2. DIRETRIZES INTERNACIONAIS E NACIONAIS – O CONTEXTO E ASPECTOS
2.1 Marcos Históricos e Políticas
2.1.1 O Contexto Internacional
2. DIRETRIZES INTERNACIONAIS E NACIONAIS – O CONTEXTO E
ASPECTOS LEGAIS E INSTITUCIONAIS DE PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO
(P2) E REDUÇÃO DE RESÍDUOS (R2), E O CENÁRIO ATUAL BRASILEIRO
NA GERAÇÃO E GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS (RI’s)
2.1 Marcos Históricos e Políticas
2.1.1 O Contexto Internacional
O processo de ecologização da sociedade, isto é, a emergência do ambientalismo,
ocorreu a partir da década de 50 do Século XX, em variados momentos que propiciaram
paulatinamente a percepção da magnitude da crise ambiental, com a conseqüente entrada das
idéias ambientalistas em setores cada vez mais amplos na sociedade, o que por sua vez
apresentou repercussões em suas respectivas práticas sociais, nas correntes de pensamento da
relação sociedade e natureza e, finalmente, na inserção da questão ambiental na arena política
(Layrargues, 1996).
A problemática ambiental assumiu tamanha proporção que o ideário ambientalista
transcende o lirismo ecológico e o ecologismo dos cientistas da década de 50, o ecologismo
“subversivo” das ONG’s contra a ordem estabelecida nos anos 60, chegando ao limite de
interferir nas instâncias decisórias de governos nacionais na década de 70, com a publicação
do memorável Relatório Meadows pelo MIT intitulado Limits to Growth (Limites ao
Crescimento) em 1972, e com a realização da histórica Conferência de Estocolmo no mesmo
ano, na Suécia, que teve a ousadia de colocar em cheque os tradicionais modelos de
crescimento econômico e invocando as Nações Unidas a repensá-lo. O resultado desse
processo culmina, na década de 80, e mais acentuadamente na década de 90, com a definitiva
entrada em cena do ecologismo dos setores ligados ao sistema econômico, como demonstram
os seguintes marcos históricos atinentes ao objeto desta pesquisa:
Relatório WCED (1987)
Em 1987, no relatório intitulado “Nosso Futuro Comum”, a CMMAD – Comissão
Mundial para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (do inglês World Commission on
Environment and Development – WCED) apresentou os imperativos estratégicos – condições
23
suficiente para satisfazer as necessidades e aspirações humanas e uma distribuição mais
eqüitativa dos frutos do crescimento dentro e entre nações; as nossas reservas em declínio de
capital ecológico devem ser conservadas e aumentadas, e o montante de energia e de
recursos naturais contido em cada produto deve ser reduzido”; e, sobretudo, “o ambiente
e a economia devem ser integrados em todas as nossas principais instituições detentoras de
poder decisório – governo, indústria e família” (Brundtland, apud Neill, 1991, p.32-33)
(grifos nossos).
Rio-92 (ou Eco-92)
A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano,
realizada no Rio de Janeiro em 1992 (Rio-92), constituiu a plataforma em que pela primeira
vez se defendeu a tese de que existe uma “fatura ecológica” (Furtado, 2000) a ser paga pelos
países que se beneficiaram da destruição de recursos não-renováveis, ou somente renováveis a
elevado custo, que está na base do estilo de vida de suas populações. A degradação ambiental
causada pelo desmatamento, pesca predatória, aquecimento global, redução da camada de
ozônio, chuvas ácidas, exaustão do solo, poluição do ar e dos rios, disposição inadequada de
resíduos perigosos, escassez dos recursos naturais e extinção de espécies, em geral resulta de
uma série de ações individuais que, se analisadas em conjunto, podem apresentar
conseqüências extremamente danosas.
Por não ser possível conhecer os limites de tolerância do planeta Terra a essas
pequenas ações, entende-se prudente assegurar uma determinada margem de segurança, para
evitar danos globais irreversíveis. Trata-se da aplicação do princípio da precaução conforme
estabelecido na Declaração do Rio sobre Ambiente e Desenvolvimento, e que tem norteado o
estabelecimento de programas, acordos multilaterais e políticas sustentabilistas em nível
globalizado.
Agenda 21
A Rio-92 foi a mais importante conferência organizada pela ONU em todos os tempos.
Seu principal documento, a Agenda 21, com 170 países signatários, é a proposta mais
consistente que existe de como alcançar o desenvolvimento sustentável. É um planejamento
do futuro com ações de curto, médio e longo prazos, que estabelece um elo de solidariedade
entre nós e as futuras gerações. Trata-se de um roteiro de ações concretas, com metas,
recursos e responsabilidades definidas. Dentre os 40 capítulos que constituem este programa
24
estratégico e universal para alcançarmos o desenvolvimento sustentável no século XXI, numa
verdadeira parceria entre governos e sociedade, transcrevemos trechos daqueles que invocam
a importância do aspecto preventivo, conforme segue:
“Capítulo 4 – Mudança dos padrões de consumo – Atividades – (a) Estímulo a uma maior
eficiência no uso da energia e dos recursos; (b) Redução ao mínimo da geração de
resíduos.” As seções seguintes descrevem como fazê-lo.
“Seção 4.18 – A redução do volume de energia e dos materiais utilizados por unidade na
produção de bens e serviços pode contribuir simultaneamente para a mitigação da pressão
ambiental e o aumento da produtividade e competitividade econômica e industrial. Em
decorrência, os Governos, em cooperação com a indústria, devem intensificar os esforços para
utilizar a energia e os recursos de modo economicamente eficaz e ambientalmente saudável,
como se segue:
(a) Com o estímulo à difusão das tecnologias ambientalmente saudáveis já existentes
(b) Com a promoção da pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias ambientalmente saudáveis (c) Com o auxílio aos países em desenvolvimento na utilização eficiente dessas tecnologias e no
desenvolvimento de tecnologias apropriadas a suas circunstâncias específicas
(d) Com o estímulo ao uso ambientalmente saudável das fontes de energia novas e renováveis (e) Com o estímulo ao uso ambientalmente saudável e renovável dos recursos naturais renováveis
Seção 4.19 – Ao mesmo tempo, a sociedade precisa desenvolver formas eficazes de lidar com
o problema da eliminação de um volume cada vez maior de resíduos. Os Governos,
juntamente com a indústria, as famílias e o público em geral, devem envidar um esforço
conjunto para reduzir a geração de resíduos e de produtos descartados, das seguintes
maneiras:
(a) Por meio do estímulo à reciclagem no nível dos processos industriais e do produto consumido (b) Por meio da redução do desperdício na embalagem dos produtos
(c) Por meio do estímulo à introdução de novos produtos ambientalmente saudáveis”