4 OGMs – ORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS
4.2 O desconhecimento acerca dos transgênicos
Carvalho (2016) aponta que existem acerca desses alimentos, tanto para os defensores da saúde para a população de forma geral. Além disso, a ausência de estudos científicos que apontem que a qualidade dos produtos se mantém a mesma após suas sementes sofrerem modificação traz alheamento e insegurança para o povo.
Em se tratando dos benefícios da transgenia para a população e a natureza, Alves (2004) ressalta o aumento da produtividade das colheitas, dado que que as sementes se tornam resistentes a vírus e pragas; a tolerância das plantas a condições adversas de solo e clima, pois muitas sofriam com a alta salinidade, déficit hídrico e baixas temperatura; o aumento da produção de fármacos; o aumento do potencial nutricional dos alimentos, com o desenvolvimento da maior concentração das vitaminas A, C e E nos frutos; a alta resistência de animais e vegetais a pragas, que dominam as lavouras e áreas de animais de corte e a redução do uso de agrotóxicos, tendo em vista que a medida que as plantas estão mais resistentes a ação de pragas, a redução da utilização de agrotóxicos acontece naturalmente.
Em contrapartida, o mesmo autor Alves (2004) aponta as consequências que permeiam o cenário dos transgênicos, são eles: a geração de novas pragas e plantas daninhas, pois a modificação das plantas pode acarretar o surgimento de novos parasitas que são capazes de resistir à mutação; os danos a espécies não-alvos, pois através do transporte do pólen é possível ocorrer contaminação de plantações nativas (não transgênicas) com os de genes modificados; a alteração da dinâmica dos ecossistemas, pois a inserção de uma nova espécie em um meio pode acarretar o desaparecimento de espécies da cadeia alimentar que utilizavam o meio natural tanto para alimentação quanto para reprodução, e a perda da biodiversidade, pois a manipulação dos genes pode causar o surgimento de novas espécies resistentes ao meio. Nesse contexto, todas essas manipulações podem acarretar no desaparecimento de espécies mais frágeis, impedindo a seleção natural.
Pusztai (2002), realizou-se um experimento que gerou bastante polêmica, no Rowett Institude da Escócia, com ratos sendo alimentados com batatas transgênicas e concluiu que os animais sofreram impacto tanto no sistema imunológico, quanto no desenvolvimento de órgãos
vitais. Pusztai deixou evidente que esses impactos poderiam ter sido causados devido à presença do gene modificado das batatas, bem como distúrbios nas funções encontrados nos próprios genes da batata.
Conforme Ribeiro e Marin (2012), também realizaram pesquisas envolvendo os potenciais riscos ao consumo de OGMs. Por meio de análises ultraestruturais e imunocitoquímica, observadas após o efeito da ingestão de soja transgênica Roundup Ready em ratos, foi possível verificar alterações em células do pâncreas e dos testículos. Com esses dados, concluiu-se que é possível que essas consequências estejam relacionadas ao número exagerado de herbicidas que estão presentes na soja.
As conclusões do cientista foram questionadas por algumas empresas científicas, que sugeriram que ele aprofundasse seus experimentos e desenvolvesse novos estudos para definir com clareza as hipóteses que focavam nos efeitos relatados. O fator preponderante da polêmica deu-se acima de sua pesquisa pelo fato dela ter sido realizada sem financiamento de empresas, ao contrário da maioria dos trabalhos sobre o assunto.
Ainda nesse contexto, Orsi (2015) publicou uma matéria com o intuito de provocar o consumidor a questionar se os alimentos transgênicos resultavam em algum tipo de autismo ou câncer. Foi apresentado um experimento, realizado na França, onde ratos foram submetidos a uma alimentação à base de milho transgênico durante o período de 2 anos. Ao fim do experimento, os ratos apresentavam grandes tumores. Como na região, para liberar um produto transgênico ao mercado é necessário avaliá-lo somente por 3 meses, o jornal fez uma crítica com base no experimento.
