Após a queda de Napoleão, um irresistível desejo de paz e de ordem apoderou-se do espírito das classes conservadoras nos países vitoriosos. Quase tudo que havia acontecido desde que o detestado Corso alcançara o poder passou a ser encarado como um horrível pesadelo. Em certos meios desejava-se voltar ao status quo de 1789, anular a obra da Grande Revolução e renovar o poder e o esplendor do antigo regime. O governo dos Estados Pontifícios tratava de suprimir a iluminação das ruas em Roma como uma perigosa inovação, ao mesmo tempo que o Eleitor de Hesse tornava a impor o uso da peruca aos seus leais soldados. Os maiores estadistas compreendiam, no entanto, que uma restauração completa da velha ordem não seria possível. Era evidente, por exemplo, que o povo francês não toleraria o restabelecimento da escravidão ou a devolução das terras confiscadas à nobreza e ao clero. Portanto, embora o corpulento Luís XVIII tivesse sido reposto no trono, ficava subentendido que ele devia continuar a governar de acordo com a Carta de 1814. Como, por outro lado, algumas das potências vitoriosas não estivessem dispostas a ceder os territórios conquistados a expensas da França, fêz-se mister modificar os planos, amiúde sugeridos, de restabelecer as fronteiras européias no estado em que se encontravam ao tempo de Luís XVI.
longa guerra que envolvera quase todo o mundo ocidental foi realizado, em sua maior parte, pelo Congresso de Viena. Chamar esse corpo de "congresso" é uma impropriedade de termo, pois na realidade jamais ocorreu uma sessão plenária de todos os delegados. Como na Conferência de Versalhes, mais de uma centena de anos depois, as decisões vita foram realmente tomadas por pequenas comissões. Não obstante, a reunião de Viena foi encenada com tal pompa e esplendor que até o mais insignificante dos seus membros sentia estar participando de acontecimentos que marcariam época. Calcula-se que o governo austríaco, na qualidade de hospedeiro, gastou cerca de quinze milhões de dólares com os magnificentes banquetes, bailes e paradas militares que organizou na capital danubiana. Os principais delegados, no entanto, compunham uma constelação principesca que eclipsava facilmente os representantes mais modestos. Nada menos de seis monarcas estavam presentes: o czar da Rússia, o imperador da Áustria e os reis da Prússia, da Dinamarca, da Baviera e de Württemberg. A Inglaterra era representada por Lord Castlereagh e por Wellington, o "Duque de Ferro". Da França veio o hábil intrigante Talleyrand, que tinha sido bispo sob Luís XVI, ministro do exterior na corte de Napoleão, e agora se dispunha a abraçar a causa reacionária.
Os papéis dominantes no Congresso de Viena foram desempenhados por Alexandre I e por Metternich. O dinâmico czar é uma das figuras mais desconcertantes da história. Educado na corte voluptuosa de Catarina a Grande, tivera um preceptor francês jacobino que lhe instilara as doutrinas de Rousseau. Em 1801 sucedeu ao pai assassinado e durante as duas décadas seguintes surpreendeu os seus colegas coroados revelando-se o monarca mais liberal da Europa. Após a derrota de Napoleão na campanha da Rússia, Alexandre começou a dar mostras de um pendor crescente para o misticismo, concebendo a missão de converter os governantes de todos os países aos
ideais cristãos de justiça e de paz. Mas o principal efeito da loquacidade com que protestava a sua dedicação à "liberdade" e ao "esclarecimento dos povos" foi alarmar os conservadores, levando-os a suspeitar de uma conspiração para estender o poder moscovita à Europa inteira. Acusavam-no de intrigar com os jacobinos de toda parte para substituir a França onipotente por uma Rússia todo-poderosa.
