A pesquisa foi realizada em um centro interescolar de línguas (CIL) público do Distrito Federal. Há algum tempo, o CIL recebia alunos da rede pública que eram chamados de tributários, ou seja, eles estudavam na escola regular e eram obrigados a se matricular no CIL para cursar língua estrangeira (LE). Isso acarretava problemas, tais como alunos desinteressados e muita reprovação e evasão. Os professores estavam se sentindo desmotivados por tentar ensinar LE a alunos que não queriam realmente aprender. A partir de 2010, porém, os CILs passaram a receber alunos no contraturno, para estudarem língua estrangeira sem a obrigatoriedade, ou seja, não há mais o vínculo de nota com a escola de origem do aluno. A partir dessa nova realidade, houve novas perspectivas em relação aos estudantes que procuram os CILs. Inclusive um novo curso foi criado. O curso convencional oferece espanhol, francês ou inglês para estudantes a partir da 5ª Série/6º Ano do Ensino Fundamental no curso regular.
Os cursos regulares oferecidos têm a duração de sete anos, divididos em 4 ciclos/14 níveis, a saber: Juvenil (J1 e J2), Básico (B1, B2, B3, B4 e B5), Intermediário (I1, I2, I3 e I4) e Avançado (A1, A2 e A3) ( PROJETO CURSO EXPRESSO, p.5) (ANEXO-5).
Recentemente criou-se um novo curso nesses CILs, que por apresentar um currículo diferenciado do convencional foi chamado de curso Específico (E). A proposta do referido curso é diferenciada por apresentar objetivos que procuram atender as necessidades de alunos do ensino médio. De acordo com o próprio documento do curso expresso
O Curso Expresso objetiva levar o estudante do Ensino Médio a comunicar- se com proficiência na LEM, preparando-o para o exercício da cidadania,criando condições para sua inserção no mercado de trabalho por meio do desenvolvimento de sua capacidade comunicativa, com ênfase na produção oral e na utilização de tecnologias, e para a execução de diversos exames, como PAS, ENEM, vestibular, concursos, testes de proficiência em língua estrangeira, entre outros.(p.5)
Por causa dessa proposta diferenciada e um tanto paradoxal e desafiadora, porque pretende levar o aluno a comunicar-se com proficiência, além de prepará-lo para diversos exames, houve reuniões e discussões regulares sobre uma nova abordagem de trabalhar com esses alunos para atender aos objetivos do curso. Assim, é possível inferir que o professor que realmente queira alcançar esses objetivos, vem tentando, também, adequar a avaliação a essa nova proposta.
É importante relatar uma peculiaridade dessa pesquisa. Durante o processo de coleta de registros, estava acontecendo na escola uma intensa discussão sobre o curso Específico, que era relacionada à necessidade de proporcionar oportunidades ao aluno de desenvolver habilidades mais complexas. Quase sempre a avaliação era objeto de polêmica ou argumentações mais calorosas, por isso, algumas vezes, senti que as discussões se confundiam com os objetivos da pesquisa. Tanto que durante as entrevistas nos víamos comentando sobre tópicos falados nesses encontros. Porém, não considero que isso tenha prejudicado o andamento da pesquisa ou exposto os participantes de modo a causar dano. Pelo contrário, acredito que os debates instigaram reflexões sobre o trabalho na escola e a busca de meios de ajudar os alunos aprenderem mais.
Quando, durante algumas dessas reuniões, alguns desses professores mostraram interesse em discutir a avaliação porque algumas vezes se sentem pressionados a dar aulas “para fazer a prova”, surgiu a preocupação em realmente
saber se esses professores têm idéia do poder que a avaliação pode exercer na aprendizagem de seus alunos quando utilizada contemplando outras funções além da aplicação de testes. Como já mencionado anteriormente, a avaliação da aprendizagem de línguas da escola pesquisada sempre me chamou a atenção pelo fato de que os professores da referida escola terem certa autonomia para realizar seu trabalho, sem que haja, por exemplo, uma pressão da coordenação ou da supervisão da escola em contrário.
O CIL organiza o seu calendário, dividindo os dias letivos em unidades do livro didático adotado. É exigida uma média 5 para que o aluno passe para outro nível. Cinquenta por cento da nota a ser distribuída são livres para o professor escolher a melhor forma de avaliar seu aluno. E 50% são distribuídos em uma prova escrita que vale 30 pontos e uma prova oral que vale 20. Ambas têm dias fixados pelo calendário para serem aplicadas, embora essa orientação não conste dos documentos da escola nem do regimento estadual22. Essas provas são elaboradas por um professor que se torna coordenador de um respectivo nível. A elaboração dos testes é feita com sugestões de todos os professores que trabalham com o dado nível.
Os participantes da pesquisa foram, inicialmente, três professores do Específico (E), sendo um do E1, outro do E2 e outro do E3. Esses professores foram escolhidos por estarem trabalhando com o curso específico e também pela rapidez em devolver o primeiro questionário respondido, dando-me a entender que eu não teria problemas com o tempo para devolução de respostas.
José23 é professor de inglês há 22 anos na SEE-DF (secretaria de educação do DF) (na escola pesquisada), atuou também na rede particular e regular e recentemente atua também em cursos livres. Possui graduação dupla em Letras inglês / português e pós-graduação lato sensu em Ensino Especial e Educação Inclusiva e outra em Língua Inglesa.
Maria24 tem dupla habilitação em Letras, português e inglês. Foi professora de inglês durante aproximadamente oito anos em cursinhos livres e, há um ano e meio, é professora da SEE-DF. Possui certificados internacionais de proficiência tais como Teaching Knowledge Test (TKT) 1, 2, 3, Cambridge-Esol examinations: First Certificate in English (FCE) e Cambridge- Esol Examinations. Leciona na escola participante há aproximadamente dois anos.
Krika é a coordenadora do curso e se tornou participante da pesquisa mais tarde, por causa da necessidade de cruzar informações com aquelas oferecidas pelos professores.
Esta seção mostrou a metodologia de pesquisa utilizada nesse trabalho, caracterizou o estudo de caso qualitativo, os instrumentos de recolha dos fatos, bem como apresentou o contexto e os participantes de pesquisa. A próxima seção trata de descrever os procedimentos para análise de dados.
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Pseudônimo para um dos participantes de pesquisa.
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