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3.2. O Projeto de Lei 5.276/16

3.2.2. O consentimento no PL 5.276/16

Atualmente, o PL 6291/2016 encontra-se apensado ao PL 5276/2016, que por sua vez encontra-se apensado ao PL 4060/2012. Como última ação legislativa220 está a designação de uma Comissão Especial para proferir parecer. E segundo a Agência da Câmara, a comissão especial ainda estava na fase de audiência pública em julho de 2017221.

Dado esse contexto da proteção de dados pessoais no Brasil e de uma das principais iniciativas legislativas do país sobre a temática, será dado prosseguimento à investigação proposta no trabalho, a saber a análise de determinados critérios acerca do consentimento no PL 5276/2016.

V – sujeitos ou categorias de sujeitos para os quais os dados podem ser comunicados e o âmbito de sua difusão;

VI – reponsabilidades dos agentes que realizarão o tratamento; e VII – direitos do titular, com menção explícita à possibilidade de:

a) acessar os dados, retificá-los ou revogar o consentimento, por procedimento gratuito e facilitado

b) denunciar ao órgão competente o descumprimento de disposições desta Lei; e c) não fornecer o consentimento, na hipótese em que o consentimento é requerido mediante o fornecimento de informações sobre as consequências da negativa

Ademais, nos parágrafos seguintes do art. 8º, são dispostas outras facetas do consentimento. Na hipótese em que o consentimento é requerido, ele será considerado nulo

“caso as informações fornecidas ao titular tenham conteúdo enganoso ou não tenham sido apresentadas previamente de forma clara, adequada e ostensiva”, conforme §1º. É vedado, de acordo com o art. 9º §4º o tratamento de dados pessoais quando o consentimento tenha sido obtido “mediante erro, dolo, coação, estado de perigo ou simulação”.

Em caso de alterações na identificação, o titular deverá ser informado (art. 8º §2º), bem como periodicamente caso as atividades que importem coleta de dados pessoais sejam continuadas (art. 8º§3º), Nesse caso, ele deverá ser informado de forma periódica sobre as principais características do tratamento.

(2)POSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO DO CONSENTIMENTO

Consoante disposição do art. 9º §5º, “o consentimento pode ser revogado a qualquer momento mediante manifestação expressa do titular”. Aqui cabe um acréscimo: o §6º prevê a possibilidade de renovação do consentimento, em caso de alteração de informação na finalidade específica, forma e duração do tratamento, e na identificação do responsável e respectivos contatos.

(3)POSSIBILIDADE DE ALTERNATIVA À LÓGICA TAKE IT OR LEAVE IT

Nos termos do art. 8º §4º, quando o consentimento para o tratamento de dados for

“condição para o fornecimento de produto ou de serviço ou para o exercício de direito, o titular será informado com destaque sobre tal fato e sobre os meios pelos quais poderá exercer controle sobre o tratamento de seus dados”.

Tal disposição caracteriza o que Bruno Bioni denomina “consentimento granular”223, uma forma de limite à economia dos dados pessoais e também de fortalecimento

223 BIONI, Bruno. Xeque-mate: o tripé de proteção de dados pessoais no xadrez das iniciativas legislativas no

Brasil, p. 55. Disponível em;

http://gomaoficina.com/wp-content/uploads/2016/07/XEQUE_MATE_INTERATIVO.pdf Acesso em agosto de 2017.

do consentir enquanto uma manifestação de vontade livre. Dessa forma, o usuário tem disponível a seu favor “meios pelos quais poderá exercer controle sobre o tratamento de seus dados”, não ficando preso à possibilidade de exclusão parcial ou completa de um produto ou serviço, e podendo exercer melhor seu direito à autodeterminação informativa.

(4)POSSIBILIDADE DE OUTROS MODOS DE LEGITIMAR O TRATAMENTO DE DADOS PESSOAIS

No art. 9º, §7, o PL prevê que o órgão competente poderá adequar os requisitos para o consentimento, considerando o contexto em que ele é fornecido e a natureza dos dados pessoais que estão sendo fornecidos. Tal disposição já demonstra uma possibilidade de flexibilização do consentimento, uma das formas de legitimação do tratamento de dados.

No art. 7º, na seção sobre os requisitos para o tratamento de dados, estão listadas várias outras formas de legitimar o tratamento de dados pessoais, sendo o consentimento apenas uma delas:

Seção I – Requisitos para o tratamento

Art. 7º. O tratamento de dados pessoais somente poderá ser realizado nas seguintes hipóteses:

I – mediante o fornecimento pelo titular de consentimento livre, informado e inequívoco;

II – para o cumprimento de uma obrigação legal pelo responsável

III – pela administração pública, para o tratamento e uso compartilhado de dados necessários à execução de políticas públicas previstas em leis ou regulamentos;

IV – para a realização de pesquisa histórica, científica ou estatística, garantida, sempre que possível, a anonimização dos dados pessoais/

V – quando necessário para a execução de um contrato ou de procedimentos preliminares relacionados a um contrato do qual é parte o titular, a pedido do titular de dados;

VI – para o exercício regular de direitos em processo judicial ou administrativo/

VII – para a proteção da vida ou da incolumidade física do titular ou de terceiro;

VIII – para a tutela de saúde, com procedimento realizado por profissionais da área da saúde ou por entidade sanitárias;

IX – quando necessário para atender aos interesses legítimos do responsável ou de terceiro, exceto no caso de prevaleceram interesses ou direitos e liberdades fundamentais do titular que exijam a proteção dos dados pessoais, em especial se o titular for menor de idade.

O tratamento de dados pode ser realizado com base em 9 hipóteses, sendo o consentimento apenas uma delas. De acordo com o art. 10º, o legítimo interesse do responsável “somente poderá fundamentar um tratamento de dados pessoais quando necessário e baseado em uma situação concreta, respeitados os direitos e liberdades fundamentais do titular”.

O §1º art. 10 apresenta que esse interesse legítimo deve comtemplar as expectativas do titular quanto ao tratamento de dados. O §2º aponta para a necessidade de adoção de

medidas que garantam a transparência do tratamento nessa hipótese, como o fornecimento aos titulares de mecanismos eficazes para que possam manifestar sua oposição ao tratamento de dados pessoais.

O §3º estabelece que nessa forma de tratamento de dados baseada no interesse legítimo, “somente os dados pessoais estritamente necessários para a finalidade pretendida poderão ser tratados, devendo ser anonimizados sempre que compatível com a finalidade do tratamento”. E o §4º possibilita ao órgão competente solicitar ao responsável um “relatório de impacto à privacidade quando o tratamento tiver como fundamento o seu interesse legítimo”

O art. 6º apresenta que, de acordo com o princípio da finalidade, o tratamento deve ser realizado para “finalidades legítimas, específicas, explícitas e informadas ao titular, não podendo ser tratados posteriormente de forma incompatível com essas finalidades”.