A outra figura proeminente do Congresso de Viena foi Klemens von Metternich, nascido em 1773 em Coblença, no vale do Reno, onde seu pai era embaixador austríaco nas cortes de três pequenos estados alemães. Em seus dias de estudante na Universidade de Estrasburgo, o jovem Metternich testemunhara alguns excessos de violência da multidão revolucionária e era a isso que atribuía a sua invencível aversão às inovações políticas. Terminados os estudos, ingressou na diplomacia e durante quarenta anos foi ministro do exterior. Fomentou ativamente a discórdia entre Napoleão e o czar Alexandre, depois que estes se tornaram aliados em 1807, e contribuiu para promover o casamento de Napoleão com a arquiduquesa austríaca Maria Luísa. Em 1813 foi elevado à dignidade de príncipe hereditário do Império Austríaco. No Congresso de Viena, Metternich distinguiu-se como homem de maneiras encantadoras e como mestre da intriga. Suas duas grandes obsessões eram o ódio às alterações políticas e sociais e o temor da Rússia. Havia mesmo uma relação entre ambas. Não só receava as revoluções em si mesmas, senão que receava ainda mais as possíveis revoluções inspiradas pelo czar "jacobino" a fim de impor a supremacia russa à Europa. Foi por esse motivo que se mostrou partidário da brandura para com a França na hora da derrota e, em certo momento, esteve disposto a preconizar a restauração de Bonaparte como imperador dos franceses, sob a proteção e a suserania da casa dos Habsburgos.
foi o princípio de legitimidade. Este princípio foi inventado por Talleyrand como meio de proteger a França contra punições drásticas por parte de seus vencedores, mas acabou sendo adotado por Metternich como expressão apropriada da política geral de reação. Significava o termo que as dinastias reinantes da Europa nos tempos pré-revolucionários deviam ser restauradas e que cada país devia readquirir essencialmente os territórios que possuía em 1789. De acordo com esse princípio Luís XVIII foi reconhecido como o soberano "legítimo" da França, ao mesmo tempo que se confirmava a restauração da Casa de Orange na Holanda, da Casa de Sabóia no Piemonte e na Sardenha, e dos reis Bourbons da Espanha e das Duas Sicilias. A França foi obrigada a pagar uma indenização de 700.000.000 de francos, mas as suas fronteiras permaneceram, em essência, as mesmas que em 1789. Outros arranjos territoriais também obedeceram ao critério da volta ao status quo. Permitiu-se que o papa recuperasse as suas possessões temporais na Itália; a Suíça foi restaurada como uma confederação independente, com a sua neutralidade garantida pelas potências principais, ao passo que o reino da Polónia, fundado por Napoleão, era abolido e o país novamente dividido entre a Rússia, a Áustria e a Prússia.
Mas o Congresso de Viena não foi menos cínico em violar o princípio de legitimidade do que a Conferência de Versalhes em espezinhar a doutrina da autodeterminação dos povos. Em ambos os casos, motivos de conveniência e de cobiça nacional fizeram esquecer a devoção aos ideais. Estavam os elegantes príncipes de Viena ainda longe de completar a restauração do antigo mapa da Europa quando começaram a diluir o princípio de legitimidade no seu curioso sistema de compensações. O propósito real desse sistema era dar a algumas das potências maiores o ensejo de satisfazer a sua fome de despojos. Permitiu-se à Inglaterra, por exemplo, conservar os
valiosos territórios que tomara aos holandeses, aliados, por algum tempo, dos franceses. Entre essas ricas presas contavam-se a África do Sul, uma parte da Guiana na América Meridional e a ilha de Ceilão. Então, para compensar aos holandeses a perda de tão grande parte do seu império, tomaram-se medidas para transferir à Holanda as províncias austríacas dos Países-Baixos, ou seja a Bélgica. Como isso implicasse num sacrifício para a Áustria, os Habsburgos foram recompensados com um extenso pedaço de terra na Itália, anexando a república de Veneza, o ducado de Milão e colocando, além disso, membros da sua família nos tronos da Toscana, de Parma e de Módena. Destarte quem saía lucrando era a Áustria, com a formação de um império compacto que ocupava uma posição dominante na Europa Central. Outra série de compensações semelhantes foi levada a efeito a fim de recompensar a Rússia pela participação na derrota de Napoleão. O czar pôde conservar a Finlândia, que fora tomada à Suécia em 1809. Esta, por sua vez, foi indenizada com a aquisição da Noruega, tomada à Dinamarca. Todos esses arranjos se fizeram com total desrespeito aos interesses dos povos neles envolvidos. Não obstante diferirem os belgas radicalmente dos holandeses em matéria de cultura e religião, foram forçados a submeter-se ao governo da Holanda. Também não se teve a menor consideração pelos interesses dos noruegueses ao transferi-los para a soberania da Suécia. Como no caso do acordo de Versalhes, em 1919, esses crimes contra as nacionalidades prepararam o terreno para o desenvolvimento de rancorosos conflitos no futuro.
