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COLABORATIVA DO CONHECIMENTO

4. O Contexto da Construção do CFGC

Os dois cursos analisados foram oferecidos a alunos regulares e especiais do PPGE/FACED/UFBA, em regime semipresencial, com o propósito de formação de formadores em educação à distância. Conforme revelam suas respectivas ementas, a EDC- A27 diferia da EDC-704 em apenas um item:

EDC 704- TEE-Educação a Distância e Difusão do conhecimento

EAD como espaço multirreferencial de aprendizagem e canal de intercâmbio de saberes e práticas. Ambientes virtuais de aprendizagem. Constituição de comunidades virtuais de aprendizagem; produção cooperativa e colaborativa e compartilhamento do conhecimento.

EAD A27 – Educação a Distância

EAD como espaço multirreferencial de aprendizagem e canal de intercâmbio de saberes e práticas. Ambientes virtuais de aprendizagem. Constituição de comunidades virtuais de aprendizagem; produção cooperativa e colaborativa e compartilhamento do conhecimento. A EAD na educação brasileira.

Para uma articulação permanente entre teoria e prática e visando proporcionar um ambiente interativo para a construção colaborativa almejada, ambos foram desenvolvidos com o suporte da plataforma Moodle / UFBA e se estruturaram como comunidades virtuais de aprendizagem33, buscando uma vivência efetiva de processos da modalidade de EaD.

O primeiro grupo foi formado por 14 participantes, de formações acadêmicas diferenciadas: educação (6), ciência da computação (3), administração (1), ciências sociais (1), comunicação (1), direito (1), gestão organizacional (1), que atuavam em diversas áreas de atividade: assessoria jurídica de ONG, consultoria na área de educação à distância, coordenação de TI em fundação pública, docência ensino fundamental, ensino superior universidade pública federal (2), cursos de EaD (2); gestão de curso da UAB, escola municipal, setor de recursos humanos; universidade corporativa, técnica da área jurídica estadual, técnica em comunicação de ONG.

No segundo grupo, frequentaram 24 participantes, de diversas formações acadêmicas: educação (11), ciência da computação (5), gestão organizacional (2), economia (1), biblioteconomia (1), engenharia (1), história (1), letras (1), matemática / ciência da computação (1). Esses participantes atuavam em diversas áreas de atividade: assessoria

33 Embora o grupo tivesse se estruturado como uma CVA, esta forma de estruturação não será fundamentada

técnica: de cursos à distância e de aplicação de tecnologias em educação; biblioteconomia; consultoria organizacional; coordenação de setor de educação à distância em universidade pública, de curso em faculdade privada, do setor de TI em fundação pública; docência no ensino fundamental, ensino médio (2), educação profissional (2), ensino superior privado, universidade pública – federal (2) e estadual; gestão de curso da UAB, de escola municipal, de escola de formação profissional, de faculdade privada, de secretaria de estado, de secretaria municipal; produção de aulas EaD em universidade privada; técnica da área jurídica estadual, além de um estudante.

Em ambos os cursos, todos os participantes indicaram seu interesse em iniciar ou dar continuidade a sua formação, como formadores em educação à distância, pois alguns deles já estavam engajados em atividades relacionadas a essa modalidade de educação; a responsabilidade pela coordenação ficou a cargo de um mesmo docente, com experiência em diferentes modos de oferta de cursos em EaD (rádio, material impresso e plataforma virtual).

É interessante observar que a característica comum aos dois grupos foi o desenvolvimento de um trabalho coletivo / colaborativo, com objetivo comum, apesar das diferenças próprias de pessoas que atuam em diferentes áreas do conhecimento.

A dificuldade inicial, também comum às duas turmas34, diz respeito à aceitação da mudança de paradigma de curso presencial, para semipresencial, uma vez que muitas pessoas ainda não tinham familiaridade com a educação à distância. Por um lado, as especificidades didático-pedagógicas, dentre elas o trabalho interdisciplinar, autônomo, coletivamente mediado, com responsabilidades compartilhadas e sem uma figura que representasse a autoridade do professor, nos moldes conservadores, causaram muita resistência. Contudo, esta foi lentamente sendo superada pelo compartilhamento das experiências dos integrantes que já lidavam com esta modalidade de educação e pelo respeito à diversidade do grupo e à competência de cada um dos participantes, que efetivamente contribuía para o desenvolvimento do curso. Por outro, a plataforma Moodle com seus recursos e atividades, era ainda muito pouco conhecida, e seu uso demandava investimento de tempo, partilhamento de experiências e grande volume de experimentação das possibilidades oferecidas.

34 Esta afirmação se deve ao fato da autora ter participado da análise crítica e da construção do diagnóstico da

4.1. SUPORTE DA PLATAFORMA MOODLE

A partir da decisão da coordenação do Centro de Processamento de Dados da UFBA de adotar o Moodle como o AVA de EaD para toda a instituição, os dois cursos foram planejados para acontecer nesse ambiente, não só por ser uma plataforma amigável, que oferece grande facilidade aos usuários, como também pela variedade de recursos que disponibiliza. Dentre esses, vários foram explorados e utilizados ao longo dos dois cursos, sendo os principais, de caráter permanente: fóruns de notícias e de tutores, diários individuais, diários coletivos, wikis, além de chats que ocorreram eventualmente no semestre de 2006.2 (na medida das necessidades sentidas pelos grupos no processo de construção coletiva) e mais sistematicamente em 2007.1, inclusive alguns “chats específicos”, por grupo de trabalho, ou por módulo a (re)construir.

O chat, conforme apresentado no Capítulo 2, é um rico recurso em educação à distância, e nos dois cursos analisados pode-se constatar que, em virtude de: ocorrer em tempo real, num ritmo bastante acelerado em relação a outros recursos (fóruns, diários, wikis) assíncronos, este recurso proporciona uma dinâmica que força o participante a: tomar decisões rápidas; oferecer / reagir a propostas imediatamente; atuar no duplo papel de mediador- construtor e interagir acompanhando um fluxo que não é linear. Mais ainda, foi possível verificar que neste fluxo, o diálogo é “quebrado”, segundo múltiplas entradas e interferências de outros participantes, que vão fazendo demandas diferenciadas aos sujeitos, num curto espaço de tempo e, portanto, os estimulam a responder com uma velocidade que exige ações pouco refletidas e, assim, mais espontâneas. Soma-se a estas constatações, a facilidade de uma participação mais fluida de todos, pois os diálogos podem acontecer simultaneamente e sobre variados assuntos tornando possível, inclusive, que as comunicações sejam feitas em paralelo, sem quebrar o ritmo de nenhum dos assuntos tratados, além de manter/disponibilizar em arquivo, o acervo das informações discutidas, que variam da teoria à vida prática, do assunto específico a trocaslúdicas. Por todas essas possibilidades, o chat foi um dos recursos que mais contribuiu para a interação entre os integrantes de cada uma das turmas.

4.2. PLANEJAMENTO DO CURSO – EDC 704 – 2006.2

A proposta do CFGC foi iniciada pela turma de EDC 704, em 2006.2 e, desde o planejamento, o curso foi construído colaborativamente pelo grupo. Como a autora fez parte

da (re)construção, nos semestres 2007.1 e 2007.2, teve acesso aos registros da primeira versão, que foram analisados pelo grupo de 2007.1, para um diagnóstico da situação do curso na época, assim como para a retomada do planejamento e (re)construção do plano de ação. Neste planejamento foram considerados diversos aspectos, como se pode ver a seguir, nos registros da proposta35:

1) Nome do curso: Formação de gestores do conhecimento.