CAPÍTULO III – O DESENVOLVIMENTO DO PRONATEC BOLSA
3.1 Perfil da Instituição e do desenvolvimento do Pronatec Bolsa Formação
3.2.3 O corpo docente e a dualidade institucional
Como foi visto no Capítulo II, nas Instituições Federais, o corpo docente dos cursos desenvolvidos por meio do Pronatec Bolsa Formação é constituído a partir de processo seletivo. De acordo com a primeira CGBF (Coordenadora Geral da Bolsa Formação), no início, fazia-se um edital de processo seletivo específico para o público interno (docentes e técnicos- administrativos em educação) e apenas se sobrassem vagas era aberto novo edital de processo seletivo para selecionar profissionais externos à Instituição, com o objetivo de privilegiar a experiência e a afinidade com o projeto pedagógico institucional. No entanto, após orientação da Procuradoria Jurídica da Instituição, com vistas a assegurar o princípio de isonomia, passou- se a realizar a seleção dos docentes a partir de Edital único, contemplando o público interno e externo.
Os critérios de seleção observados nos Editais de processo seletivo correspondem à formação na área da disciplina (para cursos técnicos, no mínimo graduação, e para cursos FIC, no mínimo curso técnico ou comprovada formação e experiência profissional na área – como nos cursos de cabeleireiro e manicure e pedicure, por exemplo), titulação acadêmica, produção científica, experiência docente e profissional. Como critério de desempate, observa-se o intuito de priorizar os docentes da própria instituição ao se adotar critérios como: “maior tempo de efetivo exercício como docente no IF; e, maior número de Projetos de Extensão, devidamente
registrados na PROEX, desenvolvidos ou em desenvolvimento” (Edital IFFar n. 76/201599).
Assim, em 2012 e 2013, a participação dos servidores da própria instituição que atuavam no Programa era um pouco maior, em razão dos critérios seletivos e do fato de grande parte dos cursos terem sido ofertados nos próprios campi ou em outros locais na mesma cidade. No entanto, o aumento do número de cursos, contemplando áreas alheias à atuação do corpo docente institucional, a dificuldade de conciliar os horários das aulas no Programa com a carga horária regular de trabalho, a criação dos Centros de Referência em cidades distantes dos campi e a própria dificuldade de trabalhar com um público que está há muito tempo fora dos espaços escolares, o que exige maior dedicação dos professores, foram fatores identificados nas entrevistas, tanto com gestores quanto com professores, como responsáveis pela diminuição de professores internos no desenvolvimento do Programa nos anos seguintes.
Assim, com quase maioria dos docentes constituída por profissionais externos à instituição, aumentava a preocupação com o desenvolvimento pedagógico dos cursos e a necessidade de uma formação prévia desses profissionais com vistas a orientá-los no desenvolvimento da proposta pedagógica da instituição e dos objetivos do Programa no âmbito das suas atividades. Essa preocupação foi apontada pelos profissionais que atuaram/atuam na Coordenação Geral do Pronatec Bolsa Formação, os quais destacaram, ao mesmo tempo, as dificuldades na sua realização.
Apontou-se a dificuldade de viabilizar essa formação, uma vez que os profissionais são remunerados por hora/aula da disciplina para o qual foi selecionado, não sendo possível exigir dedicação para além desta carga horária. Outra dificuldade era a grande rotatividade dos professores, pois o corpo docente altera-se a cada novo edital de seleção. Soma-se a isso, também, o fato de o Programa ser coordenado pela PROEX, que não possuía entre seus servidores, desde o início, profissionais com formação na área pedagógica. Somente em março
de 2016, uma professora Pedagoga passou a integrar a equipe do Pronatec Bolsa Formação no âmbito da PROEX, com vistas a atender essa demanda.
