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O Correio do Estado e seus enlaces políticos

No documento Professores pesquisadores do projeto (páginas 131-133)

Mediações sobre o interior de MS nas páginas do Correio do Estado Mario Luiz Fernandes

1. O Correio do Estado e seus enlaces políticos

Fundado em 7 de fevereiro de 1954, o Correio do Estado é o segundo7 jornal mais antigo ainda em circulação em Mato Grosso do Sul. De suas origens aos dias atuais, sempre manteve fortes vínculos políticos partidários. Foi idealizado por expressivas lideranças da UDN (União Democrática Nacional), como Fernando Corrêa da Costa (então governador), José Manuel Fontanillas Fragelli (primeiro diretor-presidente do periódico, ex-senador, ex-deputado e ex-governador) e José Inácio da Costa Moraes (principal acionista). Criado em 1945, o jovem partido necessitava de um porta-voz para disseminar sua ideologia no então Mato Grosso uno, e assim o foi até a extinção da sigla em 1964. Também foi sua bandeira, difundir a criação do Estado de Mato Grosso do Sul, emancipado de Mato Grosso.

Diário, vespertino, formato tabloide, oito páginas e tiragem inicial de 2 mil exemplares, foi lançado em Campo Grande, cidade com cerca de 50 mil habitantes e que, ao lado de Corumbá, formava o conjunto das duas principais cidades do interior do estado. José Barbosa Rodrigues, considerado o patrono do jornal, foi contratado em 1957 para substituir um editor que havia sido demitido. Mais tarde, quando o grupo político deixou de investir na publicação, Rodrigues assumiu a direção. Posteriormente, tornou-se proprietário único ao comprar a parte da empresa que pertencia ao acionista José Inácio (SCWHENGBER, 2008).

Embalado pelo progresso registrado no sul de Mato Grosso, movido principalmente pelo setor pecuário, o jornal apoiou o golpe militar de 1964 vislumbrando a possível emancipação da região, pelo novo regime. Conforme Góis, (2020, p.155),

Nascido sob a tônica da política, o Correio do Estado assumiu um posicionamento editorial alinhado às classes conservadoras sul-mato grossenses, formadas pelas elites pecuaristas e intelectuais ligadas à UDN. A cobertura jornalística realizada em 1964 foi partidária e buscou deslegitimar o governo de João Goulart e criar consenso em torno da necessidade de intervenção militar para o reestabelecimento da ordem e salvaguarda da democracia e das instituições.

Em 1977, quando a divisão do estado se concretizou, enviou um repórter à Brasília para cobrir a solenidade de criação de Mato Grosso do Sul. Organizou, junto com a Rádio Cultura, uma passeata e colocou faixas nas ruas de Campo Grande para comemorar o acontecimento.

O novo estado foi implantado em 1979 com a nomeação do primeiro governador, Harry Amorim Costa, e eleição da Assembleia Constituinte. Com o crescimento populacional, aumentou a demanda noticiosa e já em 1981 a empresa

130 mudava para o prédio localizado na Avenida Calógeras, onde está instalada atualmente. Junto com as novas instalações veio expressiva mudança no projeto gráfico e a aquisição de modernos maquinários de impressão. Outro marco ocorreu em 5 de setembro 1994 com o início da impressão em cores. Era o primeiro jornal do país 100% colorido (CORREIO DO ESTADO, 2014).

José Barbosa Rodrigues faleceu em 2003, aos 87 anos, e a empresa passou para seus filhos, principalmente Antônio João Rodrigues, fundador e presidente do PSD (Partido Social Democrático) em Mato Grosso do Sul.8 Em 2014, foi candidato derrotado ao Senado, na coligação formada pelo PSDB, PPS, DEM, SD e PMN. Esta coligação era liderada pelo PSDB, cujo candidato Reinaldo Azambuja se elegeu governador. Entre 2002 e 2010, Antônio João foi suplente do senador Delcídio do Amaral (PT), e chegou a ocupar o cargo durante quatro meses em 2006. O empresário é também o diretor editorial do jornal.

Em 2016, circulava com média de 28 páginas divididas em cinco editorias fixas (Política, Economia, Cidades, Esportes e Correio B). De acordo com o IVC, a tiragem do Correio do Estado, maior jornal sul-mato-grossense, reduziu de 11.834 exemplares em 2015 para 9.466 em fevereiro de 2017. Em abril daquele ano, o jornal demitiu 15 jornalistas, publicou a última edição do seu suplemento rural e deixou de circular aos domingos. Novas demissões ocorreram em 2018 e 2019, como consequência da crise que o jornal atravessa nos últimos anos.

Desde seu início, se identifica como jornal de abrangência estadual. Porém, há mais de uma década, não dispõe de uma editoria específica para as cidades do “interior”, publicando esse material na editoria Cidades, ao lado de notícias sobre Campo Grande. Entretanto, possui editoria exclusiva para notícias internacionais e outra para notícias nacionais.

Quanto à circulação, ainda de acordo com o IVC (2014), 9.876 (83,07%) exemplares concentravam-se em Campo Grande, 1.780 (14,97%) no interior e apenas 36 (0,30%) chegavam a outros estados e exterior. No interior, circulava em 32 municípios9, menos da metade das cidades sul-mato-grossenses. Em duas dessas cidades não havia nenhum jornal impresso local: Rochedo e Jaraguari. O motivo pode estar no fato de fazerem limite com Campo Grande, que possui pelo menos 18 jornais entre diários e semanários. Entre as cidades do interior, segundo o IVC, Corumbá é onde o jornal tinha mais circulação (316 exemplares), seguida por Três Lagoas (142), Aquidauana (130) e Dourados (122), municípios-polo que lideram os índices populacionais e econômicos do estado.

O jornal teve sucursais em Dourados, Três Lagoas e em Ponta Porã, porém foram desativadas há cerca de dez anos. Desde então, passou a contratar

131 correspondentes freelancers fixos, ou seja, sempre que precisa de material sobre as cidades mais importantes, recorre aos mesmos profissionais prestadores de serviço. Porém, em 2016, esse sistema era utilizado apenas em Três Lagoas.

O jornal contava com 25 profissionais na produção jornalística, todos com graduação na área, conforme as exigências da empresa. A equipe era subdivida em editorias com os respectivos subeditores e editor de página, além de dois editores- gerais, responsáveis pelo direcionamento das pautas e fechamento da capa. Ao longo do dia eram realizadas três reuniões de pauta e fechamento da edição com a equipe e o diretor Antônio João participava de pelo menos uma delas.

No documento Professores pesquisadores do projeto (páginas 131-133)