• Nenhum resultado encontrado

PARTE II: CONTEXTUALIZAÇÃO DA INVESTIGAÇÃO

Capítulo 7. Princípios Situacionais do Cristianismo no Brasil

7.1. Cristianismo Católico e Cristianismo Batista

7.1.1. O Cristianismo Católico Apostólico Romano

descobrimentos. Essas ações ultramarinas concederam a Portugal a ampliação de seu império colonial na África, Ásia e América Latina.

Já no final da Idade Média, a forte integração entre a igreja e o Estado na Península Ibérica deu origem ao fenômeno conhecido como padroado ou patronato real. O padroado era uma titulação concedida pela Igreja Romana a um determinado governante civil a fim de que este exercesse controle sobre uma igreja nacional. Dessa forma, entre os anos de 1455 e 1515, quatro Papas concederam direitos de padroado aos Reis portugueses, que assim foram recompensados por seus esforços no sentido de derrotar os Mouros, descobrir novas terras e trazer outros povos para a cristandade.

O processo de colonização do Brasil deu-se em conjunto entre o Estado e a Igreja de Roma no qual o Estado português desempenhou um papel predominante. O Estado forneceu os navios, custeou as despesas, construiu as igrejas e pagou o clero, e em contrapartida teve o direito de nomear os Bispos, recolher os dízimos, aprovar documentos e interferir em quase todas as áreas da vida da igreja. Compreende-se assim que os primeiros cristãos que chegarem ao continente Latino Americano eram oriundos das artimanhas colonizadoras dos países europeus. Assim tanto a Expansão Ultramarina, como a cristianização da América Latina não ocorreram por pura e simples coincidência, na verdade foram ações premeditadas entre a Igreja de Roma e o Estado Português, neste caso.

7.1.1. O cristianismo Católico Apostólico Romano.

O cristianismo católico chega ao Brasil junto com o que o navegante português, Pedro Álvares Cabral, denominou de descobrimento. A história descreve que no dia 22 de abril do ano de 1500 as 13 caravelas lideradas por Pedro Álvares Cabral ancoram no Brasil,

no Estado da Bahia. Por entender que esta nova terra conquistada pela simples reinvindicação da mesma e pelo desfraldamento de algumas bandeiras, por algumas falas e oferecimento de orações de graças, ato comum entre os conquistadores, Pedro Álvares Cabral denominou a mesma de Monte Pascoal. E no quarto dia após a chegada das caravelas portuguesas, o cristianismo católico fora implantado no Brasil através da realização da primeira missa em solo pátrio. Esta fora celebrada pelo Frei Franciscano Henrique Soares de Coimbra auxiliado pelo Padre Marcos de Oliveira Ferreira.

O nome de Monte Pascoal foi modificado por Pedro Álvares Cabral quando retornava a meta de sua navegação para a Índia, dado a sua dúvida do tamanho da terra descoberta, para Ilha de Vera Cruz, por entender que se tratava de uma ilha. Posteriormente o termo Ilha, fora substituído por Terra, ficando a denominação de Terra de Santa Cruz. Isso ocorreu dado a descoberta do possível tamanho dessa terra. Somente no ano de 1511, dado a exploração do chamado pau-brasil, a nova terra foi cunhada de Brasil.

Ordens e Congregações religiosas chegadas ao Brasil assumiram os serviços nas paróquias e dioceses, assim como assumem a educação nos colégios e a evangelização dos nativos. Em suma, inseriram-se na vida do país.

Os Frades Franciscanos apareceram nas capitanias com certa precocidade e as missões jesuítas se instalaram no ano de 1549, acompanhando o Governador-Geral Tomé de Souza. A Ordem dos Carmelitas descalços chegaram no ano de 1580, um ano após chegaram os Beneditinos seguidos pelos Franciscanos no ano de 1584. No ano de 1611 foi a vez dos Oratorianos, a dos Mercedários em 1640 e dos Capuchinhos em 1642 (Cunha,2009).

Durante o Séc. XVI e o Séc. XVII a legislação buscou estabelecer certo equilíbrio entre o governo central e a igreja, a fim de minimizar os constantes conflitos ocorridos

entre os colonos, índios e missionários. Este controle do Estado manteve-se até meados do Séc. XVIII por meio do padroado.

A ordem religiosa de maior influência neste período da história do Brasil foi a Sociedade de Jesus, os Jesuítas, essa ordem religiosa atuou de forma ininterrupta por 210 anos (1549 – 1759), exercendo enorme influência sobre a história religiosa e cultural, foi responsável, sobretudo, pela educação no Brasil, e dessa forma acabou por exercer forte influência sobre a história educacional. Muitos jesuítas foram defensores dos índios, como o afamado padre Antônio Vieira. Ao mesmo tempo, eles se tornaram os maiores proprietários de terras e senhores de escravos do Brasil colonial.