Nos primeiros anos do Programa, conforme relata a CGBF 1, não ocorreu uma formação sistemática dos profissionais para atuação no Pronatec, em virtude da falta de profissionais da área e da impossibilidade de a Pró-Reitoria de Ensino assumir mais essa função:
Uma coisa muito falha – eu acho que o programa vai acabar e vou ficar com essa mágoa, assim – é a gente nunca ter conseguido, por mais que se tenha pensado durante 3 anos consecutivos em fazer uma formação pedagógica para as pessoas que trabalham, para os professores... Mas a gente nunca teve, porque a gente nunca conseguiu ter um pedagogo aqui dentro. A gente nunca conseguiu ter um apoio suficiente. Também porque a Pró-Reitoria de ensino tem inúmeras demandas, não tem também como tirar o pessoal que está trabalhando lá, para trabalhar aqui. Não conseguimos atrair nenhuma pessoa para poder desenvolver, mesmo que fora do seu horário de trabalho, as atividades [pedagógicas] do Pronatec. Então a gente não conseguiu dar essa formação: uma formação para a equipe gestora e uma formação para os professores. A gente queria formar os agentes do Campus e eles formariam os professores. Cada leva nova de professores que recebem, eles formariam: como é que o instituto trabalha? Que documentos a gente utiliza? (Entrevista CGBF 1 IFFar, 2016)
No âmbito da Reitoria, a Pró-Reitoria de Ensino é o espaço onde se desenvolve, de forma prioritária, as questões relacionadas ao ensino, à aprendizagem e à formação docente. O fato de o Programa ser desenvolvido por outra Pró-Reitoria que não tem o ensino como área prioritária de atuação, acarreta esse tipo de dificuldade. Por outro lado, é realizado por equipes que recebem bolsa para desenvolver esse trabalho, o qual deve ser acrescido à carga horária de trabalho semanal, o que exime ou impede a participação dos demais profissionais. Essa mesma situação, observada pela coordenação geral do Programa, também ocorre no âmbito dos campi, em relação à atuação das equipes pedagógicas (profissionais ligados à Direção de Ensino), uma vez que a execução do Programa está ligada à Diretoria de Pesquisa, Extensão e Produção. De acordo com o CGBF 2, essas equipes não se envolvem no atendimento pedagógico dos estudantes do Pronatec, mesmo quando os cursos são desenvolvidos nas instalações dos campi:
Ela não se envolve. O problema de ter bolsa é isso... Essa deveria ser uma contrapartida do Campus. Mas é a mesma dificuldade que a gente tem com EaD, com tudo que envolve bolsa, infelizmente tira do compromisso uma série de pessoas que não tem bolsa. Não deveria ser assim, mas infelizmente é. Na realidade isso deveria ser contrapartida do campus, né? (Entrevista CGBF 2 IFFar, 2016).
A constituição de uma equipe própria para o desenvolvimento do Programa nas instituições federais de ensino, a qual é selecionada por meio de processo seletivo próprio e remunerada para esse fim, cria uma estrutura à parte dos cursos regulares, não permitindo sua
integração orgânica às atividades da instituição. Essa dualidade instituída com o Pronatec faz emergir situações, como a descrita por um dos CGBF, de que estudantes do Pronatec estariam sendo impedidos de frequentar a biblioteca em um dos campi em razão de não serem considerados alunos da unidade de ensino. Ocorrendo, nesse sentido, um estranhamento do trabalho desenvolvido pela própria instituição.
Essa mesma realidade é apontada em outras pesquisas que analisaram o Pronatec no âmbito das Instituições Federais de Ensino. Em pesquisa realizada no Instituto Federal do Rio de Janeiro, Ramos (2014) identificou que o Programa criou “uma estrutura paralela, com base em contratos de trabalho temporário e em uma organização pedagógica e administrativa improvisada” (p. 09). O próprio ex-Secretário de Educação Profissional, Eliezer Pacheco, faz uma avaliação sobre o Pronatec Bolsa Formação, apontando que,
ao ser receptor de tais iniciativas, os Institutos Federais acabaram por criar uma estrutura paralela de atendimento: os alunos normais e os do PRONATEC. Com o estímulo de uma bolsa, o Programa tem aderido a um grande número de interessados. A nosso ver, esse modelo tem sido um grande desafio para a Rede Federal. Na realidade está se convivendo com uma rede dentro de outra (PACHECO, 2015, p.62).
