• Nenhum resultado encontrado

O desafio das empresas cooperativas

2.1.3 As cooperativas

2.1.3.3 O desafio das empresas cooperativas

Sabe-se que inúmeros são os desafios impostos às empresas, como um todo, atualmente, e as organizações cooperativas sofrem, com mais intensidade, esta realidade, pois precisa enquadrar-se, com suas peculiaridades, em um momento de transição, onde todas as organizações buscam seus espaços, para desempenharem suas finalidades.

Destaca-se, então, como sendo um dos maiores desafios para o sistema Cooperativista, a legitimidade para a gestão da Empresa Cooperativa, principalmente por ser uma organização diferenciada das demais empresas,

necessitando apresentar-se, para a sociedade, seu público interno e externo com uma imagem positiva, onde a confiabilidade passa a ser um componente vital para o sucesso da organização.

“O desenvolvimento econômico e, subseqüentemente, o financeiro, agora fica evidente, necessita de compatibilizarão com o desenvolvimento social. As estruturas sociais de cada país, em virtude da velocidade dos efeitos da globalização, tendem a aproximar-se quanto ao formato e expectativas, logo, o desenvolvimento social é fundamental ao equilíbrio das relações internacionais. Impossível, pois, torna-se vender a idéia de desenvolvimento econômico-financeiro dicotomizado do desenvolvimento social.” (PEREIRA, FONSECA, [s.d.], p.40).

Conforme LIMBERGER (1996), a legitimidade da empresa cooperativa deve apresentar, em primeiro lugar, atuação da alta direção em perfeita sintonia com os quadros sociais, os quais devem encontrar, na administração, pessoas com propósitos bem transparentes, que imprimam extrema confiabilidade na conduta e nas decisões que tomarem, em relação à empresa cooperativa.

Internamente, o quadro funcional também deverá perceber a clareza e a dedicação dos dirigentes, tanto daqueles que ao mesmo tempo são dirigentes associados eleitos, como dos dirigentes contratados. A estes, cabe comprovar, internamente, que seus propósitos profissionais estão à disposição do coletivo, e não da individualidade.

Afirma-se que esta relação é extremamente salutar, pois cria um elo de confiabilidade, dentro da organização, capaz de suportar a união dos cooperados, dos dirigentes e dos funcionários em torno da cooperativa, nos momentos de dificuldade, fato que, normalmente, ocorre dentro das empresas.

Outro aspecto que se destaca, quanto à legitimidade da empresa cooperativa, está vinculado a sua imagem externa, ou seja, quanto mais positiva for a imagem da empresa cooperativa, para a sociedade, mas fácil será a compreensão, por parte da comunidade, de ao seu papel social.

Se bem compreendida esta organização diferenciada, que é a empresa cooperativa, ora empresarial, ora associativa, mais facilmente será compreendida sua responsabilidade para com a sociedade. Mais facilmente serão prestigiados, pelos consumidores, seus produtos e serviços, transformando, portanto, sua imagem e seu conceito perante a comunidade, como uma empresa com imagem positiva,

que, além de preocupar-se com o resultado econômico e social dos seus integrantes, também envolve-se com a necessidade de promover o crescimento e o desenvolvimento social do ambiente em que atua, fato que contribuirá para consolidar seu conceito na sociedade.

Segundo COUVANEIRO (2004), as Empresas do Sistema Cooperativo são voltadas para prestações de serviços aos seus associados. Portanto, pressupõe-se que, ao procurar um empreendimento cooperativo, o cooperado precisa ter um nível de respeitabilidade bastante grande, em relação à organização da qual está se aproximando, para efetuar o ato cooperativo.

Pode-se deduzir que vários fatores influenciam para que uma organização cooperativa alcance um bom conceito junto ao mercado. De forma especial, as empresas prestadoras de serviço são muito exigidas quanto a esses fatores.