Conforme Orsi (2015), os resultados do estudo foram apresentados pelo jornal Food
and Chemical Toxicology Review. Esse fato demonstra que a preocupação com a saúde humana
e a sustentabilidade, hoje, ainda é foco das mídias voltadas para esse assunto. O jornal fez uma crítica embasada do conhecimento acerca do estado, pois para liberar um produto transgênico no mercado da região é necessário avaliá-lo somente por 3 meses. Estudos como esse evidenciam a necessidade de aprofundamento na área da genética, pois poucos meses são insuficientes para provar que um alimento a ser consumido diariamente não irá trazer danos à saúde.
orgânico. Além disso, auxilia na compreensão da limitação ao seu acesso. 5 ORGÂNICOS E SUAS QUESTÕES
No contexto social, conforme Forman e Silverstein (2012) uma análise agrícola apurou que a agricultura orgânica tem um impacto ambiental menor do que as demais, no entanto, ainda não é possível concluir se uma dieta à base de orgânicos proporciona mais benefícios para a saúde. Para realizar tais estudos, além do alto nível de complexidade, exigiria que a grande parte da população fosse atribuída de maneira aleatória à ingestão de alimento orgânico versus transgênicos em sua dieta. Não só isso, mas também é necessário que se identifique a relação entre a dieta com exposição a pesticidas e o estado de saúde de cada indivíduo.
Em se tratando de preço, de acordo com uma notícia publicada por Santos (2015), a diferença de preços entre os produtos orgânicos e os convencionais pode ultrapassar 270%. Um exemplo é o filé de frango, que tem seu quilo, normalmente, comercializado a R$ 12,90, enquanto o orgânico custa, em média, R$ 47,80. Infelizmente, o preço limita para o consumo em massa, mas isso acontece devido à falta de produção em larga escala. Por exemplo, no caso do açúcar e do café, os seus respectivos orgânicos já não possuem diferença significativa no preço, então a tendência é que à medida que se vender mais, se reduzam os valores.
Em 16 de outubro de 1998, com base na Portaria MA nº 505, considerou-se a exigência de certificação, conforme a Figura 06, para o mercado de produtos naturais com o objetivo de “Estabelecer as normas de produção, tipificação, processamento, envase, distribuição, identificação e de certificação da qualidade para produtos orgânicos de origem vegetal e animal”, conforme a Instrução normativa nº 007, de 17 de maio de 1999, que cita:
“Considera-se sistema orgânico de produção agropecuária e industrial, todo aquele em que se adotam tecnologias que otimizem o uso de recursos naturais e sócio-econômicos, respeitando a integridade cultural e tendo por objetivo a auto-sustentação no tempo e no espaço, a maximização dos benefícios sociais, a minizacão da dependência de energias não renováveis e a eliminação do emprego de agrotóxicos e outros insumos artificiais tóxicos, organismos geneticamente modificados - OGMs/transgênicos ou radiações ionizantes em qualquer fase do processo de produção, armazenamento e de consumo, e entre os mesmos, privilegiando a preservação da saúde ambiental e humana, assegurando a transparência em todos os estágios da produção e da
transformação”.
Figura 06: Certificação de produto orgânico e sua aplicação em embalagem.
Fonte: Certificação de produto orgânico - à esquerda (ORGANICSNET, 2019) Embalagem contendo certificação de produto orgânico – à direita (NATUE, 2019)
Darolt e Skora Neto (2002) discorreram sobre as principais diferenças entre a produção de soja orgânica e convencional, onde foram comparados os diferentes sistemas de cultivo, conforme mostra o Quadro 01:
Quadro 01: Principais diferenças entre a produção de soja orgânica e convencional.
Fonte: Darolt e Skora Neto (2002)
diferenças principais, destacam-se o modo de adubação e a forma de controle de invasores dos orgânicos, que se tratam de práticas bem mais sustentáveis e menos danosas ao meio ambiente, concordando com a instrução normativa para certificação do selo orgânico.
Em contraponto, em uma análise realizada por Franco et al. (2011) a respeito da comparação dos custos de produção e rentabilidade entre soja convencional e transgênica, foram desenvolvidos vários diagnósticos quanto à diferenciação dos custos de produção dos dois modelos, conforme o Quadro 02:
Quadro 02: Comparativo de Custos de Produção de Soja na Fazenda Missioneira (Método Convencional versus Método Transgênico – Safra 2008/2009).
Fonte: Dados da pesquisa de Franco et al. (2011).
Ao analisar o Quadro 02 a diferença dos custos dos métodos é evidente. De acordo com Franco et al. (2011), na série “Defensivos Químicos” a distância de pouco mais de R$ 65,00 (sessenta e cinco reais) entre o custo do método convencional e o custo do método transgênico por hectare é devido à redução de ingredientes químicos no cultivo que o método transgênico proporciona ao produtor. Outra condição observada, é que não há somente a redução dos produtos químicos na produção, como também a redução da mão-de-obra de combustíveis e manutenção, pois a utilização soja transgênica Roundup Ready possibilita a redução do número
de aplicação de defensivos por hectare.
