CAPÍTULO III – ASPECTOS METODOLÓGICOS
3.3 O Contexto da Pesquisa
A pesquisa em questão foi desenvolvida a partir da oferta do projeto de extensão Português Língua de Acolhimento para a Comunidade Externa, em Teresina, capital do estado do Piauí, no Centro de Ciências Humanas e Letras da Universidade Federal do Piauí. Para tal, tive por base o curso Módulo Acolhimento – Português para Refugiados e Imigrantes, ofertado na Universidade de Brasília e coordenado por professora Dra. Lúcia Barbosa. Este projeto conta com o apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).
3.3.1 O curso ProAcolher
O curso “Modo Acolhimento – Português para Refugiados e Imigrantes”, mais conhecido como “ProAcolher” é um projeto de extensão da Universidade de Brasília, coordenado pela Professora Dra. Lúcia Maria de Assunção Barbosa, com aulas gratuitas para imigrantes e refugiados que residem na cidade de Brasília. As aulas acontecem nas instalações
do Núcleo de Ensino e Pesquisa em Português para Estrangeiros (NEPPE) e objetiva atender imigrantes que buscam aprender o idioma, mas que não possuem meios de pagar cursos regulares ofertados pela instituição.
A história do ProAcolher se inicia em 2012, a partir da colaboração de ex-alunos da Universidade de Brasília com o Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), que ministravam aulas de português para estrangeiros na Vila Varjão. Segundo Irmã Rosita (2017), a partir desta prática “houve a articulação para uma parceria entre o IMDH (coordenado por ela) e o NEPPE (coordenado pela professora Dra. Lúcia Barbosa), com o objetivo de ofertar cursos regulares — denominados ‘Português para Estrangeiros: Modo Acolhimento’ — para imigrantes em situação de vulnerabilidade” (COURY; ROVERY, 2017, p. 112).
Em seguida, em 2013 houve reunião entre as partes citadas, em que foi acordado que, se houver “um mínimo de oito alunos pagantes por turma regular no NEPPE, seria possível incluir um imigrante ou refugiado com isenção de mensalidade” (COURY; ROVERY, 2017, p. 112). Assim, estrangeiros foram encaminhados para os cursos de português de forma gratuita, mas houve problemática na questão de custos para eles pagarem passagem de ônibus e também frequentarem as aulas na universidade (que ocorrem nos turnos manhã e tarde).
Como na época já se pensava na elaboração de um curso de extensão da UnB que atendesse às necessidades dos imigrantes e refugiados, o projeto se desvinculou do NEPPE e, com a coordenação e orientação de professora Dra. Lucia Barbosa, passou a ofertar cursos noturnos, divididos em estágios, lecionados por estagiários e voluntários, para o público em questão.
A partir de então, este projeto vem possibilitando, além do ensino gratuito de português para estrangeiros em situação de vulnerabilidade, a elaboração de materiais didáticos específicos, voltados para as necessidades dos aprendentes, assim como um espaço de formação docente continuada e espaço intercultural de reflexão e autonomia, seguindo uma perspectiva de acolhimento linguístico e social, pois:
Os alunos atendidos pelo projeto, além das aulas de Português, participam de oficinas temáticas com especialistas, segundo a dirigente, algumas situações depreendem dos professores voluntários e coordenação a busca pela assistência para os alunos no serviço público (serviços de saúde, ou encaminhamento para o CRAS-DF), em outras circunstâncias, o aporte ocorre dentro do PROACOLHER através de doações de roupas e alimentos. Isso porque existe a percepção de que o contexto da língua de acolhimento extrapola os limites do ensino do idioma. (LIMA, 2019, p. 100)
Atualmente, o curso é dividido em três níveis (Acolher 1, Acolher 2 e Acolher 3), com carga horária de 60 horas e entrega de declaração ao final do curso. Estima-se que mais de 600 pessoas já foram atendidas no projeto desde seu início, com cerca de 45 a 50 alunos por semestre, atendem-se estrangeiros de nacionalidades diversas, principalmente sírios, haitianos, venezuelanos, paquistaneses, cubanos colombianos, ganenses, congoleses e palestinos (LIMA, 2019).
Desde 2019, o curso se expandiu e passou a ser ofertado também em Ceilândia (região administrativa de Brasília) com aulas que ocorrem três vezes por semana, com professores do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da UnB, estudantes de graduação de cursos de licenciatura e tem parceria com o NEPPE e ACNUR (SÃO BERNARDO, 2016; COURY; ROVERY, 2017; LIMA, 2019).
3.3.2 O curso de extensão em Teresina
O curso de extensão intitulado “Português Língua de Acolhimento para a Comunidade Externa”, ofertado na Universidade Federal do Piauí, ocorreu a partir da parceria entre a Universidade de Brasília e Universidade Federal do Piauí, sob a supervisão e coordenação da professora Doutora Lúcia Maria de Assunção Barbosa (UnB) e da professora Doutora Ana Cláudia Oliveira Silva (UFPI), que é subcoordenadora da Coordenação de Letras Estrangeiras da instituição e que prontamente buscou colaborar e compreender melhor como funciona o ensino de PLAc.
O curso ocorreu no período de 24 de julho a 13 de agosto de 2019, cujos objetivos foram:
1. promover o acolhimento linguístico dos participantes do curso através de atividades que
possibilitassem o uso da língua portuguesa em práticas sociais no contexto teresinense;
2. facilitar a aprendizagem e um maior contato cultural e social das pessoas, corroborando
assim com a inserção dos aprendentes na comunidade;
3. seguir pressupostos teóricos do ensino de português em um ambiente de acolhimento
numa perspectiva de língua humanizada.
Desta forma, este curso de extensão se desenvolveu a partir de ações institucionais e parcerias que possibilitaram a integração linguística da comunidade externa (imigrantes e
refugiados que estão vivendo em Teresina – PI) da Universidade, considerando a importância da colaboração entre o espaço acadêmico e a comunidade migrante.
3.3.3 O trabalho com a divulgação e a escolha do público
Após o acolhimento da proposta de parceria institucional entre UnB e UFPI, professora Lúcia Barbosa, Professora Ana Cláudia e eu elaboramos um projeto de curso de extensão intitulado “Português Língua de Acolhimento para a Comunidade Externa”. Após a aprovação nas assembleias da Coordenação de Letras Estrangeiras, Conselho Departamental do CCHL - Centro de Ciências Humanas e Letras da Universidade Federal do Piauí, iniciei a divulgação do curso em plataformas digitais (Instagram e o site oficial da UFPI), além de anunciar as aulas em um programa de rádio e TV local da cidade. Para complementar os trabalhos de divulgação e atingir o maior número possível de participantes, também panfletei sobre o curso no centro da capital.
Assim, durante 10 dias, busquei fazer com que o curso fosse amplamente difundido. É importante destacar que o período de divulgação foi curto, devido ao fato de eu estar usando o período das férias acadêmicas para implementar este curso de extensão. Desta maneira, o planejamento, divulgação, matrícula e período de aulas foi realizado em 25 dias.
Ademais, durante este mesmo período, trabalhei com professora Ana Cláudia, professora Lúcia Barbosa (minha orientadora) e professora Carmem Lucia Silva Lima22 sobre a oferta deste curso de português para os imigrantes indígenas venezuelanos Warao, que se encontram na cidade. Pelo curto período e por não ter material produzido e voltado para este grupo em específico, decidimos não trabalhar com os venezuelanos Warao naquele momento.