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2. O modelo SILEX

2.2. Princípios de um modelo associativo e estratificado

2.2.2. Um modelo estratificado

2.2.2.2. O componente derivacional

O Componente Derivacional, que é o Componente gerativo por excelência, comporta a lista das RCPs e gera as palavras construídas possíveis da língua, dotadas de todas suas propriedades previsíveis. As RCPs aplicam-se, sob a reserva de que todas as condições de aplicação sejam respeitadas, nas entradas lexicais de base pertencentes a categorias maiores, e a seus próprios produtos, já que a base de uma palavra construída pode ser uma palavra

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Palavra de estrutura compósita de origem latina importada para o português. 41

Palavra de estrutura compósita de origem latina importada para o português. 42

Palavra de estrutura compósita de origem latina importada para o português. 43

59 construída (regionalização N, é formada sobre regionaliz(ar) V , ela mesma constituída sobre regional A, constituída por sua vez, sobre região N).

- A estrutura morfológica das palavras construídas é formada de acordo com esquemas de disposição categorial que são próprios a uma língua ou a um grupo de línguas dado.

Dado que a uma RCP podem ser associados muitos processos morfológicos de natureza diferente (sufixação, prefixação, conversão, etc.), uma mesma RCP é capaz de construir várias estruturas. A maioria das RCPs obedece a um princípio de unicidade categorial que lhes impõe empregar-se somente em uma categoria lexical de base para construir somente uma categoria de palavras formadas.

O SPcr das palavras construídas, determinada pelos SPspm e SPhb (ver Seção 2.2.1.1.2.), constitui o significado previsível das palavras construídas. É provável que no interior de um grupo de línguas, haja uma certa homogeneidade dos SPcr, e que se possa, assim, delimitar a noção de palavra construída semanticamente possível nestas línguas. O emprego referencial das palavras construídas tem por resultado que, ao significado linguisticamente previsível de uma palavra X, se acrescentem propriedades referenciais, que podem ser transmitidas às palavras construídas a partir de X.

Esta “interface” entre a língua e o mundo não foi representada no esquema acima; ela poderia figurar nele sob a forma de “operações referenciais”, possíveis de se aplicar tanto às palavras construídas como às palavras não construídas.

2.3. Considerações

Na Figura 2, apresentamos um quadro contendo um resumo do que foi reportado acima.

Componente de Base Componente Derivacional

Figura 2: Arquitetura resumida dos componetes atuantes no processo de construção de palavras

Entradas lexicais de base (afixos e categorias maiores)

RCP: com inserção de afixos e categorias maiores Palavras construídas possíveis (°) – regular, predizível, de número infinito

exs.: arrumação, arrumamento°, arrumadela, arrumadura°, etc..

60 A Figura 2 mostra uma parte do modelo de morfologia construcional que retrata o Componente Lexical e os estratos que participam do processo de formação das palavras construídas. A seta fina significa o que é submetido às regras e a seta grossa aponta o output das regras e operações linguísticas.

Para obtermos uma palavra construída possível no léxico, categorias maiores e afixos são submetidos a uma série de operações linguísticas. Segundo Corbin (1997, p.7) “Pode-se definir uma unidade lexical construída como uma unidade lexical cujo sentido, a forma e/ou a estrutura resultante de uma ou muitas operações linguísticas. Essa propriedade se marca por uma motivação recíproca da forma (e/ou da estrutura) e do sentido.”.

A escolha desse modelo é fundamental para a construção das regras de recuperação de deverbais em um corpus histórico, já que este é um modelo hipergerativo que considera todas as possibilidades de construção e não somente as atestadas em dicionários. Então, pudemos encontrar formas que não usamos e que podem parecer estranhas ao homem de hoje. É justamente esse desprendimento de fatores de ordem extralinguística que nos ajuda a descobrir e conhecer outras formas deverbais que já existiram no período do corpus deste trabalho.

É importante salientarmos que a teoria construcional será empregada aqui somente em seu aspecto descritivo visando à funcionalidade do modelo que permite a sustentabilidade do sistema EXTRADEV.

Para este trabalho utilizaremos apenas o Componente de Base e o Componente derivacional que é o componente hipergerativo. Tal escolha justifica-se por nosso objetivo não levar em conta o que é ou não atestado por dicionários. O Componente convencional considera aspectos extralinguísticos e o nosso sistema trabalha com as possibilidades de construção de palavras no léxico, portanto, esse nível não é relevante para nosso objetivo. Em relação ao Componente Pós-derivacional, duas problemáticas podem vir à superfície em relação aos dados obtidos: geração de muitas unidades agramaticais; e perda de deverbais que deveriam passar pelo componente de correção – pós derivacional. Porém, em relação à hipergeratividade de unidades lexicais agramaticais, elas serão barradas no corpus, ou seja, só será extraído do corpus aquilo que existir, portanto os dados não terão unidades não válidas. Em relação às perdas, não teremos nos dados extraídos alguns deverbais que sofrem ou sofreram alterações de truncamento ou integração paradigmática (por ex.: colecionar  colecionação*  coleção). Porém, acredita-se que a perda seja pequena, já que é uma minoria do léxico que está suscetível a processos como esses. Em trabalhos futuros, com um

61 refinamento no algoritmo de busca de deverbais do sistema EXTRADEV, poder-se-á recuperar essas unidades que são representadas e sistematizadas pelo modelo SILEX no Componente pós-derivacional.

Um sistema estratificado, com a hierarquização dos Componentes Lexicais e o conhecimento das operações que podem intervir sobre cada Componente, torna muito mais claro o processo de formação das palavras construídas. E, por conseguinte, permite que se construam algoritmos de busca de deverbais de alta cobertura e muito mais precisos do que os buscadores comuns.

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3. Deverbais de ação: denominação, significado, sintaxe e