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2. BASE TEÓRICA

2.5 O comportamento do consumidor e o cicloturista

Depois de segmentar, ou seja, criar um grupo de consumidores do seu produto é necessário conhecer esse grupo, descobrir seus comportamentos para melhor atender. Dentro do segmento de turistas que procuram turismo de aventura ou lazer encontramos o nicho de cicloturistas.

O comportamento do consumidor nada mais é do que sua atitude de compra de algum produto ou serviço. Para esse estudo interessa saber como é o processo de compra ou escolha do destino turístico para pratica de cicloturismo.

No final da década de 1960 diversos profissionais, como por exemplo, James F.

Engel, Morris Holbrook, Elizabeth Hirchman, Russel Belk, Sidney Levy, Jadish Seth, entre outros, concentraram seus esforços para moldar aquele que seria um campo empresarial e uma das disciplinas acadêmicas mais investigadas de todo o mundo, o comportamento do consumidor (VIEIRA, 2003).

O comportamento do consumidor é uma ciência aplicada que se utiliza de conhecimentos da economia, psicologia, sociologia, antropologia, estatística, entre outras. Para compreender o comportamento do consumidor é necessário saber o que se passa na mente dele tão completamente quanto um cirurgião sabe o que acontece dentro de seu joelho (BLACKWELL, 2005).

Para Middleton e Clarke (2002) todos os gerentes de marketing precisam compreender o motivo pelo qual alguns produtos são preferidos ou rejeitados, e um entendimento das motivações que afetam as escolhas será, em geral, mais importante do que medir os determinantes.

Compreender como os consumidores individuais e organizacionais se comportam é um pré-requisito para um marketing eficaz. Os fatores pessoais e interpessoais influenciam a escolha dos consumidores por serviços de turismo. Os fatores pessoais incluem necessidades, desejos e motivações, percepção, aprendizagem, personalidade, estilo de vida e autoconceito. As influências interpessoais são provenientes de culturas, grupos de referência, classes sociais, formadores de opinião e família (MORRISON, 2012).

Partir do consumidor significa recolher informações sobre o seu comportamento e criar explicações sobre suas expectativas, bem como previsões sobre seu comportamento futuro. São essas criações que permitem o planejamento e a execução de ações de marketing (GIGLIO, 2002).

Optar em seguir uma orientação para o cliente traz para a empresa vantagens competitivas que levam a um desempenho empresarial mais alto, na forma de um aumento da lucratividade e de um crescimento na receita. As três vantagens que aumentam a lucratividade são: eficiências de custo de clientes estabelecidos e lealdade do cliente em épocas de crise. As três vantagens que geram crescimento são: aumento da propaganda boca a boca, compra em um único lugar e inovações em produtos (SHETH, 2001).

Na Figura 1, Swarbrooke e Horner (2002) apresentam os fatores que determinam no âmbito individual o comportamento do turista.

Figura 1: Fatores que determinam no âmbito individual o comportamento do turista

Fonte: Adaptado de Swarbrooke e Horner, 2002.

Analisando a figura 1 de fatores que interferem no comportamento individual do organizações de turismo, Opiniões políticas, Preferências por determinados

mas que está sempre planejando uma próxima viagem, pois o cicloturismo não é só uma maneira escolhida para fazer turismo e sim, opção de vida, um hábito, um estilo.

O fator circunstância é muito relevante para o cicloturista, sem saúde e sem uma preparação física adequada não é possível realizar uma viagem de bicicleta. O fator conhecimento é importante em qualquer viagem, em uma viagem de bicicleta é ainda mais importante, pois qualquer informação errada pode fazer o cicloturista passar por situações desagradáveis, como locais sem sinal de celular ou que não tem alimentação ou banheiro, ou até mesmo local para hospedagem.

O fator atitude e percepções e o fator experiências de viagens anteriores já descrevem um comportamento em relação ao histórico e planejamento de viagens.

O turista pode ter a motivação de fugir da sua realidade e por isso ele resolve tirar férias ou ele pode ter uma motivação específica ao escolher como serão suas férias. Diante disso Swarbrooke e Horner (2002) separaram as motivações em físicos, emocionais, pessoais, desenvolvimento pessoal, status e culturais como pode ser observado na Figura 2 abaixo.