Algumas qualidades que essas empresas precisam ter, muitas vezes não são percebidas pelos seus dirigentes. Determinadas atitudes, ou posicionamentos da organização, contribuem, de forma negativa, na formação do conceito da empresa junto ao mercado, incluindo toda a sua área de influência, seja o público interno ou externo, assim como a sociedade em que a organização esteja inserida.

Segundo BERRY (2001), existem quatro princípios que definem um serviço de qualidade e, conseqüentemente, influenciam de maneira direta no conceito da organização: Confiabilidade, Capacidade de Surpreender, Recuperação e Honestidade destacam-se, de acordo com o autor, como de fundamental importância para o conjunto de fatores com prioridade na escala da preocupação dos dirigentes, se estes desejarem ter uma boa reputação junto aos clientes.

O autor, acima, salienta que, de modo geral, a qualidade na prestação de serviços declinou, no mundo intero, e em todos os ramos de atividade, reconhecendo, no entanto, que algumas empresas destacaram-se com uma melhoria sensível nas suas atuações.

Essa análise tem uma peculiaridade especial, porque, no setor das empresas de prestação de serviços, são as pessoas os vetores diretos que proporcionarão, ou não, um serviço de qualidade.

BERRY (2001) salienta uma visão importante a ser destacada, considerando que as pessoas, para prestarem um bom serviço, precisam estar devidamente motivadas, para bem desempenharem seu papel. É aí que entra a figura do Líder, como peça fundamental dentro da organização. Depende dele a formação de um

ambiente necessário para que os demais coadjuvantes, do processo, os liderados, portanto, desenvolvam suas atividades com tranqüilidade e motivação, alcançando as metas e objetivos da empresa.

Entende-se que se essa visão, importante às empresas mercantis, muito tem a ver com as empresas cooperativas, cujo relacionamento e ambiente necessitam gravitar em torno de pessoas que possuam um poder de agregação extraordinário.

Compreende-se que, não só em nível gerencial, e da alta direção da organização cooperativa, essa necessidade seja sentida, mas, transpondo essa realidade para o quadro de cooperados, observa-se que o grau de importância também se mantém, uma vez que as decisões fundamentais, dentro do sistema cooperativo, são determinadas por assembléias gerais, cuja participação direta dos cooperados, influência os líderes que a organização possua, lideres que devem possuir qualidades especiais, dependendo do ramo, ou setor, em que a organização atue.

“Eles devem ter as qualidades que caracterizem os bons líderes de qualquer organização e, além disso, ser defensores ardorosos da excelência dos serviços. Devem pregar por meio de exemplos e não de discursos. Se alguém não estiver decidido a prestar um serviço excelente, isso será visível em suas atitudes e os funcionários não darão ouvidos ao que essa pessoa disser. Outra qualidade importante é a integridade, porque ninguém está disposto a seguir uma pessoa desonesta. A verdadeira definição de líder é uma pessoa que tem seguidores, independente do título ou do cargo.” (BERRY, 2001, p. 69).

Como se pode observar, o papel do Líder, dentro da empresa, contribui, de forma decisiva, para a conceituação da organização junto aos clientes internos e externos. O reflexo do desempenho, desse, resultará na imagem que a empresa terá no mercado.

Em se tratando de empresa do Sistema Cooperativo, compreende-se ser um atributo, que atualmente, está deixando muito a desejar, pois, de forma geral, o conceito de empresa cooperativa apresenta uma deficiência quanto a sua identidade e seu conceito.

Muitas experiências negativas, que diz respeito à atuação de empresas cooperativas, têm contribuído para o baixo conceito que estas gozam, tanto junto ao mercado como aos seus clientes. Observa-se que as direções das empresas e seus representantes têm evidenciado esforços no sentido de reverter esse quadro de descrédito.

Acredita-se que o mecanismo utilizado através de ações administrativas, de forma isolada, pouco tem contribuído para alterar o quadro. A função dos líderes dessas organizações, nestes casos, representa muito nesta análise.

A confiabilidade e a honestidade dos líderes compõem princípios que devem ser observados, quando se trata de buscar boa conceituação para as organizações.