A gestora do IFFar também reconhece essa dificuldade de operacionalização do Programa, articulando os diferentes setores da instituição:
É, isso traz alguma dificuldade, sim. Começou pela extensão, porque o grande foco inicial foi curso FIC, e os cursos FICs, dentro das dimensões da extensão que foram criadas para a Rede Federal, são vistos como mais do que uma ação pedagógica, uma ação de articulação entre a instituição e a sociedade, por isso estão na extensão. A partir do momento em que os cursos técnicos começaram a ganhar corpo, o Programa está dentro da Pró-Reitoria de Extensão, mas, evidentemente, a questão pedagógica tem que estar contemplada e, infelizmente, apesar de a gente, enquanto professor, ter muito forte o discurso da transdisciplinaridade, da articulação entre as áreas, na hora de operacionalizar não é algo fácil. Então hoje, eu posso te dizer, que a articulação entre a PROEX e a PROEN no que diz respeito aos cursos técnicos ela já melhorou bastante, até porque todos os cursos técnicos passam por uma análise da Pró-reitoria de Ensino. Mas, de qualquer forma, realmente não é uma engrenagem azeitada. Temos alguns problemas, e inclusive, para minimizar um pouco isso, porque eu tenho uma preocupação muito grande com a questão pedagógica, e principalmente com a questão da formação dos professores externos, nós estamos trazendo para a PROEX um professor pedagogo para assumir esse caráter mais pedagógico das atividades. Mas, realmente, assim, é algo que a gente não conseguiu azeitar integralmente. É uma política externa que acaba interferindo no funcionamento, nas dinâmicas internas da instituição (Entrevista Gestora IFFar, 2016).
No âmbito do Fórum dos Dirigentes de Ensino da Rede Federal, as discussões relacionadas ao Pronatec também traziam à tona essa dualidade. De acordo com o Coordenador do FDE, as instituições apresentavam diferentes arranjos em relação à gestão do Pronatec Bolsa
Formação: a grande maioria inseriu o desenvolvimento do Programa no âmbito da Pró-Reitoria de Extensão, algumas no âmbito da Pró-Reitoria de Ensino e outras, ainda, criaram uma “estrutura própria” para o Programa, ligada ao Gabinete da Reitoria.
Independente do lócus de sua execução, os pró-reitores de ensino da Rede manifestavam grande preocupação em relação à concepção de educação profissional promovida pelo Programa, segundo o Coordenador. Centrado na oferta de cursos de curta duração, embora contemplassem a formação de grande parcela de trabalhadores, o Programa não priorizava a oferta de uma formação integral, e sim uma “qualificação para o trabalho mais voltada para um mero mercado de trabalho, reprodução, atendimento dessa demanda mercadológica, ao invés daquela concepção de formação integral, omnilateral, politécnica, que se pretendia nos Institutos Federais” (Entrevista Coordenador FDE, 2018). Nessa direção, completa:
então, todo aquele trabalho que vinha se fazendo na rede, em termos de discussão da formação integral, da integração Cultura, Ciência, Trabalho e Tecnologia, para não formar profissionais apenas para o mercado do trabalho, não apenas formar mão de obra qualificada para o mercado de trabalho, mas, também, profissionais qualificados para o mundo do trabalho, ficou comprometido com o Pronatec, porque gerou uma crise de identidade no âmbito da concepção de ensino dos próprios Institutos Federais (Entrevista Coordenador FDE, 2018).
Quando o Programa não era desenvolvido no âmbito da Pró-Reitoria de Ensino, por outro lado, muitos pró-reitores relatavam o sentimento de que se tornavam “apenas uma máquina para validar os projetos pedagógicos” (COORDENADOR FDE), comprometendo da mesma forma o espaço de debate sobre a concepção de ensino. De qualquer modo, pode-se apontar que o fato de haver uma forma de fomento e gestão paralela às atividades da instituição, independente do local onde é gestado, promovia essa dualidade.
No âmbito do IFFar, o Pró-Reitor de Ensino assinala que o desenvolvimento do Pronatec gerou esgotamentos institucionais, que comprometeram o desenvolvimento de um projeto de ensino institucional: “falo em projeto de ensino, não como Pró-Reitoria de Ensino, mas, integrando ensino, pesquisa e extensão em nível institucional, parece ter sido muito prejudicado” (Pró-Reitor de Ensino IFFar). Nessa direção, exemplifica alguns dos conflitos gerados pelo Programa em âmbito institucional, que impactaram no desenvolvimento das atividades institucionais:
Nas reuniões da Pró-Reitoria de Ensino com os Diretores de Ensino era sempre um muro de lamentações, justamente por esse motivo: qual era a dificuldade? Chegou um determinado momento em que era difícil convencer os colegas, como se convencidos fosse necessário, a fazer aquilo para o qual foram contratados em essência. Porque embora houvesse a previsão de que não entraria na carga horária regular, da jornada semanal, que receberiam por fora, portanto, deveriam fazer a mais, isso não acontecia.
