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Na reta final da campanha, os finalistas ao cargo de governador foram confrontados por duas vezes: inicialmente na TV Tambaú, posteriormente na TV Cabo Branco. O primeiro debate, realizado e transmitido ao vivo do Teatro do SESI pela TV Tambaú no dia 23 de outubro de 2006, foi noticiado no dia seguinte pelo jornal O Norte30:

29 Linhas horizontais escuras presentes nos monitores CRT e captadas pela câmera fotográfica.

Houve troca de acusações e insinuações pesadas de parte à parte. Mas o debate, ontem, apresentado pela TV Tambaú e mediado pelo jornalista Hermano Henning, em João Pessoa, mostrou firmeza de Cássio como de Maranhão na abordagem dos temas. O pagamento de pessoal foi um dos pontos de discórdia. Maranhão insistiu na impontualidade da folha e no empréstimo consignado para o servidor receber proventos. Cássio recordou que encontrou déficit de caixa no final do mandato de Roberto Paulino, que sucedeu a Maranhão, e teve que apelar para o empréstimo ‘sem que isso representasse ônus para os funcionários’. Na questão da Saúde, Maranhão acusou Cássio de não aplicar limites previstos na Constituição. Cássio rebateu que administrou uma herança caótica no setor, com hospitais paralisados que só o seu Governo reabriu.

De acordo com o restante da matéria de Nonato Guedes, a tônica do debate foi a tentativa de desqualificação de ambos os lados. Argumentos como as possíveis causas do rompimento da barreira de Camará, em Alagoa Grande, a falta de investimentos no setor turístico no Prodetur II, o superfaturamento de obras na administração passada foram tópicos usados por ambos como arma de ataque e defesa. A imagem pública de José Maranhão, sugerida por Cássio, foi a de “disseminador de mentiras e inverdades”, atribuindo falsamente ao seu governo a construção do Ginásio do Colégio Pio X e do Hospital de Urgência, em Campina Grande. José Maranhão, por sua vez, sugeriu que Cássio estaria acometido do “fenômeno de transferência”, explicado pela psiquiatria.

Isoladamente, durante a campanha, a imagem pública dos dois candidatos projetou suas principais características: Cássio, o jovem dinâmico, culto, eloquente, bonito, elegante e que não hesitava em entrar em contato direto com o povo, trazia consigo a energia da juventude e a herança política do pai, Ronaldo Cunha Lima. Por outro lado, José Maranhão, representante da política tradicional na Paraíba, trazia, dentre outros atributos, a experiência de dois mandatos de governador do Estado e um carisma que conquistava pela simpatia e pela intimidade com o povo, apesar da sua falta de eloquência e vários vícios de linguagem, aliás, sua marca registrada. De acordo com o jornalista Suetoni Souto Maior31, a participação de José Maranhão no debate da TV Cabo Branco no primeiro turno fora considerada apática, e o candidato, bombardeado pelos candidatos Cássio Cunha Lima e David Lobão (PSol).

Nesse sentido, a atuação do candidato do PSol foi apontada, por Mello (2010), como a responsável pela mudança no cenário da disputa, já que “a pulsão televisiva do candidato David Lobão, se não lhe rendeu pouco mais de vinte mil votos, foi suficiente para conduzir a eleição governamental paraibana para o segundo turno” (MELLO, 2010, p. 95). Com o advento do segundo turno, vem à tona a antiga disputa entre Maranhão e os Cunha Lima,

31Disponível em: < http://noticias.terra.com.br/eleicoes2006/interna/0,,OI1207614-EI6672,00 PB+

cristalizada em 1998 na cisão do PMDB. Assim, o embate ganhou novo fôlego, e a disputa se acirrou. Na tentativa de apaziguar os ânimos e a troca de ofensas, até o Arcebispo Dom Aldo Pagotto participou do guia eleitoral dos candidatos, iniciando pelo de Cássio. De acordo com os comentários de Clóvis Gaião32:

[...] Dom Aldo surpreendeu ao aparecer no guia eleitoral ontem do candidato à reeleição Cássio Cunha Lima (PSDB) enaltecendo as virtudes do candidato e criticando a propagação de mentira da campanha. [...] esclareceu que autorizou a exibição de sua imagem por ser um espaço importante para orientar os eleitores a votarem de forma consciente e cobrar dos candidatos uma campanha positiva e tranqüila. [...] garantiu que em nenhum momento da campanha pediu votos para o candidato A ou B e que também participará do programa do candidato José Maranhão (PMDB). [...] Ele explicou que é contra a participação de padres na política partidária e que como arcebispo tem o dever de orientar os cidadãos a votarem de forma consciente. Na última quinta-feira Dom Aldo Pagotto declarou que o senador José Maranhão (PMDB), candidato ao Governo do Estado [...] é um político preparado para conduzir os destinos da Paraíba com segurança e firmeza. Embora sob a justificativa de orientar os eleitores, mesmo “à revelia” da arquidiocese paraibana, Dom Aldo recebeu duras críticas de políticos, como o vereador Tavinho Santos. Dentre as quais, segundo matéria de Paulo de Pádua33, o vereador declarou que o Arcebispo

acendeu “... uma vela pra Deus e outra para o diabo” ao aparecer nos guias dos dois candidatos e, assim, se envolver diretamente na campanha política do Estado da Paraíba. Ao aproximar-se o último debate, o cenário e os papéis dos atores de um dos maiores embates do Estado foram sendo definidos e aguardados pela população num dos espetáculos políticos mais aguerridos do Estado. O desfecho, longe de ser concluído nesta eleição, culminaria na vitória de Cássio e sua recondução ao governo do Estado da Paraíba, pelo menos por enquanto, haja vista a disputa continuar nos tribunais até a recondução de José Maranhão.

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