Figura 2: Tipologia das Motivações em turismo

Fonte: Adaptado de Swarbrooke e Horner, 2002.

Turista

Analisando a figura 2 podemos concluir que para praticar cicloturismo o turista pode ter motivações físicas (exercício e saúde), motivações emocionais (aventura, escapismo, fantasia), motivações pessoais (fazer novos amigos, necessidade de satisfazer outras pessoas), motivações desenvolvimento pessoal (aumentar conhecimentos, aprender algo novo), motivações de status (exclusividade) e finalizando motivações culturais (visita a lugares de interesse e vivência de outras culturas).

Downward, Lumsdon & Weston (2009) estudaram o comportamento dos cicloturistas na Inglaterra de 2001 a 2006 e descobriram que os gastos estão intimamente ligados ao tempo de viagem, ao grupo de viagem e ao tipo de viagem. A inovação teórica da pesquisa, no entanto, é que os gastos têm sido mostrados, baseando-se na teoria econômica. Os turistas e os excursionistas se comportam da mesma maneira, gastam da mesma maneira.

Ritchie, Tkaczynski e Faulks (2010) estudaram os cicloturistas na Austrália em 2006 e descobriram que 68% da amostra indicou que eles estavam planejando uma ciclo de férias nos próximos 12 meses, com a maioria sugerindo uma viagem dentro dos próximos 3 meses.

Rotularam 5 fatores de envolvimento com o cicloturismo, (fator 1), de experiências de aventura, domínio de competência (fator 2), desafio pessoal (fator 3), relaxamento/escape (fator 4), e encontro social (fator 5). Fator 1 foi responsável por explicar a 14,6 % da variância total e incluídos itens relativos como aventuras físicas e sociais. Isso foi seguido pelo fator 2 (12,1% da variância total) qual composto por itens relacionados a competência, enquanto o fator 3 (11,6%) representada itens que compõem o desafio pessoal. Fator 4 (10,7%) representado itens sobre relaxamento e escape, enquanto fator 5 (8,0%) incluiu encontros sociais.

Rezende e Vieira estudaram o comportamento do cicloturista na Estrada Real em 2008 e apresentam que 71,43% planejaram a sua viagem, 53,57% viajam em grupo e 10,71% viajam sozinhos, ninguém fez viagem paga por que isso tiraria a liberdade da viagem, fator que consideram primordial em uma viagem de bicicleta, 60,71% dos cicloturistas utilizaram ônibus para chegar ao início do trajeto

percorrido de bicicleta. Todos entrevistados utilizaram bicicleta própria, pois consideram fundamental para conforto e segurança.

Os cicloturistas na Dinamarca têm comportamento mais respeitoso com relação ao ambiente do que outros turistas. Segundo Simonsen e Jorgenson (1996), eles poluem menos porque não utilizam carro para ir aos atrativos e, por meio do seu comportamento de viagem, sabe-se que consomem menos energia e água, e produzem menos lixo. Eles também causam menos impacto à fauna e à flora do que outras formas de turismo no meio rural porque tendem a pedalar sempre em estradas ou trilhas, concentrando o impacto nelas. A maioria deles considera a conservação do ambiente como fator de extrema importância para a escolha do destino. Embora os autores indiquem a necessidade da realização de pesquisas mais aprofundadas sobre impactos ambientais, eles acreditam na relevante contribuição do segmento para a sustentabilidade de meios rurais.

Com relação ao desenvolvimento rural, o cicloturismo também tem muito a contribuir. As viagens de bicicleta acontecem predominantemente em áreas rurais e o ritmo lento da viagem faz com que os benefícios sociais e econômicos sejam distribuídos ao longo dessas áreas. Ritchie e Hall (1999) argumentam que ao invés dos turistas gastarem o que estão dispostos a gastar em um único destino, eles distribuem esse dinheiro ao longo dos locais por onde passam.

É possível perceber que os estudos existentes na atualidade sobre cicloturismo e o comportamento do cicloturista ainda são muito escassos, deixando assim uma lacuna teórica a ser preenchida que vem ao encontro dos propósitos da pesquisa em questão.