Dessa maneira, é nítido que o indicador financeiro pesa para o produtor e pode ser fator preponderante na hora da decisão acerca de qual modelo de agricultura optar. De acordo com Struck (2015), ao investigar o porquê o mercado de orgânicos ainda não deslanchou no Brasil, o jornal apresentou que já exitse demanda que reforça o costume saudável. No entanto, dificuldades de logística, falta de insumos e dificuldades de exportação, são fatores que afetam a cadeia produtora e a distribuição efetiva desses alimentos.
Leiri (2018) publicou matéria a respeito das dificuldades encontradas no cultivo de plantas orgânicas. A matéria contou com o depoimento de Vinádio Bega, engenheiro agrônomo e especialista em agricultura orgânica. Para ele, não existe preconceito quanto ao cultivo de orgânicos. “O que existe é desinformação e certas dificuldades por não haver muita assessoria técnica especializada aos agricultores”, conclui Vinádio.
Nesse contexto, o especialista crê que quanto mais houver promoção e incentivo a esse tipo de produção, com insumos suficientes e auxílio aos agricultores, a saúde humana e a preservação ambiental estarão fazendo parte dos valores do mercado.
Como demonstrado por Assis e Romero (2002), nos sistemas produtivos atuais para produção comercial de alimentos, está explícito que, superadas as limitações técnicas, a maior dificuldade a se vencer serão sistemas de produção orgânica e seu respectivo mercado, visto que a demanda é crescente e que a oferta ainda não atende a demanda. Além disso, o autor cita que a agricultura orgânica tem bastante potencial de crescimento e que a proposta de produção agrícola, se usada de forma inteligente, pode permitir a entrada de um número considerável de novos agricultores brasileiros.
Caetano (2019) publicou uma matéria em relação ao ano de 2018, mostrando que o setor de orgânicos deve crescer em torno de 20%, chegando a movimentar mais de R$ 4 bilhões. No entanto, mercado brasileiro ainda é pequeno quando comparado ao mercado dos EUA, que movimenta US$ 50 bilhões no ano. Os dados de evolução não significam que o segmento não possua desafios para superar, como o preço dos produtos, que ainda é associado a produto caro, mas já é possível comprá-los a preços regulares.
restringe venda direta de orgânicos. No dia 2 de julho de 2018, a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei contendo novas regras que restringem essa venda direta. A venda de orgânicos diretamente ao consumidor deve ser feita apenas por agricultor familiar integrante de organização de controle social cadastrada nos órgãos fiscalizadores. Se o consumidor e o órgão fiscalizador puderem rastrear o processo de produção e ter acesso ao local de produção a venda poderá ser feita sem a certificação para garantir a verificação do produto, caso contrário, terá que ter o selo de certificação de produto orgânico.
Acerca desse tema, a seção 6 trata de dar início a metodologia utilizada para fundamentar detalhadamente o objeto de pesquisa a que o trabalho se propõe.
6 METODOLOGIA
Neste capítulo é descrita a metodologia da pesquisa relacionada aos objetivos geral e específicos do trabalho.
6.1 Classificação da Pesquisa
Por se tratar do estudo de uma determinada população a respeito do conhecimento e o sentimento acerca de produtos geneticamente modificados e orgânicos, a presente pesquisa classifica-se como descritiva, pois conforme Fontelles et al (2009) essa visa investigar e descrever as respostas com suas respectivas características de uma amostra da população, sem a necessidade de verificar o mérito do que foi respondido.
Conforme Cendón, Ribeiro e Chaves (2014), a escolha pelo levantamento por meio de
survey se deu pelo fato das web surveys serem automatizadas, viabilizarem preenchimento
automático de alguns campos e conterem botões para o próximo passo, facilitando o processo de pesquisa, e possuir a possibilidade de inclusão de comentários em questões abertas. Além disso, conforme Babbie (2005), as investigações surveys permitem colher dados de uma amostra representativa de uma população específica, a serem descritos e analiticamente explicados.
6.2 População e amostra
A pesquisa foi realizada com público, entre 20 e 70 anos de idade, que representa, em grande parte, a elite de Fortaleza – CE,e o foco da pesquisa era investigar a opinião dos compradores que fazem compras no supermercado eventualmente ou sempre. A técnica de amostragem dos dados foi feita por conveniência. Conforme Ochoa (2015) a técnica de amostra por conveniência se trata de selecionar uma amostra da população que seja acessível. Dessa forma, os indivíduos submetidos a pesquisa foram selecionados por estarem disponíveis e não por meio de um critério estatístico.
Em relação ao questionário, foram obtidos 140 formulários preenchidos, no entanto somente 114 foram validados, devido se encaixarem no público desejado para a análise dos dados ser feita.
