Gráfico 3.9.c) Rússia Gráfico 3.9.d) Estados Unidos
3.7 O preço de aço nos anos
3.7.3 O comportamento do preço dos produtos siderúrgicos
De acordo com Alves apud Paula (2005), “[...] os preços nominais dos produtos siderúrgicos no mercado têm apresentado um comportamento nitidamente cíclico [...]” e Marcus et at (2003) apud Alves (2006) relacionam esse comportamento oscilante com a estrutura de mercado internacional do setor.
Isso é comprovado ao se observar à trajetória do nível de preços dos produtos laminados Planos e Longos, no Gráfico 3.11, que apresenta os índices praticados no final da primeira semana de cada mês entre 2000 e 2008. Apesar dessas informações representarem duas categorias gerais de produto, se constata perfil semelhante para outras formas relevantes de classificação do aço.
Gráfico 3.10 Evolução do Indíce de Preços global para Produtos Planos e Longos no mercado spot para os anos 2000
Fonte: Formatação porpria a partir de dados CRUSpi (2011). Disponivl em
http://cruonline.crugroup.com/SteelandFerroalloys/CRUSteelPrices/SteelCharts/tabid/544/Defa ult.aspx Acesso em 05/01/2011
Analisando mais atentamente o Gráfico 3.11, verifica-se uma forte aceleração no nível de preços em dois momentos distintos, sendo os preços mais elevados foram praticados no primeiro momento entre dezembro de 2004 e janeiro de 2005 e depois em julho de 2008. Em contrapartida, o mínimo foi registrado no início de 2002. Entre os anos analisados o nível de preços dos laminados planos variou 51,7%, enquanto dos Longos 195,1%. (CRUSpi, 20111).
O caráter cíclico dos preços nominais dos produtos siderúrgicos no mercado internacional também é comprovado ao se observar à trajetória de preços das bobinas laminadas a quente no mercado dos Estados Unidos, conforme ilustra o Gráfico 3.12.
Gráfico 3.11 Evolução do preço nominal da bobina laminada a quente nos EUA (FOB) (US$/tonelada) (2000 – 2008
Fonte: Formatação própria a partir de dados da Steel Market Update (2011)
Assim, verifica-se que os preços nominais máximos foram registrados em 2004 e em 2008, sendo os praticados nesse ultimo ano os mais elevados. Entre janeiro de 2000 e julho de 2008, os preços subiram 269%. Em contrapartida os preços nominais mínimos foram observados, em 2001, 2003 e em dezembro de 2008. Para Marcus et al (2004) apud Alves (2006) o valor cobrado pelo metal no comércio internacional oscila bruscamente durante os ciclos refletindo a estrutura competitiva da indústria. Concluem, portanto que a estrutura do mercado está relacionada com o comportamento dos preços do produto e que a competição por preços é a principal força provedora de modificações na estrutura setor.
Quanto ao comportamento dos preços reais do aço, se faz uso novamente os preços nominais da BLQ. Estes foram deflacionados pelo índice de preços ao produtor (PPI), e foi verificado que apesar dos efeitos da crise financeira mundial em 2008 e da forte desvalorização da moeda americana – tradicionalmente os produtos siderúrgicos são cotados em dólares norte-americanos -, houve uma elevação anual média anual de 7,1% e de 1,7% para todo o período de janeiro de 2000 a dezembro de 2008. Esta tendência ascendente é contrária a defendida por Marcus et al (2004) apud Alves (2006) que destacam um movimento continuo de redução do preço real, quando se considera a
desvalorização da moeda, por representar um estimulo extra a elevação dos preços internacionais dos produtos siderúrgicos.
Gráfico 3.12 Evolução do preço real da bobina laminada a quente nos EUA, FOB, deflacionado pelo índice de preços ao produtor (US$/tonelada) (2000-2008).
Fonte: Formatação própria a partir de dados da Steel MArket Update (2011) e Bureau of Labor Statistics (2011)
O Gráfico 3.12 traz a evolução dos preços reais da BLQ, no período de janeiro de 2000 a dezembro de 2008 e mostra de forma clara o carater ciclio do preço, a amplitude de suas variações e os momnetos de máximo e minímo dessa trajetórias. Os picos de preços reais ocorreram em julho de 2002, setembro de 2004 e maio de 2008, sendo que no segundo, foram praticados os preços mais altos do periodo avaliado. Quanto aos valores reais minimos praticados, observa-se a ocorrência em quatro momentos distintos. O primeiro ocorreu entre fevereiro e dezembro de 2001, o segundo em julho de 2003, o terceiro entre fevereiro e junho de 2007 e o último em dezembro de 2008. Apesar da redução de preços a partir de junho de 2008 ter sido a mais drástica, essa não foi suficiente para baixar o preço a um valor inferior ao praticado em janeiro de 2000. O fato é que a força desses três momentos de picos, apesar de partirem de diferentes bases de preços, foram suficentes para modificar a tendência estrutural de redução nos valores dos preços reais, e manteram o valor real da bobina laminada a quente em um patamar superiror ao praticado em janeiro de 2000.
Dado o aspecto global da indústria siderúrgica, se faz necessário a análise a possível influência na precificação dos produtos siderúrgicos nas diferentes regiões geográficas. Para tal fim, com base em dados fornecidos pela CRU Group (2010), será comparado o índice de preços do aço para os mercados da América do Norte, Europa e Ásia, entre os anos de 2000 e 2008.
Ao se observar o Gráfico 3.13, constata-se uma forte aderência entre os três mercados, sendo o mercado europeu aquele que apresentou a menor oscilação entre as três curvas, enquanto a do mercado da Ásia é a que apresenta o maior desvio-padrão no período. Até 2006, os preços praticados na Europa estavam em patamares superiores aos praticados nas outras partes do mundo, sendo superado pelos asiáticos, influenciados principalmente pela expansão da demanda na China e na Índia, enquanto preço praticado no mercado norte americano foi praticamente o menor durante todo o período analisado.
Gráfico 3.13 Índice de Preços para o preço do aço na Europa, Ásia e América do Norte (2000 – 2008)
Fonte: Formatação porpria a partir de dados CRUSpi (2011). Disponivl em
http://cruonline.crugroup.com/SteelandFerroalloys/CRUSteelPrices/CRUSteelPriceIndexCRUs pi/tabid/143/Default.aspx. Acesso em 05/01/2011
Através de uma análise estatística, a partir do cálculo de correlação, pode-se comparar a relação das três curvas – duas a duas – e os resultados estão apontados na Tabela 3.12. Percebe-se a existência de forte relação entre as três curvas de preço, com maior intensidade entre os mercados Europa e América do Norte, cujo índice foi de 0,981.
Tabela 3.12 Matriz de Correlação entre as curvas de índices de preços para o aço.