Um dos principais objetivos de Metterniche de outros corifeus da reação era fazer do acordo de Viena um baluarte permanente do status quo. Com esse fim em vista, criaram a Quádrupla Aliança da Inglaterra, Áustria, Prússia e Rússia como um instrumento para manter o acordo intacto. Em 1818 a França foi admitida na
combinação, convertendo-a destarte numa Quíntupla Aliança que, durante alguns anos, funcionou como uma espécie de Liga das Nações encarregada de fazer cumprir o sistema de Metternich. Também é muitas vezes denominada "Concerto Europeu", uma vez que os seus membros se comprometiam a cooperar na supressão de quaisquer distúrbios decorrentes de tentativas dos povos para depor os seus governos "legítimos" ou mudar as fronteiras internacionais. No espírito dos liberais e nacionalistas da época, a Quíntupla Aliança era muitas vezes confundida com outra combinação também nascida do acordo de Viena. Referimo-nos à chamada Santa Aliança, um produto do idealismo sentimental do czar Alexandre I. Em setembro de 1815 Alexandre propôs que os monarcas da Europa tomassem "como seu único guia... os preceitos de Justiça, Caridade Cristã e Paz" e que baseassem as relações internacionais, bem assim como o tratamento dos seus súditos "nas sublimes verdades ensinadas pela Santa Religião do Nosso Salvador..." Mas nenhum dos seus reais colegas o tomou a sério, Embora muitos tivessem assinado o ajuste proposto por ele, tendiam a considerar aquilo tudo como um palavriado místico. O fato é que a Santa Aliança nunca passou de uma série de votos piedosos. A verdadeira arma garantidora do triunfo da reação não foi ela, mas o Concerto Europeu.
Os objetivos da Quíntupla Aliança foram conseguidos principalmente graças a uma série de congressos internacionais que se reuniram entre 1818 e 1822. Ao todo, foram quatro: o de Aix-la-Chapelle em 1818, o de Troppau em 1820, o de Laibach em 1821 e o de Verona em 1822. Foi no segundo deles, o de Troppau, que se revelou mais descaradamente o verdadeiro caráter da Aliança. Seus delegados firmaram um acordo que patenteava a intenção, por parte das grandes potências, de intervirem pela força das armas na repressão de qualquer revolta capaz de ameaçar a estabilidade
da Europa. Essa política de intervenção chegou a ser posta em prática em duas ocasiões diferentes. Após uma insurreição no Reino das Duas Sicílias, em que o monarca Bourbon, Fernando I, foi obrigado a jurar fidelidade a uma constituição liberal, Metternich convocou o Congresso de Laibach em 1822. Chamado à presença do congresso, o rei Fernando recebeu ordem de anular o juramento e foi persuadido a solicitar o auxílio de um exército austríaco para marchar sobre Nápoles. O resultado foi ser revogada a constituição e restaurado Fernando na sua posição de soberano autocrático. Em 1822 convocou-se o Congresso de Verona para tratar de uma insurreição na Espanha, a qual também tivera o efeito de forçar o rei a subscrever uma constituição liberal. Depois de muitas altercações entre as potências sobre as medidas a ser tomadas pira esmagar a revolta, decidiu-se que o rei da França enviaria um exército à Espanha para ajudar o seu parente Bourbon. Não só a revo!ta
foi prontamente dominada mas também a essa intervenção seguiu-se a mais negra reação que até aquela data se tinha visto na Europa. Centenas de apaixonados liberais foram mortos; maior número ainda foi trancafiado em enxovias da mais sórdida espécie. E não deixa de apresentar interesse o fato de algumas das bárbaras medidas do rei espanhol terem resultado da instigação direta dos chefes da Quíntupla Aliança.
