Ao paciente foi perguntado “O que é hipertensão?” e quando o mesmonão sabia era questionado “O que é pressão alta?”, quando então ele respondia “É pressão alta”, ou então, para citar algumas, as respostas seguintes:
Pessoa que vive pendurado nos remédios (Paciente N°23)
Pessoa fica agitada, não controla na comida não faz exercício físico (Paciente N° 29).
Canseira, forgo cansado, (Paciente N° 43).
Pessoa que sofre de pressão alta e fica alejado como eu, (Paciente N°59) Coisa que prejudica da tontura, dói à nuca. (Paciente N° 75)
71 29
Sim Não
Gráfico 4 - Distribuição percentual da amostra estudada quanto ao conhecimento do que é HAS, nas USF em Tangará da Serra 2011.
Como se observa no gráfico 4, a grande maioria dos entrevistados dizia que sabe o que é HAS, mas não souberam responder o que é a doença que possuem. 41% responderam que é pressão alta e quando foram questionados o que é pressão alta eles respondiam pressão alta, somente duas pessoas relataram mais ou menos o que é (foram as entrevistadas N° 82 e N° 83), mas uma é agente de Saúde que é formada em Técnica de Enfermagem e a outra é agente Ambiental. Observe suas falas a seguir:
A pressão que o coração faz para bombear o sangue (Paciente N° 82).
Pressão do sangue no coração que precisa de força para distribuir o sangue, chega ao momento que o coração não consegue bombear e para, (Paciente N°83).
Santos et. al. (2009) em estudo realizado com 50 pacientes no Hospital Messejana em Fortaleza - Ceará na amostra investigados somente 12% entrevistados revelou algum conhecimento sobre a HAS, no entanto, a maioria 88% tinha suas próprias percepções sobre a HAS, pois relacionava com problema circulatório e com desconfortos físicos que vivenciava.
Castro et. al. (2006) emestudo realizado em uma Universidade Pública Estadual em Fortaleza-Ceará, o estudo foi constituído por 35 trabalhadores a partir de uma amostra aleatória simples, “A respeito dessa unidade temática, detectou-se que 71% dos trabalhadores desconhecem o significado de pressão arterial, associando sua ignorância à ausência de uma educação eficaz nas instituições de saúde”.
Em Péres et. al (2003), estudo realizado com 32 pacientes, 38% da amostra não soube definir o que é hipertensão arterial e 41% dos sujeitos associou o conceito de hipertensão arterial ao de pressão alta, afirmando ser a mesma coisa. No entanto, quase metade da amostra 47% não soube definir o que é pressão alta.
64 11
25
Sim Não Raramente
Gráfico 05 - Distribuição percentual da amostra estudada quanto à aferição da pressão arterial regularmente, USF Tangará da Serra 2011.
Com relação aos níveis pressóricos, gráfico 05, a maioria respondeu aferir com regularidade a pressão arterial (PA), seja no Centro de Saúde, seja em casa (no caso de uma pessoa que “possui aparelho para medir em casa”) ou mesmo em hospitais e farmácias (outros lugares mencionados). 25% dos pacientes confessaram que aferem raramente e 11% relataram
que “não tem o costume de medir a pressão”. Felizmente a maioria demonstra preocupação em relação à aferição da sua PA.
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
< 1 1 --I 2 3 --I 4 5 --I 6 > 6 Não Lembra fr eq uê nc ia
Tempo Portador HAS (ano)
Gráfico 06 - Distribuição percentual da amostra de estudo com relação ao tempo portador da HAS, USF Tangará da Serra 2011.
Os entrevistados foram questionados sobre há quanto tempo descobriram que eram portadores de HAS, 59% relatou ser hipertensa há mais de 6 anos. Os dados mostram também que 36% descobriu a doença há no máximo 6 anos e apenas 5% não se lembra (Gráfico 06). Em estudo realizado por Lima (2007) os dados também mostraram que 30% descobriram a doença entre 2 e 5 anos atrás e a média foi de 12,7 anos.
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
Medicamentoso Não medicamentoso Combinação
Fr eq uê nc ia s Tipos de tratamento
Gráfico 07 - Distribuição percentual da amostra de estudo com relação ao tipo de tratamento que ele utiliza USF Tangará da Serra 2011.
Podemos observar no gráfico 07 que 21% pacientes realizaram somente o tratamento medicamentoso, 4% o não medicamentoso (dieta e mudanças no estilo de vida) ea maioria, relatou combinar as duas modalidades. Na hora da entrevista o que observamos é que os pacientes hipertensos estão preocupados apenas com tratamento medicamentoso e com a dieta, porque quando questionado sobre qual tipo de tratamento ele utiliza, eles respondiam medicamentoso e diminuindoo sal da comida, o que podemos perceber é que o paciente não conhece a importância da atividade física para diminuição dos níveis pressóricos.
