A form ação e capacitação de professores têm sido, há considerável tem po, tem as bastante presentes nos discursos e debates sobre as políticas educacionais dos países em desenvolvim ento, especialm ente os da Am érica Latina.
Na últim a década, houve um aum ento na oferta de proj etos de capacitação de professores em serviço em todo o Brasil, principalm ente na região centro- sul. Esses proj etos fazem parte da im plem entação de políticas públicas em educação com o intuito de prom over renovação pedagógica e, em grande parte, contam com o apoio financeiro de órgãos internacionais, principalm ente o Banco Mundial5, que participa ativam ente na tom ada de decisões, definindo obj etivos, m etas prioritárias e até estratégias m etodológicas para o desenvolvim ento dos program as de form ação docente.
A ênfase na form ação contínua em serviço, seguida dos baixos investim entos na form ação inicial, verificados nos últim os anos no nosso país, está fortem ente relacionada às prescrições feitas pelo Banco Mundial aos países em desenvolvim ento. De acordo com Torres ( 1998) ,
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O Banco Mundial, form ado por 181 países, é o principal organism o m ultilateral internacional de financiam ento do desenvolvim ento social e econôm ico. Com põe- se de cinco instituições afiliadas: o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvim ento ( BIRD) , a Associação Internacional de Desenvolvim ento ( AID) , a Corporação Financeira Internacional ( IFC) , o Organism o Multilateral de Garantia de Investim entos ( AMGI) e o Centro Internacional para Acerto de Divergências Relativas a Investim entos ( CIADI) . Dedicado à redução da pobreza em todo o m undo, financia proj etos em várias áreas ( entre elas a educação) nos países em desenvolvim ento. No Brasil, tem com o obj etivo principal de sua estratégia de assistência o apoio à educação. Para assessorar o Banco no desenvolvim ento de sua estratégia nesse setor, foi criado em novem bro de 1997 um Grupo Consultivo com posto de especialistas oriundos da sociedade civil e do m undo acadêm ico. ( CENPEC, 2001, p.139)
Ao analisar as lições aprendidas nesses últ im os 25 anos de em prést im os ao set or educat ivo no Terceiro Mundo, o Banco Mundial concluiu que há um conjunt o de “ avenidas prom issoras” – ou que funcionam - e de “ becos sem saída” - ou que não funcionam ( Lockheed e Verspoor, 1990) . Ent re as prim eiras, est á a capacit ação em serviço; ent re os segundos, a form ação inicial. As rubricas orçam ent árias dos em prést im os aos governos encarregam -se de pôr em prática tais recom endações. ( ...) Hoje, a m aioria de “ projet os de m elhoram ento da qualidade da educação” financiados pelo Banco Mundial nos países em desenvolvim ento, quando possuem um com ponente de capacit ação docent e, é de capacit ação em serviço. Os t écnicos do Banco, baseando- se em um conjunt o de est udos, dizem que a capacit ação em serviço rende m ais com m enos dinheiro. (Torres,
1998, p. 176)
O PROCAP surge nesse contexto, com o parte de um program a m aior, o PROQUALIDADE ( Proj eto de Melhoria da Qualidade do Ensino Fundam ental – 1a a 4a séries) , firm ado em um acordo entre o Governo do Estado de Minas Gerais e o Banco Mundial no ano de 1995. O valor total do financiam ento do PROQUALIDADE, que desenvolve ações em diversas áreas do ensino fundam ental, foi de US$150.000.000,00 ( cento e cinqüenta m ilhões de dólares) . ( SEE/ MG, 1996, p. 5)
A im plem entação do PROCAP foi prevista para ocorrer em duas fases distintas. A prim eira envolveu as áreas de Reflexão sobre a Prática Pedagógica, Matem ática e Língua Portuguesa, sendo im plem entada nos anos de 1997 e 1998. A segunda fase do PROCAP, intitulada de “ PROCAP – Fase Escola Sagarana” , foi im plem entada em 2001, envolvendo as áreas de fundam entos da Prática Pedagógica, Geografia, História e Ciências.6
6 O período de im plem entação do PROCAP foi m arcado pela troca de governos no Estado de Minas Gerais. O “ Procap – Fase Escola Sagarana” foi im plem entado pelo governo que assum iu em 1999, o qual prom oveu algum as m udanças na organização
O PROCAP teve com o m eta atuar na form ação contínua de professores das redes estadual e m unicipais de Minas Gerais. O program a, em sua prim eira fase de im plem entação, teve com o m eta capacitar 86 678 professores dos anos iniciais do ensino fundam ental, sendo 52 288 da rede pública estadual e 34 390 pertencentes às redes m unicipais de educação.
Os obj etivos do program a foram assim delim itados:
? Cont ribuir para as polít icas de redução da
repetência e de m elhoria da aprendizagem no Ensino Fundam ent al do Est ado, m ediant e a int ervenção na prát ica da sala de aula das séries iniciais do Ensino Fundam ental;
? dar início a um processo de m udança de
expect at ivas dos professores, orient ado- os para a reversão da “ cult ura da repet ência” ;
? desencadear um processo de form ação
cont ínua, inserida no Plano de Desenvolvim ent o da Escola;
? oferecer capacit ação com plem ent ar
perm anent e para m ant er o nível de com pet ência do docent e, a longo prazo;
? avaliar a eficácia da est rat égia a ser ut ilizada
para desenvolver um program a de educação dessa nat ureza. ( Minas Gerais, 1996a, p. 13)
O PROCAP, na prim eira fase, adotou com o prem issa a realização do processo de capacitação no interior das próprias escolas, através de um a estratégia de form ação em serviço, utilizando- se da m odalidade de ensino a distância, incorporando o uso dos m ateriais im pressos e televisivos,
do program a, na reform ulação dos obj etivos e na estruturação dos m ateriais. Isso, contudo, não provocou alterações significativas na concepção do Procap e em seu processo de im plem entação.
produzidos especialm ente para o Program a, que se encontravam organizados em 10 Módulos de Ensino de cada área do conhecim ento ( Matem ática, Língua Portuguesa e Reflexão sobre a Prática Pedagógica - RPP) .
De acordo com as diretrizes do Program a, explicitadas no Plano de Im plem entação ( PI) , a participação dos professores não era obrigatória, cabendo a eles decidir sobre sua adesão e participação. Entretanto, estabeleceu- se um a série de incentivos e condições no sentido de estim ular e facilitar a adesão e participação de cada professor. Nas diretrizes, delim itou- se a previsão, no calendário escolar, de tem po disponível para o curso, o estabelecim ento de um a aj uda de custo para os Professores- treinandos e para os Facilitadores, a em issão de certificado de Curso de Aperfeiçoam ento para os professores participantes e, ainda, a consideração dos resultados obtidos no PROCAP com o critério para enquadram ento no Plano de Carreira, que, no período de im plem entação do PROCAP, encontrava- se em fase de estudo pelo Governo Estadual.