Porque muitos servidores, muitos docentes, se comprometiam com isso, e quando eram cobrados para fazer aquilo para o qual foram contratados, essencialmente, a fazer, atuar nos cursos regulares, fazer projeto de pesquisa, fazer projeto de extensão, participar das atividades regulares do Campus, reunião pedagógica, conselho de classe, formações, etc., eles alegavam que não podiam, porque estavam sobrecarregados, porque tinham que fazer Pronatec, como se a instituição estivesse obrigando-os a fazer isso. E aí, por um lado, os diretores de Ensino, com a Pró-Reitoria de Ensino, fazia essa briga, em nível institucional, para garantir o bom funcionamento das atividades regulares, pelo outro lado, ao invés de trabalharmos juntos, a Pró- Reitoria de Extensão e outros setores, junto com os Diretores, Coordenadores de Extensão, e os que recebiam Bolsa do Pronatec, brigavam para que se diminuísse a carga horária desses servidores que atuavam no Pronatec, para poder atender o Pronatec, porque era prioridade do Governo. Então, nós brigávamos pela prioridade, sem saber qual era a prioridade. Na verdade, nós sabíamos qual era a prioridade. O que muitos de nós não queria ver, era que atender essa prioridade significava abrir mão de ficar recebendo Bolsa, penduricalho salarial, para atender aquilo para o qual fomos feitos. Então, pessoalmente, como Pró-Reitor, considerei isso traumático, desgastante, e hoje, depois aí de todo esse tempo, não observo resultados palpáveis, concretos, benéficos e duradouros daquilo que foi feito por meio do Pronatec, no âmbito do IFFar e das demais instituições (Pró-Reitor Ensino IFFar).
Esse depoimento revela as tensões geradas pelo Programa em âmbito institucional. As contradições que permeiam esta política se traduzem em disputas internas, que interferem não apenas na dinâmica de trabalho, mas no próprio projeto pedagógico institucional.
Em 2016, a PROEX do IFFar recebeu em sua equipe do Pronatec uma professora pedagoga, com a função de dar suporte ao desenvolvimento pedagógico do Programa, atuando no cargo de Coordenadora Ajunta da Bolsa Formação (CABF IFFar). Esta servidora realizou ao longo daquele ano uma formação com as equipes do Pronatec, especialmente nos Centros de Referência, com vistas a identificar as dificuldades e fomentar a formação pedagógica dos docentes. Porém, de acordo com a CABF IFFar, algumas dificuldades identificadas no processo de ensino e aprendizagem não puderam ser atendidas em razão da própria estrutura do Programa.
Em virtude do perfil do público atendido (estudantes de ensino médio, agricultores, mulheres em vulnerabilidade social, público beneficiário de políticas de redistribuição de renda, entre outros), os estudantes possuem dificuldades no acompanhamento das aulas, necessitando de um atendimento individualizado pelo professor para além do horário regular. No entanto, isso não ocorria, pois, o docente é pago apenas para desenvolver a carga horária da disciplina e, muitas vezes, mesmo que esse profissional tivesse interesse em atender o aluno para além das aulas regulares, a sua jornada de trabalho ou a distância entre a sua residência e o local das
aulas inviabilizavam essa prática100. Conforme relata a CABF IFFar:
100 Grande parte dos docentes externos à instituição desenvolviam outro trabalho, além das aulas no Pronatec,
a gente entende, a gente sabe quem é o aluno do Pronatec, mas quando nós selecionamos os professores, coordenadores, para atuar nesse programa, existem alguns empecilhos que não vão atender esse público, como, por exemplo: eu não tenho como pagar carga horária extra para esse professor trabalhar as dificuldades desse aluno. Eu não tenho. Então, se a disciplina é 40 horas, o professor só é pago por essas 40 horas, então, se o aluno precisar num contraturno, precisar num outro momento, precisar de um tempo a mais, que é o caso dos nossos alunos do Pronatec, do nosso público de alunos. A gente não tem como resolver, como organizar, e o programa cobra esse trabalho pedagógico. E como eu conto com a boa vontade dos professores para fazer o extra, ou a mais? (Entrevista CABF IFFar, 2017)
Com os atrasos nos repasses financeiros do Programa, o pagamento dos profissionais e da assistência estudantil para os alunos ocorria, muitas vezes, após decorridos vários meses da realização das aulas. Isso gerava ainda mais dificuldade no atendimento das necessidades de aprendizagem dos estudantes, pois, de um lado a instituição se sentia constrangida em cobrar essa dedicação para além da carga horária, frente à reclamação dos docentes em relação ao atraso na remuneração, e de outro, o não recebimento da bolsa por parte dos estudantes potencializava a evasão, o que tem implicações na carga horária dos profissionais encarregados da gestão pedagógica dos cursos, como no caso do Orientador – profissional que tem a responsabilidade de acompanhar o desenvolvimento pedagógico dos cursos, mediando as dificuldades dos professores e estudantes.