Este estudo apresenta resultado diferente dos encontrados por Mascarenhas et al
(2006). Um estudo feito por ela mostrou que 25,2% pacientes seguem apenas o tratamento
não medicamentoso; 47,0% seguem somente o tratamento medicamentoso e 27,8% combinam as duas modalidades de tratamento.
0 20 40 60 80 100 1 -- 2 3 -- 4 4 + Nenhum Frequência Q ua nt os m ed ic am en to s
Gráfico 08 - Distribuição percentual da amostra estudada com relação à quantidade de medicamento utilizados diariamente, USF Tangará da Serra 2011.
Com relação ao uso diário de medicação verificou-se que 98 % dos entrevistados faziam uso dos fármacos prescritos pelo médico e que somente 2% não faziam uso das medicações.
Não utilizava os medicamentos porque controlava a pressão com chás (Paciente N°2).
Porque melhorou a gastura nos olhos ai parou (Paciente N° 100).
O gráfico 08 mostra que 77% faz uso de 1 a 2 medicamentos por dia, seguido pelos que tomam de 3 a 4 por dia (13%). 8% toma mais de 4 medicamentos dia e 2% não toma nenhum medicamento.
A média de medicamentos utilizados pela população estudada assemelha-se àquela encontrada em outros estudos (Souza et al., 2009; Silva et al., 2008). Os medicamentos mais utilizados para o tratamento da hipertensão foram os IECA e diuréticos tiazídicos, que são fármacos recomendados pelas diretrizes atuais para o tratamento da hipertensão (SBC, 2007).
Amarante et.al (2010) relatou que 60% dos pacientes faziam uso de monoterapia para o tratamento da hipertensão, sendo que 20% usavam três medicamentos, 13,33% usavam quatro medicamentos e 6,67% usavam cinco medicamentos.
Obreli Neto et. al (2009) em estudo com 214 pacientes para avaliar a farmacoterapia anti-hipertensiva em pacientes diabéticos, mostrou que terapêutica medicamentosa mais prescrita é a associação de dois ou mais medicamentos anti-hipertensivos (111 pacientes), seguida pela monoterapia (82 pacientes) e 21 pacientes não utilizam nenhum tratamento farmacológico prescrito para a HAS.
Tacon et. al (2011) A terapêutica mais utilizada para o tratamento da HAS neste estudo foi à associação de três ou mais medicamentos, sendo os diuréticos 26%, inibidores da enzima conversora de angiotensina II (IECA) 29% e os inibidores adrenérgicos 22% os mais prescritos na terapia anti-hipertensiva.
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
Compra Ad Grat. Familia Compra Compra qdo tem condiçoes Compra não fornecidos Não se aplica Frequência C om o ad qu ir e m ed .
Gráfico 09 - Distribuição percentual da amostra estudada de acordo com o método de aquisição dos medicamentos utilizados.
Os dados do gráfico 10 mostram que 60% adquirem os medicamentos nos serviços de saúde gratuitamente, e 29%compra somente os que não são fornecidos pela rede pública de saúde, 1% a família compra e 8% dos entrevistados responderam que compra com próprios recursos na farmácia.
Filho et. al (2010), quanto ao modo de aquisição dos medicamentos, verificou-se que 35 participantes 87,5% fazem uso de medicamentos fornecidos pelo governo e cinco participantes 12,5% compra o medicamento.
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Conhece
todos ConheceAlguns Não conhece Não se aplica
Fr
êq
ue
nc
ia
Gráfico 10 – Distribuição percentual da amostra estudada quanto ao conhecimento dos nomes dos medicamentos utilizados, USF Tangará da Serra 2011.
Na hora da entrevista verificou-se que os pacientes não tinham conhecimento sobre para que servem os medicamentos. Optou-se, então, apenas pelos nomes – quando o paciente sabia citar. Nesta avaliação dos nomes da medicação os resultados mostraram que 34% dos pacientes não tinham conhecimento do mesmo, conforme gráfico 11. Levando em consideração que os sujeitos da pesquisa já estavam em uso desses medicamentos, esses dados são relativamente expressivos, pois pode causar informações errôneas no ato da aquisição e ate mesmo interferir diretamente na adesão ao tratamento. Como exemplo podemos citar cinco paciente que classificam como medicamentos anti-hipertensivos os seguintes fármacos; Diazepam, Omeprazol, Sinvastatina e Dipirona. Do total dos entrevistado 54% conseguiram citar todos os medicamentos sem ajuda, 12% conseguiu citar apenas alguns.
