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4 RESPONSABILIDADE CIVIL

4.2 Pressupostos da Responsabilidade

4.2.2 O Dano

Para que haja a configuração da responsabilidade civil, é indispensável a existência de um dano ou prejuízo. Sem a ocorrência deste elemento não há o que indenizar, não havendo que se falar em responsabilidade.

Corroborando com este entendimento, Sérgio Cavalieri Filho traz:

O dano é, sem dúvida, o grande vilão da responsabilidade civil. Não haveria que se falar em indenização, nem em ressarcimento, se não houvesse o dano. Pode haver responsabilidade sem culpa, mas não pode haver responsabilidade sem dano. Na responsabilidade objetiva, qualquer que seja a modalidade do risco que lhe sirva de fundamento – risco profissional, risco proveito, risco criado etc. –, o dano constitui o seu elemento preponderante. Tanto é assim que, sem dano, não haverá o que reparar, ainda que a conduta tenha sido culposa ou até dolosa. (FILHO, 2000, p.

70).

Maria Helena Diniz (2005, p. 63), leciona que, “o dano é um dos pressupostos da responsabilidade civil, visto que não poderá haver ação de indenização sem a existência de um prejuízo. Só haverá responsabilidade civil se houver um dano a reparar”.

Deste modo, ensina Venosa (2006, p. 32) “sem dano ou sem interesse violado, patrimonial ou moral, não se corporifica a indenização. A materialização do dano ocorre com a definição do efetivo prejuízo suportado pela vítima”.

30Art. 187 Código Civil: “Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes”.

Neste norte, instrui Gonçalves (2007, p. 35) que, “ainda mesmo que haja violação de um dever jurídico e que tenha havido culpa, e até mesmo dolo, por parte do infrator, nenhuma indenização será devida, uma vez que não se tenha verificado prejuízo”.

Por isso, não se admite falar em responsabilidade sem que tenha efetivamente existido um prejuízo, e se este prejuízo for comprovado juntamente com o nexo de causalidade, o sujeito que causou tal dano, terá no âmbito civil, a responsabilidade de ressarcir, independentemente se o dano for de ordem patrimonial ou mesmo se for dano moral, o qual ofende a honra, a reputação da vítima.

Neste diapasão, sendo a reparação do dano, como produto da teoria da responsabilidade civil, uma sanção imposta ao responsável pelo prejuízo causado em favor do lesado, tem-se que, em regra, todos os danos devem ser ressarcíveis, uma vez que mesmo impossível a determinação judicial de retorno ao status quo ante, sempre se poderá fixar uma importância em pecúnia, a título de compensação.

Assim sendo, o dano pode ser dividido em dano moral e dano patrimonial, sendo o primeiro, as lesões sofridas pelo sujeito ou pessoa natural de direito, não envolve dinheiro, nem algum produto que obtenha algum valor, ou seja, o conjunto de tudo aquilo que não seja suscetível de valor econômico, mas sim o sofrimento, a vergonha, humilhação que a pessoa causa com sua prática danosa. Já o dano patrimonial, é aquele quando há uma deterioração de algum bem que possui um valor determinado, um patrimônio.

Sobre o dano moral e o dano patrimonial, será discorrido em seguida, distinguindo um do outro.

4.2.2.1 Dano patrimonial

Para definir o dano patrimonial, necessário se faz ater-se no conceito de patrimônio, haja vista que o termo “dano patrimonial” vincula a noção de lesão ao conceito de patrimônio.

Patrimônio, portanto, é uma universalidade jurídica constituída pelo conjunto de bens de uma pessoa, sendo por sua vez, um dos atributos da personalidade e como tal intangível, ou seja, são os bens economicamente úteis que se encontram dentro do poder de disposição de uma pessoa.

Dano patrimonial por sua vez, vem a ser a lesão concreta, que afeta um interesse relativo ao patrimônio da vítima, consistente na perda ou deterioração, total ou parcial dos bens materiais que lhe pertencem. Pode-se dizer que o dano patrimonial é aquele suscetível de avaliação pecuniária, podendo ser reparado por reposição em dinheiro, denominador comum da indenização.

Para Diniz:

O dano patrimonial mede-se pela diferença entre o valor atual do patrimônio da vítima e aquele que teria, no mesmo momento, se não houvesse a lesão.