De acordo com a Resolução que normatiza o desenvolvimento do Pronatec Bolsa Formação no IFFar, a carga horária dos profissionais varia de acordo com o número de alunos atendidos – exceto o professor, o qual tem sua remuneração atrelada ao número de horas lecionadas. Todos os demais encargos podem ter carga horária que varia de 4 horas semanais, nas unidades com até 100 matrículas, chegando a 12 horas semanais, a partir de 500 matrículas. Em nível de Reitoria a carga horária remunerada desses profissionais corresponde às horas
trabalhadas para além da carga horária semanal do cargo para o qual foi concursado101,
obedecendo a um limite máximo. Pode-se observar essa relação nos quadros abaixo:
Quadro 2 – Remuneração dos Profissionais do Pronatec Bolsa Formação IFFar - Reitoria
Encargo Carga horária máxima semanal Remuneração
Coordenador Geral do Pronatec 8h R$ 50,00/hora
Coordenador Adjunto 5h R$ 44,00/hora
Supervisor de Curso 4h R$ 36,00/hora
Apoio às atividades acadêmicas e administrativas 7,5h R$ 18,00/hora Fonte: Organizado pela autora com base na Resolução CONSUP IFFar n. 71/2016.
Referência analisado, a maioria dos professores não residia no município; assim, nos dias que iam para a instituição tinham sua jornada diária ou até semanal totalmente preenchidas com aulas.
101 No IFFar, caso um servidor ocupante de cargo de gestão exerça algum encargo no Pronatec Bolsa Formação
não será remunerado com bolsa, pois já estaria recebendo função gratificada (FG) ou cargo de direção (CD) para desempenho do trabalho.
Quadro 3 – Remuneração dos Profissionais do Pronatec Bolsa Formação IFFar - Campus Encargo De 80 a 100 matrículas 101 a 300 matrículas 301 a 400 matrículas 401 a 500 matrículas Acima de 500 matrículas Remuneração
Coordenador Adjunto 4h 7h 8h 10h 12h R$ 44,00/hora
Orientador 4h 7h 8h 10h 12h R$ 36,00/hora
Supervisor de Curso 4h 7h 8h 10h 12h R$ 36,00/hora
Apoio às atividades acadêmicas 4h 7h 8h 10h 12h R$ 18,00/hora Apoio às atividades administrativas 4h 7h 8h 10h 12h R$ 18,00/hora
Fonte: Organizado pela autora com base na Resolução CONSUP IFFar n. 71/2016.
Quadro 4 – Remuneração dos Profissionais do Pronatec Bolsa Formação IFFar – Centro de Referência
Encargo De 80 a 100 matrículas 101 a 300 matrículas 301 a 400 matrículas 401 a 500 matrículas Acima de 500 matrículas Remuneração
Coordenador Adjunto 9 12 12 12 12 R$ 44,00/hora
Orientador 4 4 6 8 10 R$ 36,00/hora
Supervisor de Curso 4 4 6 8 10 R$ 36,00/hora
Apoio às atividades acadêmicas e/ou administrativas
20 20 20 20 20 R$ 18,00/hora
Fonte: Organizado pela autora com base na Resolução CONSUP IFFar n. 71/2016.
Essa medida102, de acordo com a Pró-Reitoria de Extensão, visa equilibrar a gestão
financeira do Programa – visto que o recurso disponível corresponde ao número de alunos e o valor da carga horária de cada profissional é definido por Resolução do FNDE – como também contemplar as diferentes necessidades de cada unidade. O CGBF 2 relata que o valor da carga horária paga ao professor (R$ 50,00 a hora/aula) e da bolsa paga aos estudantes (entre R$ 3,00
a R$ 3,75 a hora aula) compromete grande parte do recurso103, implicando na necessidade dessa
“flutuação” da carga horária dos demais profissionais, pois em alguns cursos que demandam um maior volume de material de consumo, como os da área de produção alimentícia, a instituição, por vezes, precisa complementar os recursos.
Por outro lado, nos cursos que não necessitam de muito material de consumo e quando são ofertados nos campi, grande parte dos recursos eram devolvidos em virtude das limitações no uso desse dinheiro pelas instituições federais, que se restringem à remuneração dos profissionais e material de consumo. Como relata a CGBF 1:
Para nós é uma burocracia imensa. Acho que em 2014, o número que a gente tinha