Embora a intervenção estrangeira se limitasse à Espanha e ao Reino das Duas Sicílias, não foram esses, de modo algum, os únicos países em que ocorreram conflitos violentos entre liberais e conservadores, pois o sistema de Metternich não só incluía a subjugação das revoltas nos pequenos países mas também um regime de dura repressão interna por parte dos governos das grandes potências. Mas, quanto mais cega e furiosa a política de repressão, mais se multiplicavam os levantes contra ela. Na Grã-Bretanha o governo dos tones (conservadores), favorável à aristocracia territorial, suscitou a poderosa oposição de intelectuais radicais como Wilham Godwin, dos poetas Shelley e Byron e das novas classes industriais. Como os
seus protestos fossem silenciados por leis que proibiam os comícios públicos e amordaçavam a imprensa, alguns dos líderes mais encarniçados tramaram em 1820 a conspiração da Cato Street para assassinar todo o gabinete tory. A conjura, foi naturalmente descoberta e cinco dos conspiradores mandados para o patíbulo. Na França, o modesto compromisso com as idéias progressistas que Luís XVIII incluíra na Carta de 1814 pareceu insuportável aos conservadores ferrenhos daquele país. Consequentemente, os anos entre 1815 e 1820 foram repletos de desavenças ferozes e às vezes sangrentas entre os ultra-realistas e os seus adversários liberais e moderados. Em 1820, o assassínio do sobrinho do rei por um liberal fanático amedrontou de tal forma o povo que os ultra-realistas passaram a dominar o parlamento. Seguiu-se uma série de leis reacionárias que fizeram a França recuar ainda mais para o atoleiro do antigo regime. Estabeleceu-se uma rigorosa censura da imprensa e revogaram-se as garantias da liberdade individual. O controle da instrução pública foi entregue ao clero católico. O sistema eleitoral foi modificado de modo a assegurar aos ricos uma grande maioria no parlamento. Em 1824 a vitória das forças da reação foi ainda mais fortalecida pela morte de Luís XVIII e pela ascensão de Carlos X, seu irmão e chefe dos ultra-realistas.
Lutas semelhantes ocorreram na Europa central e oriental, com resultados quase idênticos. Na Alemanha, os estudantes das universidades organizaram sociedades secretas e participaram de tempestuosas agitações contra os regimes odiosos. Essas revoltas incipientes culminaram no assassínio do dramaturgo Kotzebue, reacionário notório e espião russo, por um estudante exaltado. Esse fato convenceu Metternich, que dominava a Confederação Germânica, de que toda a Europa Central estava a ponto de ser engolfada numa revolução radical. Diante disso, forçou a aprovação, pela Dieta federal, de um programa de medidas
repressivas conhecido como os Decretos de Carlsbad (1819). Estabeleciam eles que toda universidade teria um inspetor oficial, que os professores rebeldes fossem demitidos de seus cargos, que as sociedades de estudantes fossem dissolvidas e a imprensa submetida a uma estrita censura. A execução implacável dos Decretos de Carlsbad fêz o movimento liberal na Alemanha cair numa obscuridade da qual só saiu em 1848.
Entrementes, a mudança de atitude do czar Alexandre I provocara alguns murmúrios de descontentamento na atrasada Rússia. Tempo houve em que Alexandre fora um dos mais esclarecidos monarcas da Europa. Fundara escolas e universidades. Emancipara alguns servos e formara planos de libertar os demais. Chegara até a acalentar a idéia de conceder uma constituição escrita. Mas depois de 1818 virou reacionário e fez penitência, com saco e com cinza, dos pecados liberais da sua mocidade. Essa viravolta do czar foi o sinal para o surto de um movimento de oposição entre oficiais do exército e intelectuais. Ao morrer Ale- xandre em 1825, os chefes desse movimento resolveram obstar a que a reação se desenvolvesse ainda mais. Organizaram a Revolta Dezembrista para forçar a ascensão ao trono do Grão-duque Constantino, um liberal, em lugar de seu indomável irmão Nicolau. Infelizmente, Constantino recusou solidarizar-se com a rebelião e Nicolau dominou-a rapidamente. O reinado que se seguiu foi um dos piores da história da Rússia. Não se satisfazendo com abolir a liberdade da imprensa, Nicolau organizou um sistema de polícia secreta e converteu a Rússia num gigantesco acampamento militar em que cada movimento dos cidadãos podia ser vigiado e controlado pelo governo.
