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CAPÍTULO II: ENQUADRAMENTO NORMATIVO E TEÓRICO

2.3. O currículo na Educação Pré-Escolar e no Ensino Básico em Timor-Leste

2.3.1. O currículo na educação pré-escolar em Timor-Leste

Nesta linha, as novas orientações curriculares para a EPE retomam a discussão sobre a relevância que se deve ter na qualidade da educação de infância, simultaneamente, com a realidade internacional e as orientações da OCDE e o Ministério da Educação de Timor-Leste.

No artigo 3.º do DL n.º 3/2015 está escrito: (…) entende-se por CNB o conjunto de valores, conteúdos e objetivos que constituem a base da organização do ensino e da apreciação sobre o desenvolvimento das crianças, relativos aos três anos da EPE.

Todos os estabelecimentos da EPE públicos, particulares, ou cooperativos que integram a rede de ofertas de educação do serviço público e que facultam a EPE são obrigados a aplicar o respetivo CNB. Para efeitos do DL n.0 3/2015, entende-se por CNB da educação de infância “o

conjunto de valores, conteúdos e objetivos que constituem a base da organização do ensino e da apreciação sobre o desenvolvimento das crianças relativos aos três anos do período de educação pré- escolar”. Além disso, “o currículo concretiza-se em planos de estudo, bem como, em métodos e técnicas de ensino elaborados de acordo com os resultados curriculares que formam o seu conteúdo” e o desenvolvimento das habilidades e conhecimentos que foram adquiridos pelas crianças, tendo como referência os programas curriculares, bem como, os resultados da aprendizagem que são atingidos pela faixa etária. O núcleo essencial do currículo da EPE são “os princípios orientadores, resultados de aprendizagem e a carga horária mínima de ensino” (idem, pontos 1-5 do art.º 3.º). Os documentos e normativos da EPE que guiam, suportam e orientam os educadores da infância a implementar este currículo são: o manual do plano de sessão (em língua tétum), o CNB, as revistas ou alguns livros que contêm histórias coerentes com as crianças de 3 a 6 anos de idade, sejam de uma ONG nacional, internacional, das comunidades ou das autoridades locais.

“A educação pré-escolar, na sua componente formativa, é complementar ou supletiva da ação educativa dos pais ou da família com os quais estabelece estreita cooperação” (ponto 2 do art.º 7.º, da LBE).

Realçamos que todo o movimento em prol da EPE deve estar bem articulado com os pais/encarregados da educação pois, por ser facultativo, não pode perder a sua relevância para o futuro dessas crianças, mobilizando toda a sociedade na luta contra a desigualdade social, através de uma educação equitativa e igualitária.

2.3.1.1. A organização do currículo da educação pré-escolar em Timor-Leste

O currículo da EPE organiza-se por três áreas de conhecimentos: linguagem oral e escrita, domínio da matemática e desenvolvimento geral.

A área de conhecimento linguagem oral visa “dar à criança a oportunidade de desenvolver a sua capacidade de comunicação”, exclusivamente a conveniência de “comunicar as suas próprias ideias aos outros, oralmente, ou seja, através de desenhos e/ou palavras e de compreender as ideias dos outros”. Com base nisto, considera-se que a língua “serve como instrumento para o ensino das outras áreas de conhecimento e como meio de comunicação” entre os intervenientes, no sentido da

interação entre “o educador de infância, criança e a família ou responsáveis da criança”. Foi por isso que, em caso de necessidade, os educadores devem fazer uso da língua materna da criança “como instrumento de acesso efetivo ao conteúdo curricular desta área de conhecimento” (pontos 1 e 4 do art.º 13.º e ponto 1 do art.º 17.ºdo DL n.º 3/2015). Esta área de conhecimento é desenvolvida pela

leitura, a escrita da criança, fala e através dos ouvidos. O processo da aprendizagem da literacia é realizado em três fases, designadamente: a. enfoque na atividade da literacia à turma inteira; b. dirigir a atividade através de forma um pequeno grupo e; c. desenvolver a atividade a partir de brincadeira. Além do mais, esta área de conhecimento é desenvolvida de acordo com o princípio global do método fonético ou sintético construtivista (CNB da EPE, 2014). Enquanto isso, a área de conhecimento do domínio da matemática visa:

possibilitar o desenvolvimento da habilidade da criança de usar conceitos matemáticos básicos e de os relacionar com o mundo à sua volta, de desenvolver capacidades relacionadas com os números, construindo, assim, uma sólida base para a transição para o ensino básico e; a matemática foca-se na aprendizagem sobre o uso e a manipulação dos números, a aplicação da linguagem matemática, a propriedade das coisas, a medição e formas básicas dos objetos com que a criança se relaciona no seu quotidiano, através do uso de materiais práticos (ponto 1 e 2 do art.º 14.ºdo DL n.º 3/2015).