Para realizar o estudo usou-se por base fontes primárias e secundárias. Conforme Mattar (2005) os dados primários são aqueles que são pesquisados com a finalidade de atender os objetivos específicos da pesquisa em andamento, são dados que previamente ainda não foram coletados. Já os dados secundários são os que já foram coletados, tabulados e até interpretados previamente com o intuito de esclarecer determinado assunto a fim de atender às necessidades de outras pesquisas em andamento.
Para a coleta dos dados primários, utilizou-se um questionário composto de 3 seções. A primeira seção do instrumento trouxe 4 questões a respeito de características gerais e demográficas dos respondentes, tais como gênero, faixa etária, renda familiar e escolaridade. A segunda parte do instrumento tem como interesse selecionar o público-alvo com uma pergunta de múltipla escolha, de forma a direcionar a pesquisa para compradores que fazem compras no supermercado sempre ou eventualmente. A terceira parte do instrumento traz a investigação a respeito do conhecimento e do sentimento dos compradores, contendo 20 questões, sendo 2 eliminatórias em que uma seleciona o respondente que sabe o que são produtos transgênicos para responder 9 afirmativas para resposta em escala Likert e a outra que seleciona o respondente que sabe o que são produtos orgânicos para responder as outras 9 afirmativas para resposta em escala Likert.
Dessa forma, foram realizadas 25 perguntas, as quais estão dispostas no Quadro 03, de congruência, a seguir:
Quadro 03 – Quadro de Congruência.
Fonte: Elaborado pela autora (2019).
A seguir, o Quadro 4 apresentando o funcionamento do questionário e suas respectivas seções.
OBJETIVOS ABORDAGEM TEÓRICA ABORDAGEM TEÓRICA Nº QUESTÕES
6. Você sabe o que é um produto transgênico? 7. Conheço a diferença entre os produtos transgênicos e orgânicos Ribeiro e Marin (2003) 4.1 Transgênicos no dia-a-dia 8. Conheço o selo de identificação de um produto Revista Galileu (2013) 4.2 O desconhecimento acerca
dos transgênicos 9. Conheço os riscos dos alimentos transgênicos para a saúde Pelaes e Schmidt (2000) 2 A ENGENHARIA
GENÉTICA E A 10.
Conheço os riscos da produção de transgênicos para a sustentabilidade ambiental
Diniz (2007) 4.1 Transgênicos no dia-a-dia 11. Sei que alimentos transgênicos estão presentes no 12. Você sabe o que é um produto orgânico? 13. Conheço a diferença entre os produtos orgânicos e 14. Conheço o selo de identificação de um produto orgânico Forman e Silverstein (2012) 4.2 O desconhecimento acerca
dos transgênicos 15.
Conheço as vantagens dos alimentos orgânicos para a saúde
Darolt e Skora Neto (2002) Caporali (2016)
3 A ENGENHARIA GENÉTICA E A SUSTENTABILIDADE
16.Conheço as vantagens da produção de orgânicos para a
sustentabilidade ambiental
Ministério do Meio Ambiente (2012)
4 OGMs - ORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS
17.Acredito que a produção de alimentos transgênicos traz vantagens para a indústria alimentícia 18. Acho fácil encontrar alimentos transgênicos para comprar 19. Acho os produtos transgênicos financeiramente acessíveis Carvalho (2016) 4.2 O desconhecimento acerca dos transgênicos 20.Me sinto confortável ao consumir um alimento transgênico, ao saber que é transgênico
21.Acredito que a produção de alimentos orgânicos traz
vantagens para a indústria alimentícia
22. Acho difícil encontrar alimentos orgânicos para comprar 23. Acho os produtos orgânicos muito caros
24.Me sinto confortável ao consumir um alimento orgânico, ao saber que é orgânico 25. Gostaria de consumir alimentos orgânicos na minha rotina
1. Qual seu gênero? 2. Qual sua faixa etária? 3. Qual sua renda familiar mensal? 4. Qual sua escolaridade?
5. Em relação as compras dos alimentos de casa, você se encaixa em qual perfil? * Phillips (2008) Phillips (2008) Alves (2004) Ribeiro e Marin (2003) Forman e Silverstein (2012) Santos (2015) Franco et al. (2011) Caetano (2019) Assis e Romero (2002) 2 COMPORTAMENTO E SUSTENTABILIDADE • Investigar o conhecimento do
shopper sobre os produtos orgânicos, suas características, vantagens, riscos e selos de identificação 5 ORGÂNICOS E SUAS