figura 6.

Figura 6– Estrutura do Comitê Gestor Intersetorial de Ulianópolis (CGIU)

Fonte: Elaborado pela Autora, adaptado do Decreto Municipal nº 30/16.

O eixo Público encontra-se representado por cinco órgãos: Secretaria Municipal de Educação (SEMEC); Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS); Secretaria Municipal de Saúde (SMS); Secretaria Municipal de Agricultura (SEMAGRI); e Poder Legislativo Municipal.

O eixo participativo encontra-se representado por 18 entidades, sendo seis governamentais (Conselho Tutelar; Pacto pela educação; Conselhos escolares; Conselho Municipal do Direito da Criança e Adolescente; DEMUTRAN e Conselho Municipal de Educação), e 12 entidades não governamentais (Clube de Diretores Lojistas (CDL); Comunidade Eclesiástica; Conselho de Pastores; Padre; Sindicato dos Trabalhadores Rurais; dos Produtores Rurais SENAR; Pequenos produtores rurais; Pastoral da Criança; Escola de Ensino Médio e Ensino Superior da URE de Mãe do Rio).

A estrutura do Comitê Gestor Intersetorial de Ulianópolis demonstra a iniciativa tomada pelo Poder Público de Ulianópolis, no sentido de promover a abertura para participação de diferentes segmentos da sociedade, nas deliberações sobre a oferta dos cursos de EPT, dentre eles, o Programa Pará Profissional, o que fortalece a governança local, conforme Figura 7.

Matos e Dias (2013, p. 90) enfatizam que a governança local é o compartilhamento de responsabilidades para implantação de políticas públicas entre o setor público, o privado e o terceiro setor.

Depreende-se ainda Figura 6, que os atores participantes CGIU/Ulianópolis foram estimulados a atuar de forma coletiva, compartilhando responsabilidades na implementação de ações articuladas de fomento à Educação Profissional, no município.

Para Kissler e Heidemann (2006), uma estrutura de governança pública inclui vários atores sociais participantes do Estado ativo os quais estão inseridos nos três setores, transformando-o num Estado ativador, que age, principalmente, sobre o setor privado e o terceiro setor, com o propósito de mobilizar recursos, contando com a força da sociedade civil. Destaca-se que o CGIU/Ulianópolis atuou como instrumento para discussão e tomada de decisão coletiva, no âmbito da Educação Profissional e Tecnológica no município. Essa constatação pode ser considerada como um dos elementos chave para a atuação do Estado “Rede”, o qual envolve gestão articulada e colaborativa entre o primeiro setor (governo), segundo setor (empresas) e terceiro setor (organizações e associações da sociedade civil), no processo de elaboração e execução de políticas públicas de EPT, em espaços coletivos e deliberativos, com a finalidade de atender às demandas da população.

Segundo Fonseca; Carapeto (2009), o Estado moderno tornou-se mais cooperativo, acolheu as redes e os impactos sobre suas formas e estruturas capazes de responder às exigências concretas dos cidadãos, caminhando na direção do Estado “Rede”, que envolve mecanismos de negociação e múltiplos atores entre os quais: entes públicos de diferentes esferas de governo, entidades privadas (com ou sem fins lucrativos) e a sociedade civil, diferenciando-se da forma tradicional de organização do Estado “Hierárquico”.

Sendo assim, com base na compreensão dos documentos analisados, infere-se que o ambiente institucional estabelecido para as relações entre as organizações representadas no CGIU/Ulianópolis, promoveu um bom nível de articulação e integração entre o poder público, privado e sociedade civil organizada, na área de Educação do município, alinhando-se com a atuação em rede, segundo Loiola e Moura (1996, p.59). Para os autores, as redes representam formas de articulação entre órgãos governamentais, organizações privadas ou grupos que lhes permitam enfrentar problemas sociais e implementar políticas públicas, chamadas redes institucionais ou redes de políticas públicas.

Na próxima seção, serão apresentados os resultados da pesquisa de campo, realizada em Ulianópolis, lócus da pesquisa.