Filho et. al (2010) emestudo com 40 pacientes acerca do conhecimento dos mesmos em relação à medicação apontaram que 95% dos pacientes não tinham conhecimento dos mesmos, “segundo o autor esse é um dado clinicamente expressivo, pois pode causar informações errôneas no ato de aquisição dos medicamentos e até mesmo interferir diretamente na adesão a tratamento”, 82,5% desconhecem os possíveis efeitos colaterais
causados pela medicação. 72,5% dos pacientes relataram que não tinham conhecimento sobre a dosagem do medicamento.
16
84
Sim Não
Gráfico 11 – Distribuição percentual da amostra estudada quanto à necessidade de auxilio de familiares/amigos para tomar os medicamentos, USF tangará da Serra 2011.
Quanto à necessidade de auxilio de familiares/amigos para tomar os medicamentos verificou-se que a maioria dos pacientes não necessitam de ajuda para consumir os medicamentos, enquanto 16% necessitam de ajuda. Dentre esses 16 pacientes que precisam de ajuda para tomar os medicamento 15 a família auxilia e 1 paciente da USF Shangri-lá a agente de saúde que auxilia na medicação porque a família não cuida da senhora e ela tem dificuldade visual.
92 3 5
Sim Não Não Sei
Gráfico 12 – Distribuição do percentual da amostra estudada quanto o conhecimento complicações decorrentes da HAS, USF Tangará da Serra MT.
Com relação ao conhecimento se HAS pode trazer complicações, a maioria responderam que sim, 3% que não e 5% respondeu que não sabe, dos que responderam sim as complicações mais citadas foram derrame 49,43%, infarto 37.93% “morrer” 14.94%, “paralisia” 0,80%, “tontura” e “rim” 0.69%, parada cardiorespiratória e problemas de coração 0,57%.
Neste estudo podemos observar que as complicações mais citadas em conseqüência da HAS são ao plano do coração e do cérebro, e a maioria dos pacientes desconheciam aquelas inerentes aos demais órgãos-alvo. Também, evidencia-se que este conhecimento estava associado à experiência que alguns tiveram com as complicações da doença hipertensiva, como se visualiza no discurso:
fica alejado como eu e pode morrer( Paciente N° 59).
Peres et. al (2003), quanto ao conhecimento sobre as possíveis conseqüências da doença hipertensiva, as respostas foram: derrame 45%, infarto 39%, “pode matar” 7%, “prejudica os rins” 2%, trombose 2%, esquecimento 2%, “pode levar ao suicídio” 2% e “não conheço as conseqüências” 2%.
78 12
10
Sim Não Não Sei
Gráfico 13 – Distribuição do percentual da amostra estudada quanto ao conhecimento se a atividade física pode mudar o curso da doença, USF Tangará da Serra MT 2011.
92 4 4
Sim Não Não Sei
Gráfico 14 – distribuição percentual da amostra estudada quanto ao conhecimento se a mudança ou abandono de hábitos como fumo, bebidas e má alimentação podem mudar o curso da HAS, USF Tangará da Serra MT 2011.
Como evidencia o gráfico 15, quase a totalidade dos pacientes relatou que a alimentação inapropriada e os vícios são os grandes vilões do controle da pressão arterial sistêmica. Alguns inclusive referiram que jamais fizeram uso de cigarro ou bebidas e outro prontificou a revelar que havia parado de fumar, o que vem demonstrar a preocupação com os hábitos para o bom tratamento de sua moléstia, quanto à atividade física para mudar o curso da doença a maioria responderam que sim, 12% que não e 10% não sabia responder (gráfico 14), como podemos observar a maioria tem conhecimento que a atividade física pode mudar o curso da doença, mas porem não tem efeito de prática.
Serafim et. al (2010) em estudo realizado com 511 pacientes foi elevado o conhecimento das pessoas pesquisadas sobre as medidas não medicamentosas do tratamento que incluem hábitos e estilos de vida, no que se refere à cessação do fumo 85,5% redução do peso 89,2%, prática regular de atividade física 89,0%, e redução da ingestão de bebida alcoólica 92,6%. Entre os que estavam com a pressão arterial não controlada (>140/90 mmHg) tinham menos conhecimento de que o tratamento inclui reduzir peso. O autor enfatiza que só o conhecimento sobre a necessidade de mudanças de estilos de vida, por si só não implica mudança de comportamento. Apesar das pessoas hipertensas indicarem conhecer aspectos importantes sobre tratamento não medicamentoso, não realizam, em seus hábitos de vida, mudanças suficientes para alcançar o controle da pressão arterial, o conhecimento é racional, e a almejada mudança é um processo complexo, envolvendo fatores emocionais e barreiras concretas de ordem prática e logística.