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O dever constitucional do Estado Administrador

Conforme o exposto anteriormente, convém dispor acerca dos princípios norteadores da Administração Pública, tais princípios consistem basicamente em fazer valer a efetivação do interesse público, garantindo-se direitos, diante da positivação das normas. Conforme Bandeira de Mello (2016, p. 77):

Uma vez que a atividade administrativa é subordinada à lei, e firmado que a Administração assim como as pessoas administrativas não têm disponibilidade sobre os interesses públicos, mas apenas o dever de curá-los nos termos das finalidades predeterminadas legalmente, compreende-se que estejam submetidas aos seguintes princípios: a) da legalidade, com suas implicações ou decorrências; a saber: princípios da finalidade, da razoabilidade, da proporcionalidade, da motivação e da responsabilidade do Estado;

b) da obrigatoriedade do desempenho de atividade pública e seu cognato, o princípio de continuidade do serviço público;

c) do controle administrativo ou tutela;

d) da isonomia, ou igualdade dos administrados em face da Administração;

e) da publicidade;

f) da inalienabilidade dos direitos concernentes a interesses públicos;

g) do controle jurisdicional dos atos administrativos.

Basicamente a função destes princípios de Direito Administrativo são norteadores das competências da Administração Pública e fundamentam o seu agir. Acima de tudo, têm o escopo de controlar as atividades administrativas e, neste sentido, pode-se afirmar que a atuação da Administração Pública deve observá-los na concretização dos fundamentos constitucionais da república.

Mas há que se lembrar dos princípios constitucionais da Administração Pública. Detalhadamente convém expor tais princípios, os quais estão previstos na Constituição da República, que conforme o artigo 37 e submetem expressamente que “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência [...]”.

Genericamente falando, o princípio da legalidade, consiste em uma garantia, no que tange aos administrados, pois considerando que a validade de qualquer ato praticado pela Administração Pública só se efetivará mediante a lei. Pode-se dizer que este princípio impõe um limite para a atuação do Estado, logicamente visando a proteção do administrado diante da Administração Púbica. É o que salienta Celso Antonio Bandeira de Mello (2016, p. 60), pois “o princípio da legalidade explicita a subordinação da atividade administrativa à lei e surge como decorrência natural da indisponibilidade do interesse público, noção, esta que, conforme foi visto, informa o caráter da relação de administração.”.

Quanto ao princípio da impessoalidade cumpre evidenciar a ideia de tratamento sem discriminação, ou seja, a Administração Pública via administrador público, deve ser imparcial, neutra quanto as pessoas privadas. É o que se se espera da atuação da Administração Pública quando se afirma que o ordenamento jurídico ao estabelecer competências estabelece um dever, pois

Nele se traduz a ideia de que a Administração tem que tratar a todos os administrados sem discriminações, benéficas ou detrimentosas. Nem favoritismo nem perseguições são toleráveis. Simpatias ou animosidades pessoais, políticas ou ideológicas não podem interferir na atuação administrativa e muito menos interesses sectários, de

facções ou grupos de qualquer espécie. (BANDEIRA DE MELLO, 2016, p. 117).

Pelo princípio da moralidade temos que no que tange aos atos da Administração, além de obedecerem à lei, deve ser obedecida a moral. De acordo com este princípio, a Administração e seus agentes têm de atuar na conformidade de princípios éticos. Violá-los implicará violação ao próprio Direito, configurando ilicitude que assujeita a conduta viciada a invalidação, porquanto tal princípio assumiu foros de pauta jurídica, na conformidade do art. 37 da Constituição. (BANDEIRA DE MELLO, 2016).

Então por desrespeito ao princípio da legalidade se extrai que aquele que objetivar algum tipo de vantagem exclusivamente patrimonial indevida, por razão do cargo ou função que exerce, estará praticando ato de improbidade administrativa ou seja, ato ilícito.

Ao princípio da publicidade adere-se a obrigação de transparência de todos os atos que a Administração Pública executar, nesse sentido, por regra, nenhum ato pode ser sigiloso, ficando o seu conteúdo à disposição de todos.

O princípio da eficiência pressupõe que qualquer ato da Administração Pública deve buscar resultados. Nesta abordagem da ação administrativa, resultados são o próprio interesse público que deve ser concretizado de forma plena. Se este princípio se refere também ao da boa administração, de forma mais ampla, está aqui o elo que liga a cidadania e os direitos humanos à ação da Administração.

Sopesadas estas considerações acerca dos princípios previstos, insta salientar que, no que tange ao dever constitucional do Estado Administrador, temos que a Constituição da República (CR) figura como a lei máxima e seu texto exprime um conjunto de normas fundamentais que pressupõem a total observância das relações quanto ao Estado e a sociedade.

Em seu preâmbulo a CR proclama a instituição do Estado Democrático de Direito destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade,

a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos.

Nos termos do seu artigo 1º, inciso II, a cidadania surge como um dos fundamentos do Estado brasileiro, de modo que está estabelecido o dever de concretizar a igualdade no que tange aos direitos do cidadão. A Administração Pública surge então como a ligação entre o Estado e a sociedade e tem como finalidade trabalhar em favor do interesse coletivo através de ações que possibilitem a concretização dos direitos e, consequentemente, da cidadania plena e efetiva.

3.2 Os princípios fundamentais da República como materialidade da

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