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O contrato de trabalho e suas especificidades

Capítulo 2 A Dignidade do trabalhador frente á sua necessidade

2.1 O contrato de trabalho e suas especificidades

Sendo o objeto da análise a questão da dignidade no mundo do trabalho, faz-se necessário entender conceitualmente o conceito de contrato de trabalho, no entendimento de Arnaldo Sussekind, tem-se que:

No Brasil, tendo em conta o disposto nos arts. 2° e 3° da CLT, o contrato individual de trabalho pode ser definido como negócio jurídico em virtude do qual um trabalhador obriga-se a prestar pessoalmente serviços não-eventuais a uma pessoa física ou jurídica, subordinado ao seu poder de comando, dele recebendo os salários ajustados. ” (SUSSEKIND, 2002 apud, SARAIVA, 2010, p. 56),

Logo entende-se por contrato de trabalho aquele, em que, um ser humano é capaz de se submeter ao comando de outro em troca de remuneração, desta forma cabe a ele cumprir as tarefas que lhe são dadas por seu empregador assim temos uma relação entre empregado e empregador, mesmo a CLT definindo contrato de trabalho em seu artigo 442 estabelece “Contrato individual de trabalho é o acordo tácito ou expresso, correspondente à relação de emprego. ”

Sergio Pinto Martins (2009 p. 78) tratando do tema afirma:

O contrato de trabalho é gênero, e compreende o contrato de emprego. Contrato de trabalho poderia compreender qualquer trabalho como o do autônomo, do eventual, etc. Contrato de emprego diz respeito à relação entre empregado e empregador e não a outro tipo de trabalhador. Daí por que se falar em contrato de emprego, que fornece a noção exata do tipo de contrato que estaria sendo estudado, porque o contrato de trabalho seria gênero e o contrato de emprego, espécie.

Desta forma pode-se compreender que o termo contrato de trabalho está equivocado, pois ele não define especificamente uma relação de emprego logo ele pode ser enquadrado a inúmeras relações contratuais previstas pela CLT, sem realmente se referir ou contrato individual de trabalho, ou seja sem requerer as condições essenciais para que exista uma relação de emprego desta forma gerando uma certa desqualificação de suas obrigatoriedades e seus deveres logo tornando impossível sua definição.

Assim pode-se dizer que o contrato de trabalho é o acordo de vontade existente entre o empregador e o empregado, em que o empregador comprometesse mediante um salário a prestar serviços de forma individual e não eventual e mantendo uma relação de subordinação com o empregador com o intuito de almejar lucros para o mesmo.

Mesmo este contrato sendo regido por leis que o definem e o orienta o estado tem sua vez como mediador, pois cabe a ele fazer cumprir a lei e evitar que este contrato se torne abusivo ao trabalhador que é a parte mais frágil nesta relação, mas sem trazer ele para a esfera pública, pois o contrato de trabalho acima de tudo é um contrato privado logo seus termos são

definidos por suas partes e por suas vontades, assim pode-se dizer que cabe tão somente ao estado defender o trabalhador frente às afrontas cometidas aos seus direitos por seu empregador, porém sem interferir nas vontades das partes desde que legitimas.

Apesar do contrato de trabalho tendo sido originado do contrato de locação apresentado pelo código civil ele se distingui dele por suas peculiaridades como nos mostra Martins (2009, p. 89) que desta forma nos apresenta: “o pacto laboral é um contrato típico, nominado, com regras próprias, distinto do contrato de locação se serviços do Direito Civil, de onde se desenvolveu e se especializou”. Logo pode-se dizer que mesmo tendo se originado do contrato de locação se distinguem em sua totalidade.

Deste modo temos que observar as seis caractericas que definem o contrato de tralho como tal e que sua falta o descaracteriza, sendo as mesmas: o trabalho deve ser executado por pessoa física, com pessoalidade (intuitu personae), com onerosidade, de forma não-eventual, em situação de subordinação jurídica e com alteridade.

Quando falamos que deve ser realizado por pessoa física entendemos que não aceita que seja constituído por pessoas jurídicas, pois desta forma estaria falando de terceirização, e não de contrato de trabalho, logo descaracterizando o mesmo, em relação a personalidade pode-se dizer que a mesma é vital para a existência de tal relação, pois o empregado deve de cumprir suas obrigação pessoalmente sem substituição salvo situações específicas elencadas pela lei, como Delgado (2006, p. 291) especifica: “que a prestação do trabalho, prestada pela pessoa natural, tenha efetivo caráter de infungibilidade no que tange ao trabalhador”, assim pode-se dizer que a personalidade só se aplica ao empregado e não ao empregador como nos explica Delgado (2006, p. 293):

No tocante ao empregador não vigora a pessoalidade, já que no Direito do Trabalho vigora a diretriz da despersonalização da figura do empregador.[...] pode ocorrer a constante alteração subjetiva do contrato, desde que no polo empresarial, mantendo-se em vigor as regras contratuais anteriores com relação ao mesmo empregado, conforme estabelecido nos arts. 10 e 448 da CLT

Assim se entende que mesmo que altere o empregador em sua pessoa física ou jurídica isso não altera a relação de trabalho preestabelecida e deve manter os direitos e garantir que já lhe eram devidos, deste modo pode-se compreender que a personalidade é obrigatória ao empregado e não ao empregador.

Perante a não-eventualidade deve-se analisar o que nos diz Delgado (2006, p. 293) “para que haja relação empregatícia é necessário que o trabalhado prestado tenha caráter de permanência (ainda que por um curto período determinado), não se qualificando como trabalho esporádico”, assim pode-se dizer que a periodicidade e o que define o vínculo empregatício.

Já a onerosidade é uma característica fundamental, logo um contrato de trabalho jamais poderá ser realizado de forma gratuita, pois isto seria uma afronta ao contrato de trabalho e a dignidade da pessoa humana, porque desta forma estaríamos falando de trabalho escravo e não de uma relação de trabalho legal, a onerosidade vem do fato de que é obrigação do empregado prestar seus serviços e do empregador de remunerar de forma justa.

Por sua vez a alteridade se define no fato de que o risco da atividade econômica é de exclusividade do empregador não podendo atingir de forma alguma o empregado, pois é dever do mesmo garantir o cumprimento de suas obrigações sem infringir ao empregado seus problemas econômicos.

A subordinação vem como a principal característica que define uma relação de trabalho e elenco se não a principal uma das mais relevantes características para se definir um contrato de trabalho, pois é esta característica que fundamenta quase todas as demais características como nos mostra Delgado (2006) “é a subordinação, entre todos os demais elementos elencados, que ganha maior proeminência na conformação do tipo legal da relação empregatícia” já para SANCHES (2006, p. 78) “traduz-se na situação em que dá autonomia de sua vontade, para o fim de transferir ao empregador o poder de direção sobre a atividade que desempenha.”. Deste modo pode-se dizer que esta subordinação se aplica ao caráter jurídico, assim cabendo ao empregado prestar suas obrigações sob o comando do empregador cabendo a ele definir a forma de trabalho a ser realizada.

Estabelecido e definido o contrato de trabalho e suas características é importante que seja observada a condição que a atividade laboral exerce na vida da pessoa, objeto do tópico seguinte.

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