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Evolução da indústria brasileira de sistemas termossolares

INDÚSTRIA fabricante

4.4 A evolução da indústria brasileira

4.4.3 O crescimento do setor industrial termossolar

O Centro de Referência em Energia Solar e Eólica - CRESESB, mantido pelo Ministério de Minas e Energia - MME, registrava no ano de 2001, em seu site eletrônico, a existência de 19 empresas brasileiras atuando nessa área, já com tecnologia mais eficiente e controle de etiquetagem (CRESESB, 2001).

Em 1991, a ABRAVA (criada em 1962) passou a abrigar mais uma área de atuação, o Departamento de Aquecimento Solar – DaSol. No início, apenas quatro empresas se reuniram, com o objetivo comum de buscar o crescimento do mercado de aquecimento solar. Ao longo da década de 1990 o setor foi crescendo e novos atores passaram a integrar o núcleo. Os objetivos se estenderam e passaram a ser focalizados em torno do fortalecimento do setor, com estímulo ao desenvolvimento associativo, ao treinamento profissional, aos projetos de normalização e padronização de instalações, à etiquetagem de equipamentos, ao dimensionamento do mercado e ao incremento de linhas de financiamento.

A ABRAVA - DaSol, em julho de 2001, registrava 24 empresas associadas: 13 empresas de Minas Gerais, 7 de São Paulo, 2 do Espírito Santo, uma do Paraná e uma do Rio Grande do Sul (ABRAVA, 2001). No final de 2002, a entidade mostrava que já havia 31 empresas associadas, embora ela estimasse que houvesse 120 fabricantes no país. A Tabela 4.7 mostra a evolução do número de associados a partir da criação da DaSol em 1991 e o incremento a partir de 1999 com novos empreendedores integrando-se aos esforços e objetivos comuns.

Tabela 4.5 Evolução de associados de fabricantes do sistemas termossolares na ABRAVA 1991- 2005

1991 1992 1993 1994 1995 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2005

4 9 11 6 8 9 9 14 18 24 31 25

Fonte: ABRAVA, 2001; ABRAVA, 2003 apud Pereira et.al., 2003a; ABRAVA 2005. Tabela montada pela autora.

Em 2002, em um projeto de cooperação técnica entre a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de MG (EMATER), a Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) e a Agência Alemã de Cooperação Técnica (GTZ), foi elaborado um banco de dados dos agentes envolvidos com as energias renováveis no Brasil. A pesquisa fez parte das ações desenvolvidas

no estudo “Uso Racional de Energia na Agricultura”, cujo objetivo era a criação e desenvolvimento de modelos e estruturas para aumentar a eficiência do uso de energia na produção, processamento, transformação e conservação dos produtos agrícolas brasileiros. Parte da pesquisa resultou em uma publicação intitulada Catálogo de Fabricantes, Revendedores, Consultores e Pesquisadores de Energias Renováveis – 2002. Nesse catálogo foram listados, por área de atuação -- biomassa, eólica, hidráulica, solar fotovoltaica e térmica - os fabricantes, revendedores, consultores e instituições pesquisadoras que atuavam até então com seus endereços, telefones, sites e emails. Na área da energia solar térmica havia 42 fabricantes de equipamentos distribuídos pelo país (GTZ/EMATER-MG/CEMIG, 2002). Levantamentos realizados em fevereiro de 2005 nos sistemas de buscas de sites da Internet mostraram que das 42 indústrias que atuavam em 2002, 12 já não eram mais encontradas.

Nessa mesma época, 2002, dentro do escopo de sua dissertação de mestrado sobre fatores que influenciam o desempenho de sistemas termossolares, Widerski levantou o número de 34 empresas que fabricavam coletores e reservatórios térmicos solares em todo o Brasil (Widerski, 2002).

Uma pesquisa ampla de busca foi efetuada na Internet para o presente estudo, em maio de 2005, com diversas formas de busca eletrônica entre os fabricantes brasileiros que dispunham de site, como uma das formas de comunicação com seus consumidores. A investigação se concentrou nas indústrias que atuavam no mercado de aquecimento solar de água para o banho, que é o foco deste estudo.

