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O conceito de grupo – Considerações acerca de sua formação

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CAPÍTULO 3 – AS ATIVIDADES EM GRUPO

3.1 O conceito de grupo – Considerações acerca de sua formação

Os estudos sobre grupo têm sido disputados por várias Ciências: a Psicologia Geral, a Psicologia Social, a Sociologia na sua divisão microssociológica e até por uma disciplina, “A Dinâmica de Grupo” ministrada especialmente nos cursos de Psicologia (BAULEO, 1977 apud, ANDRADE, 1986)

No contexto da Psicologia Geral, Bauleo (1977) define um grupo como um conjunto de pessoas conhecidas que se reúnem por ou para alguma coisa. Segundo ele, a noção de grupo remete-nos pelo menos a duas situações. A primeira como uma situação indeterminada com dois referentes: um problema comum e o conhecimento entre as pessoas; e a segunda como a que resulta do emprego de determinadas técnicas que permitem o esclarecimento de problemas e a determinação de conceitos empíricos. Ele aborda ainda a idéia de grupo operativo como sendo um novo espaço didático em cuja aprendizagem grupal existe uma tarefa, e a maneira de enfrentá-la demonstra o jogo afetivo diante da informação. (BAULEO, 1977, apud, ANDRADE, 1986)

Para Fortuna (2005, et. al) o grupo operativo é definido como sendo um conjunto de pessoas com um objetivo comum, que opera e se estrutura à medida que se relaciona. Grande parte do trabalho do grupo operativo consiste no treinamento para operar como equipe. Constitui-se de um conjunto de regras, noções, acordos, conceitos gerais, que permite ao grupo aproximar-se de um objeto, de algo que está explorando e conhecendo, uma espécie de baliza de referência conceitual e operativa.

Um grupo pode ainda ser definido como duas ou mais pessoas interagindo de forma interdependente, que têm capacidade de agir de maneira conjunta. Este processo de integração é contínuo e dinâmico para alguma finalidade ou propósito, da qual todos participam (MOURÂO, 2006).

Martìn-Baró (1989, apud MARTINS, 2002) retoma alguns aspectos apontados na concepção de grupo presentes no trabalho de Lane (1984), quando considera os aspectos pessoais, as características grupais, a vivência subjetiva e realidade objetiva e o caráter histórico do grupo. Ele define grupo enquanto "uma estrutura de vínculos e relações entre pessoas que canaliza em cada circunstância suas necessidades individuais e/ou interesses coletivos" (p.206). Segundo ele, um grupo é uma estrutura social: é uma realidade total, um conjunto que não pode ser reduzido à soma de seus membros; é uma totalidade que supõe vínculos e interdependência entre os indivíduos. Nesse sentido, um grupo constitui um canal de necessidades e interesses em uma situação e circunstância específica, afirmando com isso o caráter concreto e histórico de cada grupo (MARTINS, 2002).

Numa abordagem educacional, a idéia de grupo surge como uma coleção de indivíduos que mantêm entre si fortes relações de interdependência, percebem--se como um grupo, conseguindo distinguir os membros dos não-membros, têm sua identidade reconhecida pelos não-membros, atuando sozinhos ou em grupo se inter- relacionam com outros grupos e têm seus papéis como membros do grupo definidos por si mesmos, pelos outros membros e também por indivíduos não-membros. (MCCONNEL, 1999 apud RAMOS, 1999).

Num sentido amplo e com base nas visões de grupo descritas anteriormente definimos neste trabalho, a idéia de grupo como sendo o conjunto de pessoas que se interrelacionam e se concretizam (não necessariamente) em torno da resolução de tarefas. Porém, uma vez que os grupos de trabalho analisados nesta pesquisa organizam-se em torno da aprendizagem conceitual, enfatizamos que, para este

estudo, os mesmos se mantêm em torno das tarefas propostas em sala de aula pelas atividades didáticas.

Com relação às fases de constituição de um grupo, Bauleo (1977) afirma que em geral, três fases predominam a proposta de organização ao redor de uma tarefa num grupo de trabalho. A primeira, a fase de Indiscriminação – consistindo numa situação nebulosa em que os objetivos do grupo, tarefas e papéis, não estão claros, a não ser em nível racional; a participação das pessoas é feita com referência às suas experiências individuais. Embora haja alguns papéis definidos como, por exemplo, o de coordenador e observador, a vivência não é experiencial, o grupo não tem um sentido do todo. O que caracteriza o grupo nessa situação é uma incoerência organizativa frente à tarefa. A segunda fase é caracterizada como fase de Diferenciação – na qual o esclarecimento dos papéis – coordenador e integrante começa a ficar evidente; começa a surgir a tarefa manifesta e latente. O sentimento mais atuante é o medo à mudança. A terceira fase, segundo ele é chamada de

Síntese – constituindo-se como o momento mais integrador, de produtividade, de insigth, quando o grupo já experimentou a conjugação entre verticalidade e

horizontalidade. A vivência desse momento de síntese não implica em estabilidade, se bem que pelo surgimento das fases anteriores, os processos já ocorram em outro nível (BAULEO, 1977, apud, ANDRADE, 1986).

Vivendo em regime de cooperação o indivíduo passa a ser influenciado pelo parceiro do grupo, de forma parcial e/ou permanente. As influências permitem que o mesmo adquira comportamentos diversos que o conduzem a socialização. (MOURÂO, 2006)

Assim, diante da idéia de que o trabalho em grupo se constitui num processo dinâmico e capaz de suprir as necessidades associadas a uma aprendizagem mais prazerosa, enfatizamos, neste trabalho, a prática coletiva de atividades de modo que sejam estimuladas ações facilitadoras do desenvolvimento cognitivo de cada aluno. Além disso, o trabalho em grupo, nos dias atuais, pressupõe aos professores atuar como facilitadores do desenvolvimento das funções psicológicas dos alunos, propondo ações efetivas na ZDP3 de cada um. De um lado, identificando o nível real

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ZDP ou Zona de Desenvolvimento Proximal é a distância entre o nível de desenvolvimento real, que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes. (VYGOTSKY, 2007, p. 97)

dos alunos e de outro mediando à cooperação entre eles, para que possa ser facilitada a aprendizagem dos conceitos científicos por meio das atividades a serem realizadas nos grupos.

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