• Nenhum resultado encontrado

O DETERMINISMO CIENTÍFICO DO MODELO FÍSICO

O Capitalismo Humanista não é uma ideologia, e muito menos uma percepção metafísica do Direito. Por conta do seu viés holístico, é o resultado da aplicação científica da integração, por consubstancialidade, do capitalismo e dos direitos humanos e fundamentais. Está sedimentado em suas estruturas pela física quântica, que parte da física mecânica, desvendando a singularidade entre matéria e energia, ao reconhecer a consubstancialidade pela equivalência de elementos distintos, a partir da superação da física clássica, sem descartá-la. Daí a importância de se abordar a física e o Direito.

Mercê da física clássica, nacionalizadora do universo a partir do século XVI, o modelo mecanicista é o pilar estrutural, a linguagem matemática, forjada a partir do conhecimento cartesiano moderno. Fritjof Capra assim o descreve:

Na mecânica newtoniana, todos os fenômenos físicos estão reduzidos ao movimento de partículas materiais, causado por atração mútua, ou seja, pela força da gravidade. O efeito dessa força sobre uma partícula ou qualquer outro objeto material é descrito matematicamente pelas equações do movimento enunciadas por Newton, as quais formam as bases da mecânica clássica. Foram estabelecidas leis fixas de acordo com as quais os objetos materiais se moviam, e acreditava-se que eles explicassem todas as mudanças observadas no mundo físico. Na concepção newtoniana, Deus criou, no princípio, as partículas materiais, as forças entre elas e as leis fundamentais do movimento. Todo o universo foi posto em movimento desse modo e continuou funcionando, desde então, como uma máquina, governado por leis imutáveis. A concepção mecanicista da natureza está, pois, intimamente relacionada com um rigoroso determinismo, em que a gigantesca máquina cósmica é completamente causal e determinada. Tudo o que aconteceu teria tido uma causa definida e dado origem a um efeito definido, e o futuro de qualquer parte do sistema podia – em

princípio – ser previsto com absoluta certeza, desde que seu estado, em qualquer momento dado, fosse conhecido em todos os detalhes‖.120 A física mecânica comprovou matematicamente o racionalismo cartesiano e foi determinante a influência do modelo newtoniano na visão de mundo da modernidade, que ainda se observa em tempos atuais, como aponta Danah Zohar:

Atualmente, nossa percepção da realidade social e política, ou seja, toda nossa percepção da ―modernidade‖, é mecanicista. Plasmou-se com a reação direta à revolução filosófica e científica do século XVII, que deu origem à ciência moderna e se reforça diariamente com a nossa exposição constante à tecnologia que nos rodeia. O próprio Isaac Newton, a grande figura dessa nova ciência mecânica, acreditava que os fundamentos de sua obra podiam aplicar-se aos problemas da filosofia moral. (...)

Assim como Newton formulou as leis fundamentais da realidade física, os filósofos e sociólogos, viajando na sua esteira, esperavam descobrir os axiomas e princípios básicos da vida social. Seu universal maquinismo de relógio converteu-se em modelo a partir do qual se comparava o Estado com um mecanismo preciso, sujeito a leis, e retratavam-se os seres humanos qual máquinas viventes.

Ambas as metáforas subsistem hoje em dia em expressões como ―a máquina administrativa‖ e ―o aparelho do Estado‖ e nas implicações filosóficas da inteligência artificial: nós somos ―máquinas de pensar‖, podemos estar ―ligados‖ ou ―desligados‖; quando finalmente entendemos alguma coisa, foi porque a ―ficha caiu‖; nós fomos ―programados‖ para o sucesso ou fracasso.

As pedras angulares do mundo físico de Newton eram átomos tão numerosos e impenetráveis que se atropelavam, girando no espaço, e colidiam entre si quais minúsculas bolas de bilhar. Os únicos atores do drama espaço-tempo eram essas partículas e as forças de atração ou repulsão que entre elas operavam121

Juarez Rogério Felix também anota a influência dessas ideias, inclusive sobre as ciências humanas:

As ciências humanas não se mostraram infensas a essa nova ordem de ideias, que vê na matemática a melhor linguagem para explicar o mundo. O Positivismo Filosófico de Augusto Comte é uma primeira manifestação filosófica que postula a necessidade de que também as ciências humanas sejam pensadas pela tríade componente da ciência moderna: razão, matemática, experiência.

As ciências humanas caminham, nessa linha de evolução das ideias, para aquilo que veio a ser conhecido como cientismo ou cientificismo. Funda-se

120 CAPRA, op. cit., p. 51/52.

121 ZOHAR, Danah, Sociedade quântica: a promessa revolucionária de uma liberdade verdadeira. Trad.

então a era da certeza, que só viria a ser contestada a partir dos novos pressupostos da física quântica, desafiadora do modelo determinista da causalidade usado na mecânica clássica de Newton.122

Ora, não se cogita o abandono do inegável avanço científico decorrente do determinismo newtoniano, que continua aplicável à física e às ciências das demais áreas do saber, fragmentadas pelo racionalismo cartesiano, por permitirem, segundo esses modelos, a compreensão de qualquer fenômeno autônoma e integralmente, em termos de certeza científica.123

O que se cogita é o reconhecimento de que, para a compreensão da física e das ciências das demais áreas do saber, não basta mais o racionalismo cartesiano e o consequente determinismo newtoniano, sendo necessário um novo olhar, um olhar holístico, por conta da consubstancialidade e da constituição decorrente das singularidades, implicadas pela inter-multi-trans-disciplinaridade. Há que se ir além do determinismo newtoniano, o que não significa descartá-lo. E a física já avançou por meio da física quântica, que desvendou o princípio da complementaridade, que é o equivalente matemático ao fenômeno da inter-multi-trans-disciplinaridade para as ciências sociais.

Fica evidente, portanto, que o rigoroso raciocínio cartesiano fragmentalista e o determinismo newtoniano, decorrente do modelo mecanicista, que sustentaram a autonomia e neutralidade matemática e utilitarista ente a economia e os direitos humanos e fundamentais deve ceder, sem descartá-los, à ideia de consubstancialidade, através da complementariedade edificadora da singularidade quântica do Capitalismo Humanista.

122 FELIX, Juarez Rogério. Direito quântico: jusnaturalismo indeterminista. Disponível em:

<http://www.academus.pro.br/professor/juarezfelix/material_pdf/003.pdf>. Acesso em 12/11/15.

123 GOLDMAN, Flávio. Direito Quântico: revisitação e hipóteses de aplicação ao direito

contemporâneo. Dissertação (Mestrado em Direito) – PUC – SP, 2010. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/teste/arqs/cp136213.pdf. Acesso em 12/11/15.