Foram encontradas 50 empresas: 76% (38 indústrias) se concentravam nos estados de São Paulo e Minas Gerais, e 24% (12 indústrias) estavam dispersas nas demais regiões do país. Na cidade de São Paulo localizavam-se 2 fabricantes, com os demais 23 fabricantes, no interior do estado8. A Figura 4.19 mostra a grande concentração de indústrias localizadas nos estados de São Paulo (23) e Minas Gerais (12). Espalhadas nas demais regiões do país foram encontradas 12 indústrias.

8 Os fabricantes de equipamentos termossolares se localizam nas seguintes cidades paulistas: Indaiatuba (2), Bela Vista, São José dos Campos,

Pirajuí, Barueri, Hortolândia, Mococa, Campinas (5), São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, São Manuel, Rio Claro, Cotia, Birigui. Em Minas Gerais a capital Belo Horizonte abrigava 4 indústrias e as 8 demais no interior do estado, em Nova Lima (2), Ibiá, Campo Belo (2), Contagem, Poços de Caldas (2).

Figura 4.19 Número de fabricantes, por estado brasileiro, com site eletrônico em 2005.

Elaborado pela autora.

A análise dos dados sobre a data de fundação das empresas existentes em 2005, mostrados na Tabela 4.8, revela que as empresas que já possuíam tradição no segmento metalúrgico e no desenvolvimento e fabricação de sistemas de aquecimento de água, elétrico e a gás, optaram pela diversificação de seu mix de produtos com a introdução de tecnologias solares. Essas empresas pioneiras, criadas em 1928 (Aquecedores Cúmulus S/A Ind. e Com. Ltda), 1948 (JMS Industrial e Comercial Ltda.), 1950 (Hidrotécnica Aquecimento Piscina Ltda.), 1965 (Grupo Jacto-Unipac Indústria e Comércio Ltda.) e 1968 (Giacomet Termo Metalúrgica e Aquecimento Ltda) estão localizadas em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul, respectivamente.

Tabela 4.6 Data de fundação das indústrias termossolares no Brasil, existentes em 2005

1928 1948>1950 1965>1968 1970>1979 1980>1989 1990>1999 2000>2005 Não informaram

1 2 2 4 10 12 2 10

Elaborado pela autora.

É a partir de 1975 que inicia o interesse e o investimento do empreendedor brasileiro no aquecimento de água através da energia solar. Das 80 fábricas que foram criadas até o início da década de 1980, já vistas no levantamento de Ennes et al. (1985), somente 5 chegaram até 2005 (2 em Belo Horizonte, MG, 1 em São Paulo, SP, 1 em Campinas, SP, e 1 em Caxias do Sul, RS). Somadas às três empresas tradicionais em aquecimento de água, têm-se 8 empresas que até hoje comercializam equipamentos solares. Estas conseguiram vencer as barreiras pelas quais passa o desenvolvimento dos coletores solares no Brasil, pois já possuíam uma diversificação de produtos a lhes garantir o faturamento principal.

3 2 2 2

1 1 1

26

12

A década de oitenta consolidou mais 9 empresas: 4 no interior de São Paulo (São Manuel, Birigui, Barueri e Itu) e 1 na capital (São Paulo); 2 no interior de Minas Gerais (Poços de Caldas e Nova Lima); e 2 no Paraná, uma no interior (Marialva) e outra na capital (Curitiba). As empresas se estruturaram no eixo de maior desenvolvimento e maior renda, a região Sudeste, onde também está concentrada a produção das matérias-primas de seus produtos básicos.

A partir de 1990, o mercado de aquecimento solar do Brasil se consolidou com mais 14 indústrias, passando a comercializar os mais diversos produtos ligados ao aproveitamento da energia solar, como registros misturadores de água solar para a troca do chuveiro e da torneira elétrica, controladores digitais de temperatura e horário para o acionamento da resistência elétrica, secadores de frutas, secadores de roupa solar, duchas solares para piscina, entre outros acessórios. Alguns incentivos concedidos como a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI9 e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias – ICM10, ajudaram a

manter uma estrutura fabril e de mão-de-obra, cuja produção chegou, em 2005, a 3 milhões de metros quadrados de coletores instalados.