Tal como a área de conhecimento linguístico, esta área de conhecimento também está escrita em língua tétum e, quando há crianças que não conseguem compreender os conteúdos ou os números desta área em tétum, o educador vai utilizar a primeira língua da criança para aceder a esses conteúdos. Entretanto, as crianças vão aprender a matemática, quando contactam com os materiais reais que as vão ajudar a compreender aquilo que o educador está a ensinar, o educador deve deixar- lhes segurar os materiais práticos com as próprias mãos e observá-los. E esta área de conhecimento no currículo divide-se em três sessões: a sessão do número, a mediação e caraterização e, por último, a geometria. O processo de aprendizagem desta área é realizado em três fases: primeiro – focar a atividade da matemática à turma inteira; segunda – dirige a atividade de modo a formar um pequeno grupo e; terceira – desenvolver a atividade através de brincar. Cada educador tem que ter em conta estas três fases para o sucesso de aprendizagem da criança (CNB da EPE, 2014).

A área de conhecimento de desenvolvimento geral compreende o desenvolvimento sócio- emocional e o desenvolvimento físico. O desenvolvimento sócio-emocional foca-se no desenvolvimento social e na identidade, enquanto o desenvolvimento físico é focado na saúde motora fina e motora grossa (viver saudável). Esta área é desenvolvida através de atividades lúdicas, sobretudo através do brincar, embora também se desenvolva completamente na turma. Ela “tem por objetivo o desenvolvimento integral da criança, no sentido de lhe oferecer “a oportunidade de compreender a sua

identidade e de desenvolver o seu eu social, emocional e físico” e “foca-se no raciocínio da criança e aprendizagem inicial sobre o mundo, principalmente através de atividades lúdicas apropriadas” (ponto 1 e 2 do art.º 15.º do DL n.º 3/2015 e CNB da EPE, 2014).

No preâmbulo do DL n.º 3/2015, que aprova o CNB da EPE, está escrito que o currículo “será implementado de forma a garantir, através de uma progressão linguística que, no final da EPE, as crianças possuem uma base de linguagem oral numa das línguas oficiais” (ponto 3 do art.º 13.º). No art.º 8.ºda LBE está escrito que “as línguas de ensino do sistema educativo timorense são o tétum e o português”. Apesar disso, segundo a política educativa da EPE em Timor-Leste, a língua materna é considerada como a língua principal de acesso à aprendizagem, considerando que ela poderá levar as crianças aos processos de aprender a língua tétum. Além do mais, o plano de sessão contém todas as atividades das aprendizagens escrito em língua tétum, mas também tem as instruções do uso da língua materna. Neste sentido, essas instruções são para guiar os educadores a implementar os componentes curriculares, de acordo com o método predefinido e com a finalidade de ajudar o educador a acompanhar e esclarecer os conteúdos ou palavras que a criança não consegue entender em tétum. Tudo isso é para manter e está “refletindo a sociedade multilingue e multicultural timorense (2015, DL n.º 3/2015 e CNB da EPE, 2014).

2.3.1.2. A Organização do Ano Escolar na Educação Pré-Escolar12

A organização do ano escolar para a EPE é compreendida entre o dia 1 de janeiro e o dia 31 de dezembro de cada ano e o ano letivo é entendido como o período contido dentro do ano escolar, no qual são desenvolvidas as atividades escolares e corresponde a um mínimo de 180 dias efetivos. No caso dos dias efetivos do ano letivo são estabelecidos no calendário escolar e devem ser atribuídos: de forma equilibrada de acordo com os períodos determinados, intercalados por períodos de interrupção das atividades letivas, a fim de promover o desenvolvimento pleno da criança, garantir o direito dos educadores de infância a gozar de licença anual. O calendário escolar deve ser definido por diploma ministerial do membro do governo responsável pela área da educação, devendo o mesmo ser aprovado e publicado até um mês antes da conclusão do ano letivo.

12 Essas informações foram obtidas no currículo nacional de base da educação pré-escolar. Disponível em