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O contexto da pesquisa

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CAPÍTULO 5. METODOLOGIA

5.1. O contexto da pesquisa

Enquanto professores nos inserimos como cidadãos ativos no bairro onde ensinamos. Sendo assim, quando nos propomos a ensinar química de uma forma crítica, atuante, relacionando os conteúdos escolares com situações vivenciadas pelos estudantes, automaticamente desenvolvemos discussões sociocientíficas em sala de aula, observando e discutindo, junto com os alunos, as questões ambientais que alteram, de forma negativa e significativa, a paisagem do bairro.

Até porque, como discutimos anteriormente, acreditamos que o ensino de química se tornará mais atrativo e mais estimulante, se envolvermos discussões sobre problemas locais, para que os alunos participem mais ativamente dessas discussões e possam desenvolver posicionamentos críticos acerca de questões que envolvam a ciência e a tecnologia e que são vivenciadas direta ou indiretamente pelos alunos no seu dia a dia.

Para Martins, Castilo e Silva (2006), cada indivíduo tem como ponto particular, como uma identidade ímpar, o lugar onde vive, considerando esse lugar como único e de grande significância. Estes autores ainda discutem que o indivíduo passa a se valorizar quando se reconhece no seu espaço para se formar enquanto ser social.

É com esta perspectiva que desenvolvemos esta pesquisa, considerando o lugar onde o aluno vive e atua como único, particular, valorizando seu lugar e, a partir de várias problemáticas que ali ocorrem, estruturar e desenvolver o ensino de química, mais especificamente o ensino de funções inorgânicas sob a perspectiva da abordagem de uma QSC.

Portanto, esta pesquisa foi desenvolvida em uma escola de referência em ensino médio, localizada no bairro de Brasília Teimosa, bairro onde a maioria dos alunos mora, para que possam discutir, a partir dos conceitos desenvolvidos nos contos, questões que envolvam problemáticas do bairro onde vivem e estudam.

5.1.1 O bairro de Brasília Teimosa

O bairro, hoje conhecido como Brasília Teimosa, era, antigamente, chamado de Areal Novo, por conta da sua localização em uma península de areia que avança sobre o mar. Uma parte desse areal é resultado de um aterro realizado ainda na década de 50, com material retirado para a expansão do antigo Porto do Recife, localizado na região.

Este processo de aterramento ocorreu junto ao processo de industrialização da cidade do Recife. Com a implantação das indústrias, ocorreu um fluxo de migração do sertão e agreste para a capital, constituído de pessoas em busca de melhor qualidade de vida.

Porém, a cidade não possuía infraestrutura para atender essa população de migrantes e oferecer moradia adequada. Podemos destacar que esta falta de infraestrutura para suportar tamanha demanda de migrantes aliada à mudança de modo de vida desta população, que tinha um modo de vida predominantemente rural e passou a ter hábitos urbanos, foi uma das causas de vários desequilíbrios socioambientais (MARTINS; CASTILO; SILVA, 2006).

Desta forma, boa parte dessa população de trabalhadores, buscando melhores condições de moradia e sobrevivência, foi morar, inicialmente nos mocambos, em áreas planas da cidade e, com a valorização das áreas planas pelo setor imobiliário e a expulsão dos moradores dos mocambos, parte da população teve como opção os morros nas áreas periféricas da cidade e outra parte teve como opção as regiões de alagados, como é o caso dos moradores do antigo Areal Novo, hoje Brasília Teimosa.

Para Mahmood e Santos (2015), aos mais pobres, detentores de pouco capital, foi relegado os piores lugares, entre estes lugares estavam as regiões de alagados, e a partir da metade do século XX, as encostas dos morros.

O bairro tem um formato triangular e é delimitado pelo mar em uma das costas, pela bacia do Pina, formada pela confluência dos rios Capibaribe, Tejipió, Jordão e Pina e no continente, pelo bairro do Pina.

A bacia do Pina, com aproximadamente 2,02 km2 de extensão, constitui-se em uma zona urbana com um relevante papel socioeconômico para aquela região por se tratar de uma área portuária onde há constante movimentação de embarcações e oferece um importante fluxo de atividade para a população de baixa

renda, tendo em vista a atividade de pescaria, onde as populações ribeirinhas sobrevivem da pesca artesanal e coleta de mariscos (JERÔNIMO et al, 2010; NETO, 2015).

Figura 1: O bairro de Brasília Teimosa

Fonte: http://www2.recife.pe.gov.br/servico/brasilia-teimosa

Atualmente, a região é valorizada por contar com uma melhor infraestrutura e por estar próxima ao centro do Recife e ao tão valorizado bairro de Boa Viagem, sendo especulada pelo setor imobiliário.

Brasília Teimosa é uma Zeis (Zona Especial de Interesse Social) e foi ocupada em um contexto de lutas da população pela ocupação e pelo direito à moradia. O nome do bairro, inclusive, foi construído a partir deste contexto de lutas da população pela conquista do lugar e pelo direito de ali fazer moradia junta à sua família. Até hoje, a população vem, por ela própria, buscando caminhos da permanência no lugar, seja por meio da autoconstrução realizando as conhecidas puxadinhas, seja pela coabitação (FERNANDES, 2010).

5.1.2 A escola

A escola localiza-se na periferia da cidade do Recife, no bairro de Brasília Teimosa e foi inaugurada em 21 de janeiro de 1970 com o nome de Ginásio Estadual João Bezerra. Em 30 de junho de 1994, a escola João Bezerra foi elevada à categoria de 2º grau com o curso de aprofundamento em Estudos Gerais e Técnico em Secretariado.

Somente a partir de 21 de janeiro de 2009, a escola João Bezerra passou para a categoria de escola em tempo integral. No ano corrente (2019), a Escola de Referência em Ensino Médio João Bezerra (EREMJB) atende a 594 alunos do Ensino Médio, que estudam em tempo integral, e a 285 alunos da Educação de Jovens e Adultos, durante o período noturno.

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