Esta entidade representa ―o movimento olímpico no Brasil conforme reconhecimento do COI e da legislação brasileira pelo Decreto Lei 3.199/1941.‖ (ALMEIDA, 2010, p.71) fundado em 8 de Junho de 1914, sendo um dos primeiros países da América Latina a criar uma entidade para representar o movimento olímpico. Suas principais funções são: representar o país no cenário esportivo internacional, junto ao calendário de competições das federações internacionais e coordenar as modalidades olímpicas no âmbito nacional.9
Sua estrutura organizacional é assim representada:
FIGURA 5: ORGANOGRAMA INSTITUCIONAL COB, 2015
9 Ver Linha do Tempo em <http://www.cob.org.br/pt/cob/comite-olimpico-do-brasil/linha-do-tempo>. Acesso em: 10 de Dezembro de 2015.
FONTE: COMITÊ OLÍMPICO DO BRASIL (2015)
Segundo a explicação no site da organização, quatro poderes constituem o Poder Constituinte do COB, formada pela Assembleia Geral, pelo Conselho Executivo, pelo Conselho Fiscal e pelo gabinete da Presidência, juntos este sistema administra a entidade, estabelece as diretrizes da organização e orienta suas ações para o cumprimento de suas metas.
Atualmente esta entidade se articula com trinta confederações esportivas10 administradoras de modalidades componentes dos Jogos Olímpicos, além de dezenove confederações vinculadas11 e três confederações reconhecidas.
10 Confederação Brasileira de Atletismo, Confederação Brasileira de Badminton, Confederação Brasileira de Basquetebol, Confederação Brasileira de Boxe, Confederação Brasileira de Canoagem, Confederação Brasileira de Ciclismo, Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, Confederação Brasileira de Desportos na Neve, Confederação Brasileira de Desportos no Gelo, Confederação Brasileira de Esgrima, Confederação Brasileira de Futebol, Confederação Brasileira de Ginástica, Confederação Brasileira de Golfe, Confederação Brasileira de Handebol, Confederação Brasileira de Hipismo, Confederação Brasileira de Hóquei sobre a Grama,
O COB é responsável por realizar os repasses dos valores recebidos pela Lei Agnelo-Piva (anteriormente esclarecido) para as confederações esportivas de modalidades olímpicas. A instituição possui critérios por ela definidos de como ela faz a divisão do repasse para cada confederação.
Em estudo realizado sobre o financiamento do COB, a autora Almeida (2010) demonstrou os percentuais recebidos pelas confederações, e os dividiu em três blocos. O primeiro bloco era composto por Confederações que recebiam menos que 2,5% dos valores da Lei Agnelo-Piva; o segundo bloco recebia entre 2,5 à 5,0% e o último bloco recebia acima de 5,0%.
Entretanto, no ano de 2009, a autora apresenta a mudança nos critérios de repasse da Lei, e com isso há a primeira evidência de que a instituição se baseava em resultados esportivos para transferir os recursos: ―Para o ano de 2009, o COB divulgou novos critérios para repasse dos recursos para as confederações, visando ―diminuir a diferença de valores entre as Confederações e permitir um desenvolvimento mais rápido do esporte brasileiro‖ (COMITÊ OLÍMPICO BRASILEIRO, 2008b).‖ (ALMEIDA, 2010, p. 83)
A partir do ano de 2013 houve uma nova mudança nos critérios de repasse. Ainda baseado em mérito esportivo e neste caso, mérito administrativo e sucesso na gestão:
Critérios Esportivos: 1) Nº de ouros em disputa em 2016; 2) Medalhas no último PAN e Ouros no último PAN; 3) Medalha no Mundial Menores ou Junior ou Sub-20; 4) Top 8 mundial e Medalha mundial principal; 5)Participação nas 03 últimas edições dos Jogos Olímpicos; 6) Top 8 na última edição dos Jogos Olímpicos; 7) Medalhas na última edição dos Jogos Olímpicos; 8) Medalhas de ouro em uma das 3 últimas edições dos Jogos Olímpicos; 9) Ouro na última edição dos Jogos Olímpicos; 10) Sequência de medalhas nas 3 últimas edições dos Jogos Olímpicos; 11) Quantidades de atletas em Top 3, 8 e 20. Critérios Administrativos •Estrutura técnica da modalidade no Brasil; •Possibilidade de desenvolvimento e performance; •Gestão administrativa da modalidade. Vale salientar que além destes critérios são Confederação Brasileira de Judô, Confederação Brasileira de Levantamento de Peso, Confederação Brasileira de Lutas Associadas, Confederação Brasileira de Pentatlo Moderno, Confederação Brasileira de Remo, Confederação Brasileira de Rúgbi, Confederação Brasileira de Tae-kwon-do, Confederação Brasileira de Tênis, Confederação Brasileira de Tiro com Arco, Confederação Brasileira de Tiro Esportivo, Confederação Brasileira de Triátlon, Confederação Brasileira de Tênis de Mesa, Confederação Brasileira de Vela e Confederação Brasileira de Voleibol.