Com o rígido controle do Estado sobre a igreja, o cristianismo católico no Brasil assumiu um caráter obrigatório. Deve-se levar em conta que esta obrigatoriedade estava diretamente respaldada pela inquisição portuguesa, o qual sempre teve influências sobre a evolução do catolicismo brasileiro, apesar de que de forma diferenciada de outros países latino-americano, o Brasil nunca teve um Tribunal do Santo Ofício, sendo assim, os acusados ou suspeitos de atos contra o catolicismo no Brasil eram levados para serem julgados em Lisboa, Portugal (Hoornaert, 1978).

No período colonial o Estado exerceu um rígido controle sobre a área eclesiástica. Com isso a igreja teve dificuldades em realizar adequadamente o seu trabalho evangelístico e pastoral. Assim, o catolicismo popular era culturalmente forte, mas débil nos planos espirituais e éticos. Todavia, apesar disso, o catolicismo foi importante para o desenvolvimento do país, principalmente no seu sentido de expansão geográfica.

O crescimento da diversidade religiosa no país tem gerado implicações para o catolicismo, essa é marcada de forma preponderante com o chamado fenômeno das consequências da modernidade e da pós-modernidade. Este fenômeno traz consigo verdadeiras transformações de mudanças paradigmáticas nas concepções sociais, morais,

religiosas e científicas, sem desconsiderar, todavia, as concepções estéticas e culturais globalizantes. Dados estatísticos apontam que em apenas um século a proporção de católicos obteve uma variância de apenas 7%. Ou seja, em 1872, a proporção de católicos era de 99.7% e em 1970 era proporção era de 91.8%. Desse período em diante percebe-se um decréscimo acelerado e significativo de 89.2% no ano de 1980 a 64.6% no ano de 2010 (IBGE, 2012).

A significância nesses dados é que pela primeira vez a queda percentual dos professos católicos ocorre de forma absoluta, ou seja, a população brasileira cresceu em uma média de 12,3%, ao ponto que os professos católicos diminuíram em uma média de 1.4%. Os professos católicos eram 124,9 milhões em uma população de 170 milhões no ano de 2000, e no ano de 2010 passam a ser 123.2 milhões para uma população de 190.7 milhões (PNAD/ IBGE, 2010).

Um Estudo desenvolvido pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (2011), demonstrou a evolução de queda constante na proporção dos professos católicos no Brasil em todas as idades. Essa mudança foi maior entre as faixas etárias mais jovens selecionadas para a amostra que foi entre 15 e 19 anos de idade. Neste caso a queda foi de 75.22% para 67.49%. Todavia, entre os mais velhos, que ocuparam a faixa etária acima de 60 anos de idade, esta queda foi consideravelmente menor, sendo esta queda de 77.53% para 74.24%. É importante ressaltar uma aproximação, cada vez maior, segundo os indicadores sociais da PNAD/IBGE (2010), entre a Igreja Católica Apostólica Romana, que detém a religião oficial do Brasil, e os evangélicos protestantes, com uma projeção para o fim da hegemonia católica (Camurça, 2010).

7.1.2. O cristianismo batista.

Com a independência do Brasil, surgiu a necessidade de atrair imigrantes europeus, inclusive protestantes. A Constituição Imperial, promulgada em 1824, concedeu-lhes certa liberdade de culto, ao mesmo tempo em que confirmou o catolicismo como religião oficial (Matos, 2011).

O cristianismo apresentado pela Igreja Católica Apostólica Romana era composto por um formalismo típico do catolicismo brasileiro, que na verdade sua prática era uma espécie de manobra política dos brasileiros para não caírem nas mãos e no desagravo do Tribunal de Lisboa e ver seus bens confiscados, visto que quem não professava a fé católica tinham que ao menos respeitar a igreja e seus preceitos. Dessa forma, os cristãos católicos não eram tão católicos assim. Ou seja, a forma da fé era obrigatoriamente católica, todavia, o conteúdo da mesma escapava-se dos olhares do Santo Ofício, o que acabou por facilitar a formação do sincretismo religioso dentro do quadro geral das fórmulas católicas (Hoornaert, 1978).

No início do governo de D. Pedro II, apareceram as missões estrangeiras protestantes, cuja propaganda, inicialmente discreta, acabou por ganhar notoriedade dando assim origem à manifestação de um cristianismo protestante local, autônomo e grandemente influenciado pela mentalidade religiosa do país. Além disso, ocorreram duas outras circunstâncias que acabaram por favorecer a chegada das missões estrangeiras, a saber: as disposições do Imperador, que apesar de professar a fé católica e observar os ensinamentos e práticas do catolicismo, não era tão entusiasta à mesma, e a necessidade que o Brasil tinha de ser povoado por imigrantes.

D. Pedro temia mais, para os direitos do Estado, o fervor do catolicismo do que o proselitismo religioso dos missionários protestantes. Segundo Léonard (1981), D. Pedro

Documentos relacionados