Sendo a inovação considerada um dos principais promotores de evoluções socioeconómicas dos países que
apostam no desenvolvimento do produto, cada vez mais, é-lhe atribuída uma posição de relevância na
construção de vantagens competitivas das empresas e na implementação de estruturas benéficas para o
desenvolvimento da economia. Estruturas essas, criadas também para gerir e garantir a qualidade, os recursos
necessários e os procedimentos operacionais, devem também incluir elementos que identifiquem de que forma
a gestão tem influência na qualidade do produto final. Assim, a relação entre a Qualidade, Inovação e
Desenvolvimento do produto têm sido tratadas de uma forma cada vez mais extensiva, tendo em conta
diferentes perspetivas e abordagens.
Desse modo, o fenómeno da Inovação está relacionado com a capacidade que uma empresa tem de gerar,
de mudar, alterar ou desenvolver algo de novo no mercado, como por exemplo, a introdução de novos produtos
e ideias, transformando informações de oportunidades do mercado e de possíveis tecnologias, em informações
vantajosas para a elaboração e comercialização de um produto.
Assim, surgem os Fab Labs, com a necessidade de se obter uma versão final dos produtos em tempos cada
vez menores. Desta forma, com o protótipo, é possível propor uma solução adequada ao cliente e, a partir daí,
mais ajustes poderão ser feitos, com a finalidade de adequar o produto às expectativas e objetivos solicitados.
O protótipo é a forma mais rápida e económica de se definir e experimentar um projeto. Esses dois motivos
por si só já garantem sua importância, contudo, um processo de desenvolvimento e construção de protótipos
que seja minimamente robusto e considere todas as necessidades da sua conceção, divide-se em várias etapas,
desde a coleta das necessidades dos clientes, passando pela elaboração e validação do design até à aprovação
final do produto.
Em suma, o processo de desenvolvimento de novos produtos fornece várias oportunidades, inclusive a de
renovação constante das empresas, podendo elas assim atingir e manter uma posição vincada no mercado em
que atuam.
CONCLUSÕES
Os FabLabs são conhecidos por serem pequenas oficinas onde qualquer pessoa, instituição ou empresa
podem desenvolver ou criar algo. São lugares onde se pode fazer qualquer coisa, por isso os Fab Labs oferecem
diversos equipamentos bastante versáteis e uma diversa gama de serviços prestados.
Assim, o objetivo desta pesquisa foi comparar a realidade sociodemográfica e económica dos Fab Labs
Portugueses com os FabLabs dos principais países europeus (Itália, França, Alemanha, Holanda e Espanha) e
dos EUA.
Desse modo, os resultados obtidos mostram que na realidade portuguesa ainda existem alguns Fab Labs
numa fase embrionária com poucos utilizadores associados ou registados, mas, por outro lado, outros
apresentam já outra maturidade com mais de 100 utilizadores. O número de trabalhadores voluntários também
demonstra que os Fab Labs Portugueses ainda não estão na dimensão de alguns dos Fab Labs de outros países.
Os Fab Labs Portugueses têm áreas de trabalho e capacidade de investimento em maquinaria e tecnologia
semelhantes aos dos restantes países europeus. No entanto, a nível de volume de negócio, existe uma diferença
grande entre Portugal e alguns dos países europeus, sendo que Fab Labs americanos têm realidades
completamente diferentes das europeias, com um volume de negócio de mais de 6 vezes comparativamente
com a média europeia.
Existem, também, bastantes diferenças relativas aos cursos experimentais entre Portugal e os restantes,
podendo este indicador ser o de uma barreira à inovação, à informação e ao conhecimento de novas tecnologias
e realidades presentes e futuras em Portugal. Este indicador pode estar relacionado com outros resultados
obtidos, nomeadamente com o facto dos Fab Labs Portugueses terem uma consideração menor por fatores
como a qualidade, ergonomia, segurança e design na conceção dos seus produtos, podendo isto ser provocado
por um défice de conhecimento a determinados níveis em Portugal. Também com os factos de nos Fab Labs
Portugueses ainda ser predominante uma tecnologia de manufatura subtrativa ao invés de uma manufatura
aditiva, como se comprova nos restantes países, demonstra falta de inovação, de informação e de
conhecimento. Outro dos factos que vai ao encontro do descrito anteriormente, é o caso de em Portugal o nível
de conhecimento em IoT, sendo esta uma tecnologia relativamente recente e talvez a tecnologia com maior
margem de progressão num futuro próximo, estar abaixo de todos os outros países.
No entanto, é pertinente salientar a existência de algumas limitações na pesquisa. De facto, a existência de
Fab Labs em Portugal é ainda muito pequena, sendo, comparativamente aos restantes países considerados no
estudo, o país com menos Fab Labs. Porém, Portugal também é o país com menor número de população entre
os países em estudo e o 2º com menor área territorial. É importante considerar que a taxa de resposta dos Fab
Labs Portugueses é a maior com 64% de respondentes, Itália é o segundo maior com uma taxa de respostas
pouco acima dos 24%. Para a realização de investigações futuras, idealmente o número de Fab Labs em
Portugal deveria ser maior, para colmatar a discrepância com os restantes países em análise.
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ANEXOS - QUESTIONÁRIO ENVIADO AOS FABLABS PORTUGUESES
Este questionário tem como finalidade um estudo a nível nacional (Portugal) de todos os FabLabs ativos, e
uma posterior comparação com outros FabLabs a nível Europeu e dos EUA.
O questionário enquadra-se num processo de elaboração de uma tese de mestrado em Sistemas de Gestão
Integrados QAS no IPCA (Instituto Politécnico do Cávado e do Ave).
Com base nas experiências, na procura de novos projetos por parte dos clientes e na
experiência da evolução e progresso do mercado, quais as tecnologias que serão
determinantes, num futuro próximo, e que, quem sabe, talvez possam impulsionar a entrada
numa nova revolução industrial e o porquê?
No documento
O CONTRIBUTO DO SGQ NO DESENVOLVIMENTO DE PROTÓTIPOS E DE NOVOS PRODUTOS PARA A INDÚSTRIA NO ÂMBITO DOS FAB LABS
(páginas 53-77)