11 As confederações vinculadas são responsáveis por administrar modalidades que não fazem parte dos Jogos Olímpicos, são elas: Confederação Brasileira de Automobilismo; Confederação Brasileira de Baseball e Softball; Confederação Brasileira de Boliche; Confederação Brasileira de Capoeira; Confederação Brasileira de Desporto Escolar; Confederação Brasileira de Desporto Universitário; Confederação Brasileira de Futsal; Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação; Confederação Brasileira de Karate; Confederação Brasileira de Kung Fu; Confederação Brasileira de Motociclismo; Confederação Brasileira de Musculação, Fisiculturismo e Fitness; Confederação Brasileira de Orientação; Confederação Brasileira de Paraquedismo; Confederação Brasileira de Pesca e Desportos Subaquáticos; Confederação Brasileira de Squash; Confederação Brasileira de Surf; Confederação Brasileira de Xadrez; Federação Brasileira de Vôo a Vela. Quanto às confederações reconhecidas, são elas: Confederação Brasileira de Beach Soccer; Confederação Brasileira de Esqui Aquático; Confederação Brasileira de Jiu-Jítsu.
analisados os seguintes pontos: •Confederações com resultados a nível Mundial e Olímpico •Confederações com resultados a nível Pan-americano; •Confederações com resultados a nível Sul-americano; •Confederações ainda sem resultados internacionais; •Número de Federações Filiadas; •Número de Modalidades na Confederação; •Número de atletas Confederados; •Avaliação das demais fontes de recurso das Confederações. (COMITÊ OLÍMPICO DO BRASIL, 2013, p. 9)
Os critérios são meritocráticos, na qual a confederação esportiva que obtiver maior resultado e demonstrar maiores chances de atingir resultados olímpicos em 2016, e estrutura técnica e administrativa da modalidade receberão maiores porcentagens do repasse em relação às outras. Confirmando a afirmação feita por Almeida (2010, p.101) onde as confederações esportivas buscam resultados expressivos como meio para atingir maior visibilidade, desta forma, conseguindo angariar mais recursos financeiros, destacando sua modalidade no cenário esportivo brasileiro e mundial.
Este delineamento pode promover maior desenvolvimento daquelas confederações que já tem tradição na obtenção de resultados esportivos, estrutura administrativa já consolidada com sucesso na gestão e de destaque no cenário esportivo para alcançar maiores patrocinadores, conforme afirma Almeida (2010) ao cruzar as próprias informações fornecidas pelo COB sobre o estado de desenvolvimento das confederações olímpicas a ele vinculadas demonstram que as entidades com mais federações filiadas, infraestrutura para os atletas, fornecedores de materiais, patrocínios, são as que mais possuem porcentagens de repasses de recursos da lei.
Através deste meio de financiamento das confederações, aquelas menos privilegiadas precisam desenvolver estratégias para crescer e obter resultados esportivos consistentes que lhes garantam angariar mais recursos financeiros.
O COB articula-se com as confederações esportivas, estas por sua vez, administram as modalidades no país, a seguir será apresentado um pouco sobre as confederações esportivas.