A despeito do que pareciam ser vitórias duradouras para a causa da reação, em 1830 o sistema de Metternich
começou a esboroar-se. A primeira brecha foi a retirada da Inglaterra da Quíntupla Aliança. Já em 1822 os ingleses tinham recusado participar do plano de Metternich para abafar a revolução da Espanha. Pouco depois, repudiaram peremptoriamente toda a política de intervenção nos negócios dos países estrangeiros. Não quer isso dizer que os ingleses daquela época fossem mais liberais do que os seus aliados do Continente, mas sim que a Revolução Industrial estava forçando a Inglaterra a procurar novos mercados para os seus produtos manufaturados. Por esse motivo opunha-se vigorosamente a uma política exterior que hostilizasse outras nações e prejudicasse as suas relações comerciais com estas. Tinha desenvolvido um comércio lucrativo com os países da América Central e do Sul, havia pouco libertadas da submissão à Espanha, e receava que o sistema de Metternich pudesse ser utilizado para forçar essas antigas colônias a voltar para o domínio espanhol. Levada por essas considerações, resolveu desligar-se da Quíntupla Aliança.
Mais ou menos ao tempo em que a Inglaterra ia enfraquecendo os laços que a prendiam ao Concerto da Europa, a Rússia começou a alimentar ambições que ameaçavam a supremacia do sistema de Metternich. Havia alguns anos que os russos aguardavam ansiosamente a desagregação do Império Otomano, da qual dependeria a sua fácil expansão nos Balcãs. A oportunidade surgiu para eles depois de 1821, quando os gregos desencadearam uma rebelião contra o governo turco. Todavia, como o czar Alexandre I ainda estivesse preso pela lealdade à doutrina legitimista, nenhuma iniciativa se tomou antes da sua morte, em 1825. Seu sucessor, Nicolau I, não tinha escrúpulos dessa sorte. Especialmente ao observar, na Inglaterra
e na França, expressões da mais profunda simpatia pelos gregos na sua luta contra um opressor de outra religião, resolveu acudir-lhes em auxílio. Em 1828 declarou guerra à Turquia, e em pouco mais de um ano um exército russo chegava quase até as portas da capital otomana, forçando o sultão a assinar o Tratado de Andrinopla. Pelos termos desse tratado a Turquia reconhecia a independência da Grécia, concedia autonomia à Sérvia e permitia o estabelecimento de um protetorado russo sobre as províncias que mais tarde viriam a formar o reino da Rumânia. Contribuindo, destarte, para desmembrar o império de um governante "legítimo", a Rússia, bem encorajada pela Inglaterra e pela França, desferiu um poderoso golpe no sistema de estagnação política que Metternich se esforçava por manter, Para todos os fins práticos, o império dos czares deixara de pertencer à Quíntupla Aliança.
O sistema de Metternich foi ainda mais enfraquecido pela série de revoluções que irromperam na Europa Ocidental em 1830. A primeira delas foi a Revolução de Julho, na França, de que resultou a queda de Carlos X, o último dos Bourbons de linhagem direta. Como dissemos anteriormente, Carlos X, que havia sucedido a Luís XVIII em 1824, era a encarnação perfeita do espírito de reação. Sua atitude obstinada e vingativa inspirou um ódio implacável, principalmente entre os burgueses, que se ressentiam da redução dos juros sobre as obrigações públicas e da tentativa de Carlos para privar do direito de voto três quartas partes dos eleitores. Acumulando-se os indícios de que o rei estava resolvido a governar em completo desprezo ao parlamento, levantaram-se barricadas nas ruas. Após inúteis esforços para subjugar a insurreição com um remanescente de tropas fiéis, Carlos abdicou e fugiu para a Inglaterra. Os líderes da burguesia escolheram então como seu sucessor Luís Filipe, pertencente