O dano, portanto, estabelece-se pelo confronto entre o patrimônio realmente existente após o prejuízo e o que provavelmente existiria se a lesão não se tivesse produzido. O dano corresponderia à perda de um valor patrimonial, pecuniariamente determinado. O dano patrimonial é avaliado em dinheiro e aferido pelo critério diferencial. Mas, às vezes, não se faz necessário tal cálculo, se for possível a restituição ao statu quo ante por meio de uma reconstituição natural. (DINIZ, 2005, p. 70).

O prejuízo patrimonial será aquele que poderá ser ressarcido mediante pagamento de todos os danos sofridos no bem, fazendo com que o mesmo volte ao estado anterior à lesão.

Segundo Maria Helena Diniz (2005), em toda obrigação ressarcitória o indenizante deverá procurar um estado de coisa que se aproxime da situação frustrada, isto é, a que existiria se não tivesse ocorrido o dano. O dano poderá ser reparado nas seguintes situações: a) pela reparação natural, que é a restauração do statu quo alterado pela lesão, o qual poderá consistir na entrega da própria coisa, se objeto de furto, ou de objeto da mesma espécie; b) pela indenização pecuniária quando for impossível restabelecer a situação anterior ao fato lesivo.

Repita-se, o dano material pode ser definido como a diferença entre o que se tinha e que agora se tem, devendo ser ressarcido para que volte a ser como eras antes, é o que prevê nos artigos 402 e 403 do Código Civil31.

Destarte, o dano patrimonial pode ser classificado como lucro cessante e dano emergente, sendo que este seria a diminuição efetiva do patrimônio, e aquele seria a frustração de um ganho, ocasionado pelo dano sofrido.

31 Art. 402 Código Civil: “Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos devidas ao credor abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar”.

Art. 403 Código Civil: “Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor, as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto, sem prejuízo do disposto na lei processual”.

4.2.2.2 Dano moral

O dano moral ressalta efeitos lesivos marcados pela dor, pelo sofrimento, como a apatia, a morbidez mental, que tomam conta do ofendido. Consistindo na lesão de direitos cujo conteúdo não é pecuniário, nem comercialmente redutível de dinheiro. Pode-se dizer que o dano moral é aquele que lesiona a esfera personalíssima da pessoa, que são bens jurídicos constitucionalmente tutelados.

O dano moral pode ser de natureza direta e indireta. Entende-se por dano moral direto, uma lesão a um bem jurídico contido nos direitos da personalidade, como a vida, a integridade física, a honra, dentre outros, ou nos atributos da própria pessoa natural, como no seu nome, a capacidade civil. Já o dano moral indireto, é tido como uma lesão a um bem material, mas que reflita em dano de ordem moral, como é o caso de perda de algo com forte valor afetivo.

Na definição de Rodrigues (2003, p. 188), “são lesões sofridas pelo sujeito físico ou pessoa natural de direito em seu patrimônio ideal, entendendo-se por patrimônio ideal, em contraposição a patrimônio material, o conjunto de tudo aquilo que não seja suscetível de valor econômico”.

No entendimento de Venosa (2007, p. 35) “dano moral é o prejuízo que afeta o ânimo psíquico, moral e intelectual da vítima”.

Assim, o indivíduo que expõe uma pessoa à condição constrangedora, humilhante, viola a honra, a imagem desta, surgindo assim, para a pessoa lesada, o direito de indenização.

Para Cahali,

Dano moral é a privação ou diminuição daqueles bens que têm um valor precípuo na vida do homem e que são a paz, a tranqüilidade de espírito, a liberdade individual, a integridade individual, a integridade física, a honra e os demais sagrados afetos, classificando-se desse modo, em dano que afeta a parte social do patrimônio moral (honra, reputação, etc.) e dano que molesta a parte afetiva do patrimônio moral (dor, tristeza, saudade, etc.), dano moral que provoca direta ou indiretamente dano patrimonial (cicatriz deformante, etc.) e dano moral puro (dor, tristeza, etc.) (CAHALI, 1998, p.

20).

Neste sentido, percebe-se a existência de vários conceitos de dano moral, todavia, em todos, encontra-se o sentimento íntimo abalado do indivíduo que sofreu o dano, o qual é passível de indenização. Assim, a reparação do dano moral, é em regra, pecuniária, uma vez que não há como voltar ao status quo ante. A reparação

em dinheiro, visa aliviar os reflexos de tristeza e mágoas causados à vítima, possibilitando a obtenção de momentos de prazer que em tese afastariam aqueles sentimentos desgostosos.

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