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O Contexto do Ensino Superior em Angola

Capítulo 3: Contexto e Metodologia de Investigação

3.1 O Contexto da Pesquisa

3.1.2 O Contexto do Ensino Superior em Angola

A semelhança dos currículos vigentes em diversos países do mundo, em Angola, a Matemática aparece no ensino superior como disciplina complementar nos cursos de ciências sociais, artes, ciências biológicas e da saúde. Nos cursos de engenharia e ciências exatas, a Matemática está presente quer como disciplina geral quer como disciplina específica.

Tal como se afirmou anteriormente sobre o conhecimento da qualidade de ensino superior angolano, no cômputo geral, existem poucos estudos sobre a qualidade das práticas e estratégias de ensino da Matemática em Angola. Os poucos estudos neste sentido, tal como se sintetiza no inicio do capítulo quatro deste trabalho, revelam que ainda há muito a fazer para que haja um ensino qualitativamente equiparável ao praticado nos países de vanguarda.

A instituição em que decorreu o estudo

O presente estudo foi realizado na Escola Superior Politécnica do Namibe (ESPtN), unidade orgânica da Universidade Mandume ya Ndemufayo (UMN), criada pelo Decreto nº 7/09 de 12 de Maio (artigo 16º); esta é uma pessoa coletiva de direito público, dotada de personalidade jurídica, e de autonomia científica, pedagógica, administrativa, financeira, patrimonial e disciplinar tutelada pelo Governo Angolano através do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação.

A UMN integra no seu seio instituições de ensino universitário e ensino politécnico, com organização unificada, destinada à formação de quadros superiores e de investigadores nos diversos ramos do saber científico. A UMN é a única universidade pública da 6ª região académica, abarcando as Províncias de Huíla e Namibe, com sede na cidade do Lubango, Província de Huíla (Fig. 5).

Na província do Namibe, a UMN conta com duas escolas superiores, nomeadamente a Escola Superior Pedagógica e a Escola Superior Politécnica do Namibe, anteriormente designada por Escola Superior de Ciências e Tecnologias do Namibe. Fazendo parte da Universidade Agostinho Neto (UAN), iniciou a sua atividade no ano letivo 2004/2005, tendo sido inaugurada no dia 11 de Novembro de 2004, por Sua Excelência Eng.º José Eduardo dos Santos, então Presidente da República de Angola. Com a entrada em vigor dos Decretos nº 5/09, de 7 de Abril (criação das Regiões Académicas) e nº 07/09, de 12 de Maio (redimensionamento da UAN), assumiu a identidade de Escola Superior Politécnica do Namibe (ESPtN), tendo ministrado cursos conducentes ao grau de bacharelato até 2011. No ano letivo de 2012 foram reestruturados os cursos existentes e expandidos para concederem o grau de licenciatura. No seu catálogo geral lê-se, a respeito da sua missão, que a ESPtN é orientada para a prossecução dos objetivos do ensino superior politécnico no âmbito das tecnologias, das ciências económicas e empresariais, engenharias e áreas afins. A mesma fonte sublinha que a ESPtN busca o melhor na formação dos jovens de modo a proporcionar licenciados competentes e capazes de atender às demandas e às vertiginosas mudanças que ocorrem nos meios e processos produtivos, cada vez mais subordinados às novas tecnologias e aos saberes matemáticos.

A ESPtN conta com uma boa estrutura física: as salas de aulas podem albergar, em média, quarenta e cinco alunos e estão bem conservadas, conta com uma biblioteca com capacidade para oitenta alunos, vários laboratórios e oficinas com algum equipamento.

Por ser a única escola pública a oferecer cursos de licenciatura em engenharia na província do Namibe, recebe estudantes provenientes de diversos cursos e escolas do ensino pré- universitário, o que faz com que haja turmas bastante heterogéneas e isso ocorre, também,

no curso de Engenharia do Ambiente, especificamente na turma em que a presente investigação foi realizada.

O curso de Licenciatura em Engenharia do Ambiente

O curso de Licenciatura em Engenharia do Ambiente, em funcionamento no seu currículo pleno, está organizado em 5 anos letivos, perfazendo 10 semestres. As unidades curriculares inerentes a estudos matemáticos são ministradas nos dois primeiros anos e têm suas cargas horárias conforme a tabela seguinte (Tabela 4).

Tabela 4: Disciplinas de Matemática do curso de Engenharia do Ambiente

Ano

Semestre

Unidade Curricular

Carga horária

Semestral

1º Ano

1º Semestre Análise Matemática 2º Semestre Álgebra Linear

64 Aulas 64 Aulas

2º Ano 1º Semestre Probabilidades e Estatística

64 Aulas

O ano letivo está dividido em dois semestres, com a duração de 16 semanas cada; diariamente os alunos têm seis aulas com a duração de quarenta e cinco minutos, intercaladas com intervalos de 5 minutos, e o aluno pode optar pelo horário diurno ou noturno.

A unidade curricular de Análise Matemática

Os dados deste estudo foram recolhidos durante o trabalho desenvolvido na unidade curricular de Análise Matemática, durante o primeiro semestre letivo do ano académico de 2016. Nesta conformidade, sublinha-se que, quando foi realizada a coleta de dados, os alunos participantes contavam apenas com os conhecimentos adquiridos no ensino pré-universitário. Por ser pertinente e para melhor esclarecer o currículo em vigor no contexto em que decorreu a coleta dos dados que foram obtidos e posteriormente selecionados e serão apresentados e analisados no capítulo cinco, enuncio, a seguir, os pontos principais do programa da unidade curricular de Análise Matemática, designadamente o tópico dedicado ao estudo de Sucessões Numéricas. Este tema do programa foi o foco do estudo, tendo por base a resolução de problemas e o recurso à folha de cálculo.

1- Sucessões Numéricas 1.1 Definição 1.2 Subsucessão 1.3 Sucessões monótonas 1.4 Sucessões limitadas 1.5 Sucessões convergentes

2- Funções reais de variável real 3- Cálculo Diferencial em |R 4- Cálculo Integral em |R

A instituição onde esta investigação decorreu apresenta uma boa estrutura e também condições físicas e materiais, como já foi assinalado. As aulas foram realizadas numa das duas salas ou laboratórios destinados essencialmente às aulas de Informática. Estão por isso preparadas para a realização de aulas de informática básica, contando com trinta computadores. No decurso das aulas onde foram recolhidos os dados para este estudo, basicamente não houve factos negativos a ressaltar; a sala estava sempre em condições para a realização de cada aula, oferecendo lugares para até 60 alunos. No entanto, ao longo da experiência de ensino implementada, cada computador foi utilizado por um só aluno. A sala estava sempre preparada e arrumada para receber os alunos, havendo o material necessário para o trabalho em sala de aula. O projetor também já estava na sala e foi possível fotocopiar antecipadamente o material para as aulas, de modo a disponibilizar a todos os alunos da turma os enunciados dos problemas propostos em folhas impressas. Além do pacote Office, nos computadores estavam instalados outros softwares, entre eles, o aTube Catcher 2.0, que permitiu vídeo-gravar tudo quanto os alunos fizeram no Excel durante as aulas.

3.1.